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Uma vez, durante à apresentação de um trabalho na faculdade, uma professora foi direta ao dizer que nunca se inicia uma apresentação se desculpando ou justificando seus fatos, segundo ela, isso demonstra insegurança, mas não há qualquer outro sentimento em minha mente enquanto escrevo aqui, na verdade, é o medo de enlouquecer sozinho que me faz querer dividir com vocês através dessa postagem anônima o que vou narrar a seguir.

Rafael Carvalho
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Áudio drama
Postagem Anônima
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Uma vez, durante à apresentação de um trabalho na faculdade, uma professora foi direta ao dizer que nunca se inicia uma apresentação se desculpando ou justificando seus fatos, segundo ela, isso demonstra insegurança, mas não há qualquer outro sentimento em minha mente enquanto escrevo aqui, na verdade, é o medo de enlouquecer sozinho que me faz querer dividir com vocês através dessa postagem anônima o que vou narrar a seguir.

Já aviso, o que tenho para contar não é uma história para qualquer um ler ou ouvir, é preciso ter os olhos, a mente e os ouvidos abertos para o que não cabe a nós compreender, aquilo que se sente mais com o arrepio na nuca, do que com o tato dos dedos, não espero que acreditem cegamente em tudo que vou dizer, tão pouco, faço isso em busca de notoriedade ou no desejo de que alguém me ajude, até mesmo porque não creio que alguém seja capaz.

Mas se você olha para o céu noturno e não vê somente a beleza de suas estrelas, vê algo mais antigo, soturno, vagando em algum lugar do infinito, sente que há algo além da nossa compreensão, sempre à espreita, observando agora mesmo através de qualquer ângulo escuro ao seu redor, esse relato é para você, que assim como eu, sabe que logo algo se pronunciará do vazio, algo que não deveria sair de lá.

Sou professor de Educação Física em uma escola de ensino fundamental de minha cidade, por motivos óbvios não vou citar o nome da escola ou o nome verdadeiro dos alunos, mas posso dizer que minha cidade atende pelo apelido de Princesa do Sul, como professor de um disciplina especializada  atendo tanto crianças de idade pré escolar, com quatro e cinco anos, quanto adolescentes muitas vezes beirando a maior idade. Esse contato com um grupo tão variado de pessoas fez com que muitas histórias se acumulassem ao longo de minha trajetória dentro das escolas, a maioria das situações são esquecíveis e bobas, como quando um aluno tentando matar aula acabou preso durante uma noite inteira dentro da caixa d’agua ou quando um aluno desesperado para impedir a realização de uma prova, simulou ter visto alguém suspeito deixar uma mochila com uma bomba, fazendo com que as aulas fossem suspensas e a escola evacuada, esses dois fatos são atípicos, mas não passam de travessuras de crianças e adolescentes, porém, todas essas histórias tiveram um começo e um fim, já o que preciso contar para vocês teve sim um início, mas o pensamento de como poderá terminar me atormenta cada segundo do meu dia e noite.

Já estávamos no final do primeiro trimestre e deveria dar aula para uma turma do primeiro pré, que corresponde aos alunos com quatro anos, aproveitei a tarde de calor do veranico de maio e resolvi deixar a chamada para o final, levando os alunos direto para a pátio, peguei uma caixa repleta de cones, bolas e arcos e montei um circuito de saltos e corridas no meio da quadra de futsal, no meio da atividade notei que alguns cones e arcos haviam sumido e perguntei para um dos alunos quem havia pego o material.

— Carlos, você viu onde estava o material que eu havia separado?

— Foi a Alice, sor, ela pegou!

— Que Alice, Carlos? Não temos nenhuma Alice na sala!

— Temos sim, sor, e ela disse que ti conhece! Lá, tá ela.

Mal pude acreditar quando olhei para o outro lado da quadra e vi que havia uma criança lá, ela estava sentada sobre os pés, cercada de cones e arcos que formavam no chão um símbolo estranho, digno dos agroglifos encontrados em plantações, nossa escola é pequena e como nunca à havia visto achei que ela deveria ter chegado hoje na escola.

Com calma cheguei próximo e me abaixei para falar com ela, seu cabelo era comprido, liso e de um loiro quase branco de tão claro, estava com um vestido azul céu e usava um colar em formato de lua nova, mesmo não reconhecendo, algo nela me passava uma sensação familiar, como alguém estranho que cruzamos pela rua e achamos que conhecemos mas não sabemos de onde.

— De que buraquinho você saiu pequena, que eu vi você antes? — perguntei com voz de graça, para tentar não assustar ela.

— Eu ... Vim, de lá! — Ela respondeu apontando para o céu com o dedo bem esticado.

Tentei entrar na brincadeira, para ver se fazia ela se sentir mais à vontade para conversar comigo, algumas crianças pequenas tem muito medo de falar com o professor que não conhece ainda, como ela havia ficado isolada durante boa parte da aula, achei que esse era o caso.

— Nossa, que legal, deve ser bem bonito lá em cima!

— É bonito sim, mas lá sempre é noite e aqui as vezes é dia.

— Que diferente, mas deve dar medo não é, estar sempre escuro?

— Não, não da medo, mas é sozinho lá, prefiro aqui!

— Há, que bom, fico feliz de você estar gostando daqui. Seus pais também moram lá?

— Só meu pai, ele não gosta daqui, mas vai vir aprontar tudo para Niggurath. Você conhece Niggurath? — Naquele momento, aquele nome me pareceu mais uma palavra qualquer inventada por uma criança de imaginação fértil, do que um nome real de algo.

— Não, não conheço esse nome aí que você falou. Você disse que seu pai tem que organizar algo aqui para esse tal de Nigu sei lá o que, ele trabalha para ele?

— Meu pai não gosta, mas não pode escolher muito, ele só faz.

— Entendo... e seu pai como é o nome dele?

— Você sabe o nome dele, Nyarlathotep, ele conhece você! — Aquele nome entrou na minha cabeça como um soco bem dado na boca do estomago, Niggurath... Nyarlathotep... conhecia eles, lia sobre eles nas histórias de horror cósmico de Lovecraft, mas não era possível, quem contaria histórias tão pesadas para uma criança tão pequena, que estupenda criatividade uma pessoinha de quatro anos teria para inventar uma história mirabolante dessas e como assim ele me conhecia, fiquei em um estado quase catatônico diante da última frase dita por ela, então o sinal do recreio tocou.

Quando dei por mim uma maré de crianças atravessava meu caminho, correndo de um lado para o outro, mas já não havia mais nenhuma Alice na minha frente.

Saí do pátio e fui direto na diretoria tirar satisfação de terem colocado uma aluna nova na turma e não terem me participado sobre a situação dela na escola. Não me surpreendi quando falaram que não haviam chegado alunos novos, que deveria ser apenas de outra turma, argumentei que conheço, pelo menos de vista, todos os alunos da escola e que ela não era de lá, de nada adiantou, depois de muito insistir consegui acesso as câmeras do portão da escola, mas ela não aparecia lá, nem entrando, nem saindo das dependências da escola, alguns alunos da turma também disseram que viram a aluna nova, mas cada um descreveu Alice de um jeito diferente, magra, baixa, alta, morena, com quatro olhos, sem nariz, um inclusive disse que ela havia bebido todo o suco dele, com garrafa e tudo, então perderam rápido a credibilidade da fala.  

Depois de passar em todas as turmas da escola, do intenso interrogatório com as crianças e da minha louca insistência em olhar as câmeras, me afastaram por um tempo das salas de aula, só pude voltar quando prometi não tocar mais no assunto e assumir que deveria ser alguma aluna matando aula pela escola.

Coisas estranhas têm acometido a nossa cidade desde então, a tv e os jornais não param de noticiar pessoas desaparecendo sem deixar rastros, corpos achados mutilados com os olhos ausentes em sua orbita. Mas a notícia que me chamou mais atenção, ficou em evidencia apenas nas redes sociais, blogs e alguns jornais de cunho duvidoso e sensacionalista, um grupo de jovens foram encontrados mortos, completamente carbonizados, um dos blogs que mais detalhou o caso, afirmou que os jovens teriam feito uso de bebidas e drogas, enquanto praticavam alguma espécie de Role-Playing Game (RPG) e acabaram deixando velas acessas caírem no local, quando a reportagem foi indagada sobre o motivo de acreditarem se tratar de um jogo de RPG, eles indicaram que a única coisa que sobrou intacta as chamas foram um tabuleiro com peças talhadas em pedra e um livro velho com uma linguagem antiga contendo desenhos estranhos, mas o que me deixou mais assustado não foram as mortes dos jovens, o livro ou tabuleiro que se encontrava com eles, mas sim a foto de um dos jovens tirada dias antes da morte, onde o jovem utilizava um colar, um colar em formato de lua nova.

Poderia ser só coincidência, talvez você pense que nem me lembre mais como era o colar da aluna misteriosa, quem sabe em uma outra situação isso até fosse verdade, mas sei bem como é o colar, pois estou olhando para ele, Alice está do lado de fora da minha janela bem agora, me vendo escrever para você, mesmo morando no quinto andar.

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