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Cada hora, minuto e segundo deve ser considerado, ainda mais quando se sabe que a morte está a espreita e logo virá buscá-lo.

P.H. Martinez
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Fazendo cada Segundo Contar
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Não sei se enxergar o futuro é uma benção ou maldição.

Mas, enquanto não me causar problemas, vou considerar como a primeira alternativa.

Mesmo após décadas, ainda consigo lembrar com clareza o momento que deixei de ser apenas um ser no tempo presente. Estava no carro com minha namorada da época, Cinthia. Ela gritava comigo por nunca estar presente, por não me esforçar o bastante para concluir minha graduação no final do semestre, por isso estava ficando para trás em relação a todos.

E então…

O restante daquele maldito ano espalhou-se por minha mente como tinta em paredes. Vi meus amigos e namorada concluírem suas graduações. Menos de dois meses depois, todos seriam aceitos em empregos excelentes e com gordos salários, assim como se mudariam para outras metrópoles, longe dos apartamentos divididos com outros estudantes. Todos viveriam bem, satisfeitos com os frutos que colheram na época de estudante.

E eu assistiria tudo acontecer de longe.

Voltei a mim com Cinthia irritada no banco do passageiro, lágrimas em seus olhos castanhos. Não fiquei assustado com o que vi em meu futuro, continuei com as mãos no volante, preocupado com o trânsito. Por mais que fosse — pelo menos em primeiro momento achei que fosse — uma alucinação, era óbvio que não tardaria a tornar-se realidade; afinal, nada que fazia era o bastante. Eu não parecia estar destinado ao sucesso, como meus amigos. Inquieto quanto meu futuro, foquei apenas em dirigir.

Estacionei em frente à república de estudante e Cinthia desceu, mas não sem antes terminar tudo entre nós. Não encontrei motivos para contestar ou chorar, nunca daríamos certo. Acelerei para longe dela e de um de meus possíveis futuros, embora levasse seus conselhos furiosos comigo desde então; precisava me esforçar mais se quisesse me tornar alguém.

Sozinho em uma rodovia quase engarrafada, fui atingido por outro flash. Nele, eu consegui me formar com todos os meus amigos, presentes nas fotos e festa de formatura. Quase dirigi o carro para as muretas de proteção do viaduto, mas freei a tempo.

Com o carro no ponto morto, tudo fez sentido.

Eu estava alterando meu futuro conforme vivia.

Fui atingido por uma onda de otimismo. Então era possível alterar meu futuro e construir minha vida a forma que desejava. Dei partida no carro outra vez e dirigi de volta para casa. Quieto em minha cama na república, resolvi abraçar a chance que brotou em minha frente.

Anos e décadas passaram. Me formei e fui aceito em um dos melhores empregos para alguém de minha idade. Aprendi a controlar meus poderes; decido quando terei flashes do futuro — foco em apenas um tempo verbal por vez —, embora não consiga enxergar mais que um ano à frente. É como se minha mente não processasse tantas informações ao mesmo tempo.

Desde então, não saio de casa sem ao menos dar uma olhadela entre os instantes por vir, dessa forma meus dias saem sempre de acordo com meus planos. É como vício em drogas ou jogos; sempre que preciso — ou sinto que preciso —, enxergo alguns instantes no futuro, destrinchando as camadas das possibilidades. Quando não o faço, é como se não agisse da maneira correta, como se contasse apenas com a sorte.

E sei que sorte não existe.

Tudo que aconteceu é consequência de algo anterior. E assim sucessivamente.

Paro em frente à porta de meu apartamento. Como vira enquanto escovava os dentes, o elevador está esperando no final do corredor. Descerei os cento e vinte andares e sairei na recepção, onde meu motorista particular está à espera. Era de se esperar que usasse meus poderes para ganho próprio — sou humano, afinal —, mas nunca exagerei. Consigo imaginar que mexer com o tempo cause consequências demais e não as quero em minha vida. Por isso, quando o assunto são negócios, altero o mínimo possível para reduzir danos a terceiros.

Giro a chave dentro da maçaneta. Como sempre antes de sair para trabalhar, espio mais no futuro para memorizar como será meu dia. Terei duas reuniões importantes com presidentes de empresas multinacionais e firmarei contratos com ambas, assim como uma videochamada com minha ex-mulher; ela dirá que não visito minha filha em dois meses, mesmo morando na mesma cidade. Explicarei que ando ocupado demais, mesmo sendo mentira. Uma da tarde, descerei do escritório para almoçar no restaurante do outro lado da rua.

E…

Tudo fica escuro assim que atravesso a rua.

Não, está errado. Pisquei enquanto enxergava o futuro. De novo. Reuniões. Contratos. Chamada. Não visito minha filha. Hora do almoço. Atravesso a rua.

E tudo fica escuro outra vez.

A chave escorrega pelos meus dedos. Minhas mãos tremem, não consigo pará-las. Encosto minha testa na porta. Encarando o chão, não consigo evitar de sorrir. Mesmo que os limite de minhas habilidades seja de um ano, não enxergo mais que poucas horas no futuro.

Meu destino chegou.

Houveram situações que não pude remediar — embora muito poucas. Talvez eu possa circundar minha morte, faltar o trabalho ou ficar em casa, remarcar as reuniões para outro dia, mas não tenho como saber quais consequências isso trará. Escolho não arriscar. Não sei como afetarei os que ficarem no mundo dos vivos e não quero que os próximos a mim sofram. Além do mais, vivi demais — e bem demais. Melhor que tudo termine agora, conforme decidi; odiaria morrer em uma cama de hospital, conectado em milhares de máquinas intrusivas.

Abro a porta. Respiro fundo, sinto as roupas ao redor de meu corpo. O elevador está aberto no final do corredor. Entro; sozinho, sinto o chão descer. Em breve estarei em meu carro e mais perto do fim de meus segundos.

Sorrio.

Embora minha vida esteja perto de acabar, não sinto medo. Pela primeira vez em décadas, sinto-me livre. É como se um peso gigantesco tivesse saído de minhas costas. Não preciso enxergar através do tempo para saber como tudo será. Agora, tenho apenas que viver.

Nas poucas horas que restam, vou fazer cada segundo contar.

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