Casamento no parquinho

Romance
Setembro de 2020
Começou, agora termina queride!

Que fofinho

Conquista Literária
Conto publicado em
Uni duni tê

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Aurora estava distraída, mas não queria admitir. Entretanto, não adiantaria negar porque Gael a conhecia muito bem. Depois de contar para ele o que andava pensando, o menino resolve ajudá-la e junto com toda a turma eles celebram uma grande festa no parquinho da escola.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Casamento no parquinho
0:00
0:00

Aurora foi a primeira a terminar de lanchar e correu para o trepa-trepa com a intenção de ficar sozinha. A maioria das outras crianças tinha medo desse brinquedo, mas era o seu preferido. Ela adorava escalar as barras e chegar ao alto, sentia-se como se estivesse no topo do mundo. Porém seu momento de solitude durou pouco.

Gael terminou o seu lanche pouco depois da amiga e correu para o trepa-trepa determinado a descobrir porque ela parecia estar no mundo da lua. Aurora estava tão distraída que nem viu o menino escalando o brinquedo. Quando percebeu, ele já estava ao seu lado conversando:

— Pensando na morte da bezerra?

— Tu me assustou! Eu podia ter caído e quebrado o braço que nem a Valentina. 

— Desculpa. Não faço mais isso.

— E de quem é essa bezerra que morreu?

— Ah! Não tem bezerra nenhuma. É só um negócio que minha avó fala quando tô distraído. Significa que eu quero saber no que tu tá pensando.

— Eu tava lembrando do casamento da minha prima. Foi sábado e eu fui a daminha de honra dela. 

— Casamentos são chatos. A gente tem que se vestir com aquelas roupas desconfortáveis, usar aqueles sapatos apertados, ficar um tempão ouvindo o pastor falar... E a gente não pode nem soltar pum.

— Por que tu quereria soltar pum em um casamento?

— Eu sempre quero soltar pum. — Deu de ombros. — E eu acho que essa palavra não existe.

— Que palavra? 

— Quereria.

— Tanto faz! — Foi a vez de Aurora dar de ombros. — O casamento da minha prima não foi nada chato. Foi na praia.

— Na praia? — Os olhos de Gael se arregalaram. — No meio do mar?

— Não, seu bobo! — A menina começou a rir. — Foi na areia mesmo, mas depois que eu cansei de comer salgadinho eu corri para banhar no mar. Mamãe foi atrás de mim gritando e brigando, mas minha prima riu e ela e o noivo correram pra água também e, de repente, tinha um monte de gente banhando no mar. 

— Que casamento mais legal! Eu queria ir em um que fosse assim. 

— Foi legal mesmo. E aí que fiquei pensando e fiquei com vontade de me casar também.

— Mas você não pode se casar!

— Por que não?

— Porque antes de casar tem que namorar e criança não namora. E quem é casado também beija na boca e criança também não pode beijar na boca.

— Eca! Eu não quero beijar na boca, mas eu ainda quero casar. Pode ser um casamento de faz de conta, sem namoro e sem beijo na boca. 

— E com quem tu casaria?

Até aquele momento, Aurora ainda não tinha se dado conta de que, para casar, precisaria de um noivo, porém nem precisou parar para pensar porque só tinha um menino com quem gostaria de se casar. Ele era gentil e engraçado e era o seu melhor amigo.

— Com tu, ué!

— Comigo!? — Gael sentiu o rosto esquentar e ficou vermelho que nem um tomate.

— É. Com quem mais eu me casaria?

Ele nunca havia pensado em se casar, mas, de repente, ficou empolgado com a ideia de casar com Aurora. Ela era inteligente, cheirava a bubaloo de abacaxi e sempre ria quando ele soltava pum.

— Tá bom então. A gente vai precisar de alguém pra casar a gente. Acho que pode ser Israel já que o pai dele é pastor. 

Os dois desceram do trepa-trepa e foram conversar com Israel, que topou oficializar o casamento de mentirinha. O menino também disse que os dois precisavam arrumar alianças e preparar os votos e explicou que isso significava dizer o que gostavam um no outro e fazer promessas.

Resolvido o problema do “pastor”, faltava escolher o dia e o local do casamento. Decidiram realizar a cerimônia no parquinho na sexta-livre, que era o único dia do mês em que as crianças podiam ir à escola sem farda. Conversaram com os colegas e todos adoraram a ideia e, assim, a data das bodas foi marcada.

No dia combinado, todas as crianças apareceram arrumadas na escola. Gael ficou boquiaberto quando viu Aurora. Ela estava com uma presilha em forma de flor no cabelo cacheado solto e o vestido branco, o mesmo que ela usara no casamento da prima, contrastava com a sua pele negra. Ele nunca tinha percebido que a amiga era bonita e, de repente, a estava achando linda. Aurora, por sua vez, achou que Gael estava muito fofo e elegante vestindo uma calça social preta, uma camisa branca com um colete cinza por cima.

Na hora do recreio, as crianças correram e se sentaram em frente ao trepa-trepa. As meninas de um lado e os meninos do outro, formando uma espécie de mini corredor entre eles. Israel foi o primeiro a atravessar o corredor e a subir no brinquedo. Em seguida, foi a vez de Gael e seus colegas aproveitaram para cantar “Com quem será?”. Assim que ele se posicionou, as outras crianças começaram a murmurar a marcha nupcial gerando uma verdadeira cacofonia. Foi em meio a esse caos desritmado que Aurora fez a sua entrada carregando um minúsculo buquê de ixoras arrancadas dos canteiros do colégio.

Depois que os três se posicionaram no brinquedo, Israel começou a discursar:

— Amados e amadas aqui presentes, estamos reunidos para celebrar o casamento de Gael e Aurora. — Imitou o jeito do seu pai de falar. — Amar é sempre querer estar perto da pessoa amada. É pedir desculpa quando está errado e, às vezes, quando se está certo também. — As crianças encaravam Israel admiradas com seu jeito de falar. — Amar é fazer as pazes logo depois de brigar, é não se importar de dividir um pirulito e é se ajudar na hora da prova. Amar é sempre dizer com carinho quando o outro tá fazendo bobagem. Agora é a hora dos votos. Gael, começa.

— Aurora, tu é a menina mais inteligente e legal que eu conheço. Toda vez que eu trouxer bolo de chocolate, eu prometo dividir contigo. E eu prometo nunca te beijar na boca.

—Aurora, agora é tua vez.

— Gael, tu é o menino mais engraçado que eu conheço e o mais divertido também. Prometo sempre dividir meus salgadinhos contigo e nunca brigar quando tu soltar pum.

— Aurora, você aceita se casar com Gael e ser sempre a sua melhor amiga? — Israel perguntou.

— Aceito.

— Gael, você aceita de casar com Aurora e ser sempre seu melhor amigo?

— Aceito.

— Peguem suas alianças.

Gael tirou do bolso o anel de chiclete que sua irmã lhe havia dado e colocou no dedo de Aurora. Ela tirou do seu dedo o anel do lanterna verde que estava usando e colocou no dele.

— Eu agora vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Gael deu um beijo tímido na bochecha de Aurora e descobriu que não era só o cheiro, ela também tinha gosto de abacaxi. Por um momento, imaginou como seria dar um selinho nela e quase, quase se arrependeu da promessa que fez.

Aurora não parava de sorrir. Ainda no alto do brinquedo, ela jogou seu buquê fazendo com que chovesse flores sobre as outras crianças. Meninos e meninas começaram a pular competindo para ver quem pegava o maior número de flores.

Os recém-casados e o “pastor” desceram do trepa-trepa e toda a turma correu para pegar suas lancheiras e se juntaram em um enorme banquete de casamento. Apenas Gael e Aurora que não comeram, os dois estavam sentindo um frio esquisito na barriga e preferiram não lanchar. Ficaram apenas observando seus colegas, sentados e de mãos dadas até o sinal tocar e eles precisarem voltar para a sala de aula.

Sinopse

Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Aurora estava distraída, mas não queria admitir. Entretanto, não adiantaria negar porque Gael a conhecia muito bem. Depois de contar para ele o que andava pensando, o menino resolve ajudá-la e junto com toda a turma eles celebram uma grande festa no parquinho da escola.

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Casamento no parquinho
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Aurora foi a primeira a terminar de lanchar e correu para o trepa-trepa com a intenção de ficar sozinha. A maioria das outras crianças tinha medo desse brinquedo, mas era o seu preferido. Ela adorava escalar as barras e chegar ao alto, sentia-se como se estivesse no topo do mundo. Porém seu momento de solitude durou pouco.

Gael terminou o seu lanche pouco depois da amiga e correu para o trepa-trepa determinado a descobrir porque ela parecia estar no mundo da lua. Aurora estava tão distraída que nem viu o menino escalando o brinquedo. Quando percebeu, ele já estava ao seu lado conversando:

— Pensando na morte da bezerra?

— Tu me assustou! Eu podia ter caído e quebrado o braço que nem a Valentina. 

— Desculpa. Não faço mais isso.

— E de quem é essa bezerra que morreu?

— Ah! Não tem bezerra nenhuma. É só um negócio que minha avó fala quando tô distraído. Significa que eu quero saber no que tu tá pensando.

— Eu tava lembrando do casamento da minha prima. Foi sábado e eu fui a daminha de honra dela. 

— Casamentos são chatos. A gente tem que se vestir com aquelas roupas desconfortáveis, usar aqueles sapatos apertados, ficar um tempão ouvindo o pastor falar... E a gente não pode nem soltar pum.

— Por que tu quereria soltar pum em um casamento?

— Eu sempre quero soltar pum. — Deu de ombros. — E eu acho que essa palavra não existe.

— Que palavra? 

— Quereria.

— Tanto faz! — Foi a vez de Aurora dar de ombros. — O casamento da minha prima não foi nada chato. Foi na praia.

— Na praia? — Os olhos de Gael se arregalaram. — No meio do mar?

— Não, seu bobo! — A menina começou a rir. — Foi na areia mesmo, mas depois que eu cansei de comer salgadinho eu corri para banhar no mar. Mamãe foi atrás de mim gritando e brigando, mas minha prima riu e ela e o noivo correram pra água também e, de repente, tinha um monte de gente banhando no mar. 

— Que casamento mais legal! Eu queria ir em um que fosse assim. 

— Foi legal mesmo. E aí que fiquei pensando e fiquei com vontade de me casar também.

— Mas você não pode se casar!

— Por que não?

— Porque antes de casar tem que namorar e criança não namora. E quem é casado também beija na boca e criança também não pode beijar na boca.

— Eca! Eu não quero beijar na boca, mas eu ainda quero casar. Pode ser um casamento de faz de conta, sem namoro e sem beijo na boca. 

— E com quem tu casaria?

Até aquele momento, Aurora ainda não tinha se dado conta de que, para casar, precisaria de um noivo, porém nem precisou parar para pensar porque só tinha um menino com quem gostaria de se casar. Ele era gentil e engraçado e era o seu melhor amigo.

— Com tu, ué!

— Comigo!? — Gael sentiu o rosto esquentar e ficou vermelho que nem um tomate.

— É. Com quem mais eu me casaria?

Ele nunca havia pensado em se casar, mas, de repente, ficou empolgado com a ideia de casar com Aurora. Ela era inteligente, cheirava a bubaloo de abacaxi e sempre ria quando ele soltava pum.

— Tá bom então. A gente vai precisar de alguém pra casar a gente. Acho que pode ser Israel já que o pai dele é pastor. 

Os dois desceram do trepa-trepa e foram conversar com Israel, que topou oficializar o casamento de mentirinha. O menino também disse que os dois precisavam arrumar alianças e preparar os votos e explicou que isso significava dizer o que gostavam um no outro e fazer promessas.

Resolvido o problema do “pastor”, faltava escolher o dia e o local do casamento. Decidiram realizar a cerimônia no parquinho na sexta-livre, que era o único dia do mês em que as crianças podiam ir à escola sem farda. Conversaram com os colegas e todos adoraram a ideia e, assim, a data das bodas foi marcada.

No dia combinado, todas as crianças apareceram arrumadas na escola. Gael ficou boquiaberto quando viu Aurora. Ela estava com uma presilha em forma de flor no cabelo cacheado solto e o vestido branco, o mesmo que ela usara no casamento da prima, contrastava com a sua pele negra. Ele nunca tinha percebido que a amiga era bonita e, de repente, a estava achando linda. Aurora, por sua vez, achou que Gael estava muito fofo e elegante vestindo uma calça social preta, uma camisa branca com um colete cinza por cima.

Na hora do recreio, as crianças correram e se sentaram em frente ao trepa-trepa. As meninas de um lado e os meninos do outro, formando uma espécie de mini corredor entre eles. Israel foi o primeiro a atravessar o corredor e a subir no brinquedo. Em seguida, foi a vez de Gael e seus colegas aproveitaram para cantar “Com quem será?”. Assim que ele se posicionou, as outras crianças começaram a murmurar a marcha nupcial gerando uma verdadeira cacofonia. Foi em meio a esse caos desritmado que Aurora fez a sua entrada carregando um minúsculo buquê de ixoras arrancadas dos canteiros do colégio.

Depois que os três se posicionaram no brinquedo, Israel começou a discursar:

— Amados e amadas aqui presentes, estamos reunidos para celebrar o casamento de Gael e Aurora. — Imitou o jeito do seu pai de falar. — Amar é sempre querer estar perto da pessoa amada. É pedir desculpa quando está errado e, às vezes, quando se está certo também. — As crianças encaravam Israel admiradas com seu jeito de falar. — Amar é fazer as pazes logo depois de brigar, é não se importar de dividir um pirulito e é se ajudar na hora da prova. Amar é sempre dizer com carinho quando o outro tá fazendo bobagem. Agora é a hora dos votos. Gael, começa.

— Aurora, tu é a menina mais inteligente e legal que eu conheço. Toda vez que eu trouxer bolo de chocolate, eu prometo dividir contigo. E eu prometo nunca te beijar na boca.

—Aurora, agora é tua vez.

— Gael, tu é o menino mais engraçado que eu conheço e o mais divertido também. Prometo sempre dividir meus salgadinhos contigo e nunca brigar quando tu soltar pum.

— Aurora, você aceita se casar com Gael e ser sempre a sua melhor amiga? — Israel perguntou.

— Aceito.

— Gael, você aceita de casar com Aurora e ser sempre seu melhor amigo?

— Aceito.

— Peguem suas alianças.

Gael tirou do bolso o anel de chiclete que sua irmã lhe havia dado e colocou no dedo de Aurora. Ela tirou do seu dedo o anel do lanterna verde que estava usando e colocou no dele.

— Eu agora vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

Gael deu um beijo tímido na bochecha de Aurora e descobriu que não era só o cheiro, ela também tinha gosto de abacaxi. Por um momento, imaginou como seria dar um selinho nela e quase, quase se arrependeu da promessa que fez.

Aurora não parava de sorrir. Ainda no alto do brinquedo, ela jogou seu buquê fazendo com que chovesse flores sobre as outras crianças. Meninos e meninas começaram a pular competindo para ver quem pegava o maior número de flores.

Os recém-casados e o “pastor” desceram do trepa-trepa e toda a turma correu para pegar suas lancheiras e se juntaram em um enorme banquete de casamento. Apenas Gael e Aurora que não comeram, os dois estavam sentindo um frio esquisito na barriga e preferiram não lanchar. Ficaram apenas observando seus colegas, sentados e de mãos dadas até o sinal tocar e eles precisarem voltar para a sala de aula.

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