Lambuza

A boneca veio embrulhada em um lindo laço cor de rosa. Vivi mal podia acreditar: parecia um bebê de verdade, com olhos azuis famintos e bochechas manchadas de comida, acompanhada de um pratinho e colher plástico.

Júlia, como dizia o nome na caixa, foi o melhor presente de aniversário de todos e Vivi dormiu abraçada com ela naquela noite.

Durante a madrugada, no entanto, a menina acordou com um barulho. O travesseiro ao seu lado estava vazio e a porta do quarto aberta. Havia uma pequena sombra embaixo de sua cama.

-Mãe? Pai? - perguntou baixinho.

Não houve uma resposta. Apenas uma risadinha atrás de si.

Movida pelo susto, Vivi tomou impulso e se levantou, dando de cara com um corredor mal iluminado. Algo parecia lhe espreitar das trevas, pronto para agarrar seu tornozelo.

Ela soltou um grito e começou a correr, sentindo um vento frio na nuca no exato momento em que alcançou a segurança do quarto dos pais e trancou a porta.

Respirou aliviada.

Quando se virou, no entanto, se deparou com os corpos dos pais estraçalhados na cama.

Partes haviam sido arrancadas e mordidas e, sentada no meio deles, estava Júlia. Com o rosto lambuzado de sangue.