Herdeiro

Drama
Junho de 2020
Começou, agora termina queride!

Conquista Literária
Conto publicado em
Bratva

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Herdeiro
0:00
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Dois olhares frios estavam cruzados batalhando pelo poder, para ver quem desviaria o olhar primeiro demonstrando que o outro tinha mais poder. Andrei Morozov e Dimitri Vasiliev se encaravam em uma disputa silenciosa. Ali não era apenas para uma reunião para saber quem seria o novo chefe da irmandade mas sim, uma disputa entre os dois para ver quem seria mais digno para tal cargo. Ambos o desejavam, se tornar o chefe da máfia, podia ser por motivos diferentes, um para orgulhar seu pai – Mikhail Morozov, o atual chefe, que comandou com maestria e rédea curta uma organização inteira. Não confie em ninguém. Sempre há um traidor no meio de todos. Foi graças a esse ditado do mais velho que mesmo durante tanto tempo não havia sido nem pego pelos inimigos, nem morto. Sempre duvidando até da sua própria sombra. Essa era a vida ali. – o outro queria fama e poder como brinde desse titulo que tanto ansiava, ele estaria no topo e ninguém poderia tirá-lo de lá.

A disputa entre os dois jovens, vinham desde de cedo quando o líder afirmara que não ia beneficiar seu sangue se não o merecesse, e desde então a briga por ser o próximo chefe se tornara cada vez mais. Mikhail havia comandado a organização com punhos de ferro por muitos anos, mas agora já era hora de se aposentar e passar toda a responsabilidade para um novo comandante do império. Ele havia adiado o máximo possível para a escolha, pois não queria abandonar seu território. Seus olhos ferozes analisavam os dois jovens sérios em sua frente. Ele parecia um gavião analisando cada detalhe, como se isso tornasse sua escolha mais fácil, pois poderia não se importar verdadeiramente com nenhum deles, mas sabia que ambos não o decepcionariam com relação a família. Ele pensava rapidamente nas consequências dependendo de sua escolha. A porta da sala de reunião foi aberta bruscamente, o mais velho se virou pronto para descobrir quem ousaria interromper algo tão importante como a escolha do próximo sucessor.

Um rapaz alto, com músculos definidos, maxilar forte, nariz reto, boca carrancuda e olhos verdes furiosos entrou na sala. Nikolai. O rapaz responsável pela queima de arquivo. Essa manhã tinha ido cumprir mais um dos seus trabalhos. Foi quando ele parou no meio da sala, que todos perceberam que estava ao seu lado. Uma garota magra e com altura mediana estava com um capuz na cabeça, e com pulsos amarrados. Parecia um cordeiro indefeso. Foi o que pensou Andrei. Ele nunca havia considerado um amor a primeira vista, namoro, nada. Mulheres para ele só servia para aquecer sua cama e tirar seu stress. O rapaz jogou a moça em seus joelhos quase levando-a de cara ao chão.

— ela viu o que aconteceu.

Disse ele cruzando os braços a olhando com fúria. A garota permanecia parada, não havia soluços altos, nem nada do tipo, só um choro baixinho, assustado. O mais velho olhou para todos e seu olhar foi mais do que claro, para todos os outros saírem deixando apenas os dois herdeiros, a jovem ajoelhada e o rapaz que permanecia atrás dela. Quando a porta foi fechada foi que o silêncio foi quebrado.

— temos que mata-la.

Pronunciou se ele, puxando o capuz que a deixava cega, ela baixou a cabeça por conta da claridade e seus cabelos claros, dourados como ouro desciam pelas suas costas, até sua cintura. Sua blusa delicada estava rasgada, a mordaça colocava seus cabelos contra seu rosto e estava com uma calça jeans simples e um all star. Ela não olhou pra ninguém diretamente, apenas para frente onde estava a janela do local, Andrei se encantou com seus olhos verdes como esmeraldas, seu rosto estava um pouco machucado, um corte em sua bochecha se fazia presença. Pequenas lágrimas desciam pelo seu rosto quase como se estivessem saindo da mesma cor dos seus olhos marcantes. A vontade do rapaz foi a proteger quando parecia tão frágil ali desamparada.  O mais velho a analisou com cuidado, o que não passou despercebido para o filho. Na máfia era comum eles terem prisioneiras mulheres. Então seria mais fácil do que previsto tê-la para ele.

— olhe pra mim garota

Se pronunciou o mais velho em um tom neutro porém dava para ver que mesmo não gritando, ela estava tensa, seus ombros e expressões mostravam isso. Ela não obedeceu permanecendo com o olhar ainda preso á janela. Andrei não pode conter um sorriso. Dmimtri observava tudo com um sorriso sombrio em seu rosto, enquanto encarava seu rival e a garota.

— mandei olhar pra mim

Ele não gritou, mas nem precisava. A autoridade e o tom cortante em sua voz eram capazes de paralisar qualquer inimigo. Um arrepio passou pela coluna de Annie, o encarando com olhos chorosos imediatamente.

— o que você estava fazendo? É uma espiã?

Dimitri falou algo pela primeira vez enquanto caminhava rodeando como uma presa, que se encolheu um pouco. Ela não parecia uma espiã, além de parecer não ter nenhuma habilidade em defesa, demostrava emoções muito facilmente. Ele deu um sorriso de canto enquanto puxava a mordaça deixando-a livre.

— eu... eu sou americana. Uma estrangeira no país, só estava conhecendo o lugar. Juro que não foi de propósito.

Ela gaguejou um pouco logo tentando manter a voz sem tremer porém baixa, acuada.

— eu fico com ela

Andrei não pôde se conter, todos se viraram surpresos para ele, que apenas levantou as sobrancelhas em resposta, eles não podiam questiona-lo nem nada, afinal era apenas uma garota qualquer. O sorriso de Dimitri aumentou um pouco com as palavras do amigo.

— então já que você vai estar ocupado, daqui a alguns dias faremos a reunião novamente

Disse o mais velho com um sorriso maldoso, não contestou a decisão do  filho, afinal nada melhor do que não vazar informações deixando-a onde seus olhos podem ver, pelo menos enquanto durasse. Nikolai não parecia feliz em deixar a garota com vida, Dimitri permanecia impassível e misterioso enquanto via o rapaz pegar a jovem pelo braço e sair dali em silêncio.

Ela parecia frágil ao seu lado tanto pelo tamanho quanto pela delicadeza que parecia estar ao seu redor, ela não havia pronunciado nada desde que haviam saído de lá, mas seu olhar percorria cada local, observando tudo, talvez pensando em uma fuga. Ele deu um sorriso depois desses pensamentos. Ela não ia querer ir embora tão cedo já que depois de se entrar ali, só havia uma saída. A morte. Chegaram ao quarto do jovem e a menina permanecia quieta, Andrei havia imaginado gritos, choro, birra, qualquer coisa mas ela apenas observava tudo sem pronunciar nada. A colocou sentada na cama e se aproximou, foi quando ela o encarou pela primeira vez. Mas estava indecifrável sua expressão, não dava pra tentar ler seus pensamentos.

— eu vou cuidar de você

Comentou com uma voz calma, ela apenas desviou o olhar. Mas foi obrigada a encara-lo quando ele segurou seu queixo fazendo os dois olhares se encontrarem.

— você estava no lugar errado. Eu vou te proteger, mas você precisa me obedecer, entendeu?

Um leve acenar de cabeça veio dela, fazendo dar um sorriso de canto. Se levantou e caminhou pelo quarto, com os olhos da jovem acompanhando-o. pegou uma maleta de primeiros socorros e voltou até ela.

— você não parece um mafioso.

Não foi uma pergunta, mas apenas um comentário que ela soltou. Ambos se encararam, ele um pouco sem reação já que não esperava isso.

— como assim?

Perguntou com interesse, pegando algodão e álcool. Ela encolheu os ombros com uma expressão pensativa como se pensasse na melhor resposta.

— você não parece cruel, ou algo assim.

Ela viu sua expressão escurecer se tornando sombria e sabia que aquele era um assunto perigoso, engoliu em seco. Mas depois de alguns segundos ele relaxou, levando o algodão até o seu rosto, limpando com delicadeza, até demais.

— você não é minha inimiga, por isso não estou sendo cruel.

Sua resposta foi como um tapa, seus olhos ficaram tristes enquanto o encarava. Para ele, sua expressão significava apenas medo, mas para ela era muito mais profundo que isso. Ficaram em silêncio enquanto ele terminava de limpar os ferimentos dela. Era um pequeno corte na bochecha e o rosto um pouco inchado.

— vai me matar?

A garota novamente quebrou o silêncio com uma pergunta perigosa, ele ao invés de responder, foi embora dali, deixando-a confusa e duvidosa.  Já haviam passado alguns dias desde o acontecido. Andrei tentava se aproximar da sua cativa, mas ela permanecia distante olhando pela janela, desde aquelas últimas palavras não tinham trocado muitas, o jovem pensava em ameaça-la mas tentava lembrar que ela não era sua inimiga, então só pioraria tudo. Pensou que ela seria apenas mais uma diversão temporária mas quando a viu no jardim em frente as rosas, seus olhos brilhando enquanto o sol batia nela como se a iluminasse, não pode conter um sorriso, e pensar que talvez ele havia ganhado um presente dos céus. Ela parecia diferente, especial. Não uma garota qualquer. Algo o atraia para ela, como uma imã os puxasse, mas desde que ele não a tinha respondido, ela o tinha afastado. Talvez tinha medo de mata-la, mas mal sabia ela como ele era verdadeiramente com seus inimigos. Se soubesse, saberia a vantagem que tinha sobre ele.

Com seus inimigos ele era frio como mármore e mortal como uma lâmina, com ele, nem coragem o suficiente de fazer uma pequena ameaça só pra fazê-la falar comigo ele tinha. Imagina machuca-la, mas talvez ela nunca tenha percebido isso, pois assim que viu ele observando-a, seu sorriso murchou como uma rosa. O rapaz se apressou em sair dali. O amor para ele parecia uma coisa de tolos, e agora o feitiço havia se voltado contra ele.

Hoje seria finalmente a reunião para ver quem seria o novo sucessor, que teria tanto poder nas suas mãos. Andrei estava confiante afinal ele devia ser o herdeiro desde sempre. Ele foi até seu quarto para se despedir da sua cativa antes de ir para a decisão da sua vida e se viu surpreso quando o encontrou vazio. Achou aquilo estranhou, afinal ela quase nunca saia do quarto e só ia até o jardim, correu até a janela e não a viu lá fora, não encontrando nada. Pela primeira vez experimentou o medo, nunca pensou que sentiria, seu coração batia descompassado, sua respiração estava rápida e estava nervoso. Tentou pensar rapidamente, ela só podia ter fugido, agora pra onde? Ai lembrou de Nikolai falando o local onde a tinha encontrado. Pegou a chave da sua Lamborghini Veneno Roadster, blindada e saiu correndo. Passou por Nikolai que o chamou, mas ele ignorou completamente. Ele só precisava acha-la depois pensaria no que faria a seguir.

Entrou na garagem destravando o alarme, logo entrando e saiu cantando pneu, acelerava o carro enquanto digitava no Gps a localização, não era um lugar longe, apenas meia hora dali. Na pressa nem tinha pegado sua arma, se xingou mentalmente. Estaria desprotegido e só podia contar com a sorte que desse tudo certo.

Chegou ao local, era um armazém abandonado, não havia nada perto, achou um pouco estranho e ficou desconfiado, foi até a entrada e olhou pela janela, parecia vazio, mas o breu lá dentro era enorme tornando tudo sombrio e assustador, mas não para ele, que havia crescido no berço da organização. Entrou escondido tentando ir pelas espreitas, sem ser notado. Quando andou pelo local, se sentiu frustado, pois não havia nada ali. Chutou uma das caixas com raiva fazendo ela bater com força na parede. Ela devia estar ali.

Mas sua raiva foi embora quando sentiu um metal frio contra suas costas, tinha que pensar rápido, antes que pudesse fazer tal coisa, ainda atordoado se virou e não podia estar mais surpreso, Annie, com seus cabelos dourados estava ali a sua frente, com uma expressão cautelosa enquanto apontava a arma diretamente para seu coração.

— porque?

Ele não entendia porque ela estava ali, contra ele. Pensou que ela não responderia pois o silêncio reinou ali, só era possível ouvi suas respirações rápidas, seu coração doía.

— não é nada pessoal, tive que tirá-lo de lá.

Diante de suas palavras, foi ai que ele percebeu quanta coincidência desde o inicio, ela chegar do nada em sua vida no dia da decisão, não era nada por coincidência, ela tinha feito isso para tirá-lo da competição. Herdeiro. Essa palavra brilhou em sua mente enquanto ela permanecia impassível. Ele deu um passo pra frente mas o cano frio foi um aviso. Ele não iria sair para ir para a reunião, o jogo havia virado mas ele não iria deixar assim. iria ter volta e ela iria aprender quem realmente era Andrei  Morozov.

Prólogo

Epílogo

Conto

Dois olhares frios estavam cruzados batalhando pelo poder, para ver quem desviaria o olhar primeiro demonstrando que o outro tinha mais poder. Andrei Morozov e Dimitri Vasiliev se encaravam em uma disputa silenciosa. Ali não era apenas para uma reunião para saber quem seria o novo chefe da irmandade mas sim, uma disputa entre os dois para ver quem seria mais digno para tal cargo. Ambos o desejavam, se tornar o chefe da máfia, podia ser por motivos diferentes, um para orgulhar seu pai – Mikhail Morozov, o atual chefe, que comandou com maestria e rédea curta uma organização inteira. Não confie em ninguém. Sempre há um traidor no meio de todos. Foi graças a esse ditado do mais velho que mesmo durante tanto tempo não havia sido nem pego pelos inimigos, nem morto. Sempre duvidando até da sua própria sombra. Essa era a vida ali. – o outro queria fama e poder como brinde desse titulo que tanto ansiava, ele estaria no topo e ninguém poderia tirá-lo de lá.

A disputa entre os dois jovens, vinham desde de cedo quando o líder afirmara que não ia beneficiar seu sangue se não o merecesse, e desde então a briga por ser o próximo chefe se tornara cada vez mais. Mikhail havia comandado a organização com punhos de ferro por muitos anos, mas agora já era hora de se aposentar e passar toda a responsabilidade para um novo comandante do império. Ele havia adiado o máximo possível para a escolha, pois não queria abandonar seu território. Seus olhos ferozes analisavam os dois jovens sérios em sua frente. Ele parecia um gavião analisando cada detalhe, como se isso tornasse sua escolha mais fácil, pois poderia não se importar verdadeiramente com nenhum deles, mas sabia que ambos não o decepcionariam com relação a família. Ele pensava rapidamente nas consequências dependendo de sua escolha. A porta da sala de reunião foi aberta bruscamente, o mais velho se virou pronto para descobrir quem ousaria interromper algo tão importante como a escolha do próximo sucessor.

Um rapaz alto, com músculos definidos, maxilar forte, nariz reto, boca carrancuda e olhos verdes furiosos entrou na sala. Nikolai. O rapaz responsável pela queima de arquivo. Essa manhã tinha ido cumprir mais um dos seus trabalhos. Foi quando ele parou no meio da sala, que todos perceberam que estava ao seu lado. Uma garota magra e com altura mediana estava com um capuz na cabeça, e com pulsos amarrados. Parecia um cordeiro indefeso. Foi o que pensou Andrei. Ele nunca havia considerado um amor a primeira vista, namoro, nada. Mulheres para ele só servia para aquecer sua cama e tirar seu stress. O rapaz jogou a moça em seus joelhos quase levando-a de cara ao chão.

— ela viu o que aconteceu.

Disse ele cruzando os braços a olhando com fúria. A garota permanecia parada, não havia soluços altos, nem nada do tipo, só um choro baixinho, assustado. O mais velho olhou para todos e seu olhar foi mais do que claro, para todos os outros saírem deixando apenas os dois herdeiros, a jovem ajoelhada e o rapaz que permanecia atrás dela. Quando a porta foi fechada foi que o silêncio foi quebrado.

— temos que mata-la.

Pronunciou se ele, puxando o capuz que a deixava cega, ela baixou a cabeça por conta da claridade e seus cabelos claros, dourados como ouro desciam pelas suas costas, até sua cintura. Sua blusa delicada estava rasgada, a mordaça colocava seus cabelos contra seu rosto e estava com uma calça jeans simples e um all star. Ela não olhou pra ninguém diretamente, apenas para frente onde estava a janela do local, Andrei se encantou com seus olhos verdes como esmeraldas, seu rosto estava um pouco machucado, um corte em sua bochecha se fazia presença. Pequenas lágrimas desciam pelo seu rosto quase como se estivessem saindo da mesma cor dos seus olhos marcantes. A vontade do rapaz foi a proteger quando parecia tão frágil ali desamparada.  O mais velho a analisou com cuidado, o que não passou despercebido para o filho. Na máfia era comum eles terem prisioneiras mulheres. Então seria mais fácil do que previsto tê-la para ele.

— olhe pra mim garota

Se pronunciou o mais velho em um tom neutro porém dava para ver que mesmo não gritando, ela estava tensa, seus ombros e expressões mostravam isso. Ela não obedeceu permanecendo com o olhar ainda preso á janela. Andrei não pode conter um sorriso. Dmimtri observava tudo com um sorriso sombrio em seu rosto, enquanto encarava seu rival e a garota.

— mandei olhar pra mim

Ele não gritou, mas nem precisava. A autoridade e o tom cortante em sua voz eram capazes de paralisar qualquer inimigo. Um arrepio passou pela coluna de Annie, o encarando com olhos chorosos imediatamente.

— o que você estava fazendo? É uma espiã?

Dimitri falou algo pela primeira vez enquanto caminhava rodeando como uma presa, que se encolheu um pouco. Ela não parecia uma espiã, além de parecer não ter nenhuma habilidade em defesa, demostrava emoções muito facilmente. Ele deu um sorriso de canto enquanto puxava a mordaça deixando-a livre.

— eu... eu sou americana. Uma estrangeira no país, só estava conhecendo o lugar. Juro que não foi de propósito.

Ela gaguejou um pouco logo tentando manter a voz sem tremer porém baixa, acuada.

— eu fico com ela

Andrei não pôde se conter, todos se viraram surpresos para ele, que apenas levantou as sobrancelhas em resposta, eles não podiam questiona-lo nem nada, afinal era apenas uma garota qualquer. O sorriso de Dimitri aumentou um pouco com as palavras do amigo.

— então já que você vai estar ocupado, daqui a alguns dias faremos a reunião novamente

Disse o mais velho com um sorriso maldoso, não contestou a decisão do  filho, afinal nada melhor do que não vazar informações deixando-a onde seus olhos podem ver, pelo menos enquanto durasse. Nikolai não parecia feliz em deixar a garota com vida, Dimitri permanecia impassível e misterioso enquanto via o rapaz pegar a jovem pelo braço e sair dali em silêncio.

Ela parecia frágil ao seu lado tanto pelo tamanho quanto pela delicadeza que parecia estar ao seu redor, ela não havia pronunciado nada desde que haviam saído de lá, mas seu olhar percorria cada local, observando tudo, talvez pensando em uma fuga. Ele deu um sorriso depois desses pensamentos. Ela não ia querer ir embora tão cedo já que depois de se entrar ali, só havia uma saída. A morte. Chegaram ao quarto do jovem e a menina permanecia quieta, Andrei havia imaginado gritos, choro, birra, qualquer coisa mas ela apenas observava tudo sem pronunciar nada. A colocou sentada na cama e se aproximou, foi quando ela o encarou pela primeira vez. Mas estava indecifrável sua expressão, não dava pra tentar ler seus pensamentos.

— eu vou cuidar de você

Comentou com uma voz calma, ela apenas desviou o olhar. Mas foi obrigada a encara-lo quando ele segurou seu queixo fazendo os dois olhares se encontrarem.

— você estava no lugar errado. Eu vou te proteger, mas você precisa me obedecer, entendeu?

Um leve acenar de cabeça veio dela, fazendo dar um sorriso de canto. Se levantou e caminhou pelo quarto, com os olhos da jovem acompanhando-o. pegou uma maleta de primeiros socorros e voltou até ela.

— você não parece um mafioso.

Não foi uma pergunta, mas apenas um comentário que ela soltou. Ambos se encararam, ele um pouco sem reação já que não esperava isso.

— como assim?

Perguntou com interesse, pegando algodão e álcool. Ela encolheu os ombros com uma expressão pensativa como se pensasse na melhor resposta.

— você não parece cruel, ou algo assim.

Ela viu sua expressão escurecer se tornando sombria e sabia que aquele era um assunto perigoso, engoliu em seco. Mas depois de alguns segundos ele relaxou, levando o algodão até o seu rosto, limpando com delicadeza, até demais.

— você não é minha inimiga, por isso não estou sendo cruel.

Sua resposta foi como um tapa, seus olhos ficaram tristes enquanto o encarava. Para ele, sua expressão significava apenas medo, mas para ela era muito mais profundo que isso. Ficaram em silêncio enquanto ele terminava de limpar os ferimentos dela. Era um pequeno corte na bochecha e o rosto um pouco inchado.

— vai me matar?

A garota novamente quebrou o silêncio com uma pergunta perigosa, ele ao invés de responder, foi embora dali, deixando-a confusa e duvidosa.  Já haviam passado alguns dias desde o acontecido. Andrei tentava se aproximar da sua cativa, mas ela permanecia distante olhando pela janela, desde aquelas últimas palavras não tinham trocado muitas, o jovem pensava em ameaça-la mas tentava lembrar que ela não era sua inimiga, então só pioraria tudo. Pensou que ela seria apenas mais uma diversão temporária mas quando a viu no jardim em frente as rosas, seus olhos brilhando enquanto o sol batia nela como se a iluminasse, não pode conter um sorriso, e pensar que talvez ele havia ganhado um presente dos céus. Ela parecia diferente, especial. Não uma garota qualquer. Algo o atraia para ela, como uma imã os puxasse, mas desde que ele não a tinha respondido, ela o tinha afastado. Talvez tinha medo de mata-la, mas mal sabia ela como ele era verdadeiramente com seus inimigos. Se soubesse, saberia a vantagem que tinha sobre ele.

Com seus inimigos ele era frio como mármore e mortal como uma lâmina, com ele, nem coragem o suficiente de fazer uma pequena ameaça só pra fazê-la falar comigo ele tinha. Imagina machuca-la, mas talvez ela nunca tenha percebido isso, pois assim que viu ele observando-a, seu sorriso murchou como uma rosa. O rapaz se apressou em sair dali. O amor para ele parecia uma coisa de tolos, e agora o feitiço havia se voltado contra ele.

Hoje seria finalmente a reunião para ver quem seria o novo sucessor, que teria tanto poder nas suas mãos. Andrei estava confiante afinal ele devia ser o herdeiro desde sempre. Ele foi até seu quarto para se despedir da sua cativa antes de ir para a decisão da sua vida e se viu surpreso quando o encontrou vazio. Achou aquilo estranhou, afinal ela quase nunca saia do quarto e só ia até o jardim, correu até a janela e não a viu lá fora, não encontrando nada. Pela primeira vez experimentou o medo, nunca pensou que sentiria, seu coração batia descompassado, sua respiração estava rápida e estava nervoso. Tentou pensar rapidamente, ela só podia ter fugido, agora pra onde? Ai lembrou de Nikolai falando o local onde a tinha encontrado. Pegou a chave da sua Lamborghini Veneno Roadster, blindada e saiu correndo. Passou por Nikolai que o chamou, mas ele ignorou completamente. Ele só precisava acha-la depois pensaria no que faria a seguir.

Entrou na garagem destravando o alarme, logo entrando e saiu cantando pneu, acelerava o carro enquanto digitava no Gps a localização, não era um lugar longe, apenas meia hora dali. Na pressa nem tinha pegado sua arma, se xingou mentalmente. Estaria desprotegido e só podia contar com a sorte que desse tudo certo.

Chegou ao local, era um armazém abandonado, não havia nada perto, achou um pouco estranho e ficou desconfiado, foi até a entrada e olhou pela janela, parecia vazio, mas o breu lá dentro era enorme tornando tudo sombrio e assustador, mas não para ele, que havia crescido no berço da organização. Entrou escondido tentando ir pelas espreitas, sem ser notado. Quando andou pelo local, se sentiu frustado, pois não havia nada ali. Chutou uma das caixas com raiva fazendo ela bater com força na parede. Ela devia estar ali.

Mas sua raiva foi embora quando sentiu um metal frio contra suas costas, tinha que pensar rápido, antes que pudesse fazer tal coisa, ainda atordoado se virou e não podia estar mais surpreso, Annie, com seus cabelos dourados estava ali a sua frente, com uma expressão cautelosa enquanto apontava a arma diretamente para seu coração.

— porque?

Ele não entendia porque ela estava ali, contra ele. Pensou que ela não responderia pois o silêncio reinou ali, só era possível ouvi suas respirações rápidas, seu coração doía.

— não é nada pessoal, tive que tirá-lo de lá.

Diante de suas palavras, foi ai que ele percebeu quanta coincidência desde o inicio, ela chegar do nada em sua vida no dia da decisão, não era nada por coincidência, ela tinha feito isso para tirá-lo da competição. Herdeiro. Essa palavra brilhou em sua mente enquanto ela permanecia impassível. Ele deu um passo pra frente mas o cano frio foi um aviso. Ele não iria sair para ir para a reunião, o jogo havia virado mas ele não iria deixar assim. iria ter volta e ela iria aprender quem realmente era Andrei  Morozov.

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