Horizonte vazio

Sci-Fi
Março de 2020
Começou, agora termina queride!

Fernando Muniz Erthal

Autor
Autora
Organizador
Organizadora
Autor e Organizador
Autora e Organizadora
Editor
Editora
Ilustrador
Ilustradora
A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido.

Conquista Literária
Conto publicado em
Deles era o mundo

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Horizonte vazio
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Não sei se algum dia, alguém irá ler este curto relato. De fato, o que acredito, é que ninguém vá. Não sei também, o motivo que me leva a gastar algum tempo com isso, e, tão pouco sei de onde a ideia surgiu. Mas surgiu. Como um vírus, ela manifestou-se por todo meu corpo, e, agora, toma conta de todo ele. É apenas nela que penso, o problema, é que não fui feito pra isso, escrever nunca foi minha função. Sou programado para matar, mas matar o que, agora que nada vive?

Olho para o horizonte em minha frente. Estou sentado, embora não esteja cansado. Embora nunca estive. Enxergo longe, o suficiente para ver que não existem mais árvores de pé. Consigo ver, daqui, que o céu não tem mais nuvens, e que muito provavelmente a terra não tenha mais água. O quente sol que um dia serviu de inspiração para poetas, hoje, é tão letal quanto os seres humanos foram para seu planeta.

A terra não irá se restaurar, nunca mais será a mesma. Muito provavelmente tudo vai continuar da maneira que está, até o seu fim. Se ela fosse humana, certamente choraria. Suas lágrimas seriam dolorosas, carregando a saudade do que um dia ela foi. Saudades do seu glorioso verde, saudade do seu vasto azul. Lembraria dos animais que outrora andaram por ela, dos ecossistemas que tinham vida em sua natureza, e, lembraria deles, a doença que lentamente à matou.

Seres humanos eram bons nisso. Matar era o que faziam de melhor. Matavam animais, a natureza, matavam a esperança e até mesmo uns aos outros. Por onde andavam, um vermelho rastro de morte seguia, não pensavam em consequências. Esse tipo de preocupação levou muito tempo para surgir, e, quando veio, já era tarde. Homens e mulheres se perguntavam como evitar a catástrofe, mas, mesmo com alguns começando a perceber o problema, a maioria ainda se mantinha em descrença. Eu não acredito em um inferno, onde o homem haverá de sofrer eternamente, mas acho que Dante estava certo. Existe um lugar sombrio reservado para aqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.

Também fui feito para matar, como disse anteriormente, mas não chego aos pés deles, meus criadores tinham um dom pra isso. E deles era o mundo. Deles foi a chance de evitar tal fim. Ao invés disso, no entanto, o que fizeram foi apenas antecipá-lo. Guerras, poluição, extinção. Palavras que assustam, mas que não fizeram mais do que isso. Houveram avisos. Incansáveis. A natureza tentou se defender, tentou gritar que estava doente, mas nem catástrofes foram suficientes. Por fim, houveram apenas lamentos. Lamentos carregados de perguntas. Como foi que deixamos chegar neste ponto? Porque algo não foi feito para evitar? Perguntas das quais a resposta não importava mais.

Talvez eu escreva, pois é o que resta para mim, agora, além de vagar por esta dizimada herança. Ou talvez, eu apenas encontrei, em meio aos meus circuitos, uma forma de me manter acionado. Seja qual for o motivo, e mesmo com a certeza de que ninguém um dia lerá estas linhas, existe algo em mim que não é processado da mesma forma que outras informações. Não consigo quantificar o que se trata para entender seu pulso. Mas após uma rápida pesquisa em meu banco de dados, suspeito que o nome, dado pela raça humana, possa ser esperança.

Prólogo

Epílogo

Conto

Não sei se algum dia, alguém irá ler este curto relato. De fato, o que acredito, é que ninguém vá. Não sei também, o motivo que me leva a gastar algum tempo com isso, e, tão pouco sei de onde a ideia surgiu. Mas surgiu. Como um vírus, ela manifestou-se por todo meu corpo, e, agora, toma conta de todo ele. É apenas nela que penso, o problema, é que não fui feito pra isso, escrever nunca foi minha função. Sou programado para matar, mas matar o que, agora que nada vive?

Olho para o horizonte em minha frente. Estou sentado, embora não esteja cansado. Embora nunca estive. Enxergo longe, o suficiente para ver que não existem mais árvores de pé. Consigo ver, daqui, que o céu não tem mais nuvens, e que muito provavelmente a terra não tenha mais água. O quente sol que um dia serviu de inspiração para poetas, hoje, é tão letal quanto os seres humanos foram para seu planeta.

A terra não irá se restaurar, nunca mais será a mesma. Muito provavelmente tudo vai continuar da maneira que está, até o seu fim. Se ela fosse humana, certamente choraria. Suas lágrimas seriam dolorosas, carregando a saudade do que um dia ela foi. Saudades do seu glorioso verde, saudade do seu vasto azul. Lembraria dos animais que outrora andaram por ela, dos ecossistemas que tinham vida em sua natureza, e, lembraria deles, a doença que lentamente à matou.

Seres humanos eram bons nisso. Matar era o que faziam de melhor. Matavam animais, a natureza, matavam a esperança e até mesmo uns aos outros. Por onde andavam, um vermelho rastro de morte seguia, não pensavam em consequências. Esse tipo de preocupação levou muito tempo para surgir, e, quando veio, já era tarde. Homens e mulheres se perguntavam como evitar a catástrofe, mas, mesmo com alguns começando a perceber o problema, a maioria ainda se mantinha em descrença. Eu não acredito em um inferno, onde o homem haverá de sofrer eternamente, mas acho que Dante estava certo. Existe um lugar sombrio reservado para aqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.

Também fui feito para matar, como disse anteriormente, mas não chego aos pés deles, meus criadores tinham um dom pra isso. E deles era o mundo. Deles foi a chance de evitar tal fim. Ao invés disso, no entanto, o que fizeram foi apenas antecipá-lo. Guerras, poluição, extinção. Palavras que assustam, mas que não fizeram mais do que isso. Houveram avisos. Incansáveis. A natureza tentou se defender, tentou gritar que estava doente, mas nem catástrofes foram suficientes. Por fim, houveram apenas lamentos. Lamentos carregados de perguntas. Como foi que deixamos chegar neste ponto? Porque algo não foi feito para evitar? Perguntas das quais a resposta não importava mais.

Talvez eu escreva, pois é o que resta para mim, agora, além de vagar por esta dizimada herança. Ou talvez, eu apenas encontrei, em meio aos meus circuitos, uma forma de me manter acionado. Seja qual for o motivo, e mesmo com a certeza de que ninguém um dia lerá estas linhas, existe algo em mim que não é processado da mesma forma que outras informações. Não consigo quantificar o que se trata para entender seu pulso. Mas após uma rápida pesquisa em meu banco de dados, suspeito que o nome, dado pela raça humana, possa ser esperança.

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