Madrugada

Está bastante escuro. Minha pupila se esforça para assimilar alguma luz, mas nada acontece. Meu coração bate acelerado, e, por mais que precise, não posso respirar alto. Preciso ouvir todo e qualquer som.

Não escuto nem mesmo o vento que uiva pelas janelas do quarto, e, aos poucos, a visão começa a voltar, ainda que fragmentada, é o suficiente para que eu solte a respiração.

É então que eu o vejo, ao pé da cama. Ele sorri pra mim, um riso alegre, carregado de prazer e malícia. Não consigo me mexer, e, enquanto ele ri, penso. Sou a piada que o diverte?

Lentamente, tomo controle do meu corpo. Recuo até a cabeceira. Fixo nele meu olhar, mas, como em um piscar de olhos que nunca aconteceu, ele desaparece. Um frio na espinha me consome, imaginando onde foi. Revisto todos os cantos do quarto e penso.

Será que volta? Não. O que volta é a sensatez, recordando meu problema. Me cubro sem fechar os olhos. Já passam das três, e agora, finalmente, meus batimentos voltam a baixar.

Questiono meu problema por mais algum tempo. Rezo e logo adormeço. Não acordo mais, apenas ao amanhecer.

Mas pela noite, eu sou a piada que o diverte!