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Sussurro no porão
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Branco de Medo
Sussurro no porão
Áudio drama
Sussurro no porão
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

- Ninguém escuta a Sussurro...

Ninguém vê ela chegar...

Ninguém sente sua sombra...

Mas seus olhos tudo veem...

Ninguém vê o seu pingente...

E quando vê, ela já te pegou - Os longos braços tentaculares da criatura cinzenta, de vestido amarrotado, cabelos desgrenhados e sorriso torto acariciavam o corrimão da escada, enquanto ela descia lentamente para o porão cantarolando.

Abaixo da escada, quase não respirando para não fazer barulho, Hugo pensava:

“Só pode ser um sonho... Só pode ser um sonho... Só pode ser um sonho...”

Ao seu lado, seu irmão gêmeo pensava:

“Estamos ferrados... estamos ferrados... estamos ferrados...”

Um dos tentáculos dela quase roçou os cabelos de um deles. Sentiram o sangue em seus corpos gelar. Estavam a ponto de correr, quando um som no andar de cima chamou a atenção da criatura. Essa, olhou para cima, como se procurasse algo ou tentasse escutar. Então, lentamente, ela subiu.

Os meninos se deixaram ir ao chão, cansados e assustados.

- Você está cochilando na escola? Até onde sei, não é hora de dormir.

- Não, claro que não. – retrucou Hugo.

- Então, como você veio parar aqui a esta hora do dia?

- Não faço ideia. Lembro apenas da professora nova, dona Suzi. Na hora da chamada, ela parou no meu nome. Ela me olhava de jeito diferente. Como se me conhecesse, sabe? O olhar dela era de congelar a espinha. O colar também. Enorme e com uma joia lilás chamativa. Então, ela perguntou se eu não era gêmeo. Mais estranho ainda. Fiquei  com um medo que nunca senti. Corri para fora da sala. Uma voz chamava meu nome sem parar, mas era apenas na minha cabeça. No corredor, não havia ninguém. Senti, então, como se você estivesse em perigo e fechei os olhos. E apareci aqui. Agora, e você? Qual sua desculpa para estar na casa de uma bruxa sinistra?

- Ir para casa. – respondeu para o irmão. – Esta é a casa da Bruxa Sussurro. Ela tem livre acesso entre os mundos. Já a vi com crianças pequenas andando pela Rua Par, levando-as para onde ninguém mais as vê. Tudo isso aqui é horrível.  Você sabe.

- Desculpa, irmão. – falou Hugo. – Senti sua angústia e desejei estar perto para te ajudar. Acho que foi isso.

Mais calmos, os gêmeos sorriram.

- Tenho outra teoria. – sussurrou a criatura dependurada no teto do porão. A bruxa pulou sobre os garotos como uma aranha sobre as presas.

Os meninos correram. O piso do velho porão era feito de tábuas mais velhas ainda. Seus passos forçaram a madeira, até esta ceder e puxá-los para o fundo.

- Hugo? Você está aí? – chamou um dos irmãos, pisando em algo que se quebrou.

- Sim. – respondeu, enquanto pisava no chão que se quebrava. – Onde estamos afinal? No que estamos pisando?

- Não sei se quero saber. – a pouca luz não impediu os irmãos de ver que seus passos quebravam ossos. Incontáveis.  – Deus... isso aqui são...

- Não fala... não fala... não fala...

- Pelo visto, acharam meus pequenos... Já os coleciono há eras... antes de vocês... antes do tempo e do sonho nascerem... quando existia apenas o pesadelo e a treva... E vocês se juntarão a eles em breve... – a bruxa ergueu os tentáculos e abriu a boca repleta de dentes desnivelados.

Os gêmeos começaram a dar passos para trás, enquanto a criatura caminhava cada vez mais assustadora.

- Esse vínculo de vocês... É poderoso...  tenho tentado encontrá-lo... tenho sussurrado por ele... para enfim devorá-lo!

- Vai embora, irmão. – gritou o menino. – É só você fechar os olhos e acordar. Eu dou um jeito. Eu sempre dou um jeito.

- Então foi você, sua bruxa! – resmungou Hugo. – É sua voz que escuto há anos, quando estou acordado.  É você que me chama, que me assombra. Foi você quem nos separou de nosso irmão!

- E é você o irmão que eu procuro... – sussurrava a bruxa.

Olhando para o chão, o irmão de Hugo viu que estavam sobre o desenho de um círculo repleto de marcas. Era o portal. Achara o caminho para casa.

- Deixa isso para lá. – comentou. – A gente segue nosso caminho. Como se nada tivesse acontecido. Que tal?

- Tenho ideia melhor. – sussurrou a bruxa tentacular. – Eu devoro vocês dois.

- Não, isso acaba aqui! – gritou Hugo. – Isso acaba agora.

Com um pedaço de osso, o menino investiu sobre a criatura, acertando-a nos olhos. Cega, ela começou a se debater.

- Vamos embora! – chamou Hugo.

- É aqui! A saída disso tudo! Não teremos outra chance!

- Então faz funcionar!

- Não é tão fácil assim... – E como resposta ao pedido do menino, o círculo e seus símbolos arcanos brilharam.

- Casa. – disse.

- Casa. – repetiu o outro. E sorriram.

Um brilho cinzento inundou ambos. E um tentáculo surgiu sobre eles.

Abriu os olhos e estava em um carro. Carlinhos e Sophia o olhavam, preocupados.

- E aí? Tudo bem? – disse a professora. Despertando no susto, o menino deu um salto. Por instinto, saiu do carro. Caiu em frente à placa da Rua.

- Hugo! – gritaram os irmãos. O veículo freou bruscamente.

- Não pode ser... não pode ser... não pode ser...  – Ele ofegava, olhando para a placa da Rua Ímpar.  A professora, lentamente, aproximou-se dele.

- Calma, meu menino. Esse é meu presente. Por você me trazer quem eu deveria ter pego desde o primeiro dia. – sussurrou ela. E em seu pingente, refletia o rosto de um menino. Seu irmão. – Ninguém escuta a Sussurro.... Ninguém vê ela chegar... – E a mulher foi embora, até seu carro.

- Hugo? – Sophia aproximou-se do irmão.

- Não sou o Hugo... sou o outro...

- O quê? Quem? – indagou Carlinhos.

- Vocês não se lembram? – perguntou o menino. – Da rua Par e do outro mundo. Eu e Hugo sermos gêmeos. Meu sequestro e tudo mais.

- Quê? Rua Par? Outro mundo? Gêmeos? – perguntou o irmão. – Acho que você viu seriados demais. Agora, vamos para casa.

- Vocês não se lembram?

- Ah, Hugo! – sorriu Sophia. – Sempre engraçadinho.

Os dois irmãos se afastavam e ele, olhando a placa da Rua Ímpar, só conseguia pensar em um meio de voltar à Rua Par.

E dar um jeito de trazer seu irmão Hugo de volta.

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