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Luzes além da fresta

Luzes além da fresta

Sigo tendo os mesmos sonhos Eliza, as luzes... sempre as luzes, me seguem como uma cobra persegui um rato, corro, mas não sou capaz de escapar delas, me encurralam e quando percebo estou preso em um casulo, então acordo, acordo com medo de ainda estar sonhando e ver as luzes novamente

Rafael Carvalho
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Áudio drama
Luzes além da fresta
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

— Sigo tendo os mesmos sonhos Eliza, as luzes... sempre as luzes, me seguem como uma cobra persegui um rato, corro, mas não sou capaz de escapar delas, me encurralam e quando percebo estou preso em um casulo, então acordo, acordo com medo de ainda estar sonhando e ver as luzes novamente – Essa era para ser minha última consulta com Elizabeth, a conheço desde sempre, fazemos sessões de terapia pelo menos uma vez por semana desde que comecei a ter esses sonhos, cerca de quatro meses atrás.

— Já conversamos sobre isso Edgar, você sabe que apesar de vários relatos ninguém conseguiu comprovar a existência dessas tais luzes que você fala, ninguém sabe para onde vamos depois que sumimos e você é muito novo para apresentar um quadro de Desintegração Biomolecular Desassistida. Quanto ao que lhe receitei Edgar, tem seguido à risca?

— Seguindo à risca? Você não me receitou nada, só me mandou sair mais para beber com Howard e os outros.

— Então, quer receita melhor que essa? Faça isso, vá se divertir, se distrair mais e se mesmo assim seguir tendo os sonhos, aceito fazermos mais uma consulta semana que vem.

— Está bem Liza..., mas já digo que de nada vai adiantar, já pode reservar meu horário, há algo por trás desses sonhos, algo que não sei explicar.

— Ok então Edgar, vá de uma vez ou vai acabar perdendo o último Aeróbus para a região de alta intensidade, há ótimos barzinho por lá.

O consultório de Elizabeth ficava em uma zona baixa um pouco escura da cidade, por mais que as consultas com ela trouxessem tranquilidade, era cada vez mais difícil para mim sair à rua, já estava tarde e àquela hora todos caminhos eram desertos, a noite não estava escura, pelo contrário estava tão estrelada quanto era possível. As estrelas distantes com seus pontos de luz me fitando lá de cima me deixavam mais nervoso, como se uma fenda fosse abrir no espaço e uma daquelas luzes me capturassem como crianças pegando borboletas.

— Moço, você não vai subir? É o último Aeróbus e já está flutuando em posição de partida, se você não entrar vai ficar para trás. — Estava tão perdido em meus pensamentos que não tinha notado que já havia chegado à parada.

O Aeróbus estava vazio, mas fiz questão de me sentar ao lado da moça que havia me chamado atenção na parada. Eliza vive dizendo que devo conhecendo gente nova, mas nunca fui muito bom nisso, talvez essa fosse uma boa oportunidade de começar a mudar as coisas.

— Não sou muito bom em puxar assunto, mas é seu costume assustar homens indefesos que andam sozinhos a noite? — Achei que ser engraçado era uma boa solução para disfarçar meu nervosismo naquela hora.

— Realmente você não parece muito bom nisso, mas respondendo a sua pergunta, só assusto homens que estão me atrasando de chegar ao trabalho. — Disse a moça sem tirar os olhos do livro que estava lendo. Sou péssimo em decifrar pessoas, mas apesar do tom agressivo da frase e a falta de contato visual, o sorriso no canto da sua boca enquanto falava me deu esperança de ser um ótimo começo.

— Me desculpe, estava distraído olhando as luzes no céu e não vi que o aeróbus estava para sair. Me chamo Edgar. — Fiquei constrangido em dizer que na verdade estava andando tão perdido em meu mundo que não havia notado que chegava na parada.

— Muito bem seu Edgar observador das estrelas, me chamo Virginia, mas pode me chamar de Vi, sei que não perguntou, mas sou bartender em um clube na região alta, poderia aparecer por lá qualquer hora, além disso faço analises psicoscópicas nas horas vagas, você parece uma pessoa interessante de se analisar.

— Psico o que? Você diz aquela coisa "mágica" que analisa a aura das pessoas? Desculpa a franqueza, mas não acredito muito nessas coisas.

— O nome do aparelho é Psicoscópico e não, não têm nada a ver com mágica não, é ciência e está cada vez mais comprovado sua implicação, mas você não precisa experimentar se está com medo "senhor das estrelas".

— Desculpe... não queria parecer grosso, sou tutor de linguagem e códigos na universidade, acabo sendo meio cético as vezes. — Realmente ficava cada vez mais claro que não era bom em fazer novas ligações sociais.

O aeróbus estava chegando ao seu ponto final e não queria perder o contato com ela, nunca meus olhos tinham visto uma beleza tão radiante e tão misteriosa ao mesmo tempo, ela era tão linda quanto alguém poderia ser, não, era mais linda ainda, tudo nela me instigava interesse, algo fora do normal, como se já possuíssemos alguma ligação.

— Vou descer senhor tutor cético, tenho que passar em casa antes de ir para o clube. Fique com meu cartão e me ligue qualquer hora. Agora... vê se não se distraí e acaba ficando preso no aeróbus na parada final..., dizem que coisas estranhas acontecem por lá. — Não esperava que ela fosse descer antes da parada final, não tive tempo de pensar em nada racional para falar na despedida.

— Tente não assustar ninguém mais pelo caminho, foi bom te conhecer. — Tente não assustar ninguém mais no caminho? Sério que foi assim que você se despediu dela? Qual seu problema em..., por isso ainda está sozinho.

Estava perdido em meus devaneios mais uma vez, pelo menos dessa vez não estava pensando nas luzes ou no casulo, estava pensando em Virginia, talvez Elizabeth tenha razão, os sonhos eram fruto de uma vida social solitária e vazia; foi quando um som alto me fez acordar daqueles pensamentos.

"Última parada, ao descer não esqueçam de suas identificações energéticas, precisarão delas caso sofram alguma desmaterialização, em cinco minutos a nave será fechada até o próximo ciclo."

Quando desci Howard já me esperava na parada, com certeza Eliza havia ligado para ele me arrastar para o que eles julgam "diversão".

— Como vai Ed, já deve saber por que estou aqui. Certo? — Howard e eu éramos amigos desde pequenos, mas havíamos nos afastado nos últimos tempos, principalmente por minha relutância em sair de casa.

— Vamos ver, me deixe tentar adivinhar, Eliza teve ter aberto uma comunicação extravisual com você, para você me convencer a envenenar meu corpo com plasma de baixa frequência estou certo?

— Nossa, você deveria ganhar dinheiro com isso Ed, se trocarmos a parte de "convencer" por "obrigue aquele infeliz, custe o que custar", você estaria cem por cento certo.

Foi bom rever Howard, sentia falta dele, era um ótimo cientista e possuía uma inteligência energética muito acima da média. Mesmo sendo um amante da física possuía um cartel de assuntos chatos recheados de temas oníricos como viagens multidimensionais, teorias da conspiração e seres vindos de dimensões mais e menos sutis que a nossa.

Com passos lentos fomos andando em direções aos bares de bebida barata e qualidade duvidosa.

— Então Ed, como estão os pesadelos, a última vez que nos vimos você falou que eles haviam cessado. — Só havia dito para Howard que os sonhos haviam diminuído devido a insistência dele de que deveria utilizar de pseudociência para tentar achar alguma explicação e desencanar daquilo tudo.

— Quase não sonho mais Howard, a Eliza deve ter exagerado, afinal, as seções não deveria ser confidenciais?

— Ah..., sabe como é minha irmã Ed, ela nunca consegue guardar um segredo..., não de mim.

— E você Howard, o que tem feito? Alguma nova descoberta? — Não me interessava de verdade nesses assuntos, mas sabia que fazia bem para o ego de Howard contar suas novidades.

— Ah..., o mesmo de sempre, agora estamos tentando aprimorar os meios de tele transportar matérias, como você deve saber só conseguimos tele transportar com segurança cinco pessoas por vez, a uma distância de no máximo cinquenta quilômetros longitudinais e vinte e cinco latitudinais, queremos em no máximo dois anos dobrar todos esses dados, também estou estudando uma força de conseguirmos entrar com segurança na zona do abismo, talvez entender como funcionam as frestas... estas coisas.

— E você Ed, trabalhado muito?

— Na verdade estou de licença, não tenho condições de ser um bom tutor devido aos meus casos de privações de sono, na última aula um dos alunos me perguntou como via as insistentes tentativas de chegar aos campos além das frestas do abismo de baixa densidade, e respondi para eles que os campos das festas do clubismo não eram na baixa cidade. Bem, pelo menos eles acharam graça.

— Você seria um ótimo comediante Ed, um ótimo vidente comediante, vem... vamos entrar Ed, chegamos no lugar com a bebida mais barata de mais baixa frequência da cidade.

Aquela rua era cercada de bares, clubes e casas de interação em quatro e cinco dimensões, paramos em frente a um clube bem moderno, a fachada do prédio era bem pequena, cerca de três metros, mas sua estrutura interna utilizava um sistema avançado de expansão espaço temporal, que deixava o ambiente do tamanho de uma pequena mansão, digna dos grandes clubes da cidade.

— Você vai adorar esse lugar Ed, tem tudo a ver com você, gente animada, som alto, bebidas que deixariam até o grau mais alto de Mentor com sua entropia alterada para sempre, traduzindo pessoas se divertindo. Espere aí... pensando bem, talvez não tenha muito a ver com você mesmo Ed. — Howard adorava jogar na minha cara que meu nível de socialização saudável beirava a negligência.

— Também gosto muito de você Howard, muito divertida sua colocação sobre minha personalidade.

Nos sentamos no bar do clube, a parede era coberta de bebidas, plasmas e cartões energéticos de alteração neuromolecular, por todo lado havia telas de hologramas tridimensionais passando programação de veracidade questionável.

— Ei mocinha, duas doses de plasma líquido de despersonalização concentrado e um copo de água para meu amigo aqui. — Minha relação com Howard sempre foi muito boa, mas a insistente mania dele de ficar me zoando o tempo todo as vezes me incomodava.

— Muito engraçado Howard, muito engraçado... Pode trazer para mim o mesmo que para ele por favor.

Senti um frio na espinha quando a bartender virou para nos atender e pude ver que o destino dessa vez estava ao meu lado.

— Nossa que ousado "senhor tutor das estrelas", vai acabar perdendo o Aeróbus se seguir bebendo assim. — Era ótimo ouvir aquela voz novamente, mesmo apresentando a mesma mania de Howard na arte de me provocar.

— Bem que você poderia se decidir por um apelido só, vai acabar ficando sem ideias para os próximos encontros.

— Não se preocupe Edgar, sempre tenho ótimas ideias para apelidos "de próximos encontros".

Howard ficou com uma cara de espanto diante daquela situação, ficou me olhando com um olhar risonho de quem esperava alguma resposta.

— Aeróbus... senhor tutor das estrelas... nossa Ed. o que andou fazendo nos últimos tempos, pelo jeito acabei perdendo alguma coisa! — Mal sabia ele que minha vida nos últimos tempos tinha se limitado a ir às seções com Elizabeth e ficar trancado em casa, olhando pela janela com medo de sair.

Já havíamos tomando duas ampolas de plasma quando a notícia em uma das telas holográficas me chamou a atenção;

"Homem passa por experimento de regressão psíquica multidimensional e afirma ter sofrido abdução por luzes."

Mesmo sabendo que aquela notícia vinha de um meio totalmente sem credibilidade e acostumado a usar temas sensacionalistas para chamar atenção, era impossível aquele assunto não me prender totalmente, senti meus nervos gelarem com cada palavra dita por aquele homem durante a entrevista.

" É difícil para mim, não consigo explicar direito tudo o que vi, não, não adianta, não consigo! São como lembranças, partes desconexas de um filme que não deveria ser visto.  Não era como se estivesse com medo, mas me sentia nervoso se não controlar o que estava vendo.

Em uma dessas visões vi o céu abrir e luzes abduzirem meu corpo, mas aquele corpo não era esse meu, entende, não era este corpo. Depois me vi em um outro lugar, um mundo agitado, muito barulhento, escuro e amoroso. Senti a garra de um dos seres me prender, era uma garra de metal, um metal frio, me segurava com força pela cabeça e me puxava em direção a luz.

Minha mente escureceu novamente, quando as imagens voltaram estava em um campo, havia muita confusão, gritos para todos os lados, um cheiro forte, ferroso e adocicado pairava no ar, um ser vinha rápido em minha direção, pareciam duas criaturas em uma só, possuía quatro pernas que tocavam o solo e dois braços, a parte de cima da criatura me atingiu, senti uma forte sensação de pressão no peito, acompanhada de uma sensação liquida escorrendo. Agora havia um buraco em mim... vi a luz novamente, era um pouco diferente de antes, mas ainda era ela, a luz, ela voltou para me buscar e então acordei, e estava aqui de novo na sessão."

— Ed... Ed... EDGAR?

Fiquei tão imerso nas palavras daquele desconhecido que custei a perceber que Howard seguia falando comigo durante todo o tempo que noticia passava.

— O que você quer Howard, não vê que estou tentando prestar atenção.

—Tentando... Tentando prestar atenção? Ed, por um momento achei que você nem estivesse mais aqui, seus olhos nem se mexiam, não vai me dizer que você acredita naquela baboseira toda, Ed por favor, por isso que você fica tendo esses pesadelos estranhos.

— Mas..., e se ele tiver razão Howard, e... se realmente foi abduzido e as imagens mostraram o que aconteceu com ele? E a garra... você o ouviu falando da garra?

— Escutei Ed... escutei ele falando da garra, também escutei ele falando de seres com quatro pernas e de líquidos que escorrem pelo corpo... Você sabe o quanto gosto dessas loucuras todas, mas nem eu consigo acreditar em um insanidade dessas, aquele cara só quer se promover para ganhar alguma coisa idiota em cima disso, espere para ver, aposto que no máximo em um ano ele deve escrever um livro ou um conto besta sobre aquilo. Falando em coisas idiotas preciso ir lá Ed, se não quem vai bancar o idiota, com uma baita entropia no laboratório amanhã sou eu. Nos vemos em dois ciclos pode ser?

— Claro, Howard, ainda estou de licença então dois ciclos está ótimo para mim, cuidado com os experimentos, não vai construir algo que te deixe mais babaca ainda!

— Uma máquina que me transformaria em você? Não, isso nunca Ed. hehe. E você mocinha misteriosa que dá apelidos estranhos para meu amigo, cuide bem do Ed, não vá deixar ele ficar sóbrio por muito tempo.

Não sabia que horas eram exatamente, mas deveria ser bem tarde, logo que Howard saiu do Clube os portais do local foram fechados, já havia poucos lá dentro, para ser mais honesto, só restava eu e mais alguns funcionários do local.

— Então "Ed" das estrelas... estamos fechando, o que você acha de "brincarmos" um pouco antes de irmos embora? — Nunca fui o cara mais esperto ou mais capacitado para lidar com mulheres, mas com certeza sabia o que ela queria dizer com "brincar".

— Não sei Virginia... Li em algum lugar que devemos "bancar o difícil" no primeiro encontro. — Sim, minha incapacidade de estabelecer um diálogo interessante com uma mulher bonita deveria ser algo estudado pelo laboratório de Howard.

— Bancar o difícil..., primeiro encontro... Não sei do que você está falando "Senhor Atrapalhado", mas vamos, me de sua mão aqui, coloque ela aqui em cima. — Bastou uma rápida olhada no que Virginia segurava em suas mãos para perceber que eu não havia entendido o que ela queria dizer com "brincar". Quando percebi minha mão direita já estava sobre um aparelho cúbico que projetava uma luz branca de seu interior. Tentei retirar a mão, mas Virginia segura ela com força em cima do Psicoscópico.

— Não seja medroso Edgar, se você se comportar prometo que a próxima vez que brincarmos com mãos será mais interessante. Além disso estou curiosa para ver que cores você consegue vibrar. — Não sei explicar, mas aquela máquina me deixava assustado, assustado de verdade, estava tão ansioso e tenso com aquela situação, que ignorei completamente a malicia no comentário de Vi sobre brinquedos e mãos.

Não demorou muito até que feixes de fótons do Psicoscópico fossem projetadas através de mim, espectros de cores variadas emanavam do meu corpo como ondas de calor e luz, minha aura agora exposta, como uma segunda pele, vibrando em ondas.

— Vamos Virginia, o que você está vendo aí, fale algo? Essas cores sumindo e aparecendo, era isso mesmo que deveria acontecer?

— Desculpa Edgar, não entendo, o aparelho deve estar quebrado, suas cores, suas cores são lindas, nunca vi tantos nuances juntos, algumas cores eu sequer sabia que existiam, mas...

— Mas o que Virginia, sei que você está vendo algo errado, fale de uma vez.

— Não sei..., sua frequência, ela é instável é como se sua energia estivesse ligada a um outro lugar, como se você não estivesse aqui, não completamente pelo menos.

Dei um pulo do lugar onde estava sentado puxando com força a mão do aparelho. O Psicoscópico caiu. O estouro horrível daquele cubo se arrebentando contra o piso denso tomou conta do local.

Todos me olhavam;

olhos de curiosidade;

de medo;

de pena.

Meu corpo tremia, minha existência tremia.

Precisava sair daquele lugar, sabia que não deveria ter participado disso, sabia que deveria ter ficado em casa, seguro, aqui não era seguro, nada era suficientemente seguro, não agora.

Ouvi a voz de Virginia me chamando.

— Edgar espere, não saia, me espere, Edg...

Sei que deveria ter me despedido, se soubesse antes..., mas estava assustado de mais para isso, só chegar em casa importava, casa, não deveria ter saído de lá.

Corri pelas ruas vazias, tão silenciosas quanto o necessário para enlouquecer alguém.

Cheguei na parada, mas não cheguei tarde o suficiente, ainda faltava uma hora para o Aeróbus ser ativado novamente. Estava cansado, mas não podia ficar esperando, era noite, mas ali estava claro, claro de mais..., olhei para o céu e vi o terrível brilho das estrelas iluminando tudo, realmente não poderia ficar ali, elas me achariam, com certeza me achariam, as estrelas me entregariam, as luzes..., as luzes me achariam ali, me ach... Era tarde, ela haviam me achado.

Uma cicatriz se fez no céu e pela fresta ela veio, meu algoz, absorveu meu corpo como se ele já não me pertencesse, me sugando para o vazio.

Quando tive consciência novamente estava em um ambiente apertado e imerso em um líquido consistente. Meu corpo não possuía movimentos e meus sentidos estavam todos apagados, inertes, não ouvia, não enxergava, não podia me mexer ou falar, tudo me dava motivos para entrar em pânico, porém, mesmo sem entender, aquele lugar me dava uma sensação inexplicável de conforto e segurança, já não me importava mais em estar ali, toda dúvida e medo haviam passado, por mim ficaria ali para sempre.

Aos poucos fui ganhando movimentos, já era possível me mexer, mas o espaço era muito pequeno o que deixava meus movimentos limitados a esticar braços e pernas.

O próximo sentindo a voltar parcialmente foi a audição, fui conseguindo escutar sons, cada dia que passava iam ganhando mais clareza.

Sem notar quanto tempo passou desde aquele início pude abrir os olhos, não era possível ver muita coisa, a pouca luz que chegava possuía um tom avermelhado, sentia como se estivesse dentro de uma bolha de água flutuando pelo oceano, já não me lembrava muito bem das luzes, ou de tudo antes dela.

O tempo aqui não parecia correr de forma normal, sensações estranhas iam e vinham, sensações de euforia e agitação, as vezes sonolência e calma profunda.

Escutava vozes, mas não consegui definir o que diziam, talvez fossem as luzes falando comigo, mas não conseguia raciocinar o suficiente para entender, gostava das vozes, me sentia bem ouvindo elas.

Me acordei assustado, a bolha que me abrigava estava agitada, como se fosse arremessada à deriva em um mar em fúria; o lugar todo se espremia e se dilatava em movimento quase ritmados; escutei as vozes, dessa vez várias vozes, vinham de fora, não consegui entender o que diziam, mas estava ansiosas. Senti algo me empurrando com força, meu corpo cada vez mais espremido contra a bolha, depois de tanto tempo estando aqui fiquei com medo d'a bolha estourar e ficar à deriva no espaço sem aquele conforto que ela me trazia.

Alguns segundos de paz; começou novamente, com mais força e intensidade que antes.

Estava cada vez mais difícil de respirar, quando vi a luz novamente, havia me esquecido dela, na verdade, já me esquecerá de tudo antes de estar naquele lugar, mas a luz... essa voltou a minha memória, ela estava ali, para me buscar, me levar para outro lugar, não..., não queria isso, tentei resistir, mas senti meu corpo sendo mais uma vez sugado para fora, senti mais uma vez a luz tomando conta de mim, a luz mais uma vez me cegando os olhos, a luz mais uma vez me deixando impotente diante da sua força.

Pela primeira vez depois de muito tempo consegui gritar, gritei com força, mas não havia saída. Foi aí que escutei a voz, desta vez escutei claramente sua voz, o amor em ondulações de som, aquela voz que me guiaria pelo resto dessa vida.

— Ele já nasceu Doutora? Ele está bem, mãe me diga que ele está bem?

— Sim minha filha, ele está bem. Ele é lindo Alice, você deu à luz um lindo menino, já decidiu como ele vai se chamar?

— Alan mãe, ele vai se chamar Alan.

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