Pacífico e o transporte

Crônica
Junho de 2020
Começou, agora termina queride!

Sou Protagonista

Conquista Literária
Conto publicado em
A Vida em Movimento

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

O homem, seu livro e sempre uma ótima palavra para acoselhar.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Pacífico e o transporte
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Há tempos, Pacífico dedicava-se ao seu laborioso ofício. Era bibliotecário, há anos, do Museu da Língua Portuguesa, localizado no Centro do Rio de Janeiro. Lugar bonito, repleto de histórias cujos visitantes, muitos turistas, podem se regalar com tanta cultura.

Pacífico não era seu nome, mas sim apelido que recebeu dos amigos que fez ao longo de tantas viagens de Niterói, onde morava, até o trabalho, todos os dias, dia após dia, ao longo de mais de trinta e cinco anos. O ônibus era o 753 – Niterói – Praça XV, entrava e saia ano e o mesmo acontecia com a maior parte dos passageiros que de tanto se encontrarem  sagradamente às 7 da manhã, ficaram amigos. Era um festa cada viagem, onde rolava até mesmo salgadinhos e bolo de aniversário organizada pelos fiéis passageiros.

Por que Pacífico? O apelido lhe caia como luva. Sim, já houve dias em que o quebra-pau comeu solto em função de posicionamentos políticos contrários entre os presentes em meio ao caminho pelo ônibus trilhado. Em qualquer confusão que se dava dentro do tal veículo, Benedito – seu verdadeiro nome – era o primeiro a movimentar-se para apaziguar  os ânimos. Tinha sempre uma palavra adequada para cada situação inusitada. Daí advém seu apelido. Entre todos os passageiros, era o mais sensível.

No trajeto a caminho do trabalho, Pacífico, trocava muitos dedos de prosa com os amigos, brincava, animava os que momentaneamente se encontravam tristes ou aborrecidos, lia – adorava contos e crônicas – observava a paisagem do alto da ponte Rio-Niterói, que apresentava uma novidade a cada dia. Um dia era um navio cargueiro, outro um bando de pássaros desenhando formas variadas no azul céu de brigadeiro. Nos dias chuvosos eram os raios que rasgavam o céu cinza escuro.

Pacífico tinha sempre uma palavra meiga para acolher ou desembaraçar os nós cegos que perpassavam as vidas dos que lhes eram caros. Os motoristas e trocadores do ônibus os quais se revezavam, nutriam uma admiração especial pelo velho amigo. Até negociar com um ladrão em meio a ponte Rio-Niterói, este cidadão negociou e o convenceu a  saltar do ônibus quando possível sem levar nenhum pertence dos passageiros.

Pacífico tinha um, digamos vício: era aficionado por livros e leituras. Pra ele não tinha tempo quente, fazendo sol ou chuva, estava ele com mais de um livro nas mãos se deliciando com a onda a qual a leitura se lhe envolvia. Seja no ônibus, seja nas praças públicas nos finais de semana, seja à noite próximo a hora de dormir o livro era desde a infância seu maior companheiro.

Pacífico era um sujeito discreto e vivia uma vida, digamos, regrada. Acordava e dormia sempre na mesma hora e em relação ao horário  do seu estimado ônibus, era britânico. E assim levava a vida, cheia de normas e regras que se auto impunha. Porém, se aproximava a hora da vida de Pacífico sofrer uma mudança abrupta – Ele estava prestes a se aposentar, por variados motivos dentre os quais voltar para a Bahia sua terra natal e morar com a família – irmãos, sobrinhos. Mas só de pensar que com isso seria privado de conviver com os amigos do ônibus lhe dava uma azia e uma dor no estômago. Era acometido de uma espécie de tristeza profunda, afinal seu perímetro de amizades reduzia-se aos tão generosos companheiros de translado. Em resumo, levou mais de um ano se preparando para a temerosa despedida. Durante o referido ano ele tratou de  pegar os whatsapp e Facebook dos amigos e foi se convencendo que a cidade que o acolheria também deveria ter um ônibus encantado. Às vezes, pensava ele, tinha chegado a hora de ampliar a sua gama de experiências e também o seu perímetro.

Chegará então o dia da última viagem no 753 e para sua real surpresa os passageiros fizeram uma grande festa com bolas de ar e tudo que demandava a ocasião. Embora entristecidos por perder a velha companhia do querido porta voz, eles entenderam que Pacífico certamente virá a encantar um novo grupo de amigos, agora na Bahia de todos os santos.

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

O homem, seu livro e sempre uma ótima palavra para acoselhar.

Prólogo

Epílogo

Conto

Há tempos, Pacífico dedicava-se ao seu laborioso ofício. Era bibliotecário, há anos, do Museu da Língua Portuguesa, localizado no Centro do Rio de Janeiro. Lugar bonito, repleto de histórias cujos visitantes, muitos turistas, podem se regalar com tanta cultura.

Pacífico não era seu nome, mas sim apelido que recebeu dos amigos que fez ao longo de tantas viagens de Niterói, onde morava, até o trabalho, todos os dias, dia após dia, ao longo de mais de trinta e cinco anos. O ônibus era o 753 – Niterói – Praça XV, entrava e saia ano e o mesmo acontecia com a maior parte dos passageiros que de tanto se encontrarem  sagradamente às 7 da manhã, ficaram amigos. Era um festa cada viagem, onde rolava até mesmo salgadinhos e bolo de aniversário organizada pelos fiéis passageiros.

Por que Pacífico? O apelido lhe caia como luva. Sim, já houve dias em que o quebra-pau comeu solto em função de posicionamentos políticos contrários entre os presentes em meio ao caminho pelo ônibus trilhado. Em qualquer confusão que se dava dentro do tal veículo, Benedito – seu verdadeiro nome – era o primeiro a movimentar-se para apaziguar  os ânimos. Tinha sempre uma palavra adequada para cada situação inusitada. Daí advém seu apelido. Entre todos os passageiros, era o mais sensível.

No trajeto a caminho do trabalho, Pacífico, trocava muitos dedos de prosa com os amigos, brincava, animava os que momentaneamente se encontravam tristes ou aborrecidos, lia – adorava contos e crônicas – observava a paisagem do alto da ponte Rio-Niterói, que apresentava uma novidade a cada dia. Um dia era um navio cargueiro, outro um bando de pássaros desenhando formas variadas no azul céu de brigadeiro. Nos dias chuvosos eram os raios que rasgavam o céu cinza escuro.

Pacífico tinha sempre uma palavra meiga para acolher ou desembaraçar os nós cegos que perpassavam as vidas dos que lhes eram caros. Os motoristas e trocadores do ônibus os quais se revezavam, nutriam uma admiração especial pelo velho amigo. Até negociar com um ladrão em meio a ponte Rio-Niterói, este cidadão negociou e o convenceu a  saltar do ônibus quando possível sem levar nenhum pertence dos passageiros.

Pacífico tinha um, digamos vício: era aficionado por livros e leituras. Pra ele não tinha tempo quente, fazendo sol ou chuva, estava ele com mais de um livro nas mãos se deliciando com a onda a qual a leitura se lhe envolvia. Seja no ônibus, seja nas praças públicas nos finais de semana, seja à noite próximo a hora de dormir o livro era desde a infância seu maior companheiro.

Pacífico era um sujeito discreto e vivia uma vida, digamos, regrada. Acordava e dormia sempre na mesma hora e em relação ao horário  do seu estimado ônibus, era britânico. E assim levava a vida, cheia de normas e regras que se auto impunha. Porém, se aproximava a hora da vida de Pacífico sofrer uma mudança abrupta – Ele estava prestes a se aposentar, por variados motivos dentre os quais voltar para a Bahia sua terra natal e morar com a família – irmãos, sobrinhos. Mas só de pensar que com isso seria privado de conviver com os amigos do ônibus lhe dava uma azia e uma dor no estômago. Era acometido de uma espécie de tristeza profunda, afinal seu perímetro de amizades reduzia-se aos tão generosos companheiros de translado. Em resumo, levou mais de um ano se preparando para a temerosa despedida. Durante o referido ano ele tratou de  pegar os whatsapp e Facebook dos amigos e foi se convencendo que a cidade que o acolheria também deveria ter um ônibus encantado. Às vezes, pensava ele, tinha chegado a hora de ampliar a sua gama de experiências e também o seu perímetro.

Chegará então o dia da última viagem no 753 e para sua real surpresa os passageiros fizeram uma grande festa com bolas de ar e tudo que demandava a ocasião. Embora entristecidos por perder a velha companhia do querido porta voz, eles entenderam que Pacífico certamente virá a encantar um novo grupo de amigos, agora na Bahia de todos os santos.

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