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O caso está ficando cada vez mais tenso, as cobranças externas estão enlouquecendo todos da DICE, principais suspeitos já foram descartados, quem será que estão deixando passar?

Kelly Hatanaka
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Áudio drama
Sujeito oculto
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

O clima estava tenso no DICE: o caso do Assassino do Anelar estava naufragando. Todas as pistas levaram a nada. De início, suspeitaram das esposas e ex das vítimas. Mas todas elas tinham álibis sólidos para os momentos das mortes e não havia qualquer ligação entre elas ou com dona Nina. A exceção, Nelita Albuquerque, que havia dividido cela com ela, parecia a suspeita ideal, mas também tinha álibis confirmados e inquestionáveis.

Além disso, dados sigilosos da investigação vazaram para a imprensa e o DICE passou a sofrer pressão intensa de ONGs de defesa das mulheres, que questionavam o fato de a suspeita recair primeiramente sobre as esposas. Afinal, todos os homens assassinados tinham desafetos e negócios escusos. Daí a coisa escalou para uma torrente de acusações contra o Estado, que se mais uma vez falhara em proteger as mulheres, como sempre apontava rapidamente seu dedo acusador contra elas.

Dia e noite, grupos de mulheres acampavam diante do DICE, com cartazes e gritando palavras de ordem. Isto, combinado com a cobrança das autoridades para que houvesse um desfecho rápido para as investigações, foi tornando a vida dos investigadores um inferno.

- Malucas! Todas malucas! Só estamos fazendo nosso trabalho. – Pereira desabafou, num dia em que foi particularmente difícil entrar no prédio. Ele estava suado e amarrotado.

- Erradas elas não estão. – respondeu Saraiva, enquanto tomava seu café.

- De que lado você está?

- Da justiça. Não me tornei investigadora por causa do salário milionário.

- Nossas suspeitas sobre as esposas não foram gratuitas. Elas tinham motivos.

- Tinham motivos porque ninguém as defendeu quando elas precisaram.

- A Nadir batia cartão aqui, mas se recusava a dar queixa. Ficamos de mãos atadas, assim. – Pereira bufou. – E investigamos também os inimigos das vítimas. Nada. Alguma resposta do legista?

- O relatório chegou. Mas não se empolgue, é só mais um monte de nada.

- Saraiva, Pereira! Venham a minha sala um minuto, por favor.

Os dois se entreolharam. Adriano parecia ter dormido por lá novamente. Nunca tinham visto o chefe naquele estado.

- Alguma novidade? O relatório do legista chegou?

- Sim, mas não tem nada que ajude, chefe. Os dedos foram cortados de forma precisa por um instrumento de lâmina única e extremamente afiada.

- Excelente, podemos descartar todas as tesouras e facas cegas. Evoluímos muito. – Adriano deu um sorriso cansado e ficou subitamente branco como um fantasma.

- Chefe?

- Pereira, segura ele! Ele vai desmaiar.

- Chefe, o que foi? Que chave é esta? Do frigobar? Tá, tá, eu abro.

Saraiva agarrou a chave que Adriano estendia e, enquanto Pereira o ajudava a se manter na cadeira, abriu o cadeado do frigobar e tirou de dentro uma caixa com ampolas. Percebendo o que era, preparou e aplicou a dose. As cores começaram a voltar ao rosto de Adriano.

- Obrigado, Saraiva. Esqueci da minha dose de hoje. Aliás, acho que esqueci a de ontem também. Além de estar abusando dos biscoitinhos...

- Insulina? - Pereira estava aliviado. Ele vinha desconfiando daquele frigobar trancado. – Mas, por que o cadeado?

- Andaram revirando meu escritório. Talvez eu esteja ficando neurótico, mas passei o cadeado no frigobar por medo de que alguém mexesse em meus medicamentos.

- Chefe, desculpe, eu...

- O que foi, Pereira? Você achou que eu tivesse anelares guardados no meu frigobar? – riu. – Um bom investigador suspeita de todos, mesmo. Agora, voltando ao caso, o que estamos deixando passar? Se não são os suspeitos óbvios, quem é este sujeito oculto que procuramos?

*

Esta conversa fora há uma semana e agora... isto. Saraiva e Pereira estavam numa tocaia nos fundos de uma van, num silêncio desconfortável. Preferiam não estar ali. O único que estava animado era Dimas, o patrulheiro.

- O chefe é inocente, Dimas. Você sabe disso.

- Falou o sagaz investigador Pereira que nunca desconfiou que eu fosse da corregedoria, não é?

- Dimas, você... você...

- O que vocês esperavam? Negam que Adriano tenha se envolvido demais com dona Nina? Claro que a dificuldade em resolver este caso levantou suspeitas contra ele. A corregedoria pediu para vigiá-lo e estou vigiando. Algo mais a dizer? Não? Ótimo, vamos trabalhar. Como estão as escutas?

- Funcionando, respondeu Saraiva a contragosto.

- Perfeito. As câmeras também estão ok.

Eles tinham imagem e som agora. E viam Adriano parado perto do túmulo de dona Nina como se esperasse alguém no cemitério deserto. Dentro da van, expectativa.

Chegou uma moça, segurando um maço de rosas.

- Quem é essa?

- É a Ângela, enfermeira da Nina. Eu que a interroguei. Não acrescentou nada. – disse Saraiva.

Sons vinham da escuta e concentraram-se em ouvir.

- Ângela.

- Adriano? O que faz aqui?

- É impressão minha ou ela parece nervosa? – Dimas perguntou.

- Bem nervosa.

- Imaginei que você estaria aqui hoje.

- Por que?

- Ontem encontramos o corpo de mais uma vítima do assassino do anelar.

- Ah, que horror.

- Sim.

- Mas o que isto tem a ver comigo?

- Nina a achava parecida com ela. Disse que você tinha mãos firmes.

- Sim, é que...

- O assassino decepa o anelar das vítimas. Um corte preciso, com uma lâmina extremamente afiada.

- É?

- Como um bisturi. Aliás, uma colega sua a viu escondendo um bisturi na bolsa.

- Olha...

- Lindas flores. Posso ver?

Antes que Ângela pudesse pensar, Adriano arrancou o buquê de suas mãos. As cinco rosas brancas estavam atadas por um plástico colorido. Escondidos por entre as flores, cinco dedos anelares em diferentes estágios de putrefação.

- Quem mais teria tido acesso aos métodos e detalhes de dona Nina, senão você que esteve ao lado dela nos últimos dias? Quem mais seria tão suscetível a seus atos, senão você, que viu a mãe ser morta pelo pai ciumento? A quem mais dona Nina poderia ter passado a lista de “Ninas”, de mulheres com inicial N a serem salvas?

- Eu! Eu fui a única que a entendeu, que viu o bem que ela fazia! Eu jurei a ela levar adiante seu legado! Não me arrependo. E você, delegado, vai ficar de bico fechado. Vou me assegurar disto, mas não arrancarei o seu anelar, isso é só pra calhordas. E, como sabia que eu estaria aqui hoje?

- Dona Nina sempre contava suas histórias de horror de cinco em cinco. Ela tinha um padrão. Imaginei que após o quinto assassinato, você viria prestar algum tributo a ela.

- Esperto. Mas morto.

Ângela sacou a arma.

- Pessoal, vocês vão ficar só na escuta mesmo? Já que estão me espionando, que tal uma mão?

-Estamos aqui, chefe. Mãos na cabeça, Ângela. Acabou.

Saraiva, Pereira e Dimas saíram de trás dos outros túmulos, as armas apontadas para Ângela que devagar largara sua 38 e murmurava palavras sem sentido enquanto era algemada.

- Demoraram.

- Você sabia que estava grampeado? – Saraiva estava surpresa.

- Sim. Só não sabia quem estava me investigando.

Dimas balançou a cabeça.

- Adriano, estou aliviado por sua inocência. Sem ressentimentos?

- Sem ressentimentos.

Adriano deixou um saco de biscoitinhos sobre o túmulo de Nina enquanto sentia que o mundo saía de suas costas.

- Acabou.

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