O Golpista

Suspense
Fevereiro de 2020
Começou, agora termina queride!

Conquista Literária
Conto publicado em
Sombras de Galway

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
O Golpista
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0:00

“Eu não tenho certeza se a gente pode confiar nele…” disse um homem andando em meio a uma chuva fraca junto com outros 4 por uma estrada enlameada. Ele ia continuar a falar quando foi interrompido por um grito ao longe.


“Aaaaaaaaaaah!” gritou um homem ao longe.


“Ouviram isso?” Disse um dos outros homens do grupo.

“Vocês estão sentindo esse cheiro?” Disse o primeiro. Poucos segundos depois apressando um pouco o passo ouviram mais um grito, dessa vez parecia mais agoniado.


“Aaaaaaaaaah!”


“Parece fogo…” Disse o segundo.

“Ah não, não, não, não. Alexey, é a estalagem!” Disse o primeiro.

“Não, Brannon…É a casa ao lado… Era uma igreja ali, non?” Retrucou o segundo.

“Tanto faz! Anda logo! Depressa!” Disse Brannon e correu em direção a casa.


“Aaaaaaaaah!” O grito ficava cada vez mais alto e agonizante. Era desesperador ouvir.


Brannon chegou até a porta da pequena igreja e a abriu com força.

“Merda…” 

“Tarde demais.” Disse Alexey.

“Aaaaaaah!”

De novo esse sonho… Acho melhor aceitar os sinais que devo sair dessa estalagem logo… Que inferno…


Ainda estou na estalagem nos arredores de Galway e o ano é 1985… Os sonhos inquietos parecem lembranças assustadoras de um passado não tão distante. Eu acordo sentindo o cheiro de carne e madeira queimada. Um homem crucificado, as chamas se alastrando e um grupo de pessoas chegando tarde demais para fazer qualquer coisa para ajudá-lo. Um grupo de pessoas que me parecem conhecidos distantes… De algum modo sei que são as peças que se moveram no tabuleiro de Galway ano passado.


A chuva parece não passar nunca nesse lugar… Ela oscila entre garoas e tormentas, agitando ou aquietando o mar. O céu é sempre cinzento e a paisagem sempre melancólica. As vezes me parece que—


“Aaaaaaaaaaah!!””


Não acho que tenha muita escolha, ficar aqui parece estar se tornando uma alternativa cada dia mais insana… Ou talvez seja Galway me chamando para o condado… ou talvez seja algo me atraindo para lá.


*Sussurros*


O que? Bom, vamos, é melhor sair daqui logo… no caminho eu vou… Contar sobre mais uma das peças em jogo no tabuleiro de Galway… E lembrem-se: Tudo o que vocês escutarão de mim são relatos de um homem insano e dos relatos tão absurdos quanto o limite da imaginação é capaz de sonhar, espero que acreditem em minhas palavras, assim como acreditei nas daquele desconhecido. O nome do homem que vou falar a respeito hoje é Thomas Ison. Um americano que passou por altos e baixos nessa vida, principalmente se aproveitando da ingenuidade alheia.


Thomas nasceu nos Estados Unidos e, bem diferente do professor Oliver Sievert, ele teve uma infância problemática em relação a sua família. Ele não se dava bem com seu pai, sua mãe reprovava essa situação o que o fazia ficar longas horas fora de casa. Thomas descobriu cedo que. para passar tanto tempo assim fora de casa, ele precisava aprender a se virar por conta própria… E ele não teve problema algum com isso.


Sempre foi um rapaz charmoso, esperto, conseguia ler as pessoas com facilidade e, naturalmente, passou a se aproveitar disso. Começou com pequenos golpes em jogos de azar, inventando mentiras para conseguir dinheiro e favores até que passou a coisas mais elaboradas como falsificação, se passando por outra pessoa por onde passava pedindo empréstimos e nunca mais aparecendo em tal lugar, enganando homens e mulheres de um jeito ou de outro.


Como é de se esperar, as pessoas que precisam de alguém com essas habilidades eventualmente as encontram. Então ainda nos seus 20 anos, Thomas já começou a ganhar a vida com seus golpes e falsificações.


Na metade dos anos 70, Thomas começou a pensar se já não havia passado tempo demais aplicando seus golpes nos Estados Unidos, talvez uma hora sua sorte o deixasse na mão. Astuto, como era de se esperar alguém que passou tanto tempo nessa vida, falsificou documentos e passaportes e decidiu ir para a Europa.


Thomas teve mais altos do que baixos nessa vida. Não demorou muito para voltar a trabalhar como se nunca tivesse deixado a América. Recebia ligações pedindo documentos, passaportes, favores e informações… E Thomas sempre entregava o que os clientes pediam, nunca fazendo perguntas e sempre pedindo o dinheiro adiantado. Ele vivia bem mas, Brannon dizia em suas anotações, que acreditava que Thomas não fazia isso para ter grandes riquezas, ele fazia isso por se sentir vivo.


Por fim, um dia fazendo alguns trabalhos na Irlanda, Thomas ficou sabendo sobre um estranho acontecimento no condado de Galway, alguma coisa envolvendo a igreja, um padre que vivia sendo preso por seu comportamento agressivo e fervoroso e coisas estranhas que imaginou ser apenas as histórias que passavam a ganhar vida própria quanto mais longe de sua origem estavam. Afinal de contas, ninguém acreditaria em uma mulher crucificada em 1984.


Pensando que poderia se aproveitar da fé alheia e tirar suas dúvidas do que estava acontecendo no local por conta própria, Thomas fingiu ser um missionário em uma viagem pela Irlanda de passagem por Galway pedindo abrigo na igreja… Para ele foi onde tudo começou, na casa de Deus… onde Deus não parece ter olhado por ele.


Minha nossa… Eu nunca estive tão perto de Galway como agora… consigo ver alguns dos lugares que o desconhecido me falou… Eu não vou mentir, só um louco não sentiria receio de entrar nesse condado depois das histórias que ouvi. Acho que assim como Thomas, vou passar alguns dias na igreja. Não é tão longe daqui e é um pouco afastada do condado. Não o tanto quanto eu gostaria mas… quem sabe os sussurros me deixam em paz por algum tempo… Apenas por algum tempo.

Prólogo

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“Eu não tenho certeza se a gente pode confiar nele…” disse um homem andando em meio a uma chuva fraca junto com outros 4 por uma estrada enlameada. Ele ia continuar a falar quando foi interrompido por um grito ao longe.


“Aaaaaaaaaaah!” gritou um homem ao longe.


“Ouviram isso?” Disse um dos outros homens do grupo.

“Vocês estão sentindo esse cheiro?” Disse o primeiro. Poucos segundos depois apressando um pouco o passo ouviram mais um grito, dessa vez parecia mais agoniado.


“Aaaaaaaaaah!”


“Parece fogo…” Disse o segundo.

“Ah não, não, não, não. Alexey, é a estalagem!” Disse o primeiro.

“Não, Brannon…É a casa ao lado… Era uma igreja ali, non?” Retrucou o segundo.

“Tanto faz! Anda logo! Depressa!” Disse Brannon e correu em direção a casa.


“Aaaaaaaaah!” O grito ficava cada vez mais alto e agonizante. Era desesperador ouvir.


Brannon chegou até a porta da pequena igreja e a abriu com força.

“Merda…” 

“Tarde demais.” Disse Alexey.

“Aaaaaaah!”

De novo esse sonho… Acho melhor aceitar os sinais que devo sair dessa estalagem logo… Que inferno…


Ainda estou na estalagem nos arredores de Galway e o ano é 1985… Os sonhos inquietos parecem lembranças assustadoras de um passado não tão distante. Eu acordo sentindo o cheiro de carne e madeira queimada. Um homem crucificado, as chamas se alastrando e um grupo de pessoas chegando tarde demais para fazer qualquer coisa para ajudá-lo. Um grupo de pessoas que me parecem conhecidos distantes… De algum modo sei que são as peças que se moveram no tabuleiro de Galway ano passado.


A chuva parece não passar nunca nesse lugar… Ela oscila entre garoas e tormentas, agitando ou aquietando o mar. O céu é sempre cinzento e a paisagem sempre melancólica. As vezes me parece que—


“Aaaaaaaaaaah!!””


Não acho que tenha muita escolha, ficar aqui parece estar se tornando uma alternativa cada dia mais insana… Ou talvez seja Galway me chamando para o condado… ou talvez seja algo me atraindo para lá.


*Sussurros*


O que? Bom, vamos, é melhor sair daqui logo… no caminho eu vou… Contar sobre mais uma das peças em jogo no tabuleiro de Galway… E lembrem-se: Tudo o que vocês escutarão de mim são relatos de um homem insano e dos relatos tão absurdos quanto o limite da imaginação é capaz de sonhar, espero que acreditem em minhas palavras, assim como acreditei nas daquele desconhecido. O nome do homem que vou falar a respeito hoje é Thomas Ison. Um americano que passou por altos e baixos nessa vida, principalmente se aproveitando da ingenuidade alheia.


Thomas nasceu nos Estados Unidos e, bem diferente do professor Oliver Sievert, ele teve uma infância problemática em relação a sua família. Ele não se dava bem com seu pai, sua mãe reprovava essa situação o que o fazia ficar longas horas fora de casa. Thomas descobriu cedo que. para passar tanto tempo assim fora de casa, ele precisava aprender a se virar por conta própria… E ele não teve problema algum com isso.


Sempre foi um rapaz charmoso, esperto, conseguia ler as pessoas com facilidade e, naturalmente, passou a se aproveitar disso. Começou com pequenos golpes em jogos de azar, inventando mentiras para conseguir dinheiro e favores até que passou a coisas mais elaboradas como falsificação, se passando por outra pessoa por onde passava pedindo empréstimos e nunca mais aparecendo em tal lugar, enganando homens e mulheres de um jeito ou de outro.


Como é de se esperar, as pessoas que precisam de alguém com essas habilidades eventualmente as encontram. Então ainda nos seus 20 anos, Thomas já começou a ganhar a vida com seus golpes e falsificações.


Na metade dos anos 70, Thomas começou a pensar se já não havia passado tempo demais aplicando seus golpes nos Estados Unidos, talvez uma hora sua sorte o deixasse na mão. Astuto, como era de se esperar alguém que passou tanto tempo nessa vida, falsificou documentos e passaportes e decidiu ir para a Europa.


Thomas teve mais altos do que baixos nessa vida. Não demorou muito para voltar a trabalhar como se nunca tivesse deixado a América. Recebia ligações pedindo documentos, passaportes, favores e informações… E Thomas sempre entregava o que os clientes pediam, nunca fazendo perguntas e sempre pedindo o dinheiro adiantado. Ele vivia bem mas, Brannon dizia em suas anotações, que acreditava que Thomas não fazia isso para ter grandes riquezas, ele fazia isso por se sentir vivo.


Por fim, um dia fazendo alguns trabalhos na Irlanda, Thomas ficou sabendo sobre um estranho acontecimento no condado de Galway, alguma coisa envolvendo a igreja, um padre que vivia sendo preso por seu comportamento agressivo e fervoroso e coisas estranhas que imaginou ser apenas as histórias que passavam a ganhar vida própria quanto mais longe de sua origem estavam. Afinal de contas, ninguém acreditaria em uma mulher crucificada em 1984.


Pensando que poderia se aproveitar da fé alheia e tirar suas dúvidas do que estava acontecendo no local por conta própria, Thomas fingiu ser um missionário em uma viagem pela Irlanda de passagem por Galway pedindo abrigo na igreja… Para ele foi onde tudo começou, na casa de Deus… onde Deus não parece ter olhado por ele.


Minha nossa… Eu nunca estive tão perto de Galway como agora… consigo ver alguns dos lugares que o desconhecido me falou… Eu não vou mentir, só um louco não sentiria receio de entrar nesse condado depois das histórias que ouvi. Acho que assim como Thomas, vou passar alguns dias na igreja. Não é tão longe daqui e é um pouco afastada do condado. Não o tanto quanto eu gostaria mas… quem sabe os sussurros me deixam em paz por algum tempo… Apenas por algum tempo.

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