Revelação

- Oi, Pai! Eai, como foi seu dia?
Perguntou Alice assim que entrou na casa e viu o homem na cozinha.
- Foi excelente querida, você pode vir aqui um instante?

A maciez presente na voz gerava um contraste inusitado com a forma precisa com que executava o corte do pedaço de carne crua sobre a bancada da cozinha.
- Só um instante, vou escovar os dentes, o Johnatan me deu um pastel horrível e preciso tirar esse gosto da boca.

- É claro meu bem, depois venha aqui.
O sorriso do pai sempre foi uma expressão encantadora para Alice.
Quando a garota entrou no banheiro, não precisou nem de meio segundo para resgatar uma antiga lembrança de infância, que, aparentemente, o pai havia deixado sugerida para ela.

Em sua frente, sobre o balcão da pia, as escovas de dente se cruzavam perfeitamente. Era assim que ela e seu pai deixavam identificada a pista de que uma mensagem secreta estava oculta sob vapor no espelho. Bastava um sopro de calor, e então, como mágica, as palavras surgiram diante dela.

Foi exatamente o que fez, mesmo sem sequer lembrar a última vez em que haviam brincado disso, e se provando estar certa, as letras rapidamente começaram a se revelar. O segredo oculto trazia apenas uma frase:
O HOMEM QUE ESTÁ NA CASA NÃO SOU EU!