Urbanos

Em dias de tempestade, raios e trovões, um grupo estranho pega seu barco e navega silencioso pelos esgotos mal cheirosos.

Chegam aos canais, alcançam as valas e ganham as ruas. Com o auxílio da noite, camuflados por suas enormes capas, diluem-se em meio a tantos rostos estranhos que enfrentam o mau tempo.

Ninguém se olha. Ninguém percebe os olhos amarelos. Pobres humanos, nem deram conta do que os atingiu.

Arrastados para os bueiros são devorados nas obscuras galerias de um metrô abandonado. Seus gritos são abafados pelo barulho ensurdecedor da passagem do trem sobre os trilhos.

Assim os homens crocodilo alvejam os incautos pelas ruas desertas e limpam os rastros com seus enormes rabos esverdeados.

Na próxima tormenta fiquem espertos. Não saiam sozinhos. Desconfiem dos enormes sobretudos.