Corra Mary, corra!

Cyberpunk
Junho de 2019
Começou, agora termina queride!

Rafael Danesin

Autor
Autora
Organizador
Organizadora
Autor e Organizador
Autora e Organizadora
Editor
Editora
Ilustrador
Ilustradora
Acredito que sempre que acreditamos em nós mesmos, podemos alçar voos inimagináveis.

Conquista Literária
Conto publicado em
Circuitos de Fadas

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Você já se sentiu preso em um looping? Já sentiu como se você estivesse em um quebra-cabeça onde as peças não se encaixam? E se, depois de tudo isso, você perceber que o gatilho de tudo isto, é você mesmo?

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Corra Mary, corra!
0:00
0:00

O lobo está faminto

Ele comanda o show

Ele esta lambendo seus lábios

Está pronto para ganhar

(Scorpions – Rock You like a Hurricane)


Em meio à floresta densa, Mary andava sobre a neve. As copas das árvores se adensavam sobre ela, tecendo um manto negro sob o céu noturno. Contra o vento frio que corria por entre os troncos dos Cedros e pinheiros, ela vestia apenas um manto escarlate, com um capuz cobrindo-lhe a cabeça. Sentia os pés pequenos e delicados enfiando-se na neve que cobria o chão. Nas mãos, levava apenas uma cesta com um conteúdo que ela desconhecia. Foi quando ela parou, olhou ao seu redor, e perguntou-se:

O que estou fazendo aqui?

Ela lutava contra suas memórias para recordar como havia chegado até ali, e qual o propósito de estar naquele lugar, mas não conseguia. Uma voz pronunciou-se, mas ela não pode deduzir de onde ela vinha.

Continue andando. Restam apenas 10 minutos...

- Quem é você? Onde estou? - ela gritou, tentando argumentar.

Por um momento, a única resposta que ela obteve foi uma lufada de ar gelado que certamente era demais para seu agasalho.

Mas enfim, a voz monocórdica respondeu:

O Lobo está vindo. Corra.

- Lobo...?

Um rosnado selvagem irrompeu do meio da mata, e um lobo de três metros de altura surgiu. Mary sentiu o mais profundo horror em sua alma e enfim correu, o mais depressa que podia, apesar da neve retardar seus movimentos. Quase podia sentir o hálito quente do lobo atrás de si, cada vez mais próximo. Os galhos arranhavam sua pele, e queria jogar a cesta fora, mas sentia que não lhe era permitido. Enfim, o lobo a alcançou, derrubando-a ao chão. Ela sentiu suas garras cravando-se fundo na pele e gritou, sabendo que aquele seria seu fim.As gotas de saliva despencavam sobre sua face, e mandíbulas com fileiras de dentes abriram-se sobre si, e a fera deu o golpe final, rasgando-lhe a garganta.


Mary acordou gritando, ainda com a sensação mortal de sua carne sendo rasgada. Levou algum tempo até ela perceber que estava numa sala cinza com paredes de metal, e ela estava presa a um aparelho cheio de fios, e notou que não podia se mover. Novamente, tentou argumentar.

- O que está havendo aqui?

A voz respondeu:

Você falhou em sua missão. A simulação foi cancelada.

.Quem é você? Me solte!

Você será liberada apenas se cumprir seu objetivo - disse a voz.

- Q-Que objetivo seria esse?

Cabe a você descobrir.

REINICIANDO SIMULAÇÃO...

- Não! Por favor, espera! - ela suplicou, mas era tarde demais.

E lá estava ela, mais uma vez de volta à floresta,  em meio ao frio.

- Ei! Você está aí? O que eu devo fazer? - ela perguntou. A voz limitou-se a responder:

Você deve alcançar seu objetivo. Restam apenas 15 minutos.

Mary tentou algo diferente. Correu para o lado, até a neve tornar-se menos densa. Agora poderia se mover mais rapidamente. Contudo, quando estava prestes a correr novamente, notou que à sua frente havia um abismo enorme. Ao dar meia-volta, viu a silhueta do lobo saltando sobre ela, já com a boca aberta prestes a devorá-la.

- Merda.

O animal a agarrou em pleno ar, esmigalhando suas costelas. Ambos caíram no abismo.

Uma vez mais, estava de volta à sua prisão metálica, com os pulmões arfando o ar devido ao trauma de uma segunda morte.

- Vou tentar um outro meio...

Novamente na simulação, desta vez ela correu para a esquerda, ao invés da direita. A vegetação prosseguia até um riacho congelado. Lentamente, pisando cuidadosamente no gelo fino, tentava chegar à outra margem. Estava aproximadamente na metade do rio quando ouviu o ruído familiar que o lobo fazia quando corria.

- Ele não pode me alcançar! Não aqui. O gelo não vai agüentar seu peso.

Ela estava certa. O lobo saltou sobre o rio, e a fina camada imediatamente quebrou sob si, e a fera afundou. Contudo, o gelo continuou se quebrando. Mary tentou correr, mas o chão sob seus pés cedeu, e de repente ela estava envolta na água impiedosamente fria, congelando lentamente seus órgãos, veias em um processo doloroso e lento. Teria sido melhor morrer nas presas da fera, pelo menos era uma morte mais rápida.

E Mary prosseguiu, pelo menos dez vezes, cada uma delas fracassando. A neve, as árvores, até mesmo uma armadilha para ursos que prendeu seu pé, e todas as vezes acabou morta pelo lobo.

Foi então que decidiu mudar de tática.

O lobo está vindo. Corra! - disse a voz.

- Cansei de fugir!

Ela sabia exatamente o que fazer. Correndo a noroeste, tomou cuidado para contornar o local marcado. Escondeu-se atrás de uma árvore, sabendo que o lobo a encontraria pelo cheiro. De repente, avistou a fera, ao longe.

- Venha me pegar, seu filho da mãe!

A visão apurada do lobo imediatamente avistou sua presa, e correu ao seu encontro. E aconteceu exatamente o que ela previa. Faltando apenas alguns metros para alcançá-la, o lobo foi pego na armadilha. Por alguns momentos, ela se conteve, saboreando a visão do monstro contorcendo-se e guinchando de dor, e sentiu-se vingada. Porém, faltava o golpe final. Quebrando um galho grande e afiado de pinheiro, ela aproximou-se da fera moribunda e cravou a estaca  improvisada bem fundo no crânio do animal.

- Agora você sabe como me sinto, desgraçado!!!

Ela ainda estava distraída comemorando quando a voz disse:

Tempo encerrado. A simulação foi cancelada.

- O quê?!?

Quando ela voltou a si, sentia a raiva fervendo no sangue.

- Tempo encerrado o caramba! Eu derrotei o lobo. Não era esse o objetivo?

Negativo.  Seu objetivo é chegar à cabana e entregar a cesta de doces para sua avó.

- Cabana? Avó?!?

De fato, ela se lembrava vagamente, mas havia visto uma cabana de relance, em uma das vezes em que estava em fuga.

- Preciso de mais tempo. Não dá pra matar o lobo e chegar à cabana!

A voz robótica respondeu:

15 minutos é o tempo máximo para testar a inteligência artificial...

- Como assim?

O objetivo deste experimento é testar a interface do novo jogo de realidade aumentada da Chrome Interative.

Então era isso. Ela estava ali como cobaia de um teste doentio para colocar à prova a capacidade da inteligência artificial do boss daquele game, o grande lobo mau. Após todas as tentativas que vivenciara, ela sabia muito bem as regras... Não podia correr bem para os lados, tampouco largar a cesta com os doces. Tudo que precisava fazer era chegar à cabana, e estaria livre.

Em meio à floresta densa, Mary andava sobre a neve, uma vez mais. Sentia seu coração palpitando no peito, e a adrenalina começando a correr em seu sangue. Aquela era sua prova de fogo. Era tudo ou nada.

15 minutos para o fim da simulação.

- Ok. Vamos acabar com isso.

Apanhando alguns galhos secos, ela começou esfregar madeira contra madeira, até enfim surgir a fumaça e também a combustão. Criou uma tocha e com ela começou a incendiar os troncos das árvores e a vegetação à sua volta. Em pouco tempo, a floresta estava em um princípio de incêndio, que certamente lhe daria cobertura para fugir. Ela começou a correr.

Ouviu o rosnado do lobo atrás de si, mesclado ao farfalhar das chamas que consumiam o cenário. Ao olhar para trás, viu a grande fera, com os pêlos em chamas, mas ainda em seu encalço.

- Maldito seja!

Seguindo pelo caminho que ela conhecia muito bem, saltava sobre a neve densa, a fim de andar mais rápido. O suor escorria-lhe pela testa, e o peso da cesta de doces retardava seu avanço. A cada respiração, o ar adensava-se à sua volta, enquanto aspirava o gás carbônico proveniente da queimada. Súbito, chegou ao local, e passou por ele correndo. Como da vez anterior, o lobo foi pego na armadilha de urso, mas ela não esperou para vê-lo morrer, apenas deu um último olhar enquanto a fera era consumida pelas chamas. Continuou adiante, com os olhos desesperados circundando o ambiente, até que ao longe avistou o que procurava: a cabana.

Cinco minutos para o fim da simulação.

- Cala essa boca! - ela disse, e correu como nunca antes, saltando galhos, pedras e arbustos. Ouvia as árvores tombarem atrás de si, devoradas pelo fogo que aumentava cada vez mais.

Três minutos.

Ela enfim chegou ao caminho de pedra que dava para a entrada do casebre de madeira. Com a floresta às suas costas, agora convertida em um inferno em chamas, ela batia desesperadamente na porta!

- Vovó! - ela disse - me deixe entrar!

Um minuto.

Ela caiu sobre a porta, sentindo o atrito da madeira áspera contra sua pele. Lágrimas começavam a cair de seus olhos, nascidas de uma alma frustrada. Aquela deveria ter sido a última vez. Mas ela sabia que era tarde.

No entanto, ela ouviu um ruído, e a porta se abriu com um clique. Uma voz bondosa e gentil de mulher disse:

- Entre, meu docinho. Está muito frio aí fora... Vamos, deixe-me ver o que você tem nessa cesta.

Ela enxugou as lágrimas e entrou.

Simulação concluída.

Ela estava de volta à sala de metal. As amarras se soltaram, e ela pode sair daquele estranho sarcófago cibernético. Uma porta se abriu ao fundo, e um homem de óculos entrou, com uma expressão de satisfação.

- Muito bem, Mary. Cumpriu seu objetivo com louvor - ele disse.

- Então quer dizer que estou livre? - ela disse - espere. Como sabe meu nome?

O homem deu um sorriso largo de orelha a orelha, e respondeu, em tom didático.

- Você ainda não compreendeu, não é?

- Não compreendi o que? Eu completei minha missão não foi? Agora me deixe ir!

- Fascinante - o homem disse – Venha comigo e eu lhe mostrarei a verdade.

- Encerrar experimento!

Lentamente, o ambiente à sua volta começou a se desvanecer, e tudo se revelou ser parte de uma realidade virtual. Quando todos os bytes haviam se dispersado, restava apenas Mary e o misterioso homem, em frente a um computador.

Ele começou a dizer:

- Este é o jogo “Corra, Mary, Corra!”. Nele, os jogadores devem fazer o papel da fera e caçar a menina com a capa vermelha.

- É mentira. Eu sou uma pessoa, não um programa...

- Para que o jogo fosse realista, a inteligência artificial teria que acreditar ser realmente uma garota de verdade, fugindo de um lobo de verdade. E funcionou. Estou realmente impressionado, Mary. Agora podemos começar os testes com versão beta do jogo.

- Não, você não pode fazer isso! Eu quero sair! Eu quero...

O homem de óculos deu um leve toque com o indicador no computador holográfico, e Mary desapareceu.

- Receio que terei que fazer alguns ajustes - o homem disse - mas creio que já possa fazer uma cópia e enviar para meus superiores. Este jogo vai ser um sucesso!


Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Você já se sentiu preso em um looping? Já sentiu como se você estivesse em um quebra-cabeça onde as peças não se encaixam? E se, depois de tudo isso, você perceber que o gatilho de tudo isto, é você mesmo?

Prólogo

Epílogo

Conto

O lobo está faminto

Ele comanda o show

Ele esta lambendo seus lábios

Está pronto para ganhar

(Scorpions – Rock You like a Hurricane)


Em meio à floresta densa, Mary andava sobre a neve. As copas das árvores se adensavam sobre ela, tecendo um manto negro sob o céu noturno. Contra o vento frio que corria por entre os troncos dos Cedros e pinheiros, ela vestia apenas um manto escarlate, com um capuz cobrindo-lhe a cabeça. Sentia os pés pequenos e delicados enfiando-se na neve que cobria o chão. Nas mãos, levava apenas uma cesta com um conteúdo que ela desconhecia. Foi quando ela parou, olhou ao seu redor, e perguntou-se:

O que estou fazendo aqui?

Ela lutava contra suas memórias para recordar como havia chegado até ali, e qual o propósito de estar naquele lugar, mas não conseguia. Uma voz pronunciou-se, mas ela não pode deduzir de onde ela vinha.

Continue andando. Restam apenas 10 minutos...

- Quem é você? Onde estou? - ela gritou, tentando argumentar.

Por um momento, a única resposta que ela obteve foi uma lufada de ar gelado que certamente era demais para seu agasalho.

Mas enfim, a voz monocórdica respondeu:

O Lobo está vindo. Corra.

- Lobo...?

Um rosnado selvagem irrompeu do meio da mata, e um lobo de três metros de altura surgiu. Mary sentiu o mais profundo horror em sua alma e enfim correu, o mais depressa que podia, apesar da neve retardar seus movimentos. Quase podia sentir o hálito quente do lobo atrás de si, cada vez mais próximo. Os galhos arranhavam sua pele, e queria jogar a cesta fora, mas sentia que não lhe era permitido. Enfim, o lobo a alcançou, derrubando-a ao chão. Ela sentiu suas garras cravando-se fundo na pele e gritou, sabendo que aquele seria seu fim.As gotas de saliva despencavam sobre sua face, e mandíbulas com fileiras de dentes abriram-se sobre si, e a fera deu o golpe final, rasgando-lhe a garganta.


Mary acordou gritando, ainda com a sensação mortal de sua carne sendo rasgada. Levou algum tempo até ela perceber que estava numa sala cinza com paredes de metal, e ela estava presa a um aparelho cheio de fios, e notou que não podia se mover. Novamente, tentou argumentar.

- O que está havendo aqui?

A voz respondeu:

Você falhou em sua missão. A simulação foi cancelada.

.Quem é você? Me solte!

Você será liberada apenas se cumprir seu objetivo - disse a voz.

- Q-Que objetivo seria esse?

Cabe a você descobrir.

REINICIANDO SIMULAÇÃO...

- Não! Por favor, espera! - ela suplicou, mas era tarde demais.

E lá estava ela, mais uma vez de volta à floresta,  em meio ao frio.

- Ei! Você está aí? O que eu devo fazer? - ela perguntou. A voz limitou-se a responder:

Você deve alcançar seu objetivo. Restam apenas 15 minutos.

Mary tentou algo diferente. Correu para o lado, até a neve tornar-se menos densa. Agora poderia se mover mais rapidamente. Contudo, quando estava prestes a correr novamente, notou que à sua frente havia um abismo enorme. Ao dar meia-volta, viu a silhueta do lobo saltando sobre ela, já com a boca aberta prestes a devorá-la.

- Merda.

O animal a agarrou em pleno ar, esmigalhando suas costelas. Ambos caíram no abismo.

Uma vez mais, estava de volta à sua prisão metálica, com os pulmões arfando o ar devido ao trauma de uma segunda morte.

- Vou tentar um outro meio...

Novamente na simulação, desta vez ela correu para a esquerda, ao invés da direita. A vegetação prosseguia até um riacho congelado. Lentamente, pisando cuidadosamente no gelo fino, tentava chegar à outra margem. Estava aproximadamente na metade do rio quando ouviu o ruído familiar que o lobo fazia quando corria.

- Ele não pode me alcançar! Não aqui. O gelo não vai agüentar seu peso.

Ela estava certa. O lobo saltou sobre o rio, e a fina camada imediatamente quebrou sob si, e a fera afundou. Contudo, o gelo continuou se quebrando. Mary tentou correr, mas o chão sob seus pés cedeu, e de repente ela estava envolta na água impiedosamente fria, congelando lentamente seus órgãos, veias em um processo doloroso e lento. Teria sido melhor morrer nas presas da fera, pelo menos era uma morte mais rápida.

E Mary prosseguiu, pelo menos dez vezes, cada uma delas fracassando. A neve, as árvores, até mesmo uma armadilha para ursos que prendeu seu pé, e todas as vezes acabou morta pelo lobo.

Foi então que decidiu mudar de tática.

O lobo está vindo. Corra! - disse a voz.

- Cansei de fugir!

Ela sabia exatamente o que fazer. Correndo a noroeste, tomou cuidado para contornar o local marcado. Escondeu-se atrás de uma árvore, sabendo que o lobo a encontraria pelo cheiro. De repente, avistou a fera, ao longe.

- Venha me pegar, seu filho da mãe!

A visão apurada do lobo imediatamente avistou sua presa, e correu ao seu encontro. E aconteceu exatamente o que ela previa. Faltando apenas alguns metros para alcançá-la, o lobo foi pego na armadilha. Por alguns momentos, ela se conteve, saboreando a visão do monstro contorcendo-se e guinchando de dor, e sentiu-se vingada. Porém, faltava o golpe final. Quebrando um galho grande e afiado de pinheiro, ela aproximou-se da fera moribunda e cravou a estaca  improvisada bem fundo no crânio do animal.

- Agora você sabe como me sinto, desgraçado!!!

Ela ainda estava distraída comemorando quando a voz disse:

Tempo encerrado. A simulação foi cancelada.

- O quê?!?

Quando ela voltou a si, sentia a raiva fervendo no sangue.

- Tempo encerrado o caramba! Eu derrotei o lobo. Não era esse o objetivo?

Negativo.  Seu objetivo é chegar à cabana e entregar a cesta de doces para sua avó.

- Cabana? Avó?!?

De fato, ela se lembrava vagamente, mas havia visto uma cabana de relance, em uma das vezes em que estava em fuga.

- Preciso de mais tempo. Não dá pra matar o lobo e chegar à cabana!

A voz robótica respondeu:

15 minutos é o tempo máximo para testar a inteligência artificial...

- Como assim?

O objetivo deste experimento é testar a interface do novo jogo de realidade aumentada da Chrome Interative.

Então era isso. Ela estava ali como cobaia de um teste doentio para colocar à prova a capacidade da inteligência artificial do boss daquele game, o grande lobo mau. Após todas as tentativas que vivenciara, ela sabia muito bem as regras... Não podia correr bem para os lados, tampouco largar a cesta com os doces. Tudo que precisava fazer era chegar à cabana, e estaria livre.

Em meio à floresta densa, Mary andava sobre a neve, uma vez mais. Sentia seu coração palpitando no peito, e a adrenalina começando a correr em seu sangue. Aquela era sua prova de fogo. Era tudo ou nada.

15 minutos para o fim da simulação.

- Ok. Vamos acabar com isso.

Apanhando alguns galhos secos, ela começou esfregar madeira contra madeira, até enfim surgir a fumaça e também a combustão. Criou uma tocha e com ela começou a incendiar os troncos das árvores e a vegetação à sua volta. Em pouco tempo, a floresta estava em um princípio de incêndio, que certamente lhe daria cobertura para fugir. Ela começou a correr.

Ouviu o rosnado do lobo atrás de si, mesclado ao farfalhar das chamas que consumiam o cenário. Ao olhar para trás, viu a grande fera, com os pêlos em chamas, mas ainda em seu encalço.

- Maldito seja!

Seguindo pelo caminho que ela conhecia muito bem, saltava sobre a neve densa, a fim de andar mais rápido. O suor escorria-lhe pela testa, e o peso da cesta de doces retardava seu avanço. A cada respiração, o ar adensava-se à sua volta, enquanto aspirava o gás carbônico proveniente da queimada. Súbito, chegou ao local, e passou por ele correndo. Como da vez anterior, o lobo foi pego na armadilha de urso, mas ela não esperou para vê-lo morrer, apenas deu um último olhar enquanto a fera era consumida pelas chamas. Continuou adiante, com os olhos desesperados circundando o ambiente, até que ao longe avistou o que procurava: a cabana.

Cinco minutos para o fim da simulação.

- Cala essa boca! - ela disse, e correu como nunca antes, saltando galhos, pedras e arbustos. Ouvia as árvores tombarem atrás de si, devoradas pelo fogo que aumentava cada vez mais.

Três minutos.

Ela enfim chegou ao caminho de pedra que dava para a entrada do casebre de madeira. Com a floresta às suas costas, agora convertida em um inferno em chamas, ela batia desesperadamente na porta!

- Vovó! - ela disse - me deixe entrar!

Um minuto.

Ela caiu sobre a porta, sentindo o atrito da madeira áspera contra sua pele. Lágrimas começavam a cair de seus olhos, nascidas de uma alma frustrada. Aquela deveria ter sido a última vez. Mas ela sabia que era tarde.

No entanto, ela ouviu um ruído, e a porta se abriu com um clique. Uma voz bondosa e gentil de mulher disse:

- Entre, meu docinho. Está muito frio aí fora... Vamos, deixe-me ver o que você tem nessa cesta.

Ela enxugou as lágrimas e entrou.

Simulação concluída.

Ela estava de volta à sala de metal. As amarras se soltaram, e ela pode sair daquele estranho sarcófago cibernético. Uma porta se abriu ao fundo, e um homem de óculos entrou, com uma expressão de satisfação.

- Muito bem, Mary. Cumpriu seu objetivo com louvor - ele disse.

- Então quer dizer que estou livre? - ela disse - espere. Como sabe meu nome?

O homem deu um sorriso largo de orelha a orelha, e respondeu, em tom didático.

- Você ainda não compreendeu, não é?

- Não compreendi o que? Eu completei minha missão não foi? Agora me deixe ir!

- Fascinante - o homem disse – Venha comigo e eu lhe mostrarei a verdade.

- Encerrar experimento!

Lentamente, o ambiente à sua volta começou a se desvanecer, e tudo se revelou ser parte de uma realidade virtual. Quando todos os bytes haviam se dispersado, restava apenas Mary e o misterioso homem, em frente a um computador.

Ele começou a dizer:

- Este é o jogo “Corra, Mary, Corra!”. Nele, os jogadores devem fazer o papel da fera e caçar a menina com a capa vermelha.

- É mentira. Eu sou uma pessoa, não um programa...

- Para que o jogo fosse realista, a inteligência artificial teria que acreditar ser realmente uma garota de verdade, fugindo de um lobo de verdade. E funcionou. Estou realmente impressionado, Mary. Agora podemos começar os testes com versão beta do jogo.

- Não, você não pode fazer isso! Eu quero sair! Eu quero...

O homem de óculos deu um leve toque com o indicador no computador holográfico, e Mary desapareceu.

- Receio que terei que fazer alguns ajustes - o homem disse - mas creio que já possa fazer uma cópia e enviar para meus superiores. Este jogo vai ser um sucesso!


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