Sujeito oculto

Suspense
Outubro de 2020
Começou, agora termina queride!

De explodir cabeças

Conquista Literária
Conto publicado em
No Rastro das Migalhas

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

O caso está ficando cada vez mais tenso, as cobranças externas estão enlouquecendo todos da DICE, principais suspeitos já foram descartados, quem será que estão deixando passar?

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Sujeito oculto
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O clima estava tenso no DICE: o caso do Assassino do Anelar estava naufragando. Todas as pistas levaram a nada. De início, suspeitaram das esposas e ex das vítimas. Mas todas elas tinham álibis sólidos para os momentos das mortes e não havia qualquer ligação entre elas ou com dona Nina. A exceção, Nelita Albuquerque, que havia dividido cela com ela, parecia a suspeita ideal, mas também tinha álibis confirmados e inquestionáveis.

Além disso, dados sigilosos da investigação vazaram para a imprensa e o DICE passou a sofrer pressão intensa de ONGs de defesa das mulheres, que questionavam o fato de a suspeita recair primeiramente sobre as esposas. Afinal, todos os homens assassinados tinham desafetos e negócios escusos. Daí a coisa escalou para uma torrente de acusações contra o Estado, que se mais uma vez falhara em proteger as mulheres, como sempre apontava rapidamente seu dedo acusador contra elas.

Dia e noite, grupos de mulheres acampavam diante do DICE, com cartazes e gritando palavras de ordem. Isto, combinado com a cobrança das autoridades para que houvesse um desfecho rápido para as investigações, foi tornando a vida dos investigadores um inferno.

- Malucas! Todas malucas! Só estamos fazendo nosso trabalho. – Pereira desabafou, num dia em que foi particularmente difícil entrar no prédio. Ele estava suado e amarrotado.

- Erradas elas não estão. – respondeu Saraiva, enquanto tomava seu café.

- De que lado você está?

- Da justiça. Não me tornei investigadora por causa do salário milionário.

- Nossas suspeitas sobre as esposas não foram gratuitas. Elas tinham motivos.

- Tinham motivos porque ninguém as defendeu quando elas precisaram.

- A Nadir batia cartão aqui, mas se recusava a dar queixa. Ficamos de mãos atadas, assim. – Pereira bufou. – E investigamos também os inimigos das vítimas. Nada. Alguma resposta do legista?

- O relatório chegou. Mas não se empolgue, é só mais um monte de nada.

- Saraiva, Pereira! Venham a minha sala um minuto, por favor.

Os dois se entreolharam. Adriano parecia ter dormido por lá novamente. Nunca tinham visto o chefe naquele estado.

- Alguma novidade? O relatório do legista chegou?

- Sim, mas não tem nada que ajude, chefe. Os dedos foram cortados de forma precisa por um instrumento de lâmina única e extremamente afiada.

- Excelente, podemos descartar todas as tesouras e facas cegas. Evoluímos muito. – Adriano deu um sorriso cansado e ficou subitamente branco como um fantasma.

- Chefe?

- Pereira, segura ele! Ele vai desmaiar.

- Chefe, o que foi? Que chave é esta? Do frigobar? Tá, tá, eu abro.

Saraiva agarrou a chave que Adriano estendia e, enquanto Pereira o ajudava a se manter na cadeira, abriu o cadeado do frigobar e tirou de dentro uma caixa com ampolas. Percebendo o que era, preparou e aplicou a dose. As cores começaram a voltar ao rosto de Adriano.

- Obrigado, Saraiva. Esqueci da minha dose de hoje. Aliás, acho que esqueci a de ontem também. Além de estar abusando dos biscoitinhos...

- Insulina? - Pereira estava aliviado. Ele vinha desconfiando daquele frigobar trancado. – Mas, por que o cadeado?

- Andaram revirando meu escritório. Talvez eu esteja ficando neurótico, mas passei o cadeado no frigobar por medo de que alguém mexesse em meus medicamentos.

- Chefe, desculpe, eu...

- O que foi, Pereira? Você achou que eu tivesse anelares guardados no meu frigobar? – riu. – Um bom investigador suspeita de todos, mesmo. Agora, voltando ao caso, o que estamos deixando passar? Se não são os suspeitos óbvios, quem é este sujeito oculto que procuramos?

*

Esta conversa fora há uma semana e agora... isto. Saraiva e Pereira estavam numa tocaia nos fundos de uma van, num silêncio desconfortável. Preferiam não estar ali. O único que estava animado era Dimas, o patrulheiro.

- O chefe é inocente, Dimas. Você sabe disso.

- Falou o sagaz investigador Pereira que nunca desconfiou que eu fosse da corregedoria, não é?

- Dimas, você... você...

- O que vocês esperavam? Negam que Adriano tenha se envolvido demais com dona Nina? Claro que a dificuldade em resolver este caso levantou suspeitas contra ele. A corregedoria pediu para vigiá-lo e estou vigiando. Algo mais a dizer? Não? Ótimo, vamos trabalhar. Como estão as escutas?

- Funcionando, respondeu Saraiva a contragosto.

- Perfeito. As câmeras também estão ok.

Eles tinham imagem e som agora. E viam Adriano parado perto do túmulo de dona Nina como se esperasse alguém no cemitério deserto. Dentro da van, expectativa.

Chegou uma moça, segurando um maço de rosas.

- Quem é essa?

- É a Ângela, enfermeira da Nina. Eu que a interroguei. Não acrescentou nada. – disse Saraiva.

Sons vinham da escuta e concentraram-se em ouvir.

- Ângela.

- Adriano? O que faz aqui?

- É impressão minha ou ela parece nervosa? – Dimas perguntou.

- Bem nervosa.

- Imaginei que você estaria aqui hoje.

- Por que?

- Ontem encontramos o corpo de mais uma vítima do assassino do anelar.

- Ah, que horror.

- Sim.

- Mas o que isto tem a ver comigo?

- Nina a achava parecida com ela. Disse que você tinha mãos firmes.

- Sim, é que...

- O assassino decepa o anelar das vítimas. Um corte preciso, com uma lâmina extremamente afiada.

- É?

- Como um bisturi. Aliás, uma colega sua a viu escondendo um bisturi na bolsa.

- Olha...

- Lindas flores. Posso ver?

Antes que Ângela pudesse pensar, Adriano arrancou o buquê de suas mãos. As cinco rosas brancas estavam atadas por um plástico colorido. Escondidos por entre as flores, cinco dedos anelares em diferentes estágios de putrefação.

- Quem mais teria tido acesso aos métodos e detalhes de dona Nina, senão você que esteve ao lado dela nos últimos dias? Quem mais seria tão suscetível a seus atos, senão você, que viu a mãe ser morta pelo pai ciumento? A quem mais dona Nina poderia ter passado a lista de “Ninas”, de mulheres com inicial N a serem salvas?

- Eu! Eu fui a única que a entendeu, que viu o bem que ela fazia! Eu jurei a ela levar adiante seu legado! Não me arrependo. E você, delegado, vai ficar de bico fechado. Vou me assegurar disto, mas não arrancarei o seu anelar, isso é só pra calhordas. E, como sabia que eu estaria aqui hoje?

- Dona Nina sempre contava suas histórias de horror de cinco em cinco. Ela tinha um padrão. Imaginei que após o quinto assassinato, você viria prestar algum tributo a ela.

- Esperto. Mas morto.

Ângela sacou a arma.

- Pessoal, vocês vão ficar só na escuta mesmo? Já que estão me espionando, que tal uma mão?

-Estamos aqui, chefe. Mãos na cabeça, Ângela. Acabou.

Saraiva, Pereira e Dimas saíram de trás dos outros túmulos, as armas apontadas para Ângela que devagar largara sua 38 e murmurava palavras sem sentido enquanto era algemada.

- Demoraram.

- Você sabia que estava grampeado? – Saraiva estava surpresa.

- Sim. Só não sabia quem estava me investigando.

Dimas balançou a cabeça.

- Adriano, estou aliviado por sua inocência. Sem ressentimentos?

- Sem ressentimentos.

Adriano deixou um saco de biscoitinhos sobre o túmulo de Nina enquanto sentia que o mundo saía de suas costas.

- Acabou.

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

O caso está ficando cada vez mais tenso, as cobranças externas estão enlouquecendo todos da DICE, principais suspeitos já foram descartados, quem será que estão deixando passar?

Prólogo

Epílogo

Conto

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Sujeito oculto
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O clima estava tenso no DICE: o caso do Assassino do Anelar estava naufragando. Todas as pistas levaram a nada. De início, suspeitaram das esposas e ex das vítimas. Mas todas elas tinham álibis sólidos para os momentos das mortes e não havia qualquer ligação entre elas ou com dona Nina. A exceção, Nelita Albuquerque, que havia dividido cela com ela, parecia a suspeita ideal, mas também tinha álibis confirmados e inquestionáveis.

Além disso, dados sigilosos da investigação vazaram para a imprensa e o DICE passou a sofrer pressão intensa de ONGs de defesa das mulheres, que questionavam o fato de a suspeita recair primeiramente sobre as esposas. Afinal, todos os homens assassinados tinham desafetos e negócios escusos. Daí a coisa escalou para uma torrente de acusações contra o Estado, que se mais uma vez falhara em proteger as mulheres, como sempre apontava rapidamente seu dedo acusador contra elas.

Dia e noite, grupos de mulheres acampavam diante do DICE, com cartazes e gritando palavras de ordem. Isto, combinado com a cobrança das autoridades para que houvesse um desfecho rápido para as investigações, foi tornando a vida dos investigadores um inferno.

- Malucas! Todas malucas! Só estamos fazendo nosso trabalho. – Pereira desabafou, num dia em que foi particularmente difícil entrar no prédio. Ele estava suado e amarrotado.

- Erradas elas não estão. – respondeu Saraiva, enquanto tomava seu café.

- De que lado você está?

- Da justiça. Não me tornei investigadora por causa do salário milionário.

- Nossas suspeitas sobre as esposas não foram gratuitas. Elas tinham motivos.

- Tinham motivos porque ninguém as defendeu quando elas precisaram.

- A Nadir batia cartão aqui, mas se recusava a dar queixa. Ficamos de mãos atadas, assim. – Pereira bufou. – E investigamos também os inimigos das vítimas. Nada. Alguma resposta do legista?

- O relatório chegou. Mas não se empolgue, é só mais um monte de nada.

- Saraiva, Pereira! Venham a minha sala um minuto, por favor.

Os dois se entreolharam. Adriano parecia ter dormido por lá novamente. Nunca tinham visto o chefe naquele estado.

- Alguma novidade? O relatório do legista chegou?

- Sim, mas não tem nada que ajude, chefe. Os dedos foram cortados de forma precisa por um instrumento de lâmina única e extremamente afiada.

- Excelente, podemos descartar todas as tesouras e facas cegas. Evoluímos muito. – Adriano deu um sorriso cansado e ficou subitamente branco como um fantasma.

- Chefe?

- Pereira, segura ele! Ele vai desmaiar.

- Chefe, o que foi? Que chave é esta? Do frigobar? Tá, tá, eu abro.

Saraiva agarrou a chave que Adriano estendia e, enquanto Pereira o ajudava a se manter na cadeira, abriu o cadeado do frigobar e tirou de dentro uma caixa com ampolas. Percebendo o que era, preparou e aplicou a dose. As cores começaram a voltar ao rosto de Adriano.

- Obrigado, Saraiva. Esqueci da minha dose de hoje. Aliás, acho que esqueci a de ontem também. Além de estar abusando dos biscoitinhos...

- Insulina? - Pereira estava aliviado. Ele vinha desconfiando daquele frigobar trancado. – Mas, por que o cadeado?

- Andaram revirando meu escritório. Talvez eu esteja ficando neurótico, mas passei o cadeado no frigobar por medo de que alguém mexesse em meus medicamentos.

- Chefe, desculpe, eu...

- O que foi, Pereira? Você achou que eu tivesse anelares guardados no meu frigobar? – riu. – Um bom investigador suspeita de todos, mesmo. Agora, voltando ao caso, o que estamos deixando passar? Se não são os suspeitos óbvios, quem é este sujeito oculto que procuramos?

*

Esta conversa fora há uma semana e agora... isto. Saraiva e Pereira estavam numa tocaia nos fundos de uma van, num silêncio desconfortável. Preferiam não estar ali. O único que estava animado era Dimas, o patrulheiro.

- O chefe é inocente, Dimas. Você sabe disso.

- Falou o sagaz investigador Pereira que nunca desconfiou que eu fosse da corregedoria, não é?

- Dimas, você... você...

- O que vocês esperavam? Negam que Adriano tenha se envolvido demais com dona Nina? Claro que a dificuldade em resolver este caso levantou suspeitas contra ele. A corregedoria pediu para vigiá-lo e estou vigiando. Algo mais a dizer? Não? Ótimo, vamos trabalhar. Como estão as escutas?

- Funcionando, respondeu Saraiva a contragosto.

- Perfeito. As câmeras também estão ok.

Eles tinham imagem e som agora. E viam Adriano parado perto do túmulo de dona Nina como se esperasse alguém no cemitério deserto. Dentro da van, expectativa.

Chegou uma moça, segurando um maço de rosas.

- Quem é essa?

- É a Ângela, enfermeira da Nina. Eu que a interroguei. Não acrescentou nada. – disse Saraiva.

Sons vinham da escuta e concentraram-se em ouvir.

- Ângela.

- Adriano? O que faz aqui?

- É impressão minha ou ela parece nervosa? – Dimas perguntou.

- Bem nervosa.

- Imaginei que você estaria aqui hoje.

- Por que?

- Ontem encontramos o corpo de mais uma vítima do assassino do anelar.

- Ah, que horror.

- Sim.

- Mas o que isto tem a ver comigo?

- Nina a achava parecida com ela. Disse que você tinha mãos firmes.

- Sim, é que...

- O assassino decepa o anelar das vítimas. Um corte preciso, com uma lâmina extremamente afiada.

- É?

- Como um bisturi. Aliás, uma colega sua a viu escondendo um bisturi na bolsa.

- Olha...

- Lindas flores. Posso ver?

Antes que Ângela pudesse pensar, Adriano arrancou o buquê de suas mãos. As cinco rosas brancas estavam atadas por um plástico colorido. Escondidos por entre as flores, cinco dedos anelares em diferentes estágios de putrefação.

- Quem mais teria tido acesso aos métodos e detalhes de dona Nina, senão você que esteve ao lado dela nos últimos dias? Quem mais seria tão suscetível a seus atos, senão você, que viu a mãe ser morta pelo pai ciumento? A quem mais dona Nina poderia ter passado a lista de “Ninas”, de mulheres com inicial N a serem salvas?

- Eu! Eu fui a única que a entendeu, que viu o bem que ela fazia! Eu jurei a ela levar adiante seu legado! Não me arrependo. E você, delegado, vai ficar de bico fechado. Vou me assegurar disto, mas não arrancarei o seu anelar, isso é só pra calhordas. E, como sabia que eu estaria aqui hoje?

- Dona Nina sempre contava suas histórias de horror de cinco em cinco. Ela tinha um padrão. Imaginei que após o quinto assassinato, você viria prestar algum tributo a ela.

- Esperto. Mas morto.

Ângela sacou a arma.

- Pessoal, vocês vão ficar só na escuta mesmo? Já que estão me espionando, que tal uma mão?

-Estamos aqui, chefe. Mãos na cabeça, Ângela. Acabou.

Saraiva, Pereira e Dimas saíram de trás dos outros túmulos, as armas apontadas para Ângela que devagar largara sua 38 e murmurava palavras sem sentido enquanto era algemada.

- Demoraram.

- Você sabia que estava grampeado? – Saraiva estava surpresa.

- Sim. Só não sabia quem estava me investigando.

Dimas balançou a cabeça.

- Adriano, estou aliviado por sua inocência. Sem ressentimentos?

- Sem ressentimentos.

Adriano deixou um saco de biscoitinhos sobre o túmulo de Nina enquanto sentia que o mundo saía de suas costas.

- Acabou.

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