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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Já passava das 15:00 horas quando ocorreu a inesperada abordagem no meio

da rua, sem que ninguém notasse:

— Essa coisa rígida que você está sentindo por baixo da minha roupa é o cano

de um revólver calibre trinta e oito; apenas siga em frente, como se nada estivesse

acontecendo.

A vítima obedeceu sem questionar. Como fazia um frio intenso na Avenida

Paulista, nenhum dos transeuntes prestava muita atenção nas coisas que aconteciam

ao redor, e isso dava mais tranquilidade para quem queria camuflar seus atos na

multidão.

— Não tente qualquer gracinha, doçura; não olhe para trás, nem para os lados;

não diminua o ritmo dos seus passos. Se notar sequer um movimento estranho,

eu te encho de balas.

Os dois caminharam por vários quarteirões sem despertar suspeitas, já que

pareciam um casal de namorados comum, desses que andam bem agarradinhos um

no outro. Ainda mais no frio...

— Entra ali, à direita, rápido!

Quando essa frase foi dita, ficou claro que não se tratava de um assalto, pois

o lugar para onde iam era o Parque Trianon, a conhecida reserva ecológica em pleno

centro de São Paulo. Eles foram até uma área deserta do parque, por trás de grandes

árvores, onde o assédio prosseguiu.

— Vire-se lentamente, sempre olhando para baixo, não quero matar você por

gravar o meu rosto, entendeu bem? Você sabe que quando a gente está sob o efeito

do álcool não consegue se controlar direito, muitas coisas podem dar errado... Por

isso, não se meta a besta comigo.

O tom da voz era extremamente agressivo, com ameaças constantes de tiros

à queima roupa, caso as ordens não fossem cumpridas à risca. Quanto mais o assédio

sexual se aproximava de um desfecho, mais crescia o grau de excitação da voz:

— Vamos, tire a roupa bem devagar: quero ver o efeito do frio nos poros

das suas nádegas, quero sentir o arrepio da sua pele, acariciando-a com o meu rosto.

Quero, quero muito suas mãos em mim, seus olhos em mim; já não me importo que

veja quem sou eu; já não me importo de morrer, após morrer de prazer...

O monólogo prossegue sob a influência de desejos ardentes e de cachaça, até

que veio a mais constrangedora de todas as ordens:

— Agora faça sexo oral comigo! Mas faça de uma forma que eu não tenha

vontade de te matar depois que terminar. Faça com carinho, faça com vigor, faça

como se fôssemos amantes inseparáveis. Melhor ainda: aja como se estivéssemos

gravando um filme pornô.

A ordem foi executada da melhor forma possível, uma vez que o efeito de

ver uma arma apontada em sua direção não representava a melhor das inspirações.

Era muita excitação, sim, mas só de um lado, e medo do outro; uns olhos viam uma

arma, enquanto outros só reviraram e reviravam, suplicando aos pés de Afrodite

pelo império da carne.

— Preciso muito disso. Quando eu ainda era adolescente, vi uma cena de sexo

oral no cinema, coisa que me deixou na mais completa excitação; passei a sonhar com

aquilo todos os dias da minha vida. Acabei casando muito cedo, e, para infelicidade

minha, fazer sexo com a boca sempre representou um tabu para a pessoa com quem

me relaciono, o que acabou me trazendo uma verdadeira obsessão, pois desejo não

satisfeito é desejo amplificado. Eu segurei meu desejo doentio o quanto pude, até que

hoje, depois de um porre daqueles, decidi realizar minha fantasia a qualquer custo.

A vítima ouve o desabafo com perplexidade. Agora tinha certeza de que sua

vida corria risco, caso não agisse conforme o solicitado.

— Mais caprichado, minha gostosura, eu desejo mais, muito mais do que isso.

Se esforce, se entregue ao ato, mostre-me vida, pulsação; minha alma quer sentir sua

saliva me fazendo ferver com a reação em cadeia da minha bomba de hormônios.

Desaparecia tudo ao redor; tudo flutuava, uma alma planava sobre os bosques

do paraíso; havia promessas de uma alegria infinita. Vieram palavrões, gemidos, gestos

aflorados das profundezas do gozo.

— Vai, porra, chupa isso com gosto que eu já estou quase lá. Chupa, chupa,

chuuuuuuupa...

Enquanto atingia o momento mais intenso de sua existência, Maria Clara

gritava e disparava para o alto todas as balas do seu revólver, comemorando a grande

vitória do prazer.

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