Um brigadeiro roubado

Romance
Setembro de 2020
Começou, agora termina queride!

Sorvete Colorê

Conquista Literária
Conto publicado em
Uni duni tê

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Você sabe que encontrou o amor da sua vida quando você descobre que um brigadeiro está faltando.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Um brigadeiro roubado
0:00
0:00

Olívia começava a ficar ansiosa, amassando o presente, sentada no banco de trás do carro. Sua mãe estava um pouco perdida e agora buscava sinais de uma festa de aniversário: bexigas coloridas amarradas no portão, carros estacionados e música infantojuvenil alta.

-Vou ter que estacionar mais para frente, mas já chegamos, filha!-sorriu.

Olívia sentiu um gelinho no estômago: e se fosse a única menina na festinha do Tobias? Não se lembrava de vê-lo conversando com outras meninas na escola. Olhou para sua roupa e viu que não tinha sido uma boa escolha colocar um vestido para aquela festa.

Sua mãe parou para conversar com os pais do aniversariante, enquanto que Olívia entrava pela sala. Tobias veio em sua direção, com os olhos reluzindo o brilho do papel do embrulho, rodeado dos meninos de sua turma.

-Oi! Feliz aniversário, Tobias!-ela disse, estendendo o presente.

-Obrigado, Olívia.-agradeceu, sorrindo.

Sob ordens de abrir logo o embrulho, quase havia deixado-a plantada ali, virou-se e ofereceu a bochecha. Automaticamente, ela beijou. Pareceu estranho para os outros meninos, mas eram apenas as circunstâncias.

-Abre logo, Tobias! Eu quero ver também!-disse seu irmão bem mais velho, Edgar.

Tudo voltou ao normal.

-Quer se juntar às outras meninas, Olívia?-perguntou, e Olívia confirmou com a cabeça, aliviada.

-NOOOSSA!-exclamaram em uníssono os meninos ao descobrirem o carrinho de controle remoto. Não era a versão cara da super loja de brinquedos do shopping (os papéis de embrulho espalhados demonstravam que havia muitos deles por ali!), mas era tão cobiçado quanto. Bastava ver isso nos olhos dos meninos para ter certeza, inclusive nos de Edgar.

-Obrigado, obrigado, obrigado, Olívia!-disse Tobias. Correu em sua direção, abraçou-a apertado e beijou sua bochecha. Edgar riu.

-É um bobo mesmo!-disse para Olívia, que estava corada.

Ele bateu numa porta. Camila, uma amiguinha da escola, abriu. Lá dentro estavam outras seis meninas, inclusive a irmã mais velha de Tobias, Aline, organizando um desfile de moda.

-Espero que não estraguem meus vestidos desta vez!-comentou com o irmão, já azeda.

-É só hoje, Aline. Relaxa!-pediu Edgar.

Olívia sentou-se num canto, pegou um buraco quente e começou a comer. Sentiu-se deslocada. Desfile de moda não era bem brincadeira de aniversário. E as outras meninas nem sequer tinham dado o trabalho de perguntar se ela queria participar. 

-Nós vamos desfilar para o aniversariante e os meninos, oras!-respondeu Lívia, a popular da sala, quando Olívia havia perguntado para quem desfilaríam.

“Para os que estão mais interessados no carrinho de controle remoto ou para os que estão tentando ver você e elas de calcinha?”, pensou.

A todo momento, um grupinho de meninos (bobos) tentava espiar pela porta, mas eram barrados por Camila e pelos gritos de Aline. Quando o desfile começou, Aline saiu do quarto, para ir reclamar com a mãe. 

-Ei! Não come isso não!-disse Camila, quando Olívia ia pegar outro buraco quente que já não estava tão quente.-Eu sei aonde estão os salgadinhos melhores! Vem comigo, Olívia!

Entraram na cozinha e encontraram caixas e mais caixas de salgadinhos fritos e garrafas de refrigerante duvidoso. Como não havia nenhum adulto chato por perto, serviram-se a vontade. Conversaram sobre música, um gosto que tinha em comum, como descobriram. Ficaram tão entrosadas que Olívia arriscou imitar o toque da bateria de um rock clássico nas caixas de papelão, enquanto Camila enrolava no inglês, acabando sempre no refrão que conhecia bem.

Estavam se divertindo, até Camila começar a esfregar demais os olhos e a ficar vermelha.

-Puxa vida, querida, justo no melhor da festinha! Não me contaram que você é alérgica a corante! Não se preocupe, já liguei para sua mãe e ela já deve estar chegando!-avisou a mãe de Tobias. 

Olívia ficou ao lado da nova amiguinha até que a mãe chegasse, e se despediram, tristes.

Deslocada novamente, viu que as meninas agora brincavam de salão de beleza. Procurou os meninos, mas o pega-pega deles já começava a ficar um pouco violento. Então, a melhor solução que encontrou foi voltar para cozinha e comer. Entrou de mansinho, assustando Aline.

-Que susto, garota!-esbravejou, exagerada, com uma garrafa vazia nas mãos. - Quer brincar de Verdade e Desafio?

Olívia concordou porque estava curiosa - ainda não era a brincadeira que queria. Primeiro, nunca tinha brincado dessa brincadeira de meninos mais velhos. Segundo, parecia ser algo meio proibido, já que todas as vezes que um adulto passava, Aline escondia a garrafa.

Entraram no quarto dos pais de Tobias, onde apenas um abajur iluminava o ambiente. Tobias, Lívia e outras crianças estavam ali também. Sentados em círculo, Aline explicou as regras e começou a girar a garrafa. 

Até que era divertido. As verdades eram papo furado, mas os desafios eram os melhores, fazendo todo mundo gargalhar. Tobias teve que imitar uma galinha choca. Um menino teve que arrotar o abecedário, e uma menina reproduziu a fala e os trejeitos de sua arqui-inimiga, deixando Lívia desconfiada. Até Aline ficou mais relaxada. Era o que se esperava de crianças entre oito a dez anos de idade.

A garrafa girou. Era a vez de Olívia.

-Verdade ou desafio?-perguntou Lívia.

Toda empolgada em mostrar seu lado artístico, Olívia disse, convicta:

-Desafio! Desafio!

-Desafio você a beijar o aniversariante...

Ficou desapontada. Inclinou-se para frente, onde Tobias já oferecia a bochecha marcada de outros beijos de batom.

-...Na boca!-terminou, num tom de malícia.

Olívia e Tobias coraram. Alguns incitaram; outros ficaram na expectativa, incluindo Aline. 

Por um momento, Olívia teve vontade de gritar e sair correndo. Mas, afinal de contas, não era uma brincadeira? Não era um desafio? Tinha medo de beijar e tornar-se adulta muito rápido, assim como tinha sido o pai. Por outro lado, seria com quem dividia seu lanche no recreio, as colas na prova, suas brincadeiras, sonhos e segredos. Seria com seu melhor amigo do mundo inteiro desde o berçário. Mesmo com medo, sentiu no seu coraçãozinho que deveria beijá-lo. Tobias, com seu jeitinho risonho, mostrou seu “joinha”, o sinal que só os dois entendiam, e que dizia que tudo ficaria bem.

Beijaram-se, tão rápido e estralado, que começaram a rir, enquantos os outros tentavam entender a piada, menos Lívia que quase tropeçava no próprio bico.

Do lado de fora, começaram chamando para o parabéns.

Luzes apagadas, velinhas acesas, um brigadeiro roubado. Parabéns para você seguido de Com quem será?.

-Lívia!-gritou o irmão.

- Não! OLÍVIA! - corrigiu a irmã.

- Ah tá, pensei que tinha mudado!

Todos riram, menos Lívia.

-E agora, Olívia?-perguntou Tobias, encabulado com a rodinha que se formou ao redor deles.

-Não sei!-respondeu- Mas sei quero brincar!...E tá com você!

Deu-lhe um tapinha no ombro e saiu correndo. A rodinha se desfez aos gritinhos de empolgação, fugindo do pegador-aniversariante.

O beijo e outras questões ficariam para depois, e em seu devido tempo.


Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Você sabe que encontrou o amor da sua vida quando você descobre que um brigadeiro está faltando.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Um brigadeiro roubado
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0:00

Olívia começava a ficar ansiosa, amassando o presente, sentada no banco de trás do carro. Sua mãe estava um pouco perdida e agora buscava sinais de uma festa de aniversário: bexigas coloridas amarradas no portão, carros estacionados e música infantojuvenil alta.

-Vou ter que estacionar mais para frente, mas já chegamos, filha!-sorriu.

Olívia sentiu um gelinho no estômago: e se fosse a única menina na festinha do Tobias? Não se lembrava de vê-lo conversando com outras meninas na escola. Olhou para sua roupa e viu que não tinha sido uma boa escolha colocar um vestido para aquela festa.

Sua mãe parou para conversar com os pais do aniversariante, enquanto que Olívia entrava pela sala. Tobias veio em sua direção, com os olhos reluzindo o brilho do papel do embrulho, rodeado dos meninos de sua turma.

-Oi! Feliz aniversário, Tobias!-ela disse, estendendo o presente.

-Obrigado, Olívia.-agradeceu, sorrindo.

Sob ordens de abrir logo o embrulho, quase havia deixado-a plantada ali, virou-se e ofereceu a bochecha. Automaticamente, ela beijou. Pareceu estranho para os outros meninos, mas eram apenas as circunstâncias.

-Abre logo, Tobias! Eu quero ver também!-disse seu irmão bem mais velho, Edgar.

Tudo voltou ao normal.

-Quer se juntar às outras meninas, Olívia?-perguntou, e Olívia confirmou com a cabeça, aliviada.

-NOOOSSA!-exclamaram em uníssono os meninos ao descobrirem o carrinho de controle remoto. Não era a versão cara da super loja de brinquedos do shopping (os papéis de embrulho espalhados demonstravam que havia muitos deles por ali!), mas era tão cobiçado quanto. Bastava ver isso nos olhos dos meninos para ter certeza, inclusive nos de Edgar.

-Obrigado, obrigado, obrigado, Olívia!-disse Tobias. Correu em sua direção, abraçou-a apertado e beijou sua bochecha. Edgar riu.

-É um bobo mesmo!-disse para Olívia, que estava corada.

Ele bateu numa porta. Camila, uma amiguinha da escola, abriu. Lá dentro estavam outras seis meninas, inclusive a irmã mais velha de Tobias, Aline, organizando um desfile de moda.

-Espero que não estraguem meus vestidos desta vez!-comentou com o irmão, já azeda.

-É só hoje, Aline. Relaxa!-pediu Edgar.

Olívia sentou-se num canto, pegou um buraco quente e começou a comer. Sentiu-se deslocada. Desfile de moda não era bem brincadeira de aniversário. E as outras meninas nem sequer tinham dado o trabalho de perguntar se ela queria participar. 

-Nós vamos desfilar para o aniversariante e os meninos, oras!-respondeu Lívia, a popular da sala, quando Olívia havia perguntado para quem desfilaríam.

“Para os que estão mais interessados no carrinho de controle remoto ou para os que estão tentando ver você e elas de calcinha?”, pensou.

A todo momento, um grupinho de meninos (bobos) tentava espiar pela porta, mas eram barrados por Camila e pelos gritos de Aline. Quando o desfile começou, Aline saiu do quarto, para ir reclamar com a mãe. 

-Ei! Não come isso não!-disse Camila, quando Olívia ia pegar outro buraco quente que já não estava tão quente.-Eu sei aonde estão os salgadinhos melhores! Vem comigo, Olívia!

Entraram na cozinha e encontraram caixas e mais caixas de salgadinhos fritos e garrafas de refrigerante duvidoso. Como não havia nenhum adulto chato por perto, serviram-se a vontade. Conversaram sobre música, um gosto que tinha em comum, como descobriram. Ficaram tão entrosadas que Olívia arriscou imitar o toque da bateria de um rock clássico nas caixas de papelão, enquanto Camila enrolava no inglês, acabando sempre no refrão que conhecia bem.

Estavam se divertindo, até Camila começar a esfregar demais os olhos e a ficar vermelha.

-Puxa vida, querida, justo no melhor da festinha! Não me contaram que você é alérgica a corante! Não se preocupe, já liguei para sua mãe e ela já deve estar chegando!-avisou a mãe de Tobias. 

Olívia ficou ao lado da nova amiguinha até que a mãe chegasse, e se despediram, tristes.

Deslocada novamente, viu que as meninas agora brincavam de salão de beleza. Procurou os meninos, mas o pega-pega deles já começava a ficar um pouco violento. Então, a melhor solução que encontrou foi voltar para cozinha e comer. Entrou de mansinho, assustando Aline.

-Que susto, garota!-esbravejou, exagerada, com uma garrafa vazia nas mãos. - Quer brincar de Verdade e Desafio?

Olívia concordou porque estava curiosa - ainda não era a brincadeira que queria. Primeiro, nunca tinha brincado dessa brincadeira de meninos mais velhos. Segundo, parecia ser algo meio proibido, já que todas as vezes que um adulto passava, Aline escondia a garrafa.

Entraram no quarto dos pais de Tobias, onde apenas um abajur iluminava o ambiente. Tobias, Lívia e outras crianças estavam ali também. Sentados em círculo, Aline explicou as regras e começou a girar a garrafa. 

Até que era divertido. As verdades eram papo furado, mas os desafios eram os melhores, fazendo todo mundo gargalhar. Tobias teve que imitar uma galinha choca. Um menino teve que arrotar o abecedário, e uma menina reproduziu a fala e os trejeitos de sua arqui-inimiga, deixando Lívia desconfiada. Até Aline ficou mais relaxada. Era o que se esperava de crianças entre oito a dez anos de idade.

A garrafa girou. Era a vez de Olívia.

-Verdade ou desafio?-perguntou Lívia.

Toda empolgada em mostrar seu lado artístico, Olívia disse, convicta:

-Desafio! Desafio!

-Desafio você a beijar o aniversariante...

Ficou desapontada. Inclinou-se para frente, onde Tobias já oferecia a bochecha marcada de outros beijos de batom.

-...Na boca!-terminou, num tom de malícia.

Olívia e Tobias coraram. Alguns incitaram; outros ficaram na expectativa, incluindo Aline. 

Por um momento, Olívia teve vontade de gritar e sair correndo. Mas, afinal de contas, não era uma brincadeira? Não era um desafio? Tinha medo de beijar e tornar-se adulta muito rápido, assim como tinha sido o pai. Por outro lado, seria com quem dividia seu lanche no recreio, as colas na prova, suas brincadeiras, sonhos e segredos. Seria com seu melhor amigo do mundo inteiro desde o berçário. Mesmo com medo, sentiu no seu coraçãozinho que deveria beijá-lo. Tobias, com seu jeitinho risonho, mostrou seu “joinha”, o sinal que só os dois entendiam, e que dizia que tudo ficaria bem.

Beijaram-se, tão rápido e estralado, que começaram a rir, enquantos os outros tentavam entender a piada, menos Lívia que quase tropeçava no próprio bico.

Do lado de fora, começaram chamando para o parabéns.

Luzes apagadas, velinhas acesas, um brigadeiro roubado. Parabéns para você seguido de Com quem será?.

-Lívia!-gritou o irmão.

- Não! OLÍVIA! - corrigiu a irmã.

- Ah tá, pensei que tinha mudado!

Todos riram, menos Lívia.

-E agora, Olívia?-perguntou Tobias, encabulado com a rodinha que se formou ao redor deles.

-Não sei!-respondeu- Mas sei quero brincar!...E tá com você!

Deu-lhe um tapinha no ombro e saiu correndo. A rodinha se desfez aos gritinhos de empolgação, fugindo do pegador-aniversariante.

O beijo e outras questões ficariam para depois, e em seu devido tempo.


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