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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Caos estava teclando em seu computador quando a campainha da casa tocou pela primeira vez. Havia maiores probabilidades de ser Tecno, seu melhor amigo, do que qualquer outra pessoa.

Mas, naquele momento, Caos estava conectado. Havia uma última coisa a fazer e a campainha tocou mais uma vez. Dessa vez, o som foi um pouco destoado e ele ficou alerta. Enviou suas últimas mensagens, fechou o programa e se levantou de sua cadeira.

O corpo parecia haver colado onde estava sentado, de tanto tempo que ficou na frente daquele dispositivo de acesso à rede.

Quanto tempo? ― Se perguntou. ― Quase o dia inteiro?

Se espreguiçou e esperou a campainha tocar pela terceira vez. Tecno era ansioso e um pouco metódico. Os intervalos de suas ações eram métricos. Caos conseguia contar exatamente os segundos…

A campainha tocou no exato momento que esperava, como um relógio. Havia tocado três vezes. Cada toque ressoou pela casa em um tom diferente.

Isso sim é incomum. As coisas andam estranhas por aqui.

Caos foi até a porta, a abriu e Tecno sorriu. O sorriso dele era o de um dia de sol, mas havia apenas neblina lá fora.

Neblina em um dia quente?  

Ambos se abraçaram e Tecno entrou. Andaram até a cozinha sem dizer uma palavra. Era praxe Caos servir café para Tecno. Isso acontecia quase que de uma maneira programática. Andaram um atrás do outro, Tecno se sentou e Caos serviu o café.

Sempre havia café na casa de Caos. Ele serviu ao amigo e o líquido viscoso saiu de sua cafeteira. Parecia óleo, negro como petróleo. Somente depois do primeiro gole que deram ao mesmo tempo, é que começavam a conversar.

Caos estava ansioso para contar a novidade.

― Você não parece bem― disse Tecno, pondo a xícara sobre a mesa. O estalo foi seco e entrou nos ouvidos de Caos o fazendo tremer.― Olhe para você: pálido e seco. Tem se alimentado?

Caos ignorou a observação.

― Sim, tenho comido somente o necessário.

― Está em apuros? Posso lhe ajudar?

― Não, está tudo bem. Só tenho otimizado meu tempo para outras coisas.

A arte de otimizar. Quando alguém chegava nesse ponto, a vida mudava. As tarefas ficavam tão otimizadas que não havia tempo para imprevistos. As tarefas precisavam ser executadas com precisão. Podia dormir um tempo exato e a alimentação tomava apenas o tempo que poderia tomar.

Caos havia chegado nesse ponto. Por isso, Tecno sentia tanto sua falta. Nunca mais saíram para seus jogos eletrônicos, disputas de matemática e concursos de algoritmos. Agora, as tarefas estavam em estado ótimo.

― Tecno...― disse Caos, desviando do assunto.― Tenho algo pra lhe mostrar.

Tecno respirou fundo. Havia percebido a mudança de comportamento em Caos. Ele não queria falar sobre sua situação. Tecno se preocupava demais. Ambos largaram a xícara na mesa e foram para o quarto.

Caos se sentou em frente ao seu dispositivo de acesso à rede e Tecno esperou ao seu lado, em uma distância suficiente para poder observar. A imagem de uma mulher surgiu na tela.

― Olhe isso, Tecno.― disse Caos, em êxtase.― Não é bela?

― Quem é ela?― perguntou Tecno, sem emoções.

― Ela se apresenta como Ded, ainda não trocamos nossos nomes de verdade.

― E você está apaixonado por ela?

― Sim, Tecno! Ela é linda! Veja seus olhos, olhe sua boca, olhe seus cabelos. O formato do seu corpo. Tão belo, sinuoso. Estamos conversando há algum tempo. Logo que ela se sentir mais à vontade, vou sugerir que nos encontremos.

O silêncio reinou no recinto. O tic-tac de um relógio ecoava no quarto. O vento soprou na janela, parecendo um ventilador gigante. A televisão de um vizinho disparou sons de tiros, que mais pareciam um grande curto circuito.

― Você tem certeza, Caos? Pode ser perigoso encontrar alguém que se conhece pela rede.

― Que perigo pode haver, Tecno? Nos encontraremos em público.

― Há outros perigos. Ela pode não ser como você imagina.

― Não me importo. Só me importo com a pessoa que ela é.

― Caos!― Tecno parecia um pouco irritado.― Não estou falando disso. Mesmo que a foto minta um pouco sobre a aparência, estou querendo dizer que ela pode ser um homem, um assassino, ou um assaltante disfarçado, tentando tirar algo de você.

― Não creio nisso, Tecno. Ela se parece muito com uma mulher... em seu comportamento.

― Ainda assim, você acha que um criminoso não estaria preparado para isso? Ele pode ter anos de experiência.

― Cale sua boca, Tecno!

Caos estava irritado agora e Tecno mantinha seu semblante agressivo. Um mandar o outro calar a boca era o ápice das discussões.

― Meu papel é pôr juízo em sua cabeça, Caos. Aparentemente, não estou conseguindo. Minhas palavras têm o objetivo de apenas lhe orientar, de mostrar o outro lado dos fatos. Talvez, você não tenha solução mesmo.

― Cale sua boca!― Caos estava tão nervoso que sentiu o refluxo em seu peito e o gosto de café oleoso em sua boca.― Saia da minha casa agora.

Decepcionado, Tecno saiu do quarto e, então da casa. Mudo, sem dizer uma palavra sequer.

Caos andou até a janela e observou Tecno sair e desaparecer na rua. A neblina estava tão espessa que a silhueta dele foi, aos poucos, engolida pelas brumas.

O vento forte bateu na janela e a chuva despencou do céu, com gotas tão grossas que os pingos logo molharam toda a janela, bloqueando ainda mais a visão do lado de fora.

Três relâmpagos iluminaram a rua e, agora, Caos se sentia constrangido por haver expulsado o amigo. Tecno se molharia, ou até…

Caos tirou o pensamento ruim da mente indo até seu dispositivo de acesso à rede. Primeiro, procurou uma música para abafar o som dos trovões e da água batendo na janela. Depois, entrou na opção “Pessoas” e clicou sobre o nome de Ded.

― Oi― digitou, rapidamente.― Ainda está aí?

― Estou :)― respondeu Ded, instantaneamente.― Tenho coisas importantes para fazer no computador.

― Que bom. Me senti um pouco sozinho agora. Briguei com meu amigo. Podemos conversar?

― Sim, hehe― respondeu ela. Era tão prestativa que fez o peito de Caos inflar em chamas.― O que aconteceu com seu amigo?

― Eu falei de você pra ele. Ele ficou bravo. Não gostou de estarmos conversando. Agora está chovendo. Uma tempestade.

― E qual o problema em conversarmos? A chuva o entristece?

― Não… não sei. Não sei o que dizer da chuva. Meu amigo está lá fora, andando na chuva. Indo para casa.

― Fale com ele mais tarde. Peça desculpas.

― Tenho medo de falar com ele. E se ele quiser me convencer a me distanciar de você?

― Nossa! Ele deve me achar um monstro para estar fazendo isso.

Caos pensou em contar mais, mas não queria dizer as coisas que Tecno havia dito sobre ela.

― Não! Você não é um monstro. É muito bela. A mulher mais bela que já vi.

― Ah! Que querido, mas você só viu uma foto minha. Quando me vir ao vivo, vai me achar feia.

― Jamais acontecerá. Com o que eu sinto por você, jamais a acharei feia.

― Hehe― a resposta foi um riso vago. Ela não gostou?

― Ded, estou apaixonado por você. Preciso conhece- la. Tocá-la…

DED ficou OFFLINE

Caos olhou espantado para a tela. O que está acontecendo?

A música parou e o som da tempestade tomou conta. O trovão ecoou dissonante, como uma viola desafinada. A chuva parou e o céu ficou negro. Correu até a janela e viu as brumas desaparecerem. As gotas cessaram. Não havia nuvem, não havia nada.

As casas dos vizinhos começaram a ficar sem luz e, aos poucos, iam desabando. Depois da fumaça, onde ficavam os entulhos, não havia nada. A poeira desapareceu e a escuridão tomou conta.

Caos sentiu o evento tomar conta de sua casa. O choque foi como um terremoto. As paredes começaram a tremer. Os vidros se estilhaçaram e evaporaram, como se fossem gelo em contato direto com o fogo de uma fornalha. O teto começou a ruir. Logo, não conseguiu mais andar, pois o chão começou a desaparecer. Sob o solo, um grande vão negro se abriu e lá ele caiu.

Em um último movimento, Caos tentou chegar ao seu dispositivo de acesso à rede, que despencou na rachadura junto dele. Ele queria enviar uma mensagem final para Ded. Mesmo offline, ela receberia essa mensagem. Mas, a mensagem em sua tela era clara:

VOCÊ FOI DESCONECTADO

A moça de cabelos loiros tirou a tiara, lentamente, de sua cabeça. Seu coração estava aflito. Sentia medo.

Quando os conectores da tiara desgrudaram de suas sinapses artificiais, ela a largou sobre o teclado e suspirou.

― O que foi, Débora?― perguntou a moça deitada sobre a cama.― Algum problema?

― Essas máquinas, Danielle.― respondeu, com a voz tremendo.― Essa Inteligência Artificial me assusta.

― Você deletou a sua simulação?

― Sim.― respondeu, ríspida. Levantou de sua cadeira e vestiu uma roupa adequada.― Vou dar um passeio.

Quando estava saindo, passou pelo seu computador e o bloqueou. Na tela, ficou uma última mensagem:

Débora e Danielle

DED

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