Começou, agora termina queride!

Conquista Literária
Conto publicado em

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Comicha a mente o tempo todo, São Paulo é complexa demais pra mim. Estou cansado. Quero sossego.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Ignoro
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Comicha a mente o tempo todo, São Paulo é complexa demais pra mim. Estou cansado. Quero sossego. Não posso trocar de calçada sem me deparar com um dilema, contradição. Não consigo relacionar o playboy de patinete eletrônico com o anão morador de rua, dormindo, na porta do centro cultural. Não tem lógica, sentido, só esquizofrenia. No ponto de ônibus, o povo se constrange com os pedintes, temem as crianças, as loiras chapadas entram às pressas no shopping, casais posam diante de câmeras na ciclovia (sairá dali um book de casamento?). Quanta discrepância, a gente se acha foda por morar na maior capital da América Latina, o estado mais rico da união, coração financeiro do Brasil, locomotiva do país. Só que tem gente amarrada nos trilhos, a maior parte, o sangue fazendo a função de graxa. Escolhemos os piores vagabundos para administrar o estado, a cidade, demagogia, sadomasoquismo, para encher a boca e falar do brio paulistano com um vergão de chicote no lombo: carrego esse país nas costas.

Não é só no centro, na Paulista, é todo canto, feito cola embaixo do pé, essa intriga, nuvem que paira em todos os limites da cidade. Estou cansado, já disse. Vou para o meio do mato, qualquer município com a clássica matriz: praça central, banco, igreja, prefeitura e um mendigo, só um, inofensivo. Onde dê para encarar um problema de cada vez, não essa galeria de desgraças mal o nariz atravessa o portão. Não quero saber de teatro, não quero saber de cultura, não vou sentir saudade de nada, vou é me enfurnar nos livros, plantar alface, olhar o movimento da rua pela janela, fazer porra nenhuma.

Peço mais um café. Um café é um café em qualquer lugar do país, do mundo, o daqui é bom também, o garçom me pergunta com sotaque se é coado ou expresso, prefiro expresso. O garçom saiu da sua terra natal para trabalhar aqui, e eu querendo partir. Mais um dilema, nem no cafezinho a cidade me poupa. Um, dois, três sachês de açúcar, viro tudo duma vez, deixo uma nota no caixa e vou embora amargurado. Amanhã peço as contas e parto, do Terminal Tietê para o mundo.

Início do expediente, convoco uma reunião de emergência. Minto para o patrão, arrumei coisa melhor por lá, coisa grande, irrecusável, ele diz que cobre a proposta, que eu trabalho bem, que sou essencial para o sucesso da firma. Me amacia como nunca, o patrão.

Titubeio.

Ir para o interior sem nada é duro também, não sei capinar, se arriscar assim, no impulso, é foda. No fundo, acho que o marasmo me cairia mal. Aceito e ignoro, ignoro tudo, saio do edifício e alugo um patinete eletrônico. Percorro a avenida, uma falsa sensação de liberdade comprada, ignoro, alguém me olha intrigado, ignoro, o anão bocejando na porta do centro cultural, ignoro. Um café, a mulher pergunta se é coado ou expresso, expresso, mas cadê o rapazinho de sempre? De férias, construindo casa no Nordeste, depois volta, até aprontar a moradia e ficar de vez por lá. Ele tem um lugar, já o meu é esse caos de paz paga, ignoro.

São Paulo é complexa demais.

Palma, palma... Logo os contos desta obra serão selecionados e aparecerão aqui.

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Comicha a mente o tempo todo, São Paulo é complexa demais pra mim. Estou cansado. Quero sossego.

Prólogo

Epílogo

Conto

Comicha a mente o tempo todo, São Paulo é complexa demais pra mim. Estou cansado. Quero sossego. Não posso trocar de calçada sem me deparar com um dilema, contradição. Não consigo relacionar o playboy de patinete eletrônico com o anão morador de rua, dormindo, na porta do centro cultural. Não tem lógica, sentido, só esquizofrenia. No ponto de ônibus, o povo se constrange com os pedintes, temem as crianças, as loiras chapadas entram às pressas no shopping, casais posam diante de câmeras na ciclovia (sairá dali um book de casamento?). Quanta discrepância, a gente se acha foda por morar na maior capital da América Latina, o estado mais rico da união, coração financeiro do Brasil, locomotiva do país. Só que tem gente amarrada nos trilhos, a maior parte, o sangue fazendo a função de graxa. Escolhemos os piores vagabundos para administrar o estado, a cidade, demagogia, sadomasoquismo, para encher a boca e falar do brio paulistano com um vergão de chicote no lombo: carrego esse país nas costas.

Não é só no centro, na Paulista, é todo canto, feito cola embaixo do pé, essa intriga, nuvem que paira em todos os limites da cidade. Estou cansado, já disse. Vou para o meio do mato, qualquer município com a clássica matriz: praça central, banco, igreja, prefeitura e um mendigo, só um, inofensivo. Onde dê para encarar um problema de cada vez, não essa galeria de desgraças mal o nariz atravessa o portão. Não quero saber de teatro, não quero saber de cultura, não vou sentir saudade de nada, vou é me enfurnar nos livros, plantar alface, olhar o movimento da rua pela janela, fazer porra nenhuma.

Peço mais um café. Um café é um café em qualquer lugar do país, do mundo, o daqui é bom também, o garçom me pergunta com sotaque se é coado ou expresso, prefiro expresso. O garçom saiu da sua terra natal para trabalhar aqui, e eu querendo partir. Mais um dilema, nem no cafezinho a cidade me poupa. Um, dois, três sachês de açúcar, viro tudo duma vez, deixo uma nota no caixa e vou embora amargurado. Amanhã peço as contas e parto, do Terminal Tietê para o mundo.

Início do expediente, convoco uma reunião de emergência. Minto para o patrão, arrumei coisa melhor por lá, coisa grande, irrecusável, ele diz que cobre a proposta, que eu trabalho bem, que sou essencial para o sucesso da firma. Me amacia como nunca, o patrão.

Titubeio.

Ir para o interior sem nada é duro também, não sei capinar, se arriscar assim, no impulso, é foda. No fundo, acho que o marasmo me cairia mal. Aceito e ignoro, ignoro tudo, saio do edifício e alugo um patinete eletrônico. Percorro a avenida, uma falsa sensação de liberdade comprada, ignoro, alguém me olha intrigado, ignoro, o anão bocejando na porta do centro cultural, ignoro. Um café, a mulher pergunta se é coado ou expresso, expresso, mas cadê o rapazinho de sempre? De férias, construindo casa no Nordeste, depois volta, até aprontar a moradia e ficar de vez por lá. Ele tem um lugar, já o meu é esse caos de paz paga, ignoro.

São Paulo é complexa demais.

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