Fuga

Embolar as roupas, enfiá-las na mala, apenas o essencial, sim, o suficiente para viver só, apartado de qualquer opressão, o necessário para dias de frio e calor, uma bebida quente para atravessar a modorra, um livro para atiçar o tédio, de preferência com figuras, pois ainda não lê bem, mas decidiu-se; quer fazer aquilo que lhe apeteça.

Ora, a vida é pra ser vivida, desfrutada já que finita!

Contra a mutilação dos instintos protestava planejando fuga, criança dona do próprio nariz, assim se via até a mãe, batendo pé sob o beiral, braços em xícara, exclamar indiferente a pena daquela partida, pois jazia no forno um bolo.

Desconfiou o blefe, não nascera ontem, mas é inconfundível o cheiro de açúcar queimado com canela.

Tá bom mãe, amanhã eu fujo pra valer.