O Predador

Marcos era professor em uma escola pública. Com seus olhos verdes e um charme fatal, fez com que discursos imorais fossem encarados como brincadeira. Entre risos, na sala dos professores, falou sobre o corpo de uma aluna e como era difícil frear seus “instintos masculinos” perto dela.

Agia como se fosse um predador. As fofocas que corriam sobre a castidade de Ana, a professora de Ensino Religioso, atiçaram-no.

Após muita insistência, conseguiu convencê-la a sair em um encontro.

Aparentemente bêbada, ela o levou para seu apartamento. Arrastou Marcos para o quarto, puxou algemas de dentro de uma gaveta e, com um sorriso lascivo, o prendeu na cama.

— Não sabia que você era assim — Marcos disse num sussurro.

— Todos temos nossos demônios.

Se Marcos não estivesse pensando em como contaria sobre aquela noite para os colegas, teria percebido o círculo no chão e velas formando uma figura.

Ana saiu do quarto e trancou a porta. Houve apenas um grito abafado e o som de sangue jorrando. O demônio de que falara era real e precisava se alimentar".