Começou, agora termina queride!

Conquista Literária
Conto publicado em
Mirage: Miscelanea de Narrativas Irreais vol. 01

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Olhos urbanos
0:00
0:00

Alguém está sempre te olhando...

Percorro a cidade com olhos urbanos. Vejo pessoas, que como zumbis, vagam

de um lado para outro sem rumo. Presas ás suas vidas, procuram dar razão ao tempo

fazendo algo que não gostam ou não queiram. Meus olhos parecem enxergar como

um raio x o que pensam as pessoas. Meus olhos também parecem buscar algo além

de uma rua ou uma passagem para um edifício por um jardim. O outono deixava as

pessoas introspectivas, e o vento arrastava as folhas do chão até nossos olhos. O frio

cortava os olhos. Todos continuavam a andar a esmo. No outono é sempre assim...

Outro dia fui a uma livraria que vendia livros velhos. Um sebo. Não o do

Messias que é mais famoso. Fui a um sebo de livros caros. Os livros estão caros e

raros agora. Muitos podem ser impressos pela Internet. Alguns não existem mais.

Os escritores foram embora. Morreram e deixaram livros velhos e mofados. Muitos

com cheiro de fungos. Mas todos velhos e mofados. São apenas os livros que lembram

os autores. Velhos e mofados. Frios, como o vento de outono que corta meus

olhos.

As pessoas buscavam algo ou algum autor que não sabem ainda. Olhavam

títulos. Obras mofadas e tristes. Algumas em inglês e outras em espanhol. Capas

bonitas e embaladas com plástico e etiqueta. Não se pode abri-los, ou guardá-los no

mesmo lugar. Você tem que colocá-los em uma prateleira vazia. Só o livreiro pode

guardá-lo. Mas as pessoas olhavam os títulos como se vagassem no tempo de suas

memórias passadas. Procuravam algum autor qualquer. Pode ser do sexo masculino

ou feminino. Dei de cara com o livro da escritora Adelaide Carraro, proibida durante

muito tempo, pelo menos pelo meu pai e minha mãe. Mas tudo ficou para trás. Hoje

leio de tudo sem restrição.

Estou lendo Caio Fernando de Abreu, e a solidão o marcou muito tempo.

Neste ano, li uns 13 livros. Acredito que muita gente daquele sebo não leu nenhum.

Vagavam sem rumo, sem nada pra fazer. Mas os livros são nostálgicos. As pessoas

andam vagando por aí como vampiros em busca de sangue. Vampiros estão na

moda. Livros e filmes estão por aí. Adolescentes leem e crianças também. Vampiros

vivem a noite em busca de sangue e novidades. Usam capas compridas e lentes de

contato vermelhas. Olhares profundos e místicos. Querem sangue de meninos e meninas.

Possuem uma hierarquia e alguns conseguem sobreviver pela manhã. Aguentam

o sol amarelo, mas não tão forte. São os filhos das trevas buscando algo para

passar o tempo. Mas servem a um senhor. Servem ao mestre. Encontram-se sempre

vagando e perambulando pelas praças e cantos obscuros. Pelas favelas e por sobre os

muros. Pelos becos e antros da terra. Por baixo da terra, com seus amigos gnomos.

Quando são mulheres, sugam toda a energia do homem além de seus bens. Quando

são homens, absorvem as mulheres deixando-as apaixonadas e loucas, comprando

presentes aos amantes e disponibilizando seus bens mortais. A cabeça desses mortais

parece virar. Seus encantos são fatais e sua sedução mortal. Estacas e cruzes de prata

não são eficientes. O tempo é outro e a cidade cresceu. Adaptaram-se para isso.

Falam línguas estranhas. São ousados e não tem medo. Quando querem uma

coisa vão atrás e não brincam em serviço. Matam por prazer de matar e bebem o

sangue.

Cada um com seu jeito especifico, sua gangue, seus métodos de agir. Usam

escopeta, 45, 765, Glock, 38, facas e ponteiras. São cruéis. A vida não significa nada

para eles. Ao contrario de nós. Eles são muitos e nós poucos. São mutantes e crescem

sem parar. Transformaram-se no que são. Vampiros da cidade em pleno outono.

Ouvimos falar deles lá nos confins da Transilvânia, quando ouvi meu pai falar

que brincava aos pés do castelo do conde. Dracul era o seu nome. Venerado hoje por

todos.

Costumava empalar seus oponentes como forma de castigo. Deixava-os sangrando

até a morte em frente o castelo ou pelo caminho. Era mal e bebia o sangue

dos oponentes.

O poder busca o poder através da crueldade e da astúcia de alguns perante os

outros. Quando presos, são violentos, agressivos e sagazes. Preferem a morte quando

acuados. Suas garras são longas. São feios, pois perdem a sua beleza e mostram a sua

verdadeira cara. Mutantes vampiros.

Na mesma época, em pleno Natal de Londres, algo intrigava os homens da

Scotland Yard. Mulheres prostitutas apareciam mortas e sem sangue. Apenas duas

marcas no pescoço em forma de furos davam a entender que foram sugadas. Todo

seu sangue vazou por ali e a hemorragia era certa e mortal. Diziam que um homem

de olhos vermelhos e dentes longos rondava pela noite de Londres. A polícia estava

em alerta. Mais mulheres prostitutas mortas e sem sangue. A polícia nada achava. Estavam

tontos. Parecia que o assassino tinha asas e voava assim que a polícia chegava.

Mas estavam á espreita. Faltava pouco para surpreenderem o assassino.

Era um fim de semana tranquilo. Bêbados e prostitutas por todos os lados.

Uma lua imensa e redonda iluminava o relógio que marcava 0 hora. A hora boa,

como dizem. Os homens bebiam nas tabernas e as prostitutas riam pelos cantos.

Num descuido, uma delas entrou em um beco bêbada. Descuidada a promíscua, parou

para apertar o espartilho, donde seus seios fartos pulavam para fora. Uma sombra

ela vira. Um homem grande então apareceu como que do nada, agarrando-a.

Tampou sua boca e travou os dentes em seu pescoço. A mulher grita e logo vários

policiais aparecem no beco.

Uma visão aterradora. Um homem de quase dois metros de altura com olhos

vermelhos e muito sangue na boca. Em seus braços, a prostituta quase morta, sem

sangue. Tiros e mais tiros e o homem cai. Preso, é espancado com cassetetes até

confessar seus crimes. É arrastado por toda Londres com méritos aos policiais da

Scotland Yard. Hoje vivem como seres mutantes, presos a tecnologias, presos em

seus mundos, em uma bolha pessoal, aguardando o outono passar, e o inverno gélido

chegar...

Prólogo

Epílogo

Conto

Alguém está sempre te olhando...

Percorro a cidade com olhos urbanos. Vejo pessoas, que como zumbis, vagam

de um lado para outro sem rumo. Presas ás suas vidas, procuram dar razão ao tempo

fazendo algo que não gostam ou não queiram. Meus olhos parecem enxergar como

um raio x o que pensam as pessoas. Meus olhos também parecem buscar algo além

de uma rua ou uma passagem para um edifício por um jardim. O outono deixava as

pessoas introspectivas, e o vento arrastava as folhas do chão até nossos olhos. O frio

cortava os olhos. Todos continuavam a andar a esmo. No outono é sempre assim...

Outro dia fui a uma livraria que vendia livros velhos. Um sebo. Não o do

Messias que é mais famoso. Fui a um sebo de livros caros. Os livros estão caros e

raros agora. Muitos podem ser impressos pela Internet. Alguns não existem mais.

Os escritores foram embora. Morreram e deixaram livros velhos e mofados. Muitos

com cheiro de fungos. Mas todos velhos e mofados. São apenas os livros que lembram

os autores. Velhos e mofados. Frios, como o vento de outono que corta meus

olhos.

As pessoas buscavam algo ou algum autor que não sabem ainda. Olhavam

títulos. Obras mofadas e tristes. Algumas em inglês e outras em espanhol. Capas

bonitas e embaladas com plástico e etiqueta. Não se pode abri-los, ou guardá-los no

mesmo lugar. Você tem que colocá-los em uma prateleira vazia. Só o livreiro pode

guardá-lo. Mas as pessoas olhavam os títulos como se vagassem no tempo de suas

memórias passadas. Procuravam algum autor qualquer. Pode ser do sexo masculino

ou feminino. Dei de cara com o livro da escritora Adelaide Carraro, proibida durante

muito tempo, pelo menos pelo meu pai e minha mãe. Mas tudo ficou para trás. Hoje

leio de tudo sem restrição.

Estou lendo Caio Fernando de Abreu, e a solidão o marcou muito tempo.

Neste ano, li uns 13 livros. Acredito que muita gente daquele sebo não leu nenhum.

Vagavam sem rumo, sem nada pra fazer. Mas os livros são nostálgicos. As pessoas

andam vagando por aí como vampiros em busca de sangue. Vampiros estão na

moda. Livros e filmes estão por aí. Adolescentes leem e crianças também. Vampiros

vivem a noite em busca de sangue e novidades. Usam capas compridas e lentes de

contato vermelhas. Olhares profundos e místicos. Querem sangue de meninos e meninas.

Possuem uma hierarquia e alguns conseguem sobreviver pela manhã. Aguentam

o sol amarelo, mas não tão forte. São os filhos das trevas buscando algo para

passar o tempo. Mas servem a um senhor. Servem ao mestre. Encontram-se sempre

vagando e perambulando pelas praças e cantos obscuros. Pelas favelas e por sobre os

muros. Pelos becos e antros da terra. Por baixo da terra, com seus amigos gnomos.

Quando são mulheres, sugam toda a energia do homem além de seus bens. Quando

são homens, absorvem as mulheres deixando-as apaixonadas e loucas, comprando

presentes aos amantes e disponibilizando seus bens mortais. A cabeça desses mortais

parece virar. Seus encantos são fatais e sua sedução mortal. Estacas e cruzes de prata

não são eficientes. O tempo é outro e a cidade cresceu. Adaptaram-se para isso.

Falam línguas estranhas. São ousados e não tem medo. Quando querem uma

coisa vão atrás e não brincam em serviço. Matam por prazer de matar e bebem o

sangue.

Cada um com seu jeito especifico, sua gangue, seus métodos de agir. Usam

escopeta, 45, 765, Glock, 38, facas e ponteiras. São cruéis. A vida não significa nada

para eles. Ao contrario de nós. Eles são muitos e nós poucos. São mutantes e crescem

sem parar. Transformaram-se no que são. Vampiros da cidade em pleno outono.

Ouvimos falar deles lá nos confins da Transilvânia, quando ouvi meu pai falar

que brincava aos pés do castelo do conde. Dracul era o seu nome. Venerado hoje por

todos.

Costumava empalar seus oponentes como forma de castigo. Deixava-os sangrando

até a morte em frente o castelo ou pelo caminho. Era mal e bebia o sangue

dos oponentes.

O poder busca o poder através da crueldade e da astúcia de alguns perante os

outros. Quando presos, são violentos, agressivos e sagazes. Preferem a morte quando

acuados. Suas garras são longas. São feios, pois perdem a sua beleza e mostram a sua

verdadeira cara. Mutantes vampiros.

Na mesma época, em pleno Natal de Londres, algo intrigava os homens da

Scotland Yard. Mulheres prostitutas apareciam mortas e sem sangue. Apenas duas

marcas no pescoço em forma de furos davam a entender que foram sugadas. Todo

seu sangue vazou por ali e a hemorragia era certa e mortal. Diziam que um homem

de olhos vermelhos e dentes longos rondava pela noite de Londres. A polícia estava

em alerta. Mais mulheres prostitutas mortas e sem sangue. A polícia nada achava. Estavam

tontos. Parecia que o assassino tinha asas e voava assim que a polícia chegava.

Mas estavam á espreita. Faltava pouco para surpreenderem o assassino.

Era um fim de semana tranquilo. Bêbados e prostitutas por todos os lados.

Uma lua imensa e redonda iluminava o relógio que marcava 0 hora. A hora boa,

como dizem. Os homens bebiam nas tabernas e as prostitutas riam pelos cantos.

Num descuido, uma delas entrou em um beco bêbada. Descuidada a promíscua, parou

para apertar o espartilho, donde seus seios fartos pulavam para fora. Uma sombra

ela vira. Um homem grande então apareceu como que do nada, agarrando-a.

Tampou sua boca e travou os dentes em seu pescoço. A mulher grita e logo vários

policiais aparecem no beco.

Uma visão aterradora. Um homem de quase dois metros de altura com olhos

vermelhos e muito sangue na boca. Em seus braços, a prostituta quase morta, sem

sangue. Tiros e mais tiros e o homem cai. Preso, é espancado com cassetetes até

confessar seus crimes. É arrastado por toda Londres com méritos aos policiais da

Scotland Yard. Hoje vivem como seres mutantes, presos a tecnologias, presos em

seus mundos, em uma bolha pessoal, aguardando o outono passar, e o inverno gélido

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