O outro final alcançado

Drama
Começou, agora termina queride!

Inspiração

Conquista Literária
Conto publicado em

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Páginas finais, o protagonista, preso, amargurava as últimas horas antes da execução.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
O outro final alcançado
0:00
0:00

Páginas finais, o protagonista, preso, amargurava as últimas horas antes da execução. Triste fim de Policarpo Quaresma, o livro que consumia vagarosamente, palavra por palavra, um velho sentado à janela do metrô.

O sistema de áudio anuncia a estação, fecha o exemplar marcando a página com o dedo calejado do ofício, carimbador de papéis. Espera findar o apito. É um leitor sensível. Qualquer barulhinho mais exaltado lhe usurpa do ato sagrado de ler, passatempo religiosamente cultivado no regresso do trabalho.

Volta os olhos para o livro, é suspenso por outro som que não o do alto-falante.

— Senhoras e senhores, desculpe atrapalhar a viagem! Trago as deliciosas balas...

Impossível continuar lendo sem visualizar Policarpo, ao invés do seu patriotismo exacerbado, defendendo qualidades duvidosas de balas de goma. Aguarda o término do pregão e reabre o livro junto com as portas que levam o ambulante.

Prega-se novamente nas letras.

Vaga o assento ao lado, um homem cheio de tamanho e manias inconvenientes o ocupa. Abre as pernas, o brucutu, o som do seu aparelho escandalosamente escapa dos fones, incomodando ouvidos alheios. Música gospel. Arrisca cantarolar, a voz diverge da sua estatura, zumbido de pernilongo com asa arriada. Espremido, oprimido, o velho espera novamente. Retira a boina, a mão passeia na careca, bufa pra ninguém.

O homenzarrão desembarca com sua música e tamanho. Restam ainda quatro estações.

Jovens de roupas largas entram em cena. Inspecionam o vagão, não há guardas, só uns poucos passageiros e o velho, na expectativa de cultuar suas preciosas linhas. Fecham as portas, um dos integrantes saca o som portátil, ameaça ligar para iniciar um número de dança.

O velho surta.

— Pode parar! — Atira a boina no chão. — Quero ler meu livro!

— E aí, tio? Não atravessa não.

— Não atravessa? Eu quero ser atravessado, por essas palavras, por esse homem amargurado, denunciador de tempos que, apesar de longínquos, ainda me ferem e atormentam com suas semelhanças e permanências.

— Endoidou.

— Enclausurado numa vida pífia, tenho as mãos marcadas por um trabalho medíocre, e no hiato entre esse suplício até a humilhação do lar me refugio aqui, aqui! — Bate no livro. — E sabe o que é pior? — Caminha pelo vagão encarando cada passageiro, busca respostas, olhos saltados. — Nesse refúgio encontro a mim mesmo e vejo, como que num espelho, a minha tragédia.

Principia a chorar. Um breve silêncio separa o seu soluçar de uma salva de palmas, gritos e assobios. Sua boina é alvejada de notas e moedas. Os adolescentes o reverenciam.

O metrô chega no fim da linha.

Palma, palma... Logo os contos desta obra serão selecionados e aparecerão aqui.

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Páginas finais, o protagonista, preso, amargurava as últimas horas antes da execução.

Prólogo

Epílogo

Conto

Páginas finais, o protagonista, preso, amargurava as últimas horas antes da execução. Triste fim de Policarpo Quaresma, o livro que consumia vagarosamente, palavra por palavra, um velho sentado à janela do metrô.

O sistema de áudio anuncia a estação, fecha o exemplar marcando a página com o dedo calejado do ofício, carimbador de papéis. Espera findar o apito. É um leitor sensível. Qualquer barulhinho mais exaltado lhe usurpa do ato sagrado de ler, passatempo religiosamente cultivado no regresso do trabalho.

Volta os olhos para o livro, é suspenso por outro som que não o do alto-falante.

— Senhoras e senhores, desculpe atrapalhar a viagem! Trago as deliciosas balas...

Impossível continuar lendo sem visualizar Policarpo, ao invés do seu patriotismo exacerbado, defendendo qualidades duvidosas de balas de goma. Aguarda o término do pregão e reabre o livro junto com as portas que levam o ambulante.

Prega-se novamente nas letras.

Vaga o assento ao lado, um homem cheio de tamanho e manias inconvenientes o ocupa. Abre as pernas, o brucutu, o som do seu aparelho escandalosamente escapa dos fones, incomodando ouvidos alheios. Música gospel. Arrisca cantarolar, a voz diverge da sua estatura, zumbido de pernilongo com asa arriada. Espremido, oprimido, o velho espera novamente. Retira a boina, a mão passeia na careca, bufa pra ninguém.

O homenzarrão desembarca com sua música e tamanho. Restam ainda quatro estações.

Jovens de roupas largas entram em cena. Inspecionam o vagão, não há guardas, só uns poucos passageiros e o velho, na expectativa de cultuar suas preciosas linhas. Fecham as portas, um dos integrantes saca o som portátil, ameaça ligar para iniciar um número de dança.

O velho surta.

— Pode parar! — Atira a boina no chão. — Quero ler meu livro!

— E aí, tio? Não atravessa não.

— Não atravessa? Eu quero ser atravessado, por essas palavras, por esse homem amargurado, denunciador de tempos que, apesar de longínquos, ainda me ferem e atormentam com suas semelhanças e permanências.

— Endoidou.

— Enclausurado numa vida pífia, tenho as mãos marcadas por um trabalho medíocre, e no hiato entre esse suplício até a humilhação do lar me refugio aqui, aqui! — Bate no livro. — E sabe o que é pior? — Caminha pelo vagão encarando cada passageiro, busca respostas, olhos saltados. — Nesse refúgio encontro a mim mesmo e vejo, como que num espelho, a minha tragédia.

Principia a chorar. Um breve silêncio separa o seu soluçar de uma salva de palmas, gritos e assobios. Sua boina é alvejada de notas e moedas. Os adolescentes o reverenciam.

O metrô chega no fim da linha.

Palma, palma... Logo os contos desta obra serão selecionados e aparecerão aqui.
Para continuar lendo
Outros contos não foram encontrados.
Leia agora

Mais contos em

Clube do Livro

Quer ler esse conto?

Vem fazer parte do Planeta Roxo, nosso clube do livro de terror e ficção científica. Dois contos originais e um clássico todos os meses.

Ambiente de leitura
Claro
Cinza
Sépia
Escuro
-T
Tamanho de Fonte
+T
Ícone de DownloadÍcone de formato de leitura
Ambiente de Leitura
Voltar ao topo

O hub de Literatura Nacional mais legal da internet. Explore o desconhecido e descubra o inimaginável.

Logo do Planeta Roxo, clube do livro digital da Bilbbo

Clube do Livro digital da Bilbbo. Todo mês novos envios para le.

Entre no clube
Logo Viralume, frente de conteúdo sobre o mercado literário da Bilbbo.

Frente de conteúdo da Bilbbo sobre Literatura.

Ouça
Logo Mini, publicações curtas da Bilbbo.

Mini Contos da Bilbbo que que de pequenas não possuem nada.

Leia agora