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Notas de café

Nada como um cheiro e um gole de café para apurar os sentidos.

Allyson Kovacs
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Notas de café
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Já fazia dias que Saraiva não tinha uma boa noite de sono. Tantos anos em treinamentos da polícia, cenas de crimes diversas e mesmo os seus filmes policiais favoritos não a tinham preparado para este caso. Seu estômago não embrulhava mais, mas as imagens de mãos com os anelares decepados ainda estavam vívidas e frescas em seus sonhos.

Precisava encontrar uma brecha, a mais simples que fosse, afinal nenhum assassino poderia ser perfeito. Todos eles falham em algum momento. Essa era sua maior esperança, que o Assassino do Anelar falhasse, que sua vaidade o traísse, que ele cometesse um deslize, que ele deixasse uma pista, ou quem sabe, que assim como Nina, ele simplesmente se cansasse e fosse até a delegacia, contar sua história e buscar por simpatia.

Sim, Nina com toda certeza já saberia quem estava matando todos aqueles homens, por mais escrotos que fossem. Já havia revisitado a pasta do caso fechado há muitos meses, e não encontrou nada além dos longos relatórios das conversas da senhorinha com o Delegado Mendes. Não gostava de admitir, mas sentia certa simpatia pela idosa e, apesar de todo o caos que seu caso gerou, chorou em silêncio quando sua morte fora confirmada.

Nem sempre é sensato fazer justiça com as próprias mãos.

Deu de falar sozinha agora, Saraiva? - Pereira a olhava por cima do monitor, suas mesas uma de frente para a outra na delegacia.

Eu estava pensando aqui Pereira. A história toda da Nina, é muito maluca. Uma mulher que sofreu tanto e acabou buscando justiça pelas formas mais bizarras.

O problema é o mesmo todas as vezes. Você fala que é super viciadinha nos filmes de Serial Killer, e você sabe muito bem que eles pegam gosto pela coisa. O nosso assassino também está pegando gosto…

Não sei, parece que ele ou ela ainda está querendo provar alguma coisa. Ainda não me cheira como algo simplesmente prazeroso, mas sim como um tributo.

Credo Saraiva. Você realmente precisa dormir. Eu inclusive, vou terminar o relatório de hoje e vou pra casa. Não vejo a hora deste caso acabar, já estou me sentindo muito velho pra isso tudo.

Bom, eu vou pegar um café para não dormir no volante e, do jeito que você costuma digitar, acho que vou pra casa antes de você.

Pode apostar que vai. - Disse Pereira, voltando suas atenções novamente ao monitor e digitando lentamente, como quem caça nas teclas todas as palavras corretas.

Como prometido, Saraiva se levantou, organizou sua papelada para o dia seguinte e seguiu para a sala de descanso. Checou a cafeteira e após bufar por descobrir que a mesma estava vazia, deu uma de boa samaritana e resolveu fazer um café quente para o pessoal do turno da noite. Conforme a água quente era derramada sobre o pó, todo o aroma do café despertou os seus sentidos e uma brecha, uma pequena falha surgiu diante de seus olhos.

Como poderia ter deixado isso passar? Agora, com o cheiro de café tão característico da delegacia, tudo parecia óbvio demais. O mesmo café fora servido a todas as esposas. O mesmo café fora bebido em todos os plantões, em todas as papeladas sobre os casos. Os casos antes das mortes.

Todos os casos, sem exceções, tinham passagem naquela delegacia.

É claro! A escolha perfeita das vítimas. Tudo, todas as passagens, dados, endereços, telefones, simplesmente tudo estava lá, na papelada exaustiva, no sistema e nos servidores da barulhenta delegacia.

Olhou para a mesa a frente da sua. Não poderia ser Pereira, seu parceiro de longa data. Seu perfil simplesmente não batia e ele tinha muita coisa em jogo para pôr tudo a perder dessa forma.

Estava tão absorta em seus pensamentos que se assustou quando o Delegado Mendes entrou para pegar um café:

Olha Saraiva, em todos os meus anos aqui, acho que é a primeira vez que te vejo fazendo um café.

Eu estava precisando. Estou a muitas noites sem dormir direito por conta do caso do Assassino do Anelar.

Ah claro, o nosso famoso assassino.- Adriano esboçou um leve sorriso.- Acredito que pelo menos algum bem ele está fazendo.

E qual seria esse bem, Delegado? Tirando homens escrotos de cena?

Bom, podemos dizer que ele fez você fazer café para a equipe. Isso me parece benefício suficiente para um dia.

Saraiva já havia notado o quão tranquilo o Delegado Adriano Mendes estava com todo esse caso. Antes ela julgava que poderia ser por seu apego a Nina. Achava que os dois, por diversas vezes, poderiam se passar por avó e neto, tamanha era a empatia dele por ela. Mas agora, juntando os pontos, a linguagem corporal, os acessos aos arquivos e a conexão com a história, não podia deixar o palpite ir embora.

Deu uma grande golada no café, que acabou queimando sua língua. Foi até a sua mesa pegou sua bolsa e deu um aceno para Pereira, que agora estava finalizando seu último relatório.

Se dirigiu até a sala do Delegado, que estava com a porta aberta:

Delegado?

Pois não Saraiva. Achei que iria ficar até mais tarde hoje.

Não senhor, vou até minha casa organizar algumas ideias. Mas posso te garantir uma coisa.

E o que seria?

Hoje, uma pessoa aqui na sua sala sabe a verdade sobre esses casos. Amanhã, serão duas. Boa noite, Adriano.

Virando as costas sem olhar para trás, foi até o estacionamento pegando as chaves ainda tremendo pelo impulso de confrontar o possível assassino. Jogou a bolsa no banco do passageiro e quando ia entrar no banco do motorista, viu Pereira falar com a esposa no telefone e em determinado momento, ela percebeu.

O mesmo estalo. Mais uma falha. Pereira havia percebido mais uma falha, que o fez voltar de imediato para delegacia.

Como a boa parceira que era, Saraiva pegou seu revólver, e foi atrás do parceiro para garantir seu apoio no que precisasse.


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