Ping-Pong

“Pera-uva-maçã?” Ele respondeu que salada de fruta.

Nunca ganhara um beijo, e queria que fosse do sabor da goma de mascar que ela usava.

Cada bola que ela fazia e estourava, sentia aquele cheiro delicioso de tutti-frutti.

Ela olhou em seus olhos, estourou mais uma bola e perguntou se tinha que ser na boca.

“Oras, lógico, a brincadeira não é essa?” Não disse, mas pensou. Fez apenas que “sim” com a cabeça, olhando para os lados para ver se tinha algum adulto por perto.

Porque gente grande não entende nada da pressa que as crianças têm para serem felizes o tempo todo. Para eles, tudo tem o seu tempo.

Mas o beijo que ele queria era para agora, não para quando fosse adulto com 15 anos.

Instintivamente, fechou os olhos. Foi quando um lábio doce e molhado encostou ao seu. E mil foguetes explodiram no céu, na mesma rapidez que seu coração quase parou... e ela se afastou, deixando em sua boca o chiclete Ping Pong mais gostoso da sua vida!