Bete

Encantada com os cheiros, sons, movimentos, cores, formas e sabores; perdeu-se de sua família.

Pôs-se a perguntar aos transeuntes sobre o paradeiro dela. Apenas sorriam e lhe afagavam. Não entendiam a sua língua.

Depois de certo tempo, andar sem a família torna tudo muito ruim: os cheiros, sons, sabores e cores não se comparavam aos de sua casa. Queria voltar e não sabia como. Pôs-se a chorar uma angústia compungente.

Uma transeunte pequena, de olhos fagueiros cor de mel, tomou-lhe nos braços e, parecendo entender seu idioma, lhe acolheu em um abraço:

— Não chore menina! O que você faz longe de sua mãezinha?! Vou chamar-lhe de Bete, ok?!

Um beijo canino (que os humanos chamam de lambida) foi o sim bem traduzido pela mãe humana com quem conviveu por quatorze anos.