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Katou Yaro
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Katou Yaro
Conto

Katou Yaro

Um grande inimigo escondido ameaça a vila Sakura. Um Ronin, um samurai sem um senhor a quem servir, será a chave para este mistério.

Vinicius Peron
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Áudio drama
Katou Yaro
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Tudo começava com a vida e a morte. A vida era um dom mágico onde a morte também, por magia, acabava absorvendo a vida. O mundo era composto por diversas criações mágicas espalhadas pelo mundo. Em especial, uma árvore localizada no centro de um pequeno vilarejo nomeado Sakura. 

Sakura era considerado um território neutro, localizada longe da capital e das famosas vilas do reino. Era um vilarejo mais conhecido por ser um refúgio penitenciário, já que era praticamente na divisa entre as terras do norte, para com o sul, onde se localizava a capital Edo. Dois desfiladeiros cercavam o vilarejo. Um ao norte com uma ponte extensa que levava até as terras que eram dominadas pelo Xogum, o outro desfiladeiro era ao sul, que passando por mais uns dois vilarejos, finalmente chegava até a capital. 

O vilarejo vivia de trabalho comunitário. Cortes de lenha, coleta de frutos, cultivo, culinária, tecelagem e também comércio. Tudo era bastante simples, barracas espalhadas pelas ruas de terra, tendas montadas para a venda e a movimentação já começava cedo e ia até o anoitecer. Só havia uma única pousada no lugar e era da família chefe. Tudo era controlado pelo patriarca da família, mas nem de longe, era uma má pessoa. 

O lugar era rodeado por uma natureza sem igual, os pássaros cantavam pela manhã, e pela noite, sussurros de corujas e outras aves noturnas. Também havia uma criação de gado não muito distante dali, que se unindo ao som dos pássaros, formava uma linda e singular melodia.

Muitas pessoas chegavam em Sakura. Normalmente eram exilados que faziam algo de errado na capital e eram enviados para o vilarejo, para prestarem serviços. Havia também andarilhos sem rumo, criminosos que acabavam ficando ali, ex-nobres que tinham perdido tudo e até mesmo um ronin. O último, era um samurai que não tinha mestre, que vagava com essa desonra por não ter um senhor. Ele se chamava Katou Yaro, tinha cabelos longos e escuros, uma barba por fazer e olhos também negros. Sua idade beirava os vinte e seis anos e sua vestimenta era a de um samurai sem armadura, uma túnica, uma veste por cima, e carregava consigo duas espadas, uma em cada lado de sua cintura, bastante diferente dos samurais tradicionais.

A família chefe dividia os serviços e as moradias entre os novos habitantes de Sakura, sendo assim, Yaro foi designado a trabalhar no corte de lenha e também na coleta de alguns frutos próximos. O ronin também foi abrigado na pousada, onde o patriarca habitava. 

O patriarca da família era Koretane Asukai, ele tinha quatro filhos homens, estes eram: Ioeji, Jiji, Keiji e Shouji. Cada um deles cuidava de uma área de trabalho da vila, o mais velho, Ioeji, tomava conta do comércio e dos comerciantes; Jiji cuidava do cultivo e culinária; Keiji era quem cuidava dos lenhadores e dos coletores; E Shouji, era da área da tecelagem. 

Keiji levou Yaro para morar consigo, o ronin não tinha um abrigo e a casa do homem era bastante espaçosa. Ali moravam a esposa de Keiji, Koretane Riku, sua filha Midori e seu filho mais novo Kenzo. A família era alegre e feliz, trabalhavam, comiam e viviam intensamente cada dia de uma vez. 

Alguns rumores (na verdade muitos deles já existiam) começaram a rondar Sakura. Um dizia que o Xogum do Norte invadiria o reino para conquistar a capital e então ter um domínio total sobre aquelas terras. Porém, não era este rumor que estremecia os habitantes. Mas sim o sobre criaturas mágicas.

A árvore mágica que ficava aos arredores de Sakura dava origem a várias criaturas. Os mais novos diziam que eram lendas, os mais velhos confirmavam a existência dessas anomalias mágicas. Os rumores mais falados eram o das árvores que sugam sangue humano e também de um guerreiro com seis braços que dilacerava os oponentes com suas espadas. Todo o vilarejo conhecia de cor e salteado todos os contos e histórias, inclusive os recém-chegados, como Yaro e tantos outros.

Havia se passado uma semana desde então. O jovem ronin trabalhava arduamente e fazia valer por cada coleta e corte de lenha a sua estadia na casa de Keiji. Já pela noite, o jantar era servido. Um ensopado com cogumelos e arroz e saquê para todos os presentes. 

- E então Yaro, não vai mesmo nos contar de onde veio, não é? – Keiji perguntava ao jovem. De fato, o passado das pessoas que chegavam até Sakura era incerto e chegavam a ser histórias terríveis. 

- O passado não é importante, senhor Keiji. O futuro sim é uma coisa importante, não concorda? – Yaro era sereno, não era muito de conversar, tão pouco de opinar, apenas falava o necessário e quando era necessário. Suas espadas eram inseparáveis dele, inclusive na hora da refeição. 

- Você está certo. Você está certo! – Disse o homem, estava cansado do dia de trabalho e bebia um pouco de saquê. – Mas me diga, da onde você vem, também comentam esses rumores sobre essas criaturas mágicas e sobre o Xogum?

- Sim, acho que esses rumores já atingiram além da capital. – Yaro era sério. – Dizem também que um dos generais do Xogum é um semideus. 

- Não seja tolo! – O homem cuspiu todo o líquido que tomara, ele começou a gargalhar. – Não existe esse tipo de coisa.

- Papai! – Kenzo chamou. – Yaro disse que vai me ajudar na aula de arco e flecha amanhã com o tio Ioeji. 

- Caramba, Kenzo! Que incrível, acho que Yaro conhece muito bem a arte de atirar também. 

- Com certeza! Farei o possível para guiá-lo no caminho correto. – Yaro era bastante formal. Apesar de todo o carinho para com Kenzo, sua maior afinidade era com Midori, a filha mais velha de Keiji. 

A jovem de também vinte e seis anos trabalhava na tecelagem e quando tinha folga, ajudava o ronin na colheita de frutas e coleta de madeira. 

O jantar terminara, todos iam dormir e se acomodaram nos improvisados colchões na residência. A noite o barulho de insetos se misturava com o cantarolar de corujas. Os ventos assoviavam pelo redor de Sakura e o ar refrescante noturno acalmava ainda mais a vida pacata daquele povoado. 

Pela manhã, era comum notar pessoas chegando vindas do desfiladeiro sul, mas era totalmente incomum ver alguém cruzando o desfiladeiro norte. Um homem que vestia um capuz escuro e carregava uma bolsa de suprimentos chegara à vila. Os guerreiros de plantão (que na verdade eram trabalhadores), não baixavam a guarda e ficaram de olho naquela pessoa.

- Venho anunciar uma nova era! – O homem ergueu os braços e deixou então a bolsa cair de sua mão. – Uma era mágica, onde a dor e sofrimento não existirão nunca mais, uma era de paz e harmonia para todo o reino! Eu sou o mensageiro do Xogum Ieyasu! Venho anunciar as boas-novas! – Enquanto fazia gestos com os braços, seu capuz caiu, revelando uma face mais idosa.. Seus cabelos eram compridos e tinha uma longa franja que chegava a tapar seus olhos.

As pessoas estavam a caminhar pela manhã para seus respectivos serviços, ao escutarem a voz do homem e o anúncio, pararam por um momento, a vila ficou quieta, nem mesmo os pássaros cantarolavam. Yaro que estava a trafegar por ali, também observou o homem. 

- Por todo o reino, venho anunciar a Paz para vocês. Portanto, quando chegar o quinto dia, o todo-poderoso Xogum e seu exército caminharão por esta terra e sua divindade irá purificar a todos do reino! – O homem começava não apenas a falar, mas sim, a gritar nesse instante.

Yaro estava com suas duas espadas, a do seu lado direito possuía um pequeno sino do tamanho de uma semente, que quase nunca era ouvido por ser tão pequeno. O ronin o ouviu tocar e quanto mais próximo daquele homem, mais barulho o sino fazia, chegando até  a ser ouvido por outras pessoas. 

- O todo-poderoso mostrará o caminho da salvaç… - E então foi decapitado.

Sua cabeça rolou a poucos metros dali. Yaro estava com uma de suas espadas fora da bainha. O movimento foi tão rápido que poucos conseguiram notar o que aconteceu. 

- Garoto! O que você fez? Por que matou o mensageiro do Xogum? Agora vamos todos morrer! – Perguntou o filho mais velho, Ioeji, que entrou em desespero. 

- Ele não era um mensageiro. – Respondeu Yaro, sacudindo a lâmina no ar para que os respingos de sangue saíssem dela, para embainhá-la novamente. – Ele era um Oni. 

Onis eram demônios com chifres que podiam se passar por humanos para enganá-los. A maioria deles comiam humanos vivos e também se alimentavam de suas almas para terem mais forças e viverem mais. 

- Como você sabia? – Ioeji questionou o jovem.

De repente, a cabeça que estava ao chão, tomou uma forma completamente grotesca, a franja que tapava os olhos também escondia dois pequenos chifres na testa. O corpo dele começava a se dissolver e desaparecer, assim como sua cabeça. 

O caso repercutiu por todo o vilarejo. Keiji e seus irmãos foram se reunir com Asukai, o patriarca, juntamente com Yaro. Queriam saber sobre os acontecimentos e os rumores. Asukai nunca negou a existência de seres mágicos e hoje, após muitos, anos um Oni apareceu no vilarejo. O povo estava apavorado, muitos queriam sair, muitos amaldiçoavam o vilarejo e alguns até começavam a querer se unir ao Xogum. O fato mais estranho era que Yaro já sabia que aquele mensageiro era um demônio.

- O jovem ronin então já sabia que o Oni estava entre nós, não é? – Asukai estava desgastado pelo tempo, era um senhor de muita idade. Ficava em uma espécie de cadeira feita de ráfia com aparatos de madeira. 

- Sim. – Ele mostrou a espada com o sino. – A minha espada me guiou pelo caminho da sabedoria. - Disse Yaro.

- Um sino mágico?

- Exatamente. – Yaro foi seco. 

- O jovem tem muita sabedoria meus filhos, não deveriam duvidar da capacidade dele. – O velho se levantava, a sua decisão era aquela. O patriarca era o chefe da vila, mas seus filhos eram quem se atentavam a comunicar a vila e darem a decisão final. 

- Você está limpo então, ronin. – Ioeji, falou com certo alívio. – E vamos precisar de você e dessa espada daqui pra frente. 

- Ótimo. Estarei a toda disposição. – Ele fazia uma reverência e a reunião acabava por ali mesmo. 

Por dias, o assunto em Sakura era sobre Xogum, Oni e o declínio do reino. As pessoas se tornaram pessimistas, enquanto o trabalho era praticamente esquecido. Alguns fecharam seus comércios, outros abandonaram suas casas. Foram realmente dias terríveis. 

No final do terceiro dia, Yaro foi enviado para o desfiladeiro norte juntamente com mais dois ex-guerreiros: Masaki Shirai, um ex-combatente da guarda da capital, acusado por crimes que não cometeu e que, para não piorar sua sentença, foi enviado até Sakura; O outro era um arqueiro, Chigusa Oda, um andarilho que chegou ao vilarejo e ficou por lá, ajudando nas atividades. 

Quando finalmente chegaram até o desfiladeiro norte, já ao entardecer, o cântico das aves noturnas começara, assim como o assovio do vento. Os três encaravam a extensa ponte que ligava as terras nortenhas à vila. 

- Esse vento não me agrada em nada. – Disse Oda olhando para o céu. A lua parecia muito maior do que o normal, naquela noite. – Coisas ruins nos esperam. 

- Uma horda de demônios? – Shirai sorriu com o canto da boca. – Com certeza aqueles fracos da capital jamais teriam essa oportunidade de enfrentar coisas assim. Agradeço por estar aqui.

- Vocês levam isso como piada? – Yaro passava a mão sobre o cabo da espada de seu lado esquerdo, ela parecia importante para ele. – Podemos morrer aqui. 

- Vocês não vão morrer! – Midori apareçou de trás de um amontoado de folhas. A jovem era bastante esperta e os seguiu até aqui. Mas os três já haviam percebido a presença dela. – Vocês não ficaram surpresos?

- Um samurai pode perceber a presença de seres vivos a muitos metros de distância, Midori. – Yaro sorriu. – Que bom que veio. Vamos precisar de sua ajuda com o arco. Não é, Oda? 

- Eu sou o melhor arqueiro dessas terras, garoto. – O homem se gabava. – Quando você pensar em sacar sua espada, dez demônios já estarão agonizando ao chão. 

Conforme iam conversando, o tempo também ia passando. As nuvens começaram a ficar carregadas e uma enorme tempestade se formou. Trovões surgiram e no horizonte um imenso exército marchava. 

Neste mesmo instante algo tomou a atenção deles. As árvores ao redor do desfiladeiro começaram a se mover, suas raízes serviam como pernas e a cada pisada, um pequeno tremor era ouvido, no total, eram dez árvores. 

Seus galhos sem nenhuma folha sequer servia como braço e imediatamente Midori foi pega por uma dessas. 

- São Jubokkos! – Gritou Oda retirando uma flecha de sua aljava, mirava no galho seco para tentar salvar a garota. – Tomem cuidado! 

A flecha voou e acertou o galho seco, Midori caiu e era possível notar o sangue escorrendo de dentro da árvore, ao invés de seiva. Aquilo era um perigo real. 

- Cortem o caule! – Gritou Yaro, puxando a espada contendo o sino, que emitia um som tão igual ao da outra vez no vilarejo. 

A espada tinha uma lâmina fina e resistente e as árvores eram dilaceradas com certa facilidade.

Shirai também era bom com a espada e com facilidade eliminou o perigo com rapidez. Oda e Midori atiravam mais flechas para afugentar aquelas criaturas, mas de fato, elas não recuaram de maneira alguma. 

- Elas são muitas! – Girou Shirai. – Além de que... Um exército todo está vindo. 

- Lembre-se que essas árvores malditas podem alterar a flora ao redor delas.  Provavelmente é uma ilusão, temos que cortar a principal. – Yaro olhou para Oda. – Consegue notar alguma diferença entre elas?

- Claro. – O arqueiro pegou mais uma flecha e dessa vez mirou em uma árvore atrás deles, essa que continha até algumas folhas e também parecia ter frutos. Com certa rapidez, ele soltou a flecha e ela cravou direto no tronco. O sangue começou a ser jorrado. – É ela! - Afirmou Oda.

- Ótimo! – Shirai rapidamente empunhou sua espada e em um grito de adrenalina saltou cortando o caule podre daquela ameaça. A árvore caiu, seus galhos se despedaçaram, as folhas se transformaram em pó e as outras que cercavam os quatro, desapareceram magicamente. 

- Bom trabalho Oda e Shirai. – Yaro parecia preocupado com algo. – Agora preciso que vocês saiam daqui rapidamente. O exército que está vindo não é humano, é um exército mágico e seu general é um ser divino. Vocês precisam evacuar a vila e levar a todos até a capital. 

- Mas por quê? – Shirai levantou o cenho, assustado. - Você não está pensando em lutar esta guerra sozinho, está? 

- Eu tenho isso comigo. – Yaro colocou a mão sobre a espada do lado esquerdo de sua cintura. – Vocês devem fazer isso. Escute Shirai, Oda. Eu preciso que vocês reúnam o máximo de pessoas possíveis, formem alianças, chamem os outros clãs e comecem a acreditar que demônios existem. As pessoas precisam saber o que é a verdade e  lutar contra ela. Criem clãs para defender a capital Edo do Xogum! 

- Nada disso! Você vem conosco! – Gritou Midori desesperada. – Você vai morrer aqui!

- Eu prometo que encontrei vocês na capital. – Disse Yaro. – Uma promessa de um samurai, é uma dívida a ser cumprida. 

- Não! – Ela novamente negou. 

Neste momento Yaro se vira e encara de frente o exército que já passava pela enorme ponte do desfiladeiro. Oda e Shirai, entenderam o ronin e souberam como reagir, afinal, eram guerreiros também. Midori ainda tentava argumentar. 

Oda a agarrou, ela começava a espernear, mas em vão. 

- Nos encontramos em Sakura. – Disse o arqueiro.

- Com certeza. – Ele respondeu pleno.

Os três imediatamente saíram, deixando Yaro para trás. O ronin fechou os olhos, sentiu o vento forte da noite e ouviu um uivo ao fundo de um lobo da montanha. O passo do exército inimigo era mais constante e como uma manada parecia se aproximar. Yaro sentiu que este era o momento certo.

Retirou a espada, ainda dentro da bainha, de sua cintura. Ela tinha uma espécie de selo que impossibilitava o saque rápido, selo este que nunca fora quebrado. 

- Então finalmente chegou o momento de utilizar a espada de meu mestre. – O ronin resmungou para si mesmo, enquanto que com gestos começava a fazer um ritual para tirar a espada da bainha e romper aquele selo. – Este é o meu propósito! 

O selo finalmente fora quebrado. Uma onda de choque surgiu, varrendo qualquer coisa para longe. Os ventos eram tão fortes ali que o vento natural do desfiladeiro até parou. A lâmina da espada enfim fora revelada, escura como a noite e em seu cabo um pequeno detalhe no pomo, uma jóia também escura.

Aquela espada de fato não era normal. Ela distorcia todo o ar ao seu redor e Yaro a carregava com uma força inexplicável. A espada era mágica. 

- Me desculpe mestre! Precisei quebrar o selo e sacar a Kenshi no Ken. O perigo é tão grande que este é o momento oportuno para esta espada. – Yaro parecia conversar com ela. Enquanto isso ao horizonte, um pelotão de Onis se aproximava da ponte construída com pedra e madeira. A ponte era bastante extensa e larga, logo, uma multidão poderia passar por ali sem comprometer sua estrutura, e era o que de fato acontecia. O ronin começou então a se movimentar, e escura lâmina se transformou em uma lâmina gélida. Sua cor era como gelo e ao redor ao invés de se ver distorções no ar, era possível sentir um enorme frio. – Zettaireido! Com essa lâmina eu posso congelar um país inteiro ou até mesmo um continente! 

Yaro fez um movimento como se fosse cortar um oponente, o simples movimento causou uma grande devastação. O gelo percorreu por toda a ponte, os primeiros demônios foram completamente congelados, o chão, as árvores, frutos e até mesmo animais que sobrevoavam acabaram sendo congelados também. O poder daquela espada era descomunal. 

- Akisame. – A lâmina mudava novamente, para uma cor mais avermelhada. Era possível notar certas rachaduras em sua lâmina. – A capacidade de alterar qualquer paisagem geográfica. – Yaro repetiu o mesmo movimento de antes e com isso um rasgo na própria atmosfera aconteceu. Um barulho de estilhaço e rachaduras podia ser ouvido.

A geografia do lugar fora alterada, um enorme rasgo se abriu no chão, a ponte fora dividida ao meio, mais da metade do exército fora dizimado por aquele corte e ao fundo uma montanha também perdia o seu cume devido a forte capacidade daquela espada. 

- Kaminari no Himei. O céu atende a minha prece e com isso a minha espada se torna a fúria da tempestade. – Mais uma alteração, agora era possível ver uma espada brilhante, que podia ser vista a quilômetros de distância. A luz era tão forte que a chuva se intensificou por ali e os trovões também. Do céu, um trovão rasgou a escuridão e atingiu justamente o centro daquele exército. Quem controlava aquela tempestade, era Yaro com sua espada. 

A eletricidade se espalhou por todo o lugar e eliminou a maioria dos Onis, restando apenas uma meia dúzia ainda em pé e claro o general daquele exército. Um homem com média de dois metros e quarenta de altura, ele era musculoso e também tinha uma cara demoníaca. Possuía dois braços e não vestia camisa, apenas uma calça com um cinto dourado e uma bota da mesma cor. Seus cabelos eram brancos como a neve e seus olhos também.  

- Quem é você? – O general então gritou. O barulho era tão estrondoso que os Onis que estavam congelados acabaram se rachando, assim como as árvores e todo o ambiente ao seu redor. – Quem ousa desafiar Asura?

Yaro ficou quieto e começou a se aproximar, ele repetia a mesma pergunta a cada segundo e o som ecoava pelo desfiladeiro. O ronin seguia com a cabeça erguida e encarava o general. 

Finalmente chegaram frente a frente, uma distância mínima de cinco metros para cada um. 

- Quem é você? – Asura foi suave com seu tom de voz e aparentou um sorriso em sua face. 

- Katou Yaro. – Ele segurou sua espada de frente para o general, que era muito maior do que o ronin. 

- Katou Yaro... – Ele gargalhou, sua voz era como os trovões. – Um ronin desafiando um Deus. Você não se arrepende desta atrocidade? 

- A única atrocidade aqui é você. 

- Vejo que tem coragem. Mas, em breve estará implorando por sua vida. – O general também lutava com duas espadas que pareciam ser mágicas. Elas transmitiam uma aura roxa que parecia queimar as lâminas constantemente. 

Yaro não era de conversar e imediatamente partiu. A lâmina de sua espada havia se transformado em gelo novamente e batia de frente com as duas espadas do general. Era uma disputa de força. Os outros Onis restantes tentaram lutar, mas o frio que a espada emitia era o suficiente para congelá-los,  restando apenas Asura e Yaro.

- A sua espada é bastante interessante. – Asura se afastou, rodopiou suas duas lâminas e a chama roxa aumentou. – Mas você não vai vencer esta batalha. 

- Minha vitória é eminente, demônio. – A lâmina de gelo se transformou em uma lâmina branca. A luz consumiu a escuridão da noite transformando a em  dia. As chamas negras eram absorvidas por aquela luminosidade tremenda e o que não deixou Asura feliz. 

O general agiu e saltou em direção ao ronin, os golpes de espada ensurdeciam momentaneamente cada um deles. Em questão de habilidade eles eram iguais, mas em força, Asura parecia levar maior vantagem. Yaro saltou e rodopiou com sua espada de luz, a cada golpe a chama desaparecia da lâmina do demônio, que foi se perdendo ao combate. Em um movimento circular com seu corpo, o ronin enganou o general e ao invés de golpear seu flanco direito, posicionou a lâmina luminescente no peito de Asura, o atravessando com força. 

Asura apenas gargalhou e se transformando na própria chama roxa, ele desapareceu e apareceu metros atrás do ronin. 

- Você realmente acha que pode me vencer, ronin? Eu vivo das almas dos humanos, sabe quantas almas eu tenho? É além da sua compreensão. Logo a sua alma também será minha, assim como todos que me enfrentaram. – Ele gargalhou, enquanto a chama novamente voltou a queimar sua espada. 

- Entendo... Então você tem muitas almas dentro de si, só poderei te vencer quando todas as almas forem mortas e somente a sua restar, não é? – Yaro fazia uma posição e a lâmina brilhante se transformava em uma lâmina rubra. A espada agora distorcia o ambiente e podia se ouvir alguns sons e alguns gritos saindo dela, como se pessoas estivessem aprisionadas nela. – Akai Tamashi. Com essa espada eu posso tocar e até mesmo cortar a sua alma. 

O general não acreditou muito, mas quando a lâmina rapidamente perfurou seu braço direito ele sentiu que havia morrido e perdido uma de suas almas. O ronin continuou com sua seqüência de cortes. Após cada golpe, uma alma era levada e os gritos aumentavam.

Asura parecia incrédulo, ele começou o combate mostrando sua superioridade, mas agora, estava completamente perdido. Ele reagiu. Começou também a golpear o ronin, mas este era ágil e conseguia defender-se com certa destreza dos golpes. Sua velocidade era incrível. 

Houve então um encontrão entre eles e ambos finalmente cessaram os golpes. Yaro estava ofegante, Asura também. 

- Katou Yaro... Você agora conhecerá a fúria de um Deus. Guarde bem essa aparência, pois isso será a última coisa que você verá. – Um trovão atingiu o general, o clarão cegou Yaro por instantes, quando ele voltou a ver, Asura já não era mais o mesmo. Ele havia se transformado, havia mais quatro braços saindo de suas costas, seu rosto ganhou mais duas faces, como se ele fosse três ao mesmo tempo. – É o seu fim, ronin. – Sua voz era tão forte quanto o trovão que caíra. 

A luta ganhou mais volume, quando as espadas se encontravam, uma onda de choque se formava, o chão se rachava e era possível notar que a própria atmosfera não aguentava tamanho poder. 

O cenário era apocalíptico, uma parte completamente congelada com demônios em gelo enfeitando e outra parte com um rasgo tremendo no desfiladeiro e com enormes rachaduras no solo. Corpos espalhados por todo o lugar e uma tempestade que não cessava nunca.

A espada que Yaro portava lhe dava uma vantagem imensa no combate e o ronin sabia empunhá-la de uma maneira única. Ele continuava a lutar, sempre cortava o general, uma alma dele era perdida, isso aconteceu durante centenas de vezes. O combate já durava três horas seguidas. 

- Você sabe que eu sou imortal. Mesmo se eu perder esta batalha, eu sempre voltarei mais uma vez. – Asura parecia bastante destruído, as almas que dissera ter pareciam ter acabado. Sua forma com seis braços e três faces estava desgastada. 

- Então eu me certificarei de todas as gerações conseguirem lidar com você. – Yaro estava pleno. Ele empunhava sua espada, concentrado no combate. 

- Você não vai vencer! – Asura gritou e se tentou golpear o espadachim com suas seis espadas de uma só vez. 

Yaro somente colocou a espada para se defender. A cada movimento de sua lâmina os gritos aumentavam e, com o choque entre elas, um forte tremor aconteceu. Ambos usavam seus últimos recursos para vencer.

O ronin ganhou. A espada transpassou o peito do general, que largou as seis espadas com seus braços e faces desaparecendo. O general foi se esvaindo como se tivesse sido totalmente derrotado, mas antes proferiu uma mensagem para o espadachim.

- Eu voltarei... Eu me vingarei por este dia. 

Yaro apenas se virou de costas. Apesar de não aparentar cansaço, quando saiu do combate, foi possível ver diversos ferimentos causados pela luta. Pingava sangue, provavelmente o uso da espada permitiu que ele não demonstrasse nenhum tipo de ferimento antes.

Caminhou com dificuldade pelo campo de batalha. A chuva se misturava com o sangue e limpava seu corpo, deixando as feridas e cortes abertos. Os trovões aos pouco cessavam, o céu começava a limpar e então a chuva cessou. Yaro finalmente atravessava a ponte, via todo o campo de batalha e as cicatrizes de combate. Deixou o ambiente congelado, com rachaduras, cortes e devastação. 

Se aproximando do vilarejo ele notou que não havia mais ninguém, seus amigos fizeram o que ele tinha falado. O ronin se sentiu aliviado e passou pela vila até o caminho para a árvore mágica.

Lá o terreno era um pouco diferente, próximo daquela enorme árvore, haviam dezenas de flores coloridas e tranquilas. Era um campo parecido com o que diziam ser o paraíso. O sangue que escorria de Yaro manchava aquele belo campo florido e ele finalmente chegava até a árvore. 

Rapidamente ele enfiou a espada mágica no tronco firme e quase impenetrável. 

- Poderosa árvore da vida. – Yaro tossia sangue, seus ferimentos estavam muito piores. – Você é o início da criação de todas as coisas mágicas, que por meio desta espada, por favor, gere frutos para que outros bravos guerreiros consigam combater os demônios que irão assolar esta vila. Peço para ti, poderosa mãe, que não rejeite este pedido de um simples ronin, cujo propósito é este. Obrigado.

Ele pegou sua antiga espada e a posicionou contra seu abdômen. Respirou fundo, por instantes todo o som daquele lugar foi silenciado. A natureza olhava para aquele ronin. Com coragem, ele enfiou a espada em si mesmo, com honra. Logo depois, com pouca dor e agonia, ele caiu ao chão. A árvore absorveu sua essência, assim como a espada cravada em seu tronco.

Ao longo dos anos, Yaro ficou conhecido como o ronin que cometeu seppuku, mas a verdade é que deu a sua alma para que onze armas mágicas nascessem daquela árvore. Os clãs se fortaleceram durante as eras para combater Asura, os Onis e o Xogum.


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