Paradoxos do Viajante

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Começou, agora termina queride!

Conquista Literária
Conto publicado em

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Paradoxos do Viajante
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Machine. Unexpectedly, I’d invented a time.

Alan Moore

I

Presente.

Foi por acaso que o Viajante iniciou sua jornada através das eras. Era apenas um jovem amante de literatura (mais precisamente de Shakespeare), filho de um renomado cientista e físico.

Encontrou a Máquina em um galpão abandonado que o pai usava para guardar experiências, no quintal de casa. Assombrou o fato de o aparelho, apesar de parecer novo, apresentar arranhões e amassados. Provavelmente, o pai tentara fazê-lo funcionar, sem êxito. Não custava nada tentar.

Para sua surpresa, a Máquina ligou. Teve, então, sua primeira e desastrosa ideia. Pegou toda a obra completa de Shakespeare que tinha e colocou no interior da Máquina, que parecia uma mistura de trono, Harley-Davidson e mini submarino.

E lá se foi para a Inglaterra do século XVI...

II

Stratford-upon-Avon, século XVI.

Decepcionado e revoltado, o Viajante andava de volta para sua Máquina do Tempo, após rodar por toda Stratford-upon-Avon, e por toda Londres Vitoriana.

—  Vir do séc. 21 e descobrir que Shakespeare nunca existiu? — era essa a conclusão a que chegara, após falar com supostos amigos e parentes. Nem os pais de Shakespeare sabiam de sua existência.

Todos os livros de história e sites de busca me enganaram! Literalmente, Shakespeare nunca existiu.

— A História é uma farsa! — revoltou-se. Em seu ombro, a bolsa pesada levava todos os volumes de peças escritas por William Shakespeare. Então, perguntava-se: Como poderia ser? Alguma coisa não se encaixa. Será que viajei para o século errado?

Foi quando um prédio em construção o deteve. Era grande e circular. Nele estava escrito em letras pintadas na madeira: TEATRO GLOBE.

As peças em sua bolsa nunca pesaram tanto. Como se soubessem. Uma ideia estalou na cabeça do jovem. Uma daquelas que nunca se deve pensar, sequer realizar.

Então, o Viajante sorriu. E, com sua ideia louca, entrou no lugar.

III

Pré-história.

Devido um erro de digitação, o Viajante foi levado, ao invés de 2030 d.C., para 233.000.000 a.C. O touchscreen da Máquina do Tempo deveria estar com defeito, pensou. Afinal de contas, era um protótipo. O pai a deixara guardada por algum motivo.

Pousou em uma floresta, próximo a um ninho. Encontrou quatro ovos de tamanho médio, quase do tamanho de ovos de avestruz. Os sons atrás de si mostravam de quem eles eram.

A cena que se desenrolava era inacreditável. Um tiranossauro acabava de estripar a mãe dos ovos, que aparentava ser um velociraptor. O Viajante entendeu, maravilhado e apavorado, o motivo de o Tiranossauro Rex ter esse nome. Era, ao mesmo tempo, magnífico e assustador.

Ainda faminto, o gigante percebeu a presença do Viajante e correu em sua direção e do ninho. Rápido, o rapaz acionou a Máquina. Com pena dos ovos, levou-os consigo. Segundos antes do dinossauro devorá-lo, acionou a Máquina do Tempo.

IV

Em algum lugar do futuro...

O Viajante, no desespero de não ser devorado, digitou mais uma vez errado. Agora, a Máquina do Tempo o levou para 20300 d.C.

Ao sair, um calor insuportável adentrou em suas narinas. Um odor nauseante e estranho estava por todo o lugar. Um medo inexplicável tomou conta do Viajante.

O futuro era muito diferente do que havia imaginado. Era cáustico e selvagem. Viu seres humanos acorrentados, escravizados. Para o pânico do Viajante, os carrascos da humanidade eram reptilianos, lagartos humanoides fortes e impiedosos. Vestindo armaduras e portando armas futuristas.

Diversos deles viram o rapaz na Máquina e correram para o capturarem também. Gritaram sons estranhos, mas percebeu ser um idioma.

Que desastre seria se um deles pegasse a máquina. — Temia o jovem Viajante enquanto ligava a Máquina do Tempo. Os soldados estavam próximos demais. Não conseguiria tirar o aparelho a tempo quando recebeu uma ajuda inesperada.

Vindo dos céus, em uma luz azulada, surgiu o tiranossauro. “Deve ter sido pego no repuxo temporal”. A fera pré-histórica, mesmo confusa, conseguiu causar medo nos soldados, que desviaram sua atenção. O implacável dinossauro atacou homens e reptilianos. Devorando-os com voracidade. Destruindo prédios e veículos.

Aproveitando a oportunidade, finalmente, o rapaz conseguiu voltar para seu tempo.

V

O presente (ou quase).

Decidido, voltou alguns minutos no passado. Teve a ideia de contar ao pai tudo o que vira e passara, e tentaria convencê-lo a desmontar definitivamente a Máquina do Tempo.

Mexer com o tempo é algo muito perigoso — pensou, enquanto escondia a Máquina do Tempo, arranhada e amassada no galpão do quintal de casa.

Ao mesmo tempo, levou os ovos de dinossauro para servirem como prova de sua viagem. Também desejava falar sobre o estado do planeta no futuro e sobre os reptilianos.

Enquanto corria para o laboratório onde o pai trabalhava, não viu a si mesmo entrando no galpão. No meio do caminho, sentiu algo se quebrando em suas mãos.

Assombrado, sorriu para o que via. Pequenos e ainda perdidos, saíam da casca dos ovos. À princípio, os filhotes de Velociraptor afeiçoaram-se a ele, como a uma mãe.

Palma, palma... Logo os contos desta obra serão selecionados e aparecerão aqui.

Prólogo

Epílogo

Conto

Machine. Unexpectedly, I’d invented a time.

Alan Moore

I

Presente.

Foi por acaso que o Viajante iniciou sua jornada através das eras. Era apenas um jovem amante de literatura (mais precisamente de Shakespeare), filho de um renomado cientista e físico.

Encontrou a Máquina em um galpão abandonado que o pai usava para guardar experiências, no quintal de casa. Assombrou o fato de o aparelho, apesar de parecer novo, apresentar arranhões e amassados. Provavelmente, o pai tentara fazê-lo funcionar, sem êxito. Não custava nada tentar.

Para sua surpresa, a Máquina ligou. Teve, então, sua primeira e desastrosa ideia. Pegou toda a obra completa de Shakespeare que tinha e colocou no interior da Máquina, que parecia uma mistura de trono, Harley-Davidson e mini submarino.

E lá se foi para a Inglaterra do século XVI...

II

Stratford-upon-Avon, século XVI.

Decepcionado e revoltado, o Viajante andava de volta para sua Máquina do Tempo, após rodar por toda Stratford-upon-Avon, e por toda Londres Vitoriana.

—  Vir do séc. 21 e descobrir que Shakespeare nunca existiu? — era essa a conclusão a que chegara, após falar com supostos amigos e parentes. Nem os pais de Shakespeare sabiam de sua existência.

Todos os livros de história e sites de busca me enganaram! Literalmente, Shakespeare nunca existiu.

— A História é uma farsa! — revoltou-se. Em seu ombro, a bolsa pesada levava todos os volumes de peças escritas por William Shakespeare. Então, perguntava-se: Como poderia ser? Alguma coisa não se encaixa. Será que viajei para o século errado?

Foi quando um prédio em construção o deteve. Era grande e circular. Nele estava escrito em letras pintadas na madeira: TEATRO GLOBE.

As peças em sua bolsa nunca pesaram tanto. Como se soubessem. Uma ideia estalou na cabeça do jovem. Uma daquelas que nunca se deve pensar, sequer realizar.

Então, o Viajante sorriu. E, com sua ideia louca, entrou no lugar.

III

Pré-história.

Devido um erro de digitação, o Viajante foi levado, ao invés de 2030 d.C., para 233.000.000 a.C. O touchscreen da Máquina do Tempo deveria estar com defeito, pensou. Afinal de contas, era um protótipo. O pai a deixara guardada por algum motivo.

Pousou em uma floresta, próximo a um ninho. Encontrou quatro ovos de tamanho médio, quase do tamanho de ovos de avestruz. Os sons atrás de si mostravam de quem eles eram.

A cena que se desenrolava era inacreditável. Um tiranossauro acabava de estripar a mãe dos ovos, que aparentava ser um velociraptor. O Viajante entendeu, maravilhado e apavorado, o motivo de o Tiranossauro Rex ter esse nome. Era, ao mesmo tempo, magnífico e assustador.

Ainda faminto, o gigante percebeu a presença do Viajante e correu em sua direção e do ninho. Rápido, o rapaz acionou a Máquina. Com pena dos ovos, levou-os consigo. Segundos antes do dinossauro devorá-lo, acionou a Máquina do Tempo.

IV

Em algum lugar do futuro...

O Viajante, no desespero de não ser devorado, digitou mais uma vez errado. Agora, a Máquina do Tempo o levou para 20300 d.C.

Ao sair, um calor insuportável adentrou em suas narinas. Um odor nauseante e estranho estava por todo o lugar. Um medo inexplicável tomou conta do Viajante.

O futuro era muito diferente do que havia imaginado. Era cáustico e selvagem. Viu seres humanos acorrentados, escravizados. Para o pânico do Viajante, os carrascos da humanidade eram reptilianos, lagartos humanoides fortes e impiedosos. Vestindo armaduras e portando armas futuristas.

Diversos deles viram o rapaz na Máquina e correram para o capturarem também. Gritaram sons estranhos, mas percebeu ser um idioma.

Que desastre seria se um deles pegasse a máquina. — Temia o jovem Viajante enquanto ligava a Máquina do Tempo. Os soldados estavam próximos demais. Não conseguiria tirar o aparelho a tempo quando recebeu uma ajuda inesperada.

Vindo dos céus, em uma luz azulada, surgiu o tiranossauro. “Deve ter sido pego no repuxo temporal”. A fera pré-histórica, mesmo confusa, conseguiu causar medo nos soldados, que desviaram sua atenção. O implacável dinossauro atacou homens e reptilianos. Devorando-os com voracidade. Destruindo prédios e veículos.

Aproveitando a oportunidade, finalmente, o rapaz conseguiu voltar para seu tempo.

V

O presente (ou quase).

Decidido, voltou alguns minutos no passado. Teve a ideia de contar ao pai tudo o que vira e passara, e tentaria convencê-lo a desmontar definitivamente a Máquina do Tempo.

Mexer com o tempo é algo muito perigoso — pensou, enquanto escondia a Máquina do Tempo, arranhada e amassada no galpão do quintal de casa.

Ao mesmo tempo, levou os ovos de dinossauro para servirem como prova de sua viagem. Também desejava falar sobre o estado do planeta no futuro e sobre os reptilianos.

Enquanto corria para o laboratório onde o pai trabalhava, não viu a si mesmo entrando no galpão. No meio do caminho, sentiu algo se quebrando em suas mãos.

Assombrado, sorriu para o que via. Pequenos e ainda perdidos, saíam da casca dos ovos. À princípio, os filhotes de Velociraptor afeiçoaram-se a ele, como a uma mãe.

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