Penumbra

Acordei de sobressalto, ainda era madrugada.

Olhei em volta e só vi a penumbra que preenchia todo o quarto. Meu corpo estremecia em um calafrio constante. Senti-me observado. Olhava para o teto, queria me virar, mas temia deixar minhas costas vulneráveis.

Não havia ninguém. Pensei em ver as horas, mas o medo me paralisava.

Até tinha sede, mas nem para alcançar o copo d'água não tive coragem.

Pensei em rezar contrariando meu ateísmo, mas não o fiz.

Busquei, então, pensar em coisas tolas, mas algo me fazia companhia. Sua presença me era perceptível.

Por fim consegui pegar no sono novamente.

Quando acordei de manhã, um alívio invadiu meu espírito.

Levantei com uma energia que nem parecia minha. Isso até ver o copo d'água intocado por mim, agora jazia vazio sobre o criado-mudo.