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O jovem guerreiro
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O jovem guerreiro
Conto

O jovem guerreiro

Bomani é um agente de recolhimento, ao presenciar um acontecimento durante o seu trabalho. Despertará um estranho chamado, e assim, deverá decidir qual caminho tomar. Servidão ou Liberdade.

Gregory Harkovtzeff
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O jovem guerreiro
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

— Senhor e Senhora Mukanda. – Anunciou o capitão enquanto eu e outro colegapuxávamos os dois adultos pelos braços. O homem não ofereceu resistência, mas amulher ao ouvir os prantos do filho pequeno tentou se desvencilhar da nossaescolta.

Oterceiro agente, correu agarrando a mulher pela cintura e a puxando. Poucasvezes precisamos usar da violência para cumprir a lei. Íamos levando os dois ea criança continuava esperneando, sozinha. A última vez que ela os veria. A leideveria ser cumprida, aos cinquenta anos, deixávamos de ser donos de nossoscorpos. Deixando-os à domínio público. Mas, aquilo era desumano, não me sentibem. A criança ficaria sozinha e possivelmente morreria de fome.

Entramosno camburão e ficamos em nossos devidos lugares. Omar, nosso piloto deupartida.

— O que foi, cabo? – Perguntou o capitão ao me ver distraído. — Não me diga queficou abalado pelos choros da criança?

Todosriram, menos eu.

— Não...Penso em outras coisas. – Disfarcei enquanto via o meu reflexo cansado novidro do veículo.

Capitãonão estava errado, não havia sido a primeira família que destruímos. Todos nóspossuíamos um prazo de validade.

— Não se sente incomodado em ser levado daqui a um ano, capitão? – A pergunta ofez mudar a postura e o rosto se fechar.

— É um dever, uma honra servir ao proposito que a Criança nos deixou. Devia tervergonha de fazer uma pergunta dessas, Cabo Bomani.

Crispeios lábios enquanto meus colegas iniciavam um debate sobre religião e ciência,defendendo seus pontos de vistas. Vi no fundo do camburão o casal chorando,tentando se consolarem pelo fim que se aproximava. Aquela cena não foi muitodiferente da que eu havia visto quando completei meus oito anos. Minha mãe sedespedia do meu pai enquanto ele era levado por homens que usavam o mesmouniforme que eu vestia hoje.

Depois,minha mãe quando completei meus quinze anos. Exatamente no dia de meuaniversário. Quando eu pedia para explicar o porquê de o papai ter sido levado.Mamãe me respondia sobre uma roda e as correntes que nos prendiam a ela.Enquanto rodasse, seríamos arrastados.

Agoraeu entendia. A roda nada mais fora que as desculpas daqueles que residiam nopoder para se apossarem do grande poder que a Criança e a Chuva deram ao nossopovo. Lá fora quantos ainda seriam sacrificados? Olhei para a janela, buscandorespostas para minhas incessantes perguntas.

Evi, vi muitas famílias. Mães abraçando seus filhos, pais brincando com suaspequenas. Todos usando a máscara da felicidade. Voltei a encarar o casal, foinesse instante que nossos olhares se encontraram. Li um pedido de ajuda, entãoeu soube o que fazer.

— Um gato comeu sua língua, cabo? – Questionou o Capitão apoiando os cotovelos nacoxa.

Saqueiminha arma e disparei contra ele. Três vezes meu dedo forçou o gatilho, o corpodo oficial foi jogado contra o banco. Estávamos entre seis nos bancostraseiros. Danso que sentava do meu lado tentou sacar a arma do coldre, mas euacertei uma coronhada bem no meio de seu rosto. Aproveitei para agarra-lo efaze-lo de escudo.

— Bomani!

— O que está acontecendo aí atrás?! – Gritou Omar do compartimento frontal.

— Se alguém se mover, eu atiro nele. – Afirmei encarando um a um.

— Por favor, Bomani. Por favor. – Mesmo não falando, Danso implorava para nãomorrer.

— Libertem os dois e apaguem os registros. – Os agentes se entreolharam. – Agora!

Aomeu grito, Jafar se levantou pedindo calma. Apertou o botão e o gradil se abriupara acessar o casal. Nesse momento, a porta frontal se abriu. Apontei a armapara ele. Alguém de dentro atirou, matando Danso e acertando em mim. Entãorespondi fogo com fogo.

Omartentou sacar a arma, atirei antes. Algumas balas acertaram o painel do veículo.Virei a mira e quase a queima roupa, acertei meus irmãos de farda. Jafarapontou a arma para o casal.

— Como vai ser traidor?

— Só nós sobramos. – Empurrei o corpo de meu escudo pra frente, ele caiu molengasem vida no assoalho do carro.

— Então por que fez isso?

— Eu não sei bem. – Respondi fazendo uma careta e repousando a mão sobre osferimentos das balas. – Só tive que fazer.

— Só pode estar brincando com a minha cara. – O desprezo no seu rosto erainegável. – Você assassinou seus colegas.

— Nós assassinamos pessoas, Jafar. Quantas famílias destruímos? Qual o orgulho emser usado e depois descartado?

— Tudo pelo progresso, Bomani. – Ele apontou a arma na minha direção.

Entãotudo girou, o veículo bateu em algo, fui jogado para cima e para baixo. Tudoescureceu.

Meencontrava em meio a chuva. O chão espelhava o céu, eu achei que estavasozinho, mas vi uma criança sozinha, abraçada a um boneco de palha. A pele tãonegra como a noite possuía pontinhos brancos, simulando estrelas. Eu a chamei eela correu, a segui até encontrar uma mulher usando uma coroa. O pouco que melembrei, a semelhança entre ela e a Criança eram enormes.

— Minha criança. – Ela abriu os braços esperando-a, o afago materno durou poucoaté ela notar minha presença. – Então, você veio jovem guerreiro.

— Onde eu estou?

— Está onde devia estar, aquele que representa o nome. Sua mãe escolheu bem,mulher honrada.

— Como sabe dela? – Questionei tentando achar o meu coldre, mas haviadesaparecido.

— Eu sei de tudo, não se preocupe, não farei mal a você. – A mulher com os mesmospingos brancos pintados na pele negra deu a mão para a criança e veio na minhadireção. – Você foi o primeiro a questionar o que fazem com o nosso povo.

— Fui? – Perguntei surpreso.

— Sim. – Ela parou ao meu lado dando a outra mão para pegar, não hesitei e apeguei. – Posso lhe contar uma história, jovem guerreiro?

Euaceitei.

— Quando nosso povo conheceu a fome, a doença e definhava pela seca, eu chorei. Sabiaque o fim viria, cedo ou tarde, se não tomasse alguma atitude. Então envieiminha filha para andar entre vocês. – Ela olhou para a criança sorridente. –Mas haveria um preço, uma troca.

— Que troca? – Perguntei a encarando.

— Vida por vida. Daríamos abundância e prosperidade, mas aos poucos algunssucumbiriam. Foi um erro. – Existia sinceridade nas palavras da mulher. –Então, convoquei outro guerreiro para resolver o problema que eu havia criado.Mas, interpretaram errado e decidiram negligenciar a benção através da força.

— O atirador... – Sussurrei, mas ela ouvira.

— Sim. Outro como você, um quebrador de correntes, um emissário.

— Então eu devo...

— Fazer a roda parar. – Ela encostou a mão no meu peito e empurrou. Fui jogado nochão espelho, engolido pela água.

Desperteiem meio aos destroços do veículo. O casal havia fugido pela porta traseira.Jafar estava morto, assim como todo os outros. Me arrastei pela lateral atésair, transeuntes já se aproximavam curiosos pelo acidente. Algo bem incomum na“sociedade perfeita”.

Saímancando pela via, o veículo explodiu assustando ainda mais quem observava. Osmesmos pontos brancos surgiram nos meus braços, a tatuagem significava que euhavia encontrado o meu propósito: libertar o meu povo.

Mechamo Aikin Bomani e este é meu relato.

 

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