Cidade

Cyberpunk
Julho de 2020
Começou, agora termina queride!

Conquista Literária
Conto publicado em
Projeto V.E.R.O.N.A.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Cidade
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Já faz muito tempo que moro nessa cidade. As luzes neon, que antes incomodavam a vista, são extremamente familiares. Os altos prédios, os restaurantes de alta gastronomia, os museus com exposições raras, tudo em V.E.R.O.N.A. é sensorialmente convidativo.

Depois de tanto tempo sofrendo com confinamentos e destinos incertos, falta de afetividade e ondas de contaminação, V.E.R.O.N.A. se tornou nosso refugio. Todos que podiam se mudar para esta cidade milagrosa, se mudaram. Aqui podemos ficar próximos. Aqui todos são simpáticos com você. Aqui você pode tocar em outras pessoas.

Claro que como toda cidade, V.E.R.O.N.A. tem suas regras, e pelo bem de todos os seus moradores, elas devem ser seguidas. Mas o curioso é que essas regras são diferentes para cada "tipo" de habitante. Eu por exemplo, não sou natural daqui, mas as regras para as pessoas como eu são mais brandas. Para os nativos, as regras são rígidas, gravadas em seus sistemas. Me lembro quando essas regras faziam parte apenas dos livros de ficção.

Ando pelas ruas, seguro de que ninguém me atacará. Deixo minha casa aberta, pois sei que é impossível alguém invadir ou roubar meus pertences. Aqui não existem grandes preocupações, apenas vivemos nossa vida da melhor forma.

Depois de alguns minutos de caminhada, chego em um arranha-céu. Aperto o botão do elevador correspondente ao meu apartamento. Abro a porta e olho para o interior de minha moradia. Intacto. Me dirijo até o meu quarto e deito em minha cama. Fecho os olhos e escuto o som tão familiar, que traz todo o peso novamente ao meu coração:

-Desconectando-se do servidor. - Diz a voz robótica em minha mente.

Abro os olhos.

Estou em minha simples casa. O mundo lá fora, ainda inabitável, passa por drásticas mudanças. Toco minha nuca, onde sei que está implantada minha identidade de embarque, meu acesso único para a cidade em que quero habitar.

Gosto de ficar por lá e conviver com as IAs que habitam naquela realidade virtual, aquele lugar foi criado para isso, um lugar seguro, com IAs de diversas empresas, para que as pessoas se sentissem seguras e pudessem se conectar novamente com outras pessoas.

Ao fundo ouço a transmissão do conflito entre Segmentários dizendo que uploads devem perder sua cidadania neste mundo e o direito de serem considerados humanos, enquanto que os poucos Unificadores defendem que Humanos e IA's devem conviver como uma única espécie. Não somos biológicos ou artificias, somos todos seres inteligentes.

-Quem sabe um dia. - digo cansado mas esperançoso.

Olho para minhas mãos, tão diferentes das minhas em V.E.R.O.N.A.. Mãos enrugadas e manchadas pela idade. Aqui sou apenas mais um cidadão confinado. Já faz muito tempo que moro nesta cidade.

Prólogo

Epílogo

Conto

Já faz muito tempo que moro nessa cidade. As luzes neon, que antes incomodavam a vista, são extremamente familiares. Os altos prédios, os restaurantes de alta gastronomia, os museus com exposições raras, tudo em V.E.R.O.N.A. é sensorialmente convidativo.

Depois de tanto tempo sofrendo com confinamentos e destinos incertos, falta de afetividade e ondas de contaminação, V.E.R.O.N.A. se tornou nosso refugio. Todos que podiam se mudar para esta cidade milagrosa, se mudaram. Aqui podemos ficar próximos. Aqui todos são simpáticos com você. Aqui você pode tocar em outras pessoas.

Claro que como toda cidade, V.E.R.O.N.A. tem suas regras, e pelo bem de todos os seus moradores, elas devem ser seguidas. Mas o curioso é que essas regras são diferentes para cada "tipo" de habitante. Eu por exemplo, não sou natural daqui, mas as regras para as pessoas como eu são mais brandas. Para os nativos, as regras são rígidas, gravadas em seus sistemas. Me lembro quando essas regras faziam parte apenas dos livros de ficção.

Ando pelas ruas, seguro de que ninguém me atacará. Deixo minha casa aberta, pois sei que é impossível alguém invadir ou roubar meus pertences. Aqui não existem grandes preocupações, apenas vivemos nossa vida da melhor forma.

Depois de alguns minutos de caminhada, chego em um arranha-céu. Aperto o botão do elevador correspondente ao meu apartamento. Abro a porta e olho para o interior de minha moradia. Intacto. Me dirijo até o meu quarto e deito em minha cama. Fecho os olhos e escuto o som tão familiar, que traz todo o peso novamente ao meu coração:

-Desconectando-se do servidor. - Diz a voz robótica em minha mente.

Abro os olhos.

Estou em minha simples casa. O mundo lá fora, ainda inabitável, passa por drásticas mudanças. Toco minha nuca, onde sei que está implantada minha identidade de embarque, meu acesso único para a cidade em que quero habitar.

Gosto de ficar por lá e conviver com as IAs que habitam naquela realidade virtual, aquele lugar foi criado para isso, um lugar seguro, com IAs de diversas empresas, para que as pessoas se sentissem seguras e pudessem se conectar novamente com outras pessoas.

Ao fundo ouço a transmissão do conflito entre Segmentários dizendo que uploads devem perder sua cidadania neste mundo e o direito de serem considerados humanos, enquanto que os poucos Unificadores defendem que Humanos e IA's devem conviver como uma única espécie. Não somos biológicos ou artificias, somos todos seres inteligentes.

-Quem sabe um dia. - digo cansado mas esperançoso.

Olho para minhas mãos, tão diferentes das minhas em V.E.R.O.N.A.. Mãos enrugadas e manchadas pela idade. Aqui sou apenas mais um cidadão confinado. Já faz muito tempo que moro nesta cidade.

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