Dor

Prometera, ontem, uma massagem. Hoje esqueceu, amanhã também não lembrará, semana que vem muito menos. É folga, emenda de feriado, descerebrado, só pode, um descabimento desse, deixar a dona assim, de costas duras, bastava erguer o dedão e apertar aonde dói, não mata não, serviço de casa castiga a carcaça igual pegar no batente, parece que não entende.

Ela não quer mais, que fique maneta, esse quengo, a escopeta tá ali de canto, o tranco do último disparo foi tanto que travou a coluna, ai ai ai, esmigalhou os dedos todos.

Deixa passar o feriado que ela arruma outra mão, de outro homem, se insistir na preguiça vai fazer companhia para os demais na vala do quintal, é capaz de nascer um pé de frouxo se enterrar um terceiro no local. Oh mundo pra ter homem mole!

Ainda doem as costas.