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Condição biônica
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Os dedos encaixaram na entrada da máquina e, ainda

que por pouco tempo, tudo estava bem. Tudo era som, tudo

era luz… não… tudo era energia. E ali, naquela máquina velha,

no beco com fedor de esgoto, tudo era esquecido. Não

havia dois homens brigando no barzinho da esquina; não

havia duas enfermeiras na porta de uma casa convidando:

“Vem, hoje é promoção”; não tinha um verme nas suas correntes

sanguíneas. Não. Tudo era energia.

– Tá bom, animal! – o homem suado o cutucou nas

costas, tinha um bafo de cachaça. – Já acabou, bora que tem

gente na fila!

Então os dedos se desencaixaram da entrada da máquina

e, por muito tempo, tudo não esteve mais bem. Ele

cambaleou pra trás, sendo logo empurrado. Mas o que estava

fazendo ali? Quem eram aquelas pessoas? Por que estavam

roubando a sua energia? Hum… mas agora o cheiro da rua

voltava, e os sons, e a luz. Sentiu um aperto no peito, uma

vontade terrível de chorar, mas não podia. Porque não tinha

mais olhos.

• • •

Amanheceu no sofá-cama do apartamento. Não tinha

a menor ideia de como chegara lá. Acordou com o ba-

rulho do cytron tocando. Quem ligava? O sol entrava pela

janela. Sentiu cheiro de vômito. Sua camisa estava empapada

de suor e ele tinha um gosto amargo na boca. Levantou

trôpego e pegou o cytron na mesa da cozinha. Sentou-se na

única cadeira e com a testa apoiada na mão, levou o cytron

ao ouvido:

– Que é? – ele disse, quase num latido.

– Ah, olá, bom dia… – a voz ficou desconcertada. –

Falo com o Sr. Vega?

– Sim, quem é?

– Ah, senhor, bom dia – ela titubeava. – É que o Dr.

Francisco pediu pra ligar. Saíram os resultados dos seus exames.

Vega ficou calado. Ela continuou:

– O senhor teria como passar aqui no consultório

hoje? Ele quer conversar com o senhor.

– Tá, eu vou.

E desligou na cara dela.

Jogou o cytron na mesa, ele escorregou e caiu no

chão. Vega não se deu ao trabalho. Levantou e caminhou

para a pia. Pegou a cafeteira e começou a lavar. A água fria da

torneira o incomodava. Os implantes nos dedos formigavam

em contato com ela. Então lembrou-se da máquina, do beco,

da luz, da energia. Sentiu um frio na barriga.

Embora quisesse negar, sabia que era só questão de

tempo até parar lá de novo. Desligou a torneira, colocou pó

na cafeteira e ligou-a na tomada. A luz vermelha do aparelho

acendeu e ele pegou a toalha para tomar banho. Jogou a camisa

suja no lixo e entrou debaixo do chuveiro.

Na sua cabeça, as memórias sempre vinham na hora

do banho, por isso odiava tanto esse processo. Quando esfregava

o rosto, sentia as duas reentrâncias onde deveriam estar

os olhos biônicos que nunca chegaram. Quando esfregava as

pernas, tinha que sentir o toque frio do metal que era seu pé.

Quando enxugava os braços, tinha que tomar cuidado pra

toalha não engatar nos engates expostos.

Remendo. Esse deveria ser seu nome.

Saiu do banheiro e foi direto desligar a cafeteira. Serviu

um pouco numa caneca e sentou-se no sofá. O cheiro

ainda estava lá e o calor do sol piorava tudo. Não se pode

mais abrir as janelas em Brasília, que pena. Ele imaginava

como seria o vento arejando o ambiente em vez de máquinas.

Suspirou.

Depois de tomar o primeiro gole, repousou a caneca

e pegou o notebook jogado no chão. Era antigo, mas ainda

servia aos seus propósitos. Com os implantes dos dedos, tocou

as teclas que logo iluminaram o monitor com a luz que

ele não podia ver.

• • •

Chegou no consultório no meio da tarde. Não marcou

hora, não ligou, não se importava. Entrou pelas portas

do hospital público e caminhou em direção ao balcão. Falou

com a atendente:

– Oi – mexeu nos óculos escuros. – O Dr. Francisco

mandou me chamar.

– Ah, sim, é o senhor… Só um momento, por favor. –

Pelo tom da voz ele entendeu tudo. “Lá vem o pobre coitado

sem olhos”. Vega odiava que sentissem pena dele.

O balcão de mármore tinha um telão na parte de

baixo. Anúncios, tudo era espaço para marketing. Tudo era

espaço para energia. Enquanto a moça digitava alguma mensagem

para o médico, Vega colocou os dedos sobre o telão.

As informações apareciam diante dos seus olhos, os sons, os

cheiros, as luzes…

– Senhor Vega, o senhor pode entrar.

Arrancado de seu devaneio, Vega retirou de supetão

a mão da tela. Seguiu a moça. Na sala de espera, ouviu murmúrios.

Na cadeira mais próxima, uma velha mexia no cytron

e ele sentiu o olhar de desaprovação dela. Ele levantou

os óculos escuros e mirou-a com o vácuo do seu olhar. Ela

estremeceu e calou-se.

No consultório, Dr. Francisco não trazia novidades.

Ainda estavam sem recursos, não chegava material, o governo

não facilita, Brasília tá um caos.

– Mas não foi por conta disso que mandei chamar

o senhor – disse o médico. – A verdade é que seus exames

apontaram uma anomalia no seu sistema nervoso.

Ele se ajeitou na cadeira, cruzou as mãos sobre a mesa

e continuou:

– Sr. Vega, no ponto que está sua situação, mesmo

que os novos olhos biônicos chegassem hoje, o seu sistema

não poderia mais aceitá-los. Há uma alteração nos seus nervos

ópticos.

Silêncio. Vega absorveu aquela informação. Depois

de uma longa pausa, disse:

– Mas, doutor… o que pode ter ocasionado isso?

– Vega… – o médico suspirou. – Você tem usado?

– Usado o quê? – respondeu de supetão.

– Você sabe.

E novamente o silêncio. Lembrou-se da máquina, do

beco, das luzes, do som, da energia. Diante do silêncio do

paciente, o médico deu um ultimato:

– Olha, eu sei que o pessoal diz que não afeta membros

biônicos, mas afeta sim. Isso pode prejudicar esse teu

pé, teu braço. Você precisa parar com isso, Vega.

– É mesmo é, doutor? – Levantou-se jogando a cadeira

para trás. – Vocês médicos são todos iguais. Tem um ar de

superioridade, sabem mais que todos, não é? O que o senhor

sabe da minha vida? O senhor acha que eu ligo pra não ter

mais olhos? Vai se ferrar. Eu posso ver melhor que nunca.

Vai cuidar da sua vida.

Com um movimento das mãos varreu a mesa, jogando

os objetos no chão. Saiu batendo a porta. Na sala de espera,

tirou os óculos escuros, jogou no chão e pisou em cima.

Olhou para os pacientes em espera:

– Os cegos aqui são vocês, imbecis!

E foi embora.

• • •

Na saída do hospital, não fosse o pê biônico, realmente

não conseguiria enxergar nada. Andou pelo meio fio,

pisando na fita magnética que havia por toda a cidade. Para

onde ia? Só havia uma resposta. A esta hora, não haveria

tantas pessoas por lá.

– Ora, ora, vejam só quem chegou – uma moça se

aproximou de Vega.

– Vê se não me enche, Polaris.

– Hum, alguém tá de mau humor, né?

Eles caminhavam pela rua principal. Chegaram na

esquina da casa de luzes vermelhas. Mulheres dançavam nas

vitrines, grandes hologramas projetavam-se sobre os passantes.

Vega fez um aceno de mãos para desligá-los. Polaris

continuou:

– Eu sei pra onde você tá indo.

– Não me diga.

– Hoje não vai querer nada comigo? – Os grandes

olhos de neon piscaram para ele. – Por que você não fala

mais comigo, hein?

– Polaris, eu já falei pra não encher o saco.

– Ai, Vega, vamo só hoje.

Ela pegou na mão dele. Vega sentiu um grande clarão,

uma queimação que veio da ponta dos dedos e explodiu

nos seus olhos. Havia luz, havia som. Mas também havia dor,

sofrimento, desejo, fome. Vega não queria nada daquilo, ele

queria energia, pura, simples, algo que o desconectasse de

uma vez por todas, e não a energia suja de Polaris, que o

enraizava na vã ilusão da realidade.

– Não toca em mim, sua vagabunda! – Puxou a mão

com força e com o braço mecânico empurrou Polaris contra

uma parede.

– Ai! Seu imbecil, grosso, estúpido! – Vega retomou

sua caminhada. – Vai lá pra aquela porcaria de máquina, vai.

Enfia teu braço naquela imundice. Ainda pouco vi dois mendigos

indo lá também. Quero só ver o que tu vai fazer quando

chegar lá e descobrir que ela tá quebrada.

Vega parou:

– Como é que é?

– Ah, agora chamei tua atenção né, seu porco? – Ela

sorria com crueldade. – Pois é. A polícia apareceu aí e quebrou

ela todinha. Quero ver o que tu vai fazer agora.

Vega permaneceu em silêncio. A mirada vazia fitada

em Polaris.

– Você não minta pra mim, tá me entendendo? – O

dedo em riste.

– Vai lá ver então, idiota.

Ela cruzou os braços enquanto Vega descia correndo

a ruela suja. Lá no canto, próximo às lixeiras, estava a

máquina que tinha o que ele tanto precisava. Seu coração

batia rápido, sentia como se o ar estivesse acabando. A fita

metálica no chão conduzia o caminho para todos os lugares,

ele tinha pressa de chegar, mas o frio na barriga o dizia: “E

se for verdade?”

No canto, a máquina estava lá, solitária. Não tinha

fila. Não tinha luz. Não tinha energia. Ele tocou nela com

os dedos, buscando uma fonte, uma informação, qualquer

coisa. O aperto no peito piorou, sentiu um vazio, uma vontade

terrível de chorar. E, mais uma vez, a impossibilidade

de chorar. Na escuridão dos seus olhos, sem energia, enlou-

queceria.

“Foi aquela vagabunda”, pensou. “Ela tava com raiva

de mim, foi ela quem quebrou.”

Ele voltou com passos duros na direção de Polaris.

Ela estava parada, sorrindo de satisfação. Vega já não se importava

com culpados. A esta altura, até uma energia suja

era melhor do que energia nenhuma. Polaris não conseguiu

antecipar a reação de Vega.

Ele a agarrou pelos cabelos de prata. Os dedos sentiam

a energia dela. E com a energia, veio a dor, veio a solidão,

veio o medo. Ele odiava aquela energia, mas a necessidade

era grande demais. A outra mão agarrava com força

o corpo frio da androide. Porém tudo não durou poucos segundos.

Levou um tapa na cara e uma joelhada no estômago.

Caiu no chão. Polaris chutava sem pena:

– Você tá ficando louco? Tá achando que eu sou o

quê? – disse, indignada. – Não sei o que você fez comigo, mas

se algum implante meu ficar desajustado tu vai pagar caro,

tá entendendo? Eu nunca vi ninguém aqui querer te ajudar

e eu mesma nunca mais. Pode esquecer. Seu porco imundo.

Com um último chute no homem caído, o cytron

caiu do seu bolso. Polaris fez questão de pisar em cima e quebrar,

então deu as costas e se afastou. Vega ficou no chão, encolhido

e gemendo de dor. O sangue de sua boca empapava o

chão escurecido. Seus dedos formigavam e seu corpo inteiro

pedia: luz, luz, luz!

• • •

Não conseguiria voltar para o apartamento nem que

quisesse. Quanto tempo já estava sem? Nem conseguia lembrar.

Depois que a dor diminuiu, apoiou-se na parede e seu

pé procurou a fita metálica que corre toda a cidade de Brasí-

lia. Pronto. Ali estava sua conexão, seu caminho.

Tentou respirar fundo, mas sentiu uma pontada nas

costelas. Maldita androide. Será que ela quebrou alguma coisa?

Mas não dava tempo pra pensar nisso, precisava encontrar

outra máquina. Ele sabia da localização de pelo menos

mais umas três, só teria que andar um bocado até chegar nelas.

Não importava, a necessidade era maior.

Cada passo era uma luta, um sofrimento. Quem

o visse andando na rua o confundiria com um mendigo.

Trôpego, caminhou por meia hora até que algo inesperado

aconteceu. Escuridão. Completa e total escuridão. Uma sirene

forte e alta. Seu pé remexeu-se furiosamente à procura

da fita metálica, sem ela estava cego. Mas não sentia nada. A

escuridão, os estrondos e os gritos.

Gritos? Sim, pessoas correndo. A sirene não parava.

Mas e agora? Ele não sabia para onde ir. Como poderia a fita

ter sumido? A não ser que tivesse faltado energia na cidade

toda. Será que... não... não pode ser. A capital do Brasil sem

energia? Como isso era possível? O que poderia ocasionar

isso?

– Me ajuda, me ajuda – balbuciou. Os transeuntes

apressados estavam cegos para ele, não o enxergavam. – Eu

não consigo ver.

Você sabe o que é estar na mais absoluta escuridão?

Vega começou a perder o equilíbrio, os sons fortes o desnorteavam.

Pessoas davam-lhe empurrões, ele se desequilibrou

e apoiou-se nos joelhos para não cair no chão.

Do seu lado, uma menina corria com a mãe em direção

ao carro estacionado próximo ao meio fio. A menina

olhou para Vega com um misto de pena e nojo:

– Ahh! – ela gritou quando viu as concavidades vazias

dos olhos.

O som do grito foi o suficiente para Vega. Ele estendeu

as mãos, às cegas, na tentativa de encontrar qualquer

coisa que lhe desse suporte neste momento de trevas. E, para

sua surpresa, ele encontrou luz. Viu a rua inteira. Pessoas

correndo; prédios em chamas; no alto, carros voadores colidiam

no céu. Um som estridente chamou a atenção de Vega:

– Solta ela, solta ela! – A voz gritava. – Minha filha!

O que você tá fazendo, seu monstro?

Tentaram arrancar a luz das mãos dele, mas ele não

deixou. Segurou com toda a força que possuía, até que a luz

começou a ficar cada vez mais fraca.

– Não, não... – ele murmurou. – Não!

Ela continuou a enfraquecer, até o momento que as

trevas voltaram. Assim que ficou na completa escuridão novamente,

sentiu uma dor lancinante no rosto, o tórax todo

machucado, os braços formigavam como se estivessem em

chamas. O que diabos aconteceu? Não sabia. Ouvia gritos de

novo:

– Monstro, monstro! – A mulher dizia entre lágrimas.

– O que você fez com ela?

Vega, cego, perdido, fraco, não entendia nada. Levantou-

se, mas uma de suas mãos ainda estava segurando

alguma coisa, seus dedos fundidos. Tentou soltar, mas era

pesado. Com a outra mão, empurrou o objeto. Sentiu o toque

frio do metal. Estava cada vez mais confuso. Os gritos da

mulher continuavam e atraíam alguns curiosos.

– Meu Deus! O que aconteceu com essa criança?

– Certeza que isso não era humano, olha esse crânio

de metal.

– Mas como você explica aquela parte do crânio de

carne e osso?

Vega não quis ouvir os comentários. Não se importava

com nada disso porque, no vislumbre que teve, enxergou

o que queria. Do outro lado da rua, num outro beco, estava o

que ele procurava. Novamente na escuridão, deu de encontro

com alguém que passava na rua. Caiu no chão e sentiu

uma dor aguda na altura do peito e um líquido quente correr

na fronte.

Levantou-se. Quando estava próximo à máquina,

ouviu mais gritos e dessa vez uma forte explosão acima de

sua cabeça. O som foi ensurdecedor. Na cegueira total, pulou

para frente, na tentativa de escapar de qualquer perigo. Com

as mãos estendidas para frente, encontrou uma parede e se

esgueirou por ela até chegar cada vez mais fundo no beco.

As sirenes tocaram mais forte. Vega sentia o chão pegajoso,

o cheiro de lixo entrava pelas narinas. Na língua, o

gosto amargo de sangue. Mas nada disso importava. Ele tremia.

A boca entreaberta deixava o líquido escorrer. Quando

finalmente chegou nos fundos do beco, tateou como um louco

à procura da máquina.

Por que não havia mais ninguém lá? Onde estavam?

O que acontecia no mundo? Ora, mas o que isso importava?

Ele apoiou as duas mãos na máquina, antecipando o gozo do

momento que estava prestes a acontecer. Ele riu. Riu alto.

Gargalhava enquanto abraçava a máquina. Sua mente já antevia

a luz que estava prestes a sentir.

Colocou os dedos na máquina. Sentiu a energia fluir

pelas mãos, subir pelos braços, se espalhar pelo corpo e subir,

subir, até explodir nos seus olhos. Luz! Luz! Ele via tudo.

Ele via Brasília inteira. Androides escalavam o prédio do

Congresso, aviões lançavam bombas, a grande redoma em

volta da cidade havia cedido.

Mas não era suficiente, ele queria mais, mais! Sentiu

um novo fluxo pelo seu corpo, desta vez ele via pessoas, ele

sentia os cytrons vibrando nos bolsos delas, um homem pulava

de um edifício alto e abria as asas para fugir dos disparos

da polícia; um menino saía assustado do Teatro Nacional segurando

seu violino contra o corpo; no apartamento, uma

mulher ligava desesperada para o marido: “Amor, cadê você?

Atende!”

Vega não via, ele sentia. Sentia a amargura de Polaris;

sentia o desespero do Dr. Francisco; sentia a dor da mãe que

perdera a filha; sentia o horror do homem que, do outro lado

da rua, olhava para o cadáver de uma menina metal-carne;

sentia a raiva e ódio que tinha de si mesmo.

Si? Ele existia? Sim, ele era alguém. Mas estava incapaz

de distinguir-se. Não sentia mais os dedos, os braços. A

luz em seus olhos começava a doer, sentia uma queimação,

um formigamento diferente. Suas pernas ficaram cada vez

mais pesadas, incapazes de se mexer. Na sua mente, o turbilhão

de informações não dava trégua.

– Ahn... Ahn... – grunhiu, sozinho. Tentou tirar

as mãos mas não conseguiu. Seus braços estavam pesados.

De sua boca aberta caía sangue. Ele sentia o cheiro de ferro

quente. Metal. Calor. Luz e energia. Era intenso demais, claro

demais... não! Não! Piedade!

A luz o engolfava com labaredas de cor, seu cérebro

vagueava por toda a cidade. Ele sentiu-se cada vez mais diluído.

Ouvia as batidas do coração do mundo. Tudo era claro

demais, brilhante demais. Uma vida de trevas almejando a

luz, no fim buscou a escuridão. Porque ele via tudo, sentia

tudo. E, na sua cegueira, não enxergava mais nada.

Ele não era luz. Era energia. Seu corpo ficou cada vez

mais pesado, sua mente cada vez mais distante. Até que ele

já não era mais. Num instante tudo se apagou. Um corpo

metálico fundido a uma máquina esquecida num beco sujo e

malcheiroso. Uma cidade em chamas. E um desejo que ardia

pra sempre: luz, luz, luz!

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