Cristal

Ele nasceu em um magnífico palácio. Antes que pudesse sentir fome lhe davam de comer. Antes que desejasse algo já o possuía em mãos. Frio ou calor, nunca sentiu.

Todos lhe sorriam. Todos o bajulavam. Tudo lhe era possível.

Um dia, enquanto admirava a paisagem por uma de suas janelas, viu um pardal pousar sobre o peitoril.

O jovem exigiu que o pássaro pousasse em sua mão, mas o pardal voou para longe, pois era livre.

O coração do mancebo despedaçou-se, à semelhança de uma frágil taça de cristal.

Caído, nos braços de um de seus servos, deu seu último suspiro.