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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Lira olhava com o cenho franzido pela janela blindada da nave. As hélices laterais já estavam quase em posição horizontal. O vôo em baixa altitude deixava um rastro no mar de relva azul que cobria  a maior parte da porção continental do planeta. 

Ao longe, podia-se ver a linha da costa, com suas praias estreitas e purpúreas, que então se perdia num oceano vermelho.  Com a tripulação em silêncio, a nave avançava.

A psiquiatra planetária apalpou as têmporas, tentando afastar uma cefaleia. Sua cabeça doía desde que o grupo deixara a Intrepidus, meses atrás, mas parecia ter piorado depois da descida da estação orbital para a missão investigatória em Aroan V. 

Devia ter trazido um inalador com Triciclium, pensou. No fundo, porém, sabia que não era uma questão de medicamentos que iria fazer cessar a pulsação incômoda dentro de seu crânio. Mesmo  que encontrasse uma resposta positiva para o que viera investigar, seus esforços ainda poderiam ser em vão. De novo.

  Ela cerrou os dentes e fechou os olhos por um momento, tentando concentrar o foco de seu pensamento  em outro assunto. Foi interrompida por um gemido de dor de outro tripulante.

- Arrh... - balbuciou Esdras, a mão direita quase inteira dentro da boca, cutucando um dente. - Fal-ha mu-ho paha che-gah-os? - perguntou para qualquer um que o compreendesse.

Sentados ao lado do geólogo, Nadine e Obasi não se deram ao trabalho de responder. A primeira estava concentrada no som que saía de seus fones de ouvido, o outro, tratava de montar um densímetro portátil que trouxera.

Do outro lado do corredor da nave, entre caixas de mantimentos e sentados cada um de um lado da psiquiatra, Franco e Yumime também não deram atenção a Esdras. Estavam ambos absortos em seus pensamentos e exaustos da descida. O biólogo olhava pela janela, apreciando a festuca azul, enquanto a geneticista tirava um cochilo, com o queixo encostando no esterno e um discreto fio de saliva escorrendo de um canto da boca.

Esdras parou de cutucar o dente dolorido e tentou direcionar o questionamento dessa vez:

- Ok, já que ninguém sabe me dizer, vou ter que perguntar para alguém competente. - ajustou a frequência do intercomunicador preso em seu tórax. - Q-A-P, Comandante. Q-R-E até o ponto de interesse? - disse ele.

Após alguns segundos de estática, veio a resposta: 

- Q-A-P, especialista. Nove minutos. - disse o piloto.

A resposta o satisfez. Bateu o calcanhar das botas no chão da nave, como se para limpá-las, e continuou:

-  Espero que, dessa vez, encontremos algo. Arp 87 não está parecendo muito promissora. - deu uma risada curta e seca. - Se eu pudesse voltar atrás, teria escolhido a "8A", esses caras sim estão encontrando alguma coisa, não acha, doutora?

Sem opção, Lira quebrou a inércia vocal do restante da tripulação.

- Sempre encontramos algo, Esdras. - disse ela. - Mas às vezes,  não é todo mundo que consegue ver.

Esdras levantou o olhar, encontrando com o de Lira.

-  Bem, é claro. Quero dizer, algo útil. Chega de armacolita e salitre, não acham? Parece que a "8B" só tem isso. 

Interessado, Franco deixou a apreciação da paisagem de lado e entrou na conversa.

- Mas essa é sua parte, não é? - o biólogo sorriu. - Não é disso que os geólogos gostam? Pedaços de rocha, depósitos em fundos de rios, areias esquisitas… - 

Esdras balançou a cabeça, contrariando.

-Não. Não agora, pelo menos. O que precisamos nesse momento é achar um bom veio de ouro para o reparo externo da nave. - disse enquanto coçava a barba grisalha. - Paládio seria bom, para os tanques de armazenagem de hidrogênio. Depois, sim, areias esquisitas.

- Então, é melhor cruzar os dedos desde já. - disse Lira. - O ponto é promissor, mas as medições de uréia são bastante altas. - deu um suspiro curto. - E... se acharmos algo, qualquer coisa que preencha os critérios de vida inteligente do Tratado, nós damos o fora daqui - inclinou-se para frente. - E, dessa vez, eu não vou ceder.

O geólogo bufou.

- Pffff, não venha  de novo com essa  onda da "polícia drakeniana", Dra. Lira. - deixou cair os ombros e cruzou os braços atrás da cabeça. - Uréia. Qualquer coisa excreta uréia, não precisa ser muito inteligente. - disse ele. - Estamos com os dedos cruzados desde que deixamos a Intrepidus, não é mesmo? - disse, cutucando Obasi e Nadine com os cotovelos.

O engenheiro físico, sem parar de montar seu densímetro, levantou uma  mão com os dedos cruzados. Já Nadine, especialista em comunicações, mostrou o dedo do meio para Esdras.

Franco deu uma gargalhada.

-Ela realmente sabe se comunicar. - disse.

Esdras sorriu e retomou o assunto.

- Bem, doutora, se estiver certa quanto à uréia, ao menos nossos jardineiros aí é que vão ficar felizes. - disse apontando para Franco e Yumime. - Dá para fazer um monte de fertilizante com isso. 

Foi a vez do biólogo retrucar:

- Mesmo? Você deve estar achando que eu sou um amador. Quem precisa de uréia aqui. - apontou pela janela.- Vocês  viram o planeta quando estávamos em órbita? O oceano vermelho, as calotas amareladas? Enxofre. Numa quantidade absurda. Não precisaremos pensar em fertilizantes por um bom tempo.

- Isso se sua amiga aqui não cruzar com qualquer gosma gigante "tentando se comunicar"- disse apontando para Lira e fazendo as aspas com os dedos. - Se não fosse eu intervir na última vez, aquela jazida de alumínio teria ficado para trás.

O rosto de Lira ficou vermelho. Ela cerrou os dentes mais uma vez, fechou os olhos e inspirou fundo. Só então, respondeu:

- Sabe, Esdras, quando tudo isso terminar,  quando retornarmos à Intrepidus e meus relatórios forem entregues, eu realmente espero que você, no mínimo, perca sua licença de geólogo planetário.

- Perder minha… - parou por um momento e levou a mão até o rosto, massageando o dente que o incomodava de novo. - Perder minha licença? Eu não dou a mínima para a minha licença. Para mim, importa mais a tripulação da Intrepidus. Sinceramente, gostaria de saber o que seu pai iria dizer se soubesse que, por conta dessa estúpida equa… - parou de súbito, interrompido por um som agudo.

 O intercomunicador geral da nave se fez ouvir sonoramente, acordando inclusive Yumime.

- Tripulação, Q-A-P. Já se pode ver o ponto de interesse, de qualquer ângulo.

Lira e Esdras se encararam por alguns segundos, e então juntos com os outros tripulantes, voltaram-se para suas janelas

Logo abaixo deles, estendendo-se por por centenas de quilômetros, uma cratera de impacto formava uma grande depressão no continente coberto de relva azul. Na sua parte norte,  entrava oceano sulfúrico adentro, com a elevação de sua borda tão alta que funcionava como uma barreira, evitando que se tornasse um lago de enxofre líquido. 

Mas o que mais causava estranheza era sua cor. 

A cratera possuía uma coloração alaranjada, vinda de grandes e inúmeras projeções filamentosas, que se ramificavam e se entrelaçavam de forma densa, em toda a extensão da formação geológica.Tão intensa era a coloração que parecia emitir sua própria luz, como uma enorme selva fúngica fosforescente. 

A tripulação ficou calada por um momento, olhando para o achado mastodôntico. Dentro do círculo que a cratera delimitava, era possível notar sutis diferenças de cor formando padrões de linhas e curvas, simétricos entre si, numa espécie de mandala orgânica.

Depois de alguns minutos, Franco foi o primeiro a se pronunciar:

-Céus! É gigantesco! - disse, atônito. - O padrão de distribuição, a frequência da luz. Que diabos é isso?

Lira pôs a mão no ombro do biólogo.

- É isso que viemos descobrir. - disse ela.


***

Meses antes, as equipes de rastreio que pousaram em Aroan V haviam erguido pequenas bases, tanto no continente coberto de relva quanto no oceano e nos polos congelados de enxofre mas, quando a estranha formação fora encontrada, os esforços convergiram para esse último local.

A nave pousou verticalmente em um hangar improvisado na base avançada, montada próxima à cratera. Naquele momento, era a maior e mais bem equipada base do planeta. Estava situada no começo de em um trecho íngreme de rocha nua , com cerca de dois quilômetros de extensão, entre a relva azul e o topo da borda da cratera. Depois deste ponto, havia somente o emaranhado de hifas alaranjadas gigantes. 

A tripulação foi recebida por Cloa,  a planetóloga que coordenava as equipes que exploravam a cratera até então.

- Bem vindos a Aroan V! - disse ela, logo após a chegada da tripulação no hangar.       - Receio que vocês não terão muito tempo para descansar na base. Temos uma saída exploratória programada para daqui vinte minutos e vocês estão escalados nela. 

De fato, os seis tripulantes puderam  apenas conferir seus alojamentos, deixar caixas de mantimentos e ajustar seus trajes para atividades externas, e logo partiram para encontrar com Cloa, que os aguardava em um dos rovers de oito rodas. 

O comboio de três veículos saiu da base em direção à cratera,  passando pela borda íngreme de rocha nua da cratera através de uma falha no relevo. A partir dali, erguia-se a complexa formação de hifas alaranjadas, erguendo-se cerca de quinze metros de altura. 

Entre as estranhas formações  densas e filamentosas, foi escavado um túnel, que permitia a passagem de um veículo por vez. Agora que estavam dentro dele, era muito mais fácil  notar a riqueza das formas e padrões que as hifas formavam.

- Nós o chamamos de "emaranhado". - explicou Cloa. - Levamos  quase seis meses para abrir esse caminho.

- Seis meses? - questionou Lira. - Então porque não fomos convocados antes?

- Bem, inicialmente, decidimos não solicitar pela equipe de investigação planetária, pois não havíamos encontrado nada que preenchesse os critérios do tratado para vida inteligente, nem mesmo para forma de vida complexa.

- Ótimo…  - disse Esdras em voz baixa

- Essa coisa parece bastante complexa para mim. - comentou Franco.

Cloa prosseguiu.

- O plano inicial era que o túnel fosse em direção ao centro da cratera. Sendo provavelmente de impacto, gostaríamos de saber o que há no ponto mais baixo. Se acharíamos um "núcleo" de onde vinham as hifas. Mas cerca de  dez quilômetros adentro, foram detectados sinais de radiação infravermelha de ondas curtas.

Nesse momento, o rover em que estavam virou à esquerda em uma bifurcação do túnel. Os outros dois veículos continuaram em frente.

- Decidiu-se que uma parte da equipe iria seguir até o centro, e uma equipe menor seria destacada para averiguar o processo de radiação. É para lá que estamos indo. 

Obasi, como bom engenheiro físico, esfregou as mãos.

- Agora sim, um pouco de diversão. - disse ele. - Alguma radiação ionizante detectada?

- Não, mas temos apenas um contador Geiger. - Cloa suspirou. - Na verdade, o que foi encontrado como fonte da radiação nos levantou muitas dúvidas, e é o motivo de vocês estarem aqui. Estamos quase chegando. 

Alguns minutos depois, o rover entrou em uma grande clareira dentro do emaranhado. Em seu centro, uma estrutura monolítica despontava do chão recoberto por hifas, ainda mais densas naquele ponto. Sua base tinha quase cinco vezes o tamanho de um rover e elevava-se até cerca de dez metros acima do solo. A superfície era lisa e possuía uma coloração vermelha intensa, emitindo uma discreta luz rósea que parecia pulsar lentamente.

Os tripulantes sintonizaram seus intercomunicadores e saíram do veículo. 

Franco se aproximou do estranho obelisco.

- Está crescendo? - questionou à Cloa.

- Quando a encontramos, tinha pouco mais de dois metros de altura, e um metro de largura. - ela apontou para a estrutura. - Esse foi seu crescimento em dois meses. E está acelerando nas últimas semanas.

A equipe recém-chegada admirava a estranha natureza do achado.

Lira o circundava. Olhando para sua superfície, que  a primeira vista lhe pareceu lisa, percebeu que continha inúmeros poros milimétricos.

- Foi retirada alguma amostra para análise histológica? - perguntou ela pelo intercomunicador.

- Fizemos as medições externas, Dra. Lira. Mas, não, nunca a  tocamos. - disse Cloa. -Agora ela é toda de vocês.


***

O som agudo e metálico do martelo geológico de Esdras se fazia escutar pela clareira. Quase três semanas de trabalho haviam passado.

A base improvisada fora erguida na clareira,  ao lado do monolito. Três habitats geodésicos foram deslocados para o local, formando um complexo com um dormitório e dois laboratórios, ligados por túneis curtos pressurizados. 

Dependurado em um andaime improvisado, três metros abaixo do nível do solo, numa vala escavada em torno do monolito, o geólogo tentava, sem sucesso, coletar amostras das parte mais profundas daquele pináculo avermelhado.

Com a testa cheia de suor, ele parou por um instante. A cada longa saída com o traje especial, seu dente doía mais. Mas isso não o fazia esquecer dos objetivos primordiais daquela missão.

Olhou para cima, a luz de ambos os sóis de Aroan V sendo filtrada pela copa das hifas. Lá no alto podia ver o andaime em que Lira e Obasi trabalhavam. A estrutura tinha há muito passado a linha do emaranhado laranja-fosforescente e crescera outros vinte metros desde que a equipe chegara. 

Demorou pouco tempo até perceberem que aquele não era o único monolito. 

Equidistantes da borda da cratera, outras duas estruturas avermelhadas despontavam, dispostas entre si a cada cento e vinte graus da grande circunferência. Durante a última semana, as três começaram a crescer em  direção ao centro da cratera, num caprichoso  ângulo de noventa e sete  graus. Os corredores já tinham quase cinquenta metros de comprimento.

 Lira ficara eufórica com os avanços. Até tinha parado de reclamar da enxaqueca. Claro, era tudo que ela precisava: alguma esperança de vida inteligente. 

Esdras suspirou. E pensar no que eles haviam encontrado no centro de cada uma daquelas estruturas… Balançou a cabeça para afastar os pensamentos. Agora, era tentar outra estratégia. Acionou o intercomunicador e girou o botão até a frequência desejada.

-Ei, Franco, Q-A-P. - esperou pela resposta no meio da estática. - Ocupado?

Franco respondeu com uma voz entediada:

- Semeando placas de ágar, porque? - disse o biólogo.

- Isso pode esperar. Venha até o andaime inferior. 

- O quê… agora? Você não viu o alerta de chuva ácida que Nadine enviou? Em duas horas as atividades de campo devem ser encerradas. - disse.

-Tem algo que eu quero lhe mostrar. - insistiu o outro

- Me mostrar? Onde está Obasi? Ainda tenho… nove… doze… quinze semeaduras para fazer.

- Obasi está com a Dra. Lira, no andaime superior. Mas isso é especial! Acredite em mim, você vai se interessar.

- Não sei, Esdras. Ainda tenho que queimar as hifas que estão crescendo sobre as antenas de transmissão… - disse  de forma evasiva.

 - Merda, Franco! Preciso de uma mão aqui logo, estou de partida amanhã. Em trinta minutos estaremos dentro de novo. No aguardo! Q-S-L. - e desligou o intercomunicador.

Franco colocou a pipeta sobre a bancada de experimentos e suspirou. Então, dirigiu-se para a sala onde eram armazenados os trajes para as atividades externas.

Já com o traje, ele saiu da estrutura geodésica e rumou para o andaime inferior. Encontrou Esdras ainda descansando.

- Aí está você. - disse Esdras ao vê-lo se aproximando. - Preciso de uma ajuda com isso. Desça aqui. -  voltou  a martelar a estrutura. - Eu estava certo que se tratava de uma estrutura com base mineral e, até o segundo metro negativo era, mas olhe para isso aqui.

Desferiu um golpe com o martelo geológico. Os dois viram uma pequena lasca surgir na estrutura, como se fosse de vidro, mas logo toda a porção num raio de dez centímetros da lasca parou de brilhar e então se liquefez, escorrendo pelo parede porosa. Franco franziu a testa e se aproximou.

- Um fluido não-newtoniano? - disse, ao que Esdras respondeu apenas apontando novamente para o ponto da martelada.

 No buraco resultante, surgiu uma espuma rosada e viscosa que, em poucos minutos, recobriu todo aquele espaço e, então, escureceu, refazendo a estrutura em sua forma e cor original. 

-Muito melhor que placas de ágar, não é? - disse Esdras. - Parece que as propriedades dessa coisa mudam conforme o local. Um ponto fraco, talvez? - sorriu com um canto da boca.

Franco entendeu.

- Ok… vou pegar amostras para análise. - disse.

- E, Franco… - continuou o geólogo, notando a insegurança do colega. - Olha, você sabe o que está em jogo aqui. Você tem família. - e o segurando pelo punho: - Eu quero ser o primeiro a ver o resultado dessa análise.

O biólogo abaixou a cabeça, sem dizer nada. Os dois continuaram a analisar e coletar amostras do  cilindro até que a voz de Nadine os alertou no intercomunicador.

Atenção, equipes externas. Aviso de precipitação sulfúrica em uma hora. Favor iniciar retorno a base. 

Aos poucos, os exploradores retornaram à base. Esdras e Franco encontraram-se com Lira e Obsai na sala de antissepsia dos trajes externos.

- Alguém sabe quanto tempo vai durar a precipitação? - perguntou Esdras.

- A previsão é de que dure doze horas. - respondeu Lira.

Franco pendurou seu traje em um nicho.

- Dá tempo para um bom cochilo. - disse.

-Não. - retrucou Lira, rapidamente. -  Estamos atrasados com os vídeo-relatórios. Vamos aproveitar esse tempo para atualizar os envios para a Betelgeuse.

Sem dar muito tempo para ponderações, Lira os conduziu até a sala central de reuniões. Ali, grandes telas e projeções disputavam o espaço das paredes. A maior delas, logo sobre a porta de entrada, mostrava as interações entre as porções NGC 3808A e NGC 3808B  da Arp 87, detalhando os quadrantes em que missões de rastreio da Intrepidus estavam sendo conduzidas. Uma mesa de conferência hexagonal com telas individuais dominava o centro da sala e, através de uma grande janela blindada, permitia uma vista ampla para a clareira e o monolito.

Sentada em uma das pontas, Nadine já os esperava.  Aguardou até que todos já estivessem sentados e posicionados, então acionou as câmeras.

- Ok. Vamos lá. - começou ela. - Vídeo-relatório número dezessete.  Data de gravação, 21 de junho de 3187,  D1517 da missão Intrepidus em Arp 87,  D91 da missão investigatória a Aroan V. Presentes todos os membros,  quem coordena a sessão hoje é, vamos ver… - olhou em sua tela para uma escala semanal com os nomes de todos os tripulantes. - … Dra. Lira Synclair.

Houve uma troca de olhares. 

Lira sabia quem assistiria as gravações, o quê, inevitavelmente, a tornaria ainda mais longa.  Ela corrigiu sua postura na cadeira e, de imediato, puxou sua tela mais perto de si.

- Uh-uh. - pigarreou, limpando a garganta. - Muito bem. Avisos. Como alguns já sabem, há duas convocações da missão local de rastreio. A primeira solicitando a presença do Especialista Esdras na base avançada no centro da cratera, averiguação de metais exóticos. - tocou na tela em sua frente. - A segunda, Especialista Nadine convocada na base oceânica para averiguação de falha em rede de transmissão. Ambos têm dispensa a partir de amanhã. - novo toque. -Esses são os avisos oficiais, algum aviso pessoal?

Todos balançaram a cabeça em negativa. 

- Ótimo, então, relatórios individuais semanais. Geologia. Esdras, por favor.

Reclinado em seu assento, com os braços apoiados atrás da cabeça, o geólogo tomou fôlego e começou:

- Não há muito de novo em relação a última semana. O monolito em sua porção mais externa é composto basicamente de uma formação calcária, parecido com nácar, disposto em camadas concêntricas. O terço médio, também de calcário, que mostrou ser poroso, - mexeu despretensiosamente na tela até que uma imagem detalhada surgiu para todos. -  é um intrincado exoesqueleto calcário, coraliforme, com seus poros preenchidos por matéria orgânica. Essa semana as amostras foram entregues para análise. E quanto  ao cerne da estrutura, bem… - olhou diretamente para a câmera. - …  é composta de ouro maciço. Um pilar interno com quase dois metros de diâmetro. Esse é meu relatório.

Fez um silêncio desconfortável na sala.

Sem fazer nenhuma cerimônia, Yumime começou então o seu relatório.

- Certo, Genética. - anunciou. - A análise microscópica do material dessa semana foi mais reveladora do que as anteriores. Todas as amostras, tanto das hifas preparadas por Franco quanto do material coletado por Esdras se mostraram geneticamente idênticas entre si. - comentou ela. - Mas ainda não consigo saber se são clones uma das outras ou parte de um único organismo. Mas certamente é uma estrutura muito mais complexa do que imaginávamos..

No canto oposto da mesa, Esdras massageou a mandíbula. Lira esboçou um sorriso. A geneticista continuou, indiferente.

- Quanto a estrutura genética, as bases nitrogenadas, bem, não são nitrogenadas. São, adivinhem, ancoradas em enxofre.  Isso torna todo o material genético mais estável e duradouro. - tocou na tela para mostrar a imagem de uma dupla hélice. - O mais importante, porém, foi a análise bioquímica da amostra. Essa coisa possui um DNA Hachimoji, ou seja, contém oito tipos de bases, e não apenas quatro como o nosso. Não é incomum, mas… - fez uma pausa e arqueou as sobrancelhas - Bem, acho que a Especialista Nadine, saberá explicar melhor o que isso significa.

Nadine olhou para Yumime surpresa. Ela não era do tipo de dar muitas explicações.

-Ur… claro… é algo como… -  começou ela, coçando a cabeça. - Bem, é algo sintético. Não existe nada natural que possua DNA Hachimoji, até onde eu saiba. É sempre sintético. O único exemplo, que eu me lembre agora, são as nossas bases de dados. Arquivamos todas nossas as informações digitais nele. Esse vídeo será transcrito em DNA Hachimoji, inclusive.

Lira pegou a deixa e completou o raciocínio.

- Ou seja, uma das hipóteses é a de que estamos no meio de uma base de dados gigantesca.

- Ora, francamente, "base de dados gigantesca"?- interveio Esdras.

Yumime continuou.

- Não. Gigantesca, não. Como eu disse, são todos clones. O material genético não é tão vasto quanto o que há em uma célula do nosso corpo. Mas certamente é um organismo que se esforça em se replicar, e evitar que essas informações se percam, por algum motivo.

- Não há motivos aqui, como não existe motivo num recife de coral. - insistiu Esdras.

O volume da conversa aumentou, com todos gesticulando e aventando uma ou outra hipótese.

- Mas se as hifas e a estrutura do monolito são clones ou até mesmo um único ser… - disse Obasi - …  o que dizer da relva azul?

- Bem lembrado. - com um toque na tela, Yumime mostrou um detalhe na dupla hélice. - O DNA da festuca azul é simples, quatro bases, como o nosso. Mas é baseado em enxofre como os outros. Ele é, molecularmente falando, mais antigo que os outros dois. Porém, no rastreio genômico, encontramos sequências inteira do material genético da relva nativa espalhadas no DNA Hachimoji das hifas e do monolito.

Esdras se levantou e bateu com as palmas das mãos na mesa, sonoramente, interrompendo o raciocínio.

- Colegas! - bradou ele. - Tudo isso é muito interessante, muito científico, claro, mas precisamos chegar ao fundo da questão aqui.  Viemos para esse planeta em busca de recursos para a Intrepidus. Pois bem, encontramos. Temos enxofre. Os relatórios indicam que há paládio em quantidade exorbitante no centro da cratera. Cada uma dessas estruturas possui toneladas de ouro dentro de si. E agora, o que vocês querem fazer? Hã? Deixar tudo para essa coisa?

Lira também se levantou.

- E o que você sugere, Esdras? Não podemos atropelar as regras. - disse ela. - A avaliação de inteligência não é simples como dinamitar rochas. A estrutura possui conexões nervosas, comunica-se entre si, está crescendo e… 

- E o quê mais? - Esdras olhou diretamente para um das câmeras e então novamente para a psiquiatra. - Você realmente quer esperar, então. Para quê? Classificar essa coisa como vida inteligente. Apenas para encaixar na merda da equação de Drake?

A enxaqueca de Nadine voltou, violenta. Suas orelhas estavam vermelhas.

- Não, Esdras. Nitidamente, essa coisa tem um propósito que, se ainda não podemos compreender qual é … - disse se aproximando do geólogo - … ao menos devemos esperar até que tenhamos definido se ela se encaixa na fração de inteligência da "merda" da equação. 

Esdras ficou cara a cara com ela e lhe apontou o dedo no meio do rosto.

- Sabe o que eu acho? Yudo é uma questão de vaidade sua, Lira. Você quer pôr o seu nome nessa espécie. Melhor! O seu sobrenome! Aí você pode provar para "alguém" o quanto você é competente e o como deve ser aceita de vol… - um soco no canto da mandíbula o fez parar.

Lira lhe acertara um cruzado de direita. Esdras cuspiu sangue. Colocou a mão na boca e então jogou um dente cariado sobre o tampo iluminado da mesa. 

O geólogo apoiou-se na mesa com os braços estendidos e então balançou a cabeça.

- Faça como quiser, doutora. De qualquer forma, parto amanhã. - cuspiu sangue de novo. - Ficou feliz de não ter a responsabilidade de reportar ao Capitão Ellias Synclair que estamos condenando a Intrepidus a sabe lá quantos meses mais de provações. É melhor que seja sua própria filha que o diga. - disse, deixando a sala em seguida. 

Em volta da mesa, todos permaneceram em silêncio por alguns instantes. Então, Franco arriscou.

- Bem, acho que isso encerra os relatórios, de certa forma. - disse ele.

Aos poucos, os membros foram se retirando até que sobrasse apenas uma Lira pensativa e um dente ensanguentado sobre a mesa. Ela se sentou, olhou uma última vez para a câmera e colocou as mãos sobre o rosto.

- Fim do vídeo-relatório. - disse ela.


***

A neve amarelada recobria boa parte do chão de nácar da estrutura, tornando-o ainda mais escorregadio. Lira andava com cuidado, segurando se ao corrimão de cordas metálicas instalado. Atrás dela vinham Franco e Obasi. Era uma queda de vinte metros até chegar no emaranhado de hifas alaranjadas.

A base estava agora há apenas dois quilômetros de distância, e o grupo já podia ver o topo dos habitats geodésicos pintados pela geada sulfúrica despontando na clareira, no ponto em que a estrutura se dobrava como uma mão francesa e avançava até o centro da cratera.

A psiquiatra parou por um momento e olhou para trás. Ao longe, há mais de cem quilômetros, no centro da cratera, era possível ver o resultado da junção dos três corredores escarlates, após mais de dois meses de espera: uma enorme torre, com inúmeras espículas em toda sua extensão, atingindo a cerca de cem metros de altura e apontado para o sul com uma inclinação sútil.

Franco e Obasi perceberam a direção do olhar de Lira e pararam também para contemplar.

- Ás vezes eu me perguntou se não é tudo culpa nossa. - ponderou Lira. - Se não fomos nós que demos início a todo esse processo, de alguma forma.

Há semanas que não faziam progresso algum, e o inverno sulfúrico só piorava.

- É monumental. - disse o engenheiro. - Parece com uma…

- Uma flor, não é? - emendou Franco. - Hibiscus rosa-sinensis, com três hastes e um grande pistilo.

- Pfff… - desdenhou Obasi. - Não, seu idiota. Uma… - parou ao barulho da estática dentro do capacete de seu traje.

A voz de Yumime soa apressada no intercomunicador de todos.

Atenção, Equipe Externa. Preciso de vocês aqui, tivemos um problema com o pressurizador de habitats. Sei que a caminhada foi longa mas preciso que se apressem!

Os três apertaram o passo o máximo que podiam, sem que caíssem do corredor. Ao final da descida de rapel, na base do monolito, Yumime já os aguardava, lança-chamas em punho. 

- Não aguento mais essas malditas hifas. Entraram novamente na tubulação externa. - disse. - Dessa vez bloquearam os dutos de pressurização. Preciso de ajuda para queimá-las e depois remontar o sistema de bombas. 

O processo começou lentamente e se estendeu até o primeiro pôr do sol, mesmo assim, apenas para queimar e limpar os debris. Quando o segundo sol se pôs, o comunicador de Franco emitiu um alarme.  Ele parou, estralando as costas.

-Certo! Está muito divertido, mas…  eu preciso trocar meus espécimes de incubadora. Encontro vocês mais tarde no refeitório. - e partiu apressado para dentro.

Os outros continuaram. Obasi teve que se espremer para entrar no local que precisava de reparos, com Yumime lhe alcançando as ferramentas. Vendo que já não tinha muito em que ajudar, Lira  também se retirou depois de um tempo.

- Preciso contactar Nadine via intercomunicador. - avisou.

A especialista em comunicações  já estava há oito semanas fora e, como a base oceânica era móvel, as tentativas de se comunicar com ela passavam por um processo longo e tedioso de encontrar a frequência correta.

Lira se sentou sozinha no refeitório, fez um café e começou a mexer no botão de frequência do comunicador. Passou pelas bandas de alta frequência. 

- Base Avançada para Base oceânica, Especialista Nadine, Q-A-P. - tentou ela.

Apenas estática. Passou por várias bandas de frequência até que captou uma voz que não era a de Nadine. Mas soava familiar.

- … além do mais, Franco…  Isso não importa nada, a equação de Drake, qualquer um dos fatores… não importa. - mesmo com a estática, a voz de Esdras era inconfundível. -  Essa desculpa de que …. padrões geométricos demonstram vida inteligente…. quanta merda! Como se um floco de neve não fosse geometricamente perfeito…  e, mesmo assim, não saímos de qualquer planeta só porque tem neve, não é verdade?

Franco respondeu algo que Lira não conseguiu discernir.

- Sim, agora é a hora! A estrutura está inerte há mais de 48 horas. Obassi e Yumime me mandaram os relatórios. Espalhe os espécimes mutados na vala de escavação do monolito. Eu estarei aí em algumas horas.

Lira sentiu o chão sumir sob seus pés. Por alguns momentos ficou paralisada, pensando na implicações da conversa e na magnitude do que estava para acontecer.

Recobrou as forças e saiu correndo em direção a sala de comando central. Precisava mandar uma mensagem para Intrepidus antes que fosse tarde demais. Ao passar por um dos laboratórios, porém, esbarrou com Franco, que já vestindo o traje externo, carregava um grande pulverizador. Os dois caíram no chão. Lira tentou se desvencilhar dele e saiu correndo pelo corredor.

Franco entendeu de imediato o que estava acontecendo e foi atrás dela.

-Lira, espere! - gritou.

Mas ela já havia entrado na sala de conferência e trancado a fechadura eletrônica. Procurou pelo sistema de comunicação entre as diversas telas, mas sem Nadine, era quase impossível. Girou freneticamente seu intercomunicador, procurando pela única que acreditava não a ter traído.

-Q-A-P! Base Avançada para Base oceânica! Especialista Nadine! Q-A-P! - solicitava e, enquanto passava pelas bandas de frequência, escutava toda a confusão que agora tomava os membros da equipe.

Finalmente, ela conseguiu acessar o menu de mensagem emergencial para Betelgeuse, o meio mais rápido de contato com a Intrepidus, mas que consumia muito recurso. Apertou o botão correspondente para iniciar a mensagem. Mas nada aconteceu. Procurou pela solução na mesa de controle por alguns instantes. Foi então que percebeu.

Saindo discretamente de um dos cantos do painel cromado, uma hifa brotava solitária. Ela forçou a brecha e retirou a tampa com força. As hifas tinham invadido o computador da central de comunicação. Podia ver as conexões entre os fios e os dendritos da estrutura. Sem esperança, acionou um último comando.

Então, a base toda começou a tremer. Pela janela blindada, Lira podia ver o monolito voltar a pulsar vibrantemente, emitindo uma coloração escarlate mais ofuscante do que nunca, e irradiando um calor tão intenso que ela, mesmo dentro do habitat, podia sentir.

Um baque surdo ecoou, com a estrutura parando de vibrar.  Ondas de energia vindo de cada um dos monolitos percorreram as três hastes até a torre central, concentrando seu brilho. Um feixe de energia foi então disparado em direção ao espaço.

 O fenômeno se repetiu por três vezes. 

Depois, a monumental torre central colapsou sobre si, levantando uma nuvem de poeira alaranjada que percorreu todo o raio da cratera.


***

Quando a nave pousou na clareira da base avançada, Esdras foi o primeiro a descer.  Com uma bandagem ensanguentada no rosto e ainda sujo dos debris que o colapso da estrutura causara, ele rumou diretamente para a entrada do habitat, onde Franco o aguardava.

- Onde ela está? - perguntou.

- Trancada na sala de comunicação. - respondeu o biólogo. - Está lá há quase três horas. Travou a porta e não aceita conversar com ninguém a não ser Nadine ou Cloa.

Esdras se dirigiu até lá, deixando Franco na entrada. Encontrou-se com Obasi e Yumime em frente a sala de comunicação. 

Lira estava atrás da mesa, segurando um pé-de-cabra, o único recurso para defesa que tinha encontrado. Seu olhar parecia vidrado. Esdras bateu na parte de vidro da porta e fez um sinal para que ela acionasse seu intercomunicador. Devagar, ela sintonizou até encontrar a frequência correta.

- Que merda toda foi essa? - esbravejou ele. - Você já foi longe demais com tudo isso, doutora Lira.

A voz dele foi como um tapa no rosto de Lira.

- Eu fui longe demais? - ela começou a gritar. - Não acha que eu escutei o seu discurso? Você traiu a sua própria missão, gerou um motim contra mim e eu é que fui longe demais!? Mas valeu a pena, não foi? Você conseguiu o que queria. - apontou com o pé-de-cabra para a janela. - Você destruiu a estrutura e qualquer chance de acharmos vida inteligente!

Esdras pareceu ficar confuso. Abafou o intercomunicador e falou por alguns instantes com Yumime e Obasi. Em seguida, retomou.

- Espere um pouco. Eu não destruí nada. Não sei como isso lhe ajuda mas foi depois que você entrou na sala de comunicação é que a coisa toda explodiu e caiu na minha cabeça.- disse, apontando para o próprio rosto ensanguentado.

- Ainda vai tentar me acusar? - disse, incrédula. - Você mesmo disse para Franco, eu ouvi o complô todo! 

- Ei, ninguém tinha feito nada ainda. Isso até você, sei lá como, por tudo pelos ares. 

Lira riu alto.

- Ok, fui eu, você me pegou. - riu de novo - Então porque o computador central está cheio de hifas? Como você explica isso?

Foi a vez de Esdras demonstrar surpresa.

- Espere... o quê?

- Ora, cale a boca. Você acha que pode me enganar? Se não foi você que planejou tudo isso, então quem foi?

Lira mal tinha terminado de falar e ouviu-se um barulho grave e ensurdecedor vindo de fora. As luzes se apagaram e todas as portas da base foram destrancadas. Um brilho avermelhado intenso invadiu a sala. Ao longe podia-se ver novamente um raio de energia vermelha cortando o céu em direção ao espaço.

Esdras mudou a frequência do comunicador rapidamente

- Q-A-P, Franco. O que diabos foi isso? 

- Outro pulso de energia, Esdras. Mas não está sendo emitido de Aroan V desta vez. A torre central colapsou. Agora estamos recebendo o sinal.

- Recebendo?! Mas o que…

Um novo estrondo retumbou pela cratera no momento que o raio cessou.  

Todas as telas na base se ligaram novamente.  

Mas dessa vez, apareceram em um tom avermelhado e pulsante, como o do monolito. Os gráficos e diagramas reapareceram com as dimensões distorcidas,  falhando e piscando nas telas. Símbolos brancos, baseados em combinações de pequenos triângulos, corriam freneticamente em linhas da esquerda para a direita. 

Lira se aproximou da tela central, olhando para imagem boquiaberta. Os outros tripulantes a acompanharam com a mesma expressão.

No enorme  gráfico que representava a porção N805B de Arb 87, vários triângulos vermelhos começaram a surgir pela galáxia

Após alguns instantes de contemplaçao, Lira deu uma risada histérica.

- Estávamos enganados, Esdras! Eu e você! - disse ela, ainda olhando para cima, estupefata. - Estivemos lidando o tempo todo com o fator errado. Não estávamos lidando só com o fator de vida inteligente.. - ela então se virou para o geólogo. - Estamos lidando com o fator de vida inteligente que quer se comunicar. 

A tela piscou e uma imagem detalhada do braço da galáxia em que o sistema solar de Aroan V se encontrava apareceu. Em um sistema próximo, um triângulo apareceu e, lentamente, uma trajetória orbital foi traçada entre os dois. O triângulo começou a piscar.

-Não é possível... - disse Esdras.

- Mas é… - respondeu Lira. - Estão vindo para cá.


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