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Rastro de Sangue e Tinta
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Rastro de Sangue e Tinta
Conto

Rastro de Sangue e Tinta

Danilo Battistini
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Áudio drama
Rastro de Sangue e Tinta
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Muito bem…. Faz algumas semanas desde que cheguei a este cinzento e chuvoso condado de Galway. Encontrei um desconhecido na estrada, por acaso do destino ou uma infeliz coincidência do azar, ele estava balbuciando coisas sem sentido. Então o levei até uma estalagem vazia próxima onde o escutei falar por horas, dias, o tempo parecia não fazer mais tanto sentido depois de parte daquela conversa. Sendo bem sincero, pouca coisa parecia fazer algum sentido depois de ouvir o que o homem tinha a dizer. Quando ele parou de falar, deixou alguns cadernos de anotações…. Diários, talvez de alguém que esteve presente com ele naquela história absurda que ouvi, mas que acreditei em cada palavra... E depois ele simplesmente saiu pela porta e nunca mais o vi.

Desde então tenho pensado na história, lido os diários tentando entender melhor o que aconteceu, sinto que devo passar essa história adiante, não sei ao certo o porquê, mas apenas sei. Por isso passei essa última semana lhes contando sobre as pessoas envolvidas na história que o desconhecido me contou, para que vocês conheçam as peças-chave do que aconteceu aqui em Galway no ano de 1984... O jornalista Brannon, o professor Oliver, o golpista Thomas, o psicólogo Alexey e o apostador Ryan.  E, enfim, é hora de contar essa história.

Vou começar alguns dias depois que Ryan havia chegado em Galway na traseira de um caminhão desconhecido com alguns pertences que eram seus, outros que não, e um cartão de um hotel. Chegando no hotel havia uma reserva em seu nome para aquela noite que ele acabou estendendo, pois, assim que deitou na cama ele dormiu como se não dormisse há semanas. Com o passar dos dias ele foi se aventurando aos poucos conhecendo um pouco da cidade. Ele sabia que poderia ir embora a qualquer momento, mas algo o parecia impedir de deixar a cidade.

Ryan havia acabado de acordar e desceu para tomar o café da manhã. A pousada era modesta, 4 andares contando o térreo com um total de 12 quartos distribuídos igualmente entre o 1o e o 3o andar do lugar. O cheiro de ar com pouco fluxo para onde sair e um pouco de poeira não incomodava, na verdade deveria ser uma das melhores pousadas do condado.

Mas uma coisa que o incomodava, apesar de ser quase 10h30 e já estivessem deixando de servir o café, era que o lugar parecia bem vazio e não havia visto qualquer outro hóspede.

-Tá bem vazio aqui hoje…

Ryan deixou seu copo de café e um prato onde antes havia algumas fatias de pão com especiarias e subiu de volta para seu quarto. Quando chegou no 3o andar notou algo novo preso em sua porta: Um pedaço de papel preso por uma tarraxa bem no meio da porta de madeira.


-O que é isso?  “Caro senhor. Me foi dito que você poderia me ajudar com um problema pessoal de extrema relevância. Por favor, ligue para o telefone anotado no verso do papel. ‘Aos poucos a mente escurece e se desliga. No entanto, a diferença é simples’. Mas… Que merda é essa?

Ryan pensou que a pessoa que colocou o bilhete na porta não deveria ter ido longe, talvez alguém na pousada tivesse visto quem foi que o colocou ali. Então desceu as escadas e viu uma camareira arrumando um arranjo de flores no 1o andar que o notou descendo e o cumprimentou com um bom dia.

-Bom dia. Moça, viu alguém passando pelo 3o andar hoje? - Perguntou Ryan

-Ahn… Eu arrumei todos os quartos do 3o andar agora há pouco. Não vi ninguém lá.

-Estranho. Porque achei esse… – e Ryan puxou o bilhete mostrando-o para a camareira – Esse bilhete na porta do meu quarto. Não é do hotel.

-Bom, acredito que a recepcionista possa ajudar o senhor. - Respondeu a camareira.

Ryan foi até a recepção e pediu para usar o telefone e ligou para o número do bilhete.

-Quem fala?

-Deixaram um bilhete na minha porta com esse número pedindo para entrar em contato.

-Ah, sim… Ryan Owin, certo?

-Quem fala?

-Alguém que pode ter respostas para algumas de suas perguntas, senhor Owin. Gostaria que viesse até minha casa para conversarmos melhor.

-Qual o endereço?

-Rua Gleann Na Coille. Casa número 4. Pode vir às 13 horas, terão mais alguns convidados com a gente.

-Até mais tarde.

Enquanto isso, não muito longe dali, Alexey estava indo para sua terceira semana hospedado no cinzento condado de Galway. Ele estava passando as noites em uma pensão deveras ajeitada em um quarto modesto para o lugar. Ele estava habituado com aquele tipo de vida, passando algumas semanas tentando ser o mais discreto possível sabendo que ele só foi parar naquele lugar porque talvez agentes de um governo estrangeiro pudessem estar atrás dele. Geralmente ia beber em um pub próximo e voltava para o quarto, o fato é que Alexey nunca explorou muito a cidade no tempo em que passou lá. Ele sabia porque havia parado em Galway. Ou pelo menos era o que acreditava.

Naquela manhã ele estava deitado na cama fumando um cigarro quando escutou o som de alguém passando o dedo na porta de seu quarto e depois um leve baque seco seguido por passos indo em direção a saída da pousada.

Alexey se levantou da cama, pegou sua arma e andou em direção da porta com a pistola em punho escondida em suas costas. Abriu a porta com cuidado e olhou para o corredor. Saindo da pousada ele viu um homem baixo com um sobretudo e um chapéu coco deixando o lugar com passos apressados.

-Ei! - Gritou Alexey

Mas o homem não respondeu. Intrigado com tal acontecimento, Alexey olhou para a porta e viu um papel balançando fracamente com o pouco vento que havia entrado na pousada pela porta que o desconhecido havia acabado de abrir para sair. Era um bilhete com um número de telefone na parte de trás. “Alexey, entre em contato com o número no verso. Acredito que você pode me ajudar. ‘A mente faz o mesmo, no auge de sua agonia’”. 

-E agora isso? Isso não faz o menor sentido… - Disse Alexey para si.

Alexey buscou em sua mente se aquela frase fazia parte de algum pesquisador ou pensador que havia estudado, mas não conseguiu pensar em ninguém no momento. Sem querer perder mais tempo, ele entrou em seu quarto, vestiu um sobretudo, pegou sua whiskeira, um maço de cigarro e saiu do quarto, trancando a porta, indo em direção de um orelhão não muito longe da pousada. O local onde estava hospedado possuía 3 quartos e uma sala compartilhada no andar de baixo e Alexey imaginou que iria preferir que os outros hóspedes não ouvissem a ligação que iria fazer.

E um pouco afastado dali, Thomas já estava acordado fazia algum tempo, ele estava hospedado em uma pequena casa dentro do terreno da igreja de Saint Augustin, onde os membros da igreja ficavam. O jovem Thomas, que lá era conhecido como Liam, convenceu as pessoas que era um missionário de passagem pela Irlanda precisando de abrigo. Já fazia uma semana que ele estava lá e dedicou esse tempo para conhecer o território da igreja, pouco se aventurando em ir para o centro.

Após atender uma das missas, ajudando a manter seu disfarce, ele decidiu voltar para seu quarto e foi quando viu um envelope, amarrado a um barbante, preso na maçaneta de seu quarto. Thomas se aproximou e pegou o envelope.

- O que é isso? “Caro senhor Thomas, acredito que possa me ajudar com uma coisa, ligue para o número no final desta carta.”. E agora isso….

Ele guardou o envelope com a carta no bolso de sua calça. Ele estava desconfiado daquilo, pois não havia falado para nenhum de seus antigos clientes para onde estava indo depois de Londres. Quem naquele lugar sabia seu nome e quem ele era? E que mensagem estranha era aquela? 

Sem perder tempo, Thomas foi em direção da igreja onde as últimas pessoas estavam deixando o lugar se despedindo do padre Corbin após o fim da missa. Talvez o homem soubesse alguma coisa sobre o envelope, mas era melhor não discutir seu conteúdo. E decidiu apenas que o avisaria que iria para a cidade resolver algumas pendências.

-A benção, padre. - Disse Thomas se aproximando do padre.

-A benção, filho. - Respondeu.

 Enquanto fazia a missa deixaram um envelope no meu quarto. Vou para a cidade para enviar uma resposta e tratar de algumas pendências.

-Claro, tome o tempo que precisar. E tenha um bom dia, filho.

-Para o senhor também.

Thomas voltou para seu quarto, vasculhou seus pertences para garantir que, quem quer que tenha deixado a carta lá, não tivesse entrado no lugar. Não encontrou qualquer sinal que alguém havia estado dentro do quarto, portanto apenas pegou uma roupa de frio e começou a andar na chuva em direção do centro de Galway.

Enquanto isso, em um cortiço barato, próximo do centro, o jornalista Brannon estava acordando depois de sua primeira noite de sono na cidade. Ele pagou por um café da manhã simples não muito longe dali e quando voltou para o quarto, uma camareira do cortiço disse que um rapaz de sobretudo e chapéu coco deixou um bilhete para ele. Um papel dobrado engordurado, parece que havia sido escrito por alguém enquanto comia.

-Você conhecia ele? Já viu ele por aqui? - Disse Brannon pegando o papel dobrado da mão da camareira.

-Não, senhor. - Respondeu.

-Tem um telefone que eu possa usar?

-Tem um telefone público umas três quadras seguindo pela rua.

Brannon pegou sua mala, praticamente vazia, apenas com alguns cadernos e canetas jogados e saiu do cortiço ainda pensando no bilhete que havia recebido. Aquilo não fazia o menor sentido.

Brannon passou andando em frente a biblioteca de Galway e, dentro dela, o professor Oliver Sievert estava fechando um livro enquanto terminava de tomar um café. Guardando algumas anotações no bolso interno de seu sobretudo e se levantou para ir embora. Já fazia algumas semanas que Oliver havia chegado em Galway, quando o bibliotecário passou na mesa em que estava.

-Com licença, professor Sievert? Um cavalheiro deixou isso para o senhor.

Como vocês devem imaginar, era um bilhete parecido com o que os outros receberam. O professor Sievert leu o papel rapidamente, agradeceu o bibliotecário e saiu em direção da casa que estava alugando na cidade. Ele andou apressado, ainda intrigado com o bilhete e queria chegar em casa para usar o telefone e ligar para o número e descobrir do que se tratava.

Enquanto isso, não muito longe dali, Brannon havia acabado de chegar ao orelhão que indicaram para ele no cortiço. O fato é que já havia um homem lá dentro, Brannon ainda não sabia, mas aquele era Alexey, discando exatamente para o mesmo número que ele pretendia ligar. Pouco tempo depois um terceiro homem chegou, o americano Thomas. As peças do ta buleiro estavam fazendo seu primeiro movimento em Galway, no mesmo instante que Alexey discou o último número.

-Alô? - Disse a voz de um homem do outro lado da linha.

-Com quem falo? - Perguntou Alexey.

-Isso não é importante.

-Bom, recebi um bilhete com seu número.

-Qual seu nome?

-Do que se trata? - Perguntou Alexey com firmeza

-Você me liga e não me fala seu nome?

-Você deixou um bilhete na minha porta…

-Não sou eu quem deixo os bilhetes.

E Alexey desligou o telefone. Mas assim que o telefone encostou no gancho ele já começou a tocar novamente. Ele estranhou isso um pouco, mas atendeu.

-От кого ты пытаешься убежать? (De quem você está tentando fugir?) Ahn? Alexey - Disse uma voz mais velha do outro lado da linha.

-De ninguém. Quem fala?

-Cristopher.

-E o que você quer?

-Desde que começou a fugir do seu passado, você tem estudado coisas que são de meu interesse. Gostaria de conversar apenas… Compartilhar um pouco do que sei com você.

-Me parece justo.

-E, Alexey, peça aos dois cavalheiros que estão esperando para usar o telefone que o acompanhem. O endereço é Rua Glennan Na Coille, quarta casa.

-Mas como---

-Eles receberam um bilhete assim como você.

E o telefone ficou mudo, deixando Alexey ainda mais confuso diante daquela situação. Com um raciocínio rápido, ele colocou o telefone no gancho, folheou um guia amassado dentro da cabine telefônica procurando pelo mapa para encontrar o endereço que Cristopher havia lhe passado e saiu da cabine puxando um cigarro de um maço amassado no bolso do sobretudo. 

-Senhores, vão ligar para o número 377-5555 por causa de um bilhete que deixaram para vocês?

-Ahn… Sim. - Respondeu Brannon tateando o bilhete no bolso da calça.

-Podem me acompanhar. 

-Como sabe disso? - Perguntou Thomas um pouco mais ríspido.

-Foi o que o homem que nos deixou esses bilhetes me disse pelo telefone.

E sem mais uma palavra, Alexey saiu andando. Thomas e Brannon se entreolharam sem saber exatamente como reagir. Porém algo naquela situação parecia uma coincidência estranha demais para ser ignorada. Apenas dando de ombros, os dois passaram a seguir Alexey.

Eu peço sua paciência, sei que as coisas parecem não fazer muito sentido agora, mas todo começo de história precisa de um tempo para que todas as personagens descubram o estranho fio do destino que une suas jornadas. E… estes caminhos estão começando a se cruzar nesse ponto da história.

O professor, Oliver Sievert, havia acabado de chegar em sua casa. Foi pouco tempo depois que trancou a porta que começou a escutar algumas batidas que vinham de uma janela na sala. Com passos cautelosos ele pegou um florete embainhado disfarçado de uma bengala em um móvel na entrada da casa e foi em direção da sala.

Havia uma coruja bicando a janela, Oliver estranhou aquela cena, ainda mais quando a coruja simplesmente o encarou por alguns segundos, chirriou e voou para longe, deixando Oliver a sós com seus pensamentos. Ele deixou o florete de lado e foi com passos apressados na direção de um armário onde abriu uma gaveta e suspirou aliviado tirando um colar de lá. Colocando-o no bolso interno de seu terno.

O suspiro aliviado não veio em boa hora, pois o telefone tocando na sala o surpreendeu. Não fazia ideia quem podia ser que teria este número. Pensou que talvez um antigo inquilino esqueceu de avisar que não morava mais lá… Oliver continuou pensando em explicações óbvias que deixaram de fazer sentido quando ele atendeu o telefone.

-Professor Sievert? - Disse uma voz masculina

-Com quem falo? - Respondeu Oliver mantendo a calma apesar da surpresa

-Eu me chamo Cristopher, pedi para o bibliotecário lhe entregar um bilhete.

-Do que se trata?

-Tenho certeza que um homem estudado como o senhor teria interesse no que sei sobre um local de ritual pagão bem no condado de Galway.

-Como conseguiu meu número?

-Venha conversar comigo. Vou mandar um Táxi te buscar em 30 minutos. Venha e terá suas respostas. Estou na rua Glennan Na Coille, quarta casa.

Oliver apertou o colar que havia colocado em seu bolso com força, respirou fundo e foi fazer algo para comer. Afinal, ainda tinha 30 minutos até o táxi chegar, se é que chegaria. 

O tempo passou naquele dia em Galway como em qualquer outro, mas para Alexey, Brannon e Thomas, que andavam um longo caminho na garoa trocando poucas palavras, Ryan que havia acabado de entrar em um táxi que lhe foi enviado em sua pousada e Oliver que também entrou no táxi que o homem no telefone disse que chegaria, estavam sentindo o tempo passar com naturalidade pela última vez.

-Vocês tem nome? - Perguntou Brannon um pouco descontraído

-Alexey.

-Liam, muito prazer. - Respondeu Thomas

-Bom, eu me chamo Brannon.

A cada passo em seu destino os deixava afastado do centro de Galway, os terrenos começaram a ficar maiores assim como as casas, grandes casarões das famílias mais antigas de Galway, próximos dos penhascos o que fazia o vento soprar com mais força aumentando a sensação incômoda de frio. Até que enfim o grupo avista dois táxis deixando dois homens na frente de um grande casarão.

A casa número 4 na Glennan Na Coille.

-É aquela? - Perguntou Brannon

-É… Acredito que sim. - Respondeu Alexey.

Essa é a primeira vez que este estranho grupo, unidos pelo destino, seja ele sorte ou azar, estavam se vendo.

Brannon, com mais ou menos 1,70 m era um homem loiro de cabelo curto na casa dos 30 anos. Estava vestindo uma camisa social branca surrada e encharcada, uma calça jeans, sapato, segurava uma mala dentro de um sobretudo tentando proteger seus cadernos da chuva.

Alexey era maior que Brannon tinha 1,80 m, cabelo loiro ralo e a barba por fazer era um homem na casa dos 40 e poucos anos. Usava um jeans, sobretudo, bota, uma camisa social escura e um óculos.

Ryan, tinha a altura de Alexey, ruivo com uma barba, igualmente ruiva, grande com cerca de 5 dedos. Vestia uma camisa branca com a manga dobrada, calça bege, suspensórios e uma manga dobrada, exibindo diversas marcas no braço que pareciam cicatrizes, com uma bolsa masculina pendurada nos ombros. Estava fumando um charuto enquanto brincava com uma ficha de pôquer na mão.

Thomas, o mais alto do grupo e o mais novo, aparentava estar apenas chegando aos 30 anos, tinha 1,85 m, seu cabelo era escuro na altura de sua orelha, estava com a barba feita, seus olhos azuis faziam parte de seu charme, usava uma camisa social branca, calça preta, um sobretudo, um chapéu fedora e um crucifixo pendurado no peito.

Oliver, aparentava ser um pouco mais velho que Alexey, embora tivessem a mesma idade, por causa de seus cabelos castanhos com muitos fios grisalhos, assim como em sua barba um pouco comprida, mas nem tanto quanto a de Ryan. Ele usava um sobretudo marrom por cima de um terno, uma gravata cor de oliva, calça social preta e uma camisa social rosa.

-Pelo visto todos fomos convidados para vir aqui. - Disse Oliver olhando em volta enquanto os táxis voltavam pela rua que vieram.

-Vamos entrar. - Disse Ryan indo em direção da casa.

Eles cruzaram um portão entreaberto e olharam bem para a casa de aparência antiga. Ela tinha dois andares, as janelas eram grandes e estavam fechadas, não dava para ver nada lá dentro. As paredes um dia foram brancas, mas a tinta estava já muito gasta pela proximidade do mar e por conta da chuva, revelando a cor original da madeira. Ao redor as casas vizinhas estavam bem afastadas umas das outras. 

Após atravessarem a entrada da casa eles se depararam com a grande porta principal de madeira escura e uma aldrava de ferro, estranhamente bem conservado. Aquele lugar talvez fosse ainda mais antigo do que imaginavam, a atmosfera ali trazia uma sensação estranha.

O pensamento de todos foi interrompido pelo som de Brannon batendo a aldrava de ferro na madeira. Passado alguns segundos, eles começaram a ouvir passos se aproximando da porta, um barulho de trinco e a porta se abriu.

Um homem de aproximadamente 50 anos foi quem abriu a porta, ele tinha o cabelo loiro e bem fino, usava uma camisa social, calça social e o sapatos pretos pareciam ter sido lustrados recentemente, sua mandíbula era larga e a barba bem rala. Ele usava um brinco estranho em uma orelha, uma pequena esfera azul pendurada por uma corrente dourada.

-Boa tarde, cavalheiros. - Disse o homem

-Nossa visita foi requisitada por Cristopher. - Respondeu Alexey

-O senhor é ele? - Perguntou Brannon.

-Eu me chamo Arnold. Entrem, melhor não ficar muito tempo na rua dada as circunstâncias atuais. - Disse abrindo caminho para que o grupo entrasse na casa.

-Que circunstâncias seriam essas? - Disse Alexey entrando primeiro.

-A garota foi assassinada não muito longe daqui 

-Está falando da Sarah? - Perguntou Brannon entrando depois de Alexey

-Sim. - Arnold respondeu sem emoção alguma.

Ryan apagou o charuto na lateral do sapato, guardando o que sobrou no bolso do sobretudo e entrou na casa, seguido por Oliver e Thomas, este olhando ao redor com certa rapidez e discrição.

-Vou pedir que aguardem aqui. Vou avisá-lo que vocês chegaram.

Arnold andou em direção de um corredor e sumiu virando uma curva no final dele. Sozinhos na entrada da casa o grupo pode ver melhor onde estavam. Ela era espaçosa com uma grande escada para o andar de cima no meio da sala, o estranho era que a casa tinha um aspecto como se estivessem de mudança. Boa parte da mobília estava coberta com panos, no chão podiam ver marcas de móveis arrastados que não estavam mais lá. A luminosidade era precária com poucas, e fracas, lâmpadas para iluminar um lugar tão grande.

-Depois do assassinato as famílias que moravam nessas casas começaram a sair d a região. - Disse Oliver em voz baixa se sentando em uma das poucas cadeiras que tinha.

Ryan pegou sua whiskeira do bolso para beber, Thomas acendeu um cigarro encostando na parede e encarando a escada para o andar superior, Brannon andou pela sala para conhecer a casa enquanto Alexey apenas fitava o curioso grupo, intrigado que a maioria não tinha cara de ser irlandês. Oliver e Thomas pareciam ser de outro país assim como ele.

10 minutos se passaram sem sequer sinal de Arnold.

-Bom… - Brannon quebrou o silêncio - O que temos em comum? Sabe, pra nos terem chamado pra cá…

-Eu me chamo Oliver, estou aqui faz um mês e recebi um bilhete hoje enquanto estava na biblioteca.

-Eu sou Brannon O’Sullivan, talvez algum de vocês me conheça do jornal de Dublin ou de alguns poucos romances que tenho publicado.

-Brannon, é um prazer conhecê-lo. Li todos seus livros, são excelentes para quando não quero ler artigos acadêmicos. Sou professor de Ciências da Religião.

-Veio cobrir a morte da garota, Brannon? - Perguntou Alexey acendendo um cigarro.

-Estava em um festival de música não muito longe daqui, ai o jornal me ligou e me mandaram pra cá antes de voltar pra Dublin.

-Bom… eu me chamo Alexey, sou um acadêmico da área de psicologia.

-Eu me chamo Ryan. Sou um jogador de pôquer.

-Tem cartas? - Perguntou Thomas se aproximando.

O tempo continuou passando enquanto o grupo se distraia um pouco, Ryan e Thomas ficaram jogando cartas de um baralho que Ryan carregava no bolso. Alexey ficou observando os dois jogando enquanto Brannon e Oliver conversavam em um canto da sala. 

Mas nada de Arnold voltar.

-Senhor Arnold? - Chamou Oliver em voz alta.

Apenas o silêncio como resposta.

-Estou ficando um pouco incomodado… - Disse Alexey

-Eu vou dar uma olhada. - Disse Brannon e começou a ir em direção do corredor que Arnold havia ido.

Ao mesmo passo que Brannon saiu de vista do grupo, Thomas terminou seu cigarro, apagou na parede e subiu a escada para o segundo andar. Quando estava nos últimos degraus ele notou que parecia um sótão, ainda mais vazio que a sala. Havia apenas um piano velho no meio.

Enquanto isso, Brannon apressou o passo quando começou a ouvir o que parecia ser uma discussão acalorada abafada no final do corredor. Foi quando a discussão acabou com o som de um impacto do que pareceu ser carne e ossos quebrando seguido de um baque de alguém caindo.

-Ei! Tá tudo bem?!- Perguntou Brannon desesperado tentando abrir a porta.

A porta estava trancada, Brannon começou a andar de costas encarando a porta ainda em choque e se virou para correr de volta até o grupo.

-Pessoal! Acho que teve uma briga séria lá no fundo. Escutei uma pancada e alguém caindo, mas a porta está trancada. Eu não sei--- não sei o que aconteceu. - Disse Brannon levemente ofegante

-Merda…. - Disse Alexey

-O que a gente faz? - Perguntou Brannon

Thomas ia começar a descer a escada quando foi surpreendido pelo som que pareceu de um lençol sendo estendido no sótão. Ele olhou na direção do som e, sem entender nada, olhava para um lençol que pareceu ter sido colocado naquele instante em cima de uma caixa de papelão pequena ao lado do piano que não estava lá antes. Ele olhou em volta procurando por qualquer sinal de outra pessoa, mas não viu ninguém. Enquanto o grupo conversava na sala ele decidiu em passos furtivos e rápidos ir até a caixa.

Quando Thomas puxou o lençol, ele encontrou dentro da caixa de papelão um cubo preto como a pedra ônix e ornamentos dourados por toda sua área de aproximadamente 15 centímetros. Ele pegou o cubo da caixa sem fazer a menor ideia do que era aquilo e, muito menos, de onde veio.

- O que é você e de onde você veio, hein? - Falou em voz baixa enquanto manuseava o cubo.

-Thomas! - Chamou Brannon no andar de baixo.

Ainda com o cubo em mãos ele  desceu a escada espiando por cima dos ombros esperando que algo, ou alguém,  aparecesse lá em cima.

-Encontrei isso lá em cima. Brannon, pode guardar por enquanto? - Disse Thomas entregando o cubo para o jornalista enquanto ainda espiava o topo da escada.

-Tá… O que a gente faz agora? - Perguntou Brannon enquanto guardava o cubo.

-Vamos ver o que aconteceu. - Disse Alexey indo em direção do corredor.

O restante do grupo o seguiu.

Chegando no corredor, ele parecia ainda mais mal iluminado que antes. As sombras pareciam estar se apossando daquele lugar. Quando chegou perto da porta, Alexey pisou em algo molhado. Ele puxou seu isqueiro e acendeu se abaixando, apenas para confirmar suas suspeitas, conforme o cheiro de ferro aumentava, de que aquilo era sangue.

-Pra trás. - Disse Alexey e forçou a porta com o ombro.

Em um segundo empurrão, todos ouviram o trinco da porta estourando e ela se abriu. O que revelou o corpo de um homem desconhecido para o grupo, cabelos grisalhos e com a mandíbula pendurada por um golpe forte que levou.

-Temos que ir embora. - Disse Oliver claramente chocado pela visão do cadáver e começou a voltar para a sala.

Quando Ryan viu essa cena ele deu alguns passos para trás se apoiando na parede do corredor, Brannon aproveitou para se aproximar da porta e ver que lugar era aquele. Parecia um tipo de escritório pequeno. Uma escrivaninha de um lado, o cadáver do outro e no fundo da sala uma janela semiaberta, com um pequeno livro que impedia que a janela se fechasse.

Brannon entrou na sala tomando cuidado para não pisar no corpo e foi em direção da janela enquanto Alexey foi em direção do corpo. Com cuidado, Alexey tentou vasculhar procurando por documentos para descobrir quem era aquele homem. Ryan, que havia recuperado o fôlego mas ainda com receio de entrar na sala, notou conforme Alexey mexia no corpo algo preso no interior da manga do casaco que o homem vestia.

-No braço dele. - Disse Ryan.

Alexey olhou para a manga e viu alguns papéis presos por uma fita vermelha no braço do cadáver. Ele os pegou com cuidado e notou que havia vários cortes no braço do morto. Olhando por cima, os papéis que havia acabado de pegar eram anotações e algumas fotos em preto e branco.

Quando Brannon passou pela janela para ver o livreto, Thomas notou que do lado de fora da janela tinha a marca de uma mão.

-Alguém abriu essa janela por fora… - Disse Thomas entrando no pequeno cômodo - Não parece ter sido alguém grande… - Dizia enquanto analisava a janela.

Thomas olhou para a janela e para o terreno vazio e aberto que havia ali. Brannon pegou o livro que impedia que a janela fechasse e foi abrir espaço para Thomas olhar mais de perto a janela. Foi quando ele pisou em alguma coisa. Um barulho seco de ferro em madeira. Alexey, que estava abaixado do lado do corpo olhou para o pé de Brannon e viu um martelo com sangue na cabeça e alguns pregos grossos do lado dele.

-Quem é você e o que iam fazer com você? - Disse Alexey em voz baixa.

Ryan, que ainda estava do lado de fora do cômodo começou a ouvir barulho dos passos de Oliver se aproximando do corredor e parando antes de poder ver a cena do crime mais uma vez.

-Senhores, sei que estamos todos curiosos, mas presos não seremos capazes de fazer nada. Eu chamei um táxi para o começo da rua. Sugiro que a gente saia daqui agora. Quem não quiser vir comigo, me encontrem mais tarde, estou alugando uma casa na Windfield Gardens número 13.

-Vamos… - Disse Alexey, se levantando e deixando o cômodo

-Descanse em paz. - Disse Thomas segurando a cruz e passando pelo corpo.

O grupo estava indo em direção a sala quando ouviram um barulho de ranger de porta no corredor. Alexey, que estava passando pela porta naquela hora, espiou pela fresta e pode ver uma pilha de navalhas descartáveis dentro de uma banheira. Por uma fração de segundos pensou ter visto sangue escorrendo da banheira, quando sentiu uma leve dor de cabeça. Alexey fechou os olhos, escutou vozes de um pesadelo recorrente, respirou fundo e continuou andando. Aquilo já estava estranho demais… Foi quando todos foram surpreendidos por um som de algo pequeno se debatendo embaixo de um dos móveis cobertos.

-O que foi agora? - Disse Thomas

-Só tem um jeito de descobrir - Disse Oliver andando em direção do móvel.

Sem hesitar, Oliver puxou o pano que cobria um sofá velho e mofado quando uma coruja alçou voo batendo as asas, voando em direção do segundo andar até que o som do bater de asas sumiu por completo. O silêncio que se seguiu foi apenas cortado pelo barulho do motor de um carro na rua.

-Acho que é nosso táxi. Quem vem comigo? - Perguntou Oliver em voz alta

-Eu vou. - Respondeu Ryan indo em direção da porta.

Alexey, sem dizer uma palavra, apenas bateu em seu relógio de pulso e foi apressado em direção de uma janela que dava para a parte de trás da casa.

-Espera, Alexey! - Disse Brannon e foi atrás dele.

-Bom, parece que nos vemos depois. - Disse Thomas e seguiu Brannon.

Oliver e Ryan saíram da casa depois disso, acho que não queriam passar mais tempo naquele lugar. Andaram um pouco até chegar no táxi que estava estacionado no começo da rua e, quando entraram o taxista perguntou para onde iam.

-Glen Oaks Lodge. - Disse Ryan - Quero passar onde estou hospedado antes, nos encontramos depois.

Oliver apenas assentiu com a cabeça ainda em silêncio. Tinha muita informação para processar do que havia acabado de acontecer.

Em outro lugar naquela mesma chuva, Alexey estava andando apressado, claramente não queria que Brannon ou Thomas o acompanhassem naquele momento. O que havia acabado de ver? O que foi que aconteceu naquela casa? Ele precisava desse tempo a sós para pensar em seu próximo passo.

Brannon e Thomas viram Alexey mais a frente, eles entenderam que ele não queria ser seguido naquele momento então não se preocuparam em apressar o passo para alcançá-lo. Seguiram andando pela estrada em silêncio por alguns minutos… Foi quando Brannon olhou para a direita, em direção do mar, que ele viu a cruz onde Sarah foi crucificada.

-Olha lá, não tiraram a cruz. - Disse Brannon apontando

-Me pergunto o porquê… - Respondeu Thomas pensativo. - Olha, já que estamos nessa juntos… Me chamo Thomas.

-Por que mentiu antes? - Perguntou Brannon

-Segurança. Pra onde vai agora?

-Pro cortiço onde estou hospedado. Foi o melhor que deu pra achar de última hora.

-Vamos para a igreja. Tenho um alojamento individual por lá e… vai ser melhor pra ver o que foi que a gente achou na casa.

Thomas disse isso apontando para a mala de Brannon onde estava guardado o cubo e o livreto da janela. Naquela hora, Brannon tinha até se esquecido disso, olhou mais uma vez para a cruz distante, olhou para Thomas e concordou.

-Mostra o caminho. - Disse Brannon

Depois de quase uma h ora, Thomas e Brannon estavam entrando no terreno da igreja quando sentiram que alguém os seguia. Por instinto os dois olharam para trás e viram um cachorro os seguindo não de muito longe. Ele estava bem magro, ensopado da chuva e tinha o pelo curto cinza e sujo. Brannon chamou o cachorro que foi em direção deles, porém quando tentou fazer um carinho nele, o cachorro ganiu pulando para trás e saiu correndo pela estrada. Quando olhou para sua mão, pode ver um pouco de sangue.

-Acho que ele tava machucado. - Disse Brannon voltando a acompanhar Thomas

-É sangue do cachorro? - Disse Thomas apontando para a mão de Brannon.

-Com certeza não é meu.

E continuaram seguindo o caminho até o quarto em que Thomas estava. Trancando a porta, Thomas tirou o sobretudo e o chapéu encharcados, se sentou em uma cadeira e apontou para Brannon se sentar na cama. Era um quarto simples e pequeno, pelo menos foi tudo o que Brannon escreveu sobre o lugar em suas anotações. Ele tirou da mala com cuidado o livreto que havia encontrado e o entregou para Thomas e, em seguida, tirou o cubo que foi encontrado no segundo andar. Era uma peça estranha, a cor escura com ornamentos em dourado que pareciam não fazer sentido algum para Brannon. Ele passou os dedos por esses ornamentos e notou que eles podiam ser movidos, como uma espécie estranha de um quebra-cabeça sem sentido. E poucos metros dele, Thomas folheava o tal livreto. 

-Tá legal… Nomes? - Falou Thomas para si.

O caderno parecia pertencer a alguém obsessivo por uma pessoa… ou alguma coisa. Nomes e mais nomes apareciam em uma ordem completamente sem sentido e, a grande maioria deles, estavam riscados. Até que algo chamou a atenção de Thomas, um único nome circulado em todas aquelas dezenas de páginas rabiscadas:


Sarah McArdell


-Olha isso. - Thomas disse virando o livreto para Brannon que estava começando a desistir de mexer no cubo com certa frustração.

-Sarah… Seja lá quem estava morando naquela mansão tinha alguma coisa a ver com isso. - Respondeu Brannon levemente preocupado 

-O que a gente faz? - Perguntou Thomas.

-Acho que a gente devia ir na casa do Oliver… O Alexey encontrou alguns papéis no cadáver também e.. sei lá…- Brannon parou de falar simplesmente por não saber o que mais poderia dizer.

-Por que a gente? - Perguntou Thomas em voz alta colocando o livreto no sobretudo.

-É… - Concluiu Brannon guardando o cubo em sua mala.

Os dois se levantaram e, sem dizer mais nada, apenas pegaram seus sobretudos e chapéus e deixaram o abrigo em direção a casa de Oliver.

Também com mais folhas encontradas na mansão, Alexey havia chegado na pensão em que estava se hospedando antes de Brannon e Thomas. Ele trancou a porta do quarto, revirou alguns pontos para garantir que não estivesse sendo vigiado, procurando alguma escuta, talvez. Depois dos acontecimentos daquela manhã, todo cuidado era pouco.

Por fim, quando se sentiu confortável sabendo que ninguém havia entrado ali, ele tirou sua pistola, a colocou na cama e sentou do lado dela, tirando um punhado de papéis que havia tirado do cadáver e deixando no colo enquanto acendia mais um cigarro.

-O que temos aqui… - Disse em voz baixa tragando o cigarro.

As fotos em preto e branco não faziam sentido, pareciam ser de algum lugar antigo, mas estavam todas muito escuras para entender onde era. Pensou ver um portão de ferro no chão em uma das fotos e a parede e o piso de pedra, mas não tinha porquê perder mais tempo olhando pra essas fotos. Depois de algum tempo organizando os outros papéis ele conseguiu encontrar dois padrões: Um era uma espécie de manual de instruções, uma planta de algum objeto bem rústico. E uma lista de diversos nomes de pessoas de diversas nacionalidades europeias e algumas de fora da Europa. E, sem grande surpresa para Alexey, ele viu o seu nome e o de alguns dos outros homens que estavam lá com ele na casa.

-Quem foi que escreveu isso… -  Disse em voz baixa e tragando mais uma vez o cigarro.

O tempo foi passando e aos poucos todos tomaram o rumo para a casa de Oliver. O primeiro a chegar foi Ryan. Depois Alexey, que estava hospedado não muito longe dali, e, por último, quando a campainha tocou, Oliver abriu a porta para Brannon e Thomas.

-Você gosta de enigmas? - Perguntou Brannon

-Vocês gostam de conhaque? - Perguntou Oliver abrindo passagem para Brannon e Thomas entrarem.

Apesar de terem se conhecido há algumas horas, se alguém pudesse olhar de fora poderia dizer que era um grupo de velhos amigos se reunindo. Oliver mostrou onde ficavam as bebidas para que se servissem.

-Onde está o cubo? - Perguntou Alexey sem rodeios

Naquele momento um silêncio quase que sobrenatural tomou conta da sala. Brannon apoiou a mala em uma cadeira e tirou o cubo de lá e o deixou em cima da mesa. Os 5 homens olhavam para o misterioso cubo que Thomas encontrou no 2o andar da mansão. Mas, para Alexey, o cubo já tinha alguns mistérios a menos… As instruções que encontrou nos papéis do cadáver pareciam servir como uma espécie de manual de instruções para esse tal cubo. Habilmente ele começou a tocar os padrões dourados que ornavam o cubo negro deslizando-os fazendo com que mudassem de ordem.

O grupo observou Alexey por algum tempo enquanto conversaram sobre os livros e papéis que encontraram na mansão, se questionando se a chegada de cada um a Galway foi apenas uma coincidência. Eles pararam de conversar quando um barulho surpreendeu a todos.

Como uma chave destrancando uma gaveta, esse clique veio do cubo.

O grupo se virou na direção de Alexey na mesma hora a tempo de ver um pequeno compartimento surgindo da parte de cima e outro na parte de baixo do cubo. Cada compartimento tinha cerca de 5 centímetros pelos desenhos que encontrei nas anotações de Brannon. Pequenos compartimentos com um espaço para encaixar algo esférico.

Todos estavam intrigados com aquilo, exceto por Ryan.

Assim que olhou para o cubo ele sentiu sua alma deixando seu corpo naquele instante. Como se estivesse entrando em um sonho, sendo levado para outro lugar. Assim que conseguiu ele respirou fundo e, olhando ao seu redor notou que estava de volta na casa 4 da rua Glennan Na Coille. Ele estava de pé na metade da escada no centro da casa, tudo à sua volta parecia ter um estranho tom azul, não era noite nem dia, ou, pelo menos, não havia como saber.

Ryan ouviu passos em direção a porta de entrada e viu um rosto familiar. Era o homem que conheceu apenas como cadáver naquela tarde. Ele estava carregando o cubo em suas mãos, mas, não foi isso que chamou sua atenção. Em meio ao cenário azulado a sua volta algo se destacava naquele lugar. Um brinco com uma pequena esfera vermelha na orelha do homem.

Do mesmo jeito que Ryan entrou nessa espécie de transe ele saiu. Como alguém que acorda com aquela sensação de que está caindo, ele se debateu derrubando o copo com whiskey que havia pegado. 

-O que aconteceu? Está tudo bem? - Perguntou Oliver assustado

-Eu… tive um sonho… - Ryan respondeu em voz baixa e com a respiração forte - O cadáver que encontramos mais cedo… Ele estava carregando o cubo e tinha um brinco vermelho na orelha…Parece com algo que encaixaria no cubo.

-Você tá dizendo que… - Disse Brannon antes de ser interrompido

-Shhh. Silêncio - Disse Oliver

O grupo se calou e todos puderam ouvir batidas de leve em uma das janelas da sala atrás do sofá onde Alexey estava sentado. Aquele som era familiar para Oliver, que começou a andar em direção dele, passando pelo olhar receoso do grupo. Alexey, naquele momento, largou o cubo e colocou a mão em sua arma.

Quando Oliver chegou até a janela ele viu uma coruja dando leves bicadas no vidro, a mesma coruja de mais cedo e, talvez, a mesma da casa 4 em Glennan Na Coille, assim que seus olhos se encontraram, ela apenas alçou voo deixando para trás algo brilhante na janela. Oliver a abriu com cautela e viu um brinco com uma pequena esfera vermelha na ponta. Ele pegou o brinco com cuidado, o levantou e mostrou para o grupo.

-O que é que está acontecendo? - Disse Alexey


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