Enforcado

Fico parado observando o homem andar reclinado até o patíbulo, quase curvado até o chão, como se o peso de seus pecados o empurrasse para baixo.

A multidão grita, vaiando o condenado, enquanto o juiz lê seus crimes. Invasão. Roubo. Assassinato.

Me mexo com desconforto e encaro o culpado de frente, relembrando da última vez que havia visto minha esposa, antes de a terem encontrado em meio uma poça de sangue. O homem me encara de volta e um pouco de luta parece voltar aos seus olhos.

Tarde demais.

O chão se abre e a platéia reage com alegria enquanto suas pernas balançam no ar. Eu desvio o olhare espero o espetáculo terminar. Alguém aperta meu ombro e afirma que devo estar aliviado.

E eu realmente estou.

Agora sem a única testemunha, poderei herdar o dinheiro sem problema. E nunca mais vou ter que aturar aquela mulher novamente.