Despedida

Ela costumava tomar chá enquanto observava o crepúsculo do alto andar onde morava.

No prédio vizinho ninguém fazia o mesmo, por isso assustou-se quando viu alguém postado na janela do apartamento nivelado ao seu.

O homem segurava uma rosa de pétalas negras como uma noite sem luar. 

Seu rosto estava oculto na penumbra e mesmo assim ela sabia que ele a observava. O estranho ficou lá, imóvel, até acenar.

Fingindo não o observar ela deu-lhe as costas e foi até a cozinha deixar sua xícara vazia.

Ao voltar para sala, olhou de relance para a janela, mas o homem havia sumido. Suspirou aliviada e atirou-se no sofá.

Sua noite seria tranquila como todas as outras não fosse o que a fez sufocar um grito na garganta.

Sobre uma das almofadas jazia uma rosa de pétalas negras.