Aos Últimos

Aos que restarem.

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Ela faz esse trabalho há muito tempo, mas só é requisitada em ocasiões especiais. Ela não sente nenhum prazer em seu trabalho, e em coisa alguma. Apenas o faz.

Para os trabalhos cotidianos, existem subalternos. Esses sim sentem prazer, e a invejam.

Mas essa é uma ocasião especial. Mais uma vez ela veste seu manto, tecido especialmente para ela por seres mais antigos que o tempo.

Coloca sua majestosa coroa de fumaça negra, forjada com falsas almas de profetas e religiosos. Sua coroa chora e se lamenta eternamente.

Lentamente pega sua foice. Sentindo o cabo feito de tripas e ossos secos, se lembra das vezes que a usou. Confia absolutamente na lâmina.

Ela é a melhor naquilo que faz.

Ela está chegando.