Conchas

Entre a areia da praia e o horizonte, há um mundão d’água pra mergulhar.

Fico aqui sentada, desenhando coisas com um graveto, imaginando quando o mar vai apagar. Um coração, meu nome e o nome de alguém.

Não importa mais; o mar apaga.
O mar leva e não volta mais.

Meus olhos se fixam onde a linha divisa o resto do mundo.

“Será que consigo nadar até lá...?
Seria um esforço inútil, já que sei que não vou te encontrar.”

Pensando em tudo e em nada, nem noto que a tarde chega e a noite cai.

Um vento frio me envolve e percebo que é a solidão quem me abraça, calma, mas com mãos enormes.

Um arrepio me eriça os pelos e não tenho mais medo - te reconheço.

Um gosto de lágrima me chega aos lábios, engulo em seco, e me despeço de ti.