As árvores de Saenchai

Terror
Outubro de 2019
Começou, agora termina queride!

Fernando Muniz Erthal

Autor
Autora
Organizador
Organizadora
Autor e Organizador
Autora e Organizadora
Editor
Editora
Ilustrador
Ilustradora
A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido.

Conquista Literária
Conto publicado em
O Culto

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
As árvores de Saenchai
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No início daquele passeio, achei que se trataria de apenas uma caminhada tranquila. O sol estava forte e levaria pelo menos mais uma hora até se pôr. Além disso, eu já tinha dito para Alexa que tiraria um tempo para relaxar. Foi quando decidi entrar na floresta.

Era uma floresta bem fechada, mas alguns poucos raios de sol que passavam pelas folhas das grandes árvores eram o suficiente para iluminar meu passeio. O lugar era muito bonito e a natureza tinha vida com tantas cores ao redor, o que, porém, não combinava com os estranhos dizeres esculpidos em algumas pedras nos cantos da fina linha de areia que formava a trilha que eu fazia. Dizeres como "Poupe sua alma enquanto o sol brilha", ou "Elas nunca dormem, estão apenas te observando" faziam o clima se perder ao longo do caminho, e eu apenas conseguia pensar que, de fato, a Tailândia era um lugar estranho.

De repente percebi que os poucos raios de sol que iluminavam de forma gloriosa o ambiente começaram a desaparecer, e me dei conta de que, em breve, a única luz que me iluminaria seria a da lua. Pensei comigo se já fazia tanto tempo que estava lá, pois era como se tivessem se passado apenas alguns poucos minutos. Nisso, ouvi algum estalo em outro caminho da trilha, me fazendo por reflexo virar para ele.

Gritei perguntando por quem estava ali, e sem resposta, fui devagar até o local. Não tinha nada. Apenas mais um estalo, agora mais a frente. Novamente gritei buscando saber quem poderia ser e para onde ia, mas o silêncio mais uma vez foi minha resposta.

Segui o som outra vez, e outra vez não encontrei nada, nada além de alguns pequenos galhos de árvores quebrados. O estranho, porém, era que estes galhos no chão pareciam ter sido colocados ali, não eram como pedaços quebrados ao acaso por algo que passou andando por aquele local, e sim arrumados cuidadosamente por alguém que queria pregar alguma peça.

Comecei a pensar que era melhor voltar, após levantar do chão onde analisava os estranhos pedaços de árvore.

Infelizmente, no momento em que o pensamento veio, já era tarde. Quando me virei para o caminho de volta, buscando com meus olhos a fina linha da trilha, percebi que ela não estava mais ali. Por algum motivo (talvez desespero), corri na direção de onde, supostamente, acreditei ter vindo, mas, apenas para confirmar o medo que atormentava minha cabeça: não era a direção certa.

Curioso, no entanto, foi que ali não se parecia mais como a parte anterior da floresta. Era como se, de alguma forma, eu tivesse ido parar em outro local.

- Céus, onde estou? - Pensei com um pouco de raiva de ter me perdido apenas por minha maldita curiosidade.

Segui andando pelo local, tentando encontrar o caminho de volta, a luz do sol já estava mais fraca, mas ainda podia iluminar meus passos. Foi então que algo começou a chamar minha atenção: as árvores.

Após começar a caminhar entre elas, com um pouco mais de cuidado para encontrar a saída, fui percebendo estranhas formas ao longo de suas estruturas, elas eram mais baixas do que as anteriores e pareciam me olhar de alguma forma que eu não sei explicar, mas que me causava arrepios. Em uma delas pude jurar enxergar um rosto fixamente me observando. Num primeiro momento era nítido, fazendo com que eu recuasse. No entanto, quando apertei meus olhos e vi que se tratava apenas de um formato similar, pensei não muito aliviado:

“Preciso dar o fora daqui, estou enlouquecendo”.

A sensação de estar sendo observado apenas aumentava, e com ela o número de árvores gradativamente também parecia maior. Agora eu precisava me desviar delas para continuar dando meus passos, e cada uma carregava consigo as estranhas formas.

Foi quando bati em uma, e quase caí, que resolvi analisar com mais calma tais formas. Apenas ao olhar para elas já me era causado desconforto. A estranha árvore em que bati carregava consigo um insano ar de loucura, e me despertava, ao mesmo tempo em que me assustava, uma curiosidade singular. Eu me perguntava como tais formas se criaram ao redor dela.

Foi então que a estranha sensação de estar sendo observado cresceu novamente dentro de mim e como por um reflexo me fez olhar para além da árvore que estava em minha frente.

O frio que senti com a nova visão começou pelos meus pés. Foi como se eles tivessem deixado de existir. O que vi em um primeiro momento foi outro rosto como o da visão anterior, que acreditei ser apenas uma infeliz criação de minha mente, mas que agora eu tinha certeza que não. Olhei dentro dos olhos daquela bizarra face e, então, engolindo a seco, um pensamento me fez tremer: 

“Parece que está vivo!”

De fato parecia, uma realidade horrenda, um rosto completamente deformado, um sorriso completamente triste e olhos vivos como se pudessem chorar, ou melhor, como se quisessem chorar. O motivo de tal choro era o que mais me assustava, já que parecia que estavam tristes por me ver.

O frio que antes estava apenas em meus pés, subiu e começou a tomar conta de todo o meu corpo, foi aí que minha visão se abriu, e percebi que o rosto naquela árvore não era privilégio único dela. Pelo contrário, todas as demais árvores compartilhavam de tal horror.

Eu quis gritar, mas som algum saía de minha boca. Foi então que algo em minha frente se mexeu. Não levei muito tempo para perceber que se tratava de outro rosto, este, porém, estava muito próximo, e, quando meu olhar encontrou o dele, sua boca se mexeu soltando um triste sussurro: 

- Me ajude!

O susto foi tamanho que meu pensamento foi recuar, e já sem sentir meu corpo quase por completo, tropecei no meu próprio calcanhar. Minhas costas então encontraram algo sólido. Tentei me virar para descobrir o que era mas não pude, não tinha mais forças. Era como se não controlasse mais meu corpo. Ele simplesmente não respondia meus comandos. Também não senti dor,  na verdade foi apenas como deixar de sentir, e não foi necessário mais do que poucos segundos para ver que o que de fato acontecera, era que um novo rosto fazia parte daquela floresta: o meu.


Prólogo

Epílogo

Conto

No início daquele passeio, achei que se trataria de apenas uma caminhada tranquila. O sol estava forte e levaria pelo menos mais uma hora até se pôr. Além disso, eu já tinha dito para Alexa que tiraria um tempo para relaxar. Foi quando decidi entrar na floresta.

Era uma floresta bem fechada, mas alguns poucos raios de sol que passavam pelas folhas das grandes árvores eram o suficiente para iluminar meu passeio. O lugar era muito bonito e a natureza tinha vida com tantas cores ao redor, o que, porém, não combinava com os estranhos dizeres esculpidos em algumas pedras nos cantos da fina linha de areia que formava a trilha que eu fazia. Dizeres como "Poupe sua alma enquanto o sol brilha", ou "Elas nunca dormem, estão apenas te observando" faziam o clima se perder ao longo do caminho, e eu apenas conseguia pensar que, de fato, a Tailândia era um lugar estranho.

De repente percebi que os poucos raios de sol que iluminavam de forma gloriosa o ambiente começaram a desaparecer, e me dei conta de que, em breve, a única luz que me iluminaria seria a da lua. Pensei comigo se já fazia tanto tempo que estava lá, pois era como se tivessem se passado apenas alguns poucos minutos. Nisso, ouvi algum estalo em outro caminho da trilha, me fazendo por reflexo virar para ele.

Gritei perguntando por quem estava ali, e sem resposta, fui devagar até o local. Não tinha nada. Apenas mais um estalo, agora mais a frente. Novamente gritei buscando saber quem poderia ser e para onde ia, mas o silêncio mais uma vez foi minha resposta.

Segui o som outra vez, e outra vez não encontrei nada, nada além de alguns pequenos galhos de árvores quebrados. O estranho, porém, era que estes galhos no chão pareciam ter sido colocados ali, não eram como pedaços quebrados ao acaso por algo que passou andando por aquele local, e sim arrumados cuidadosamente por alguém que queria pregar alguma peça.

Comecei a pensar que era melhor voltar, após levantar do chão onde analisava os estranhos pedaços de árvore.

Infelizmente, no momento em que o pensamento veio, já era tarde. Quando me virei para o caminho de volta, buscando com meus olhos a fina linha da trilha, percebi que ela não estava mais ali. Por algum motivo (talvez desespero), corri na direção de onde, supostamente, acreditei ter vindo, mas, apenas para confirmar o medo que atormentava minha cabeça: não era a direção certa.

Curioso, no entanto, foi que ali não se parecia mais como a parte anterior da floresta. Era como se, de alguma forma, eu tivesse ido parar em outro local.

- Céus, onde estou? - Pensei com um pouco de raiva de ter me perdido apenas por minha maldita curiosidade.

Segui andando pelo local, tentando encontrar o caminho de volta, a luz do sol já estava mais fraca, mas ainda podia iluminar meus passos. Foi então que algo começou a chamar minha atenção: as árvores.

Após começar a caminhar entre elas, com um pouco mais de cuidado para encontrar a saída, fui percebendo estranhas formas ao longo de suas estruturas, elas eram mais baixas do que as anteriores e pareciam me olhar de alguma forma que eu não sei explicar, mas que me causava arrepios. Em uma delas pude jurar enxergar um rosto fixamente me observando. Num primeiro momento era nítido, fazendo com que eu recuasse. No entanto, quando apertei meus olhos e vi que se tratava apenas de um formato similar, pensei não muito aliviado:

“Preciso dar o fora daqui, estou enlouquecendo”.

A sensação de estar sendo observado apenas aumentava, e com ela o número de árvores gradativamente também parecia maior. Agora eu precisava me desviar delas para continuar dando meus passos, e cada uma carregava consigo as estranhas formas.

Foi quando bati em uma, e quase caí, que resolvi analisar com mais calma tais formas. Apenas ao olhar para elas já me era causado desconforto. A estranha árvore em que bati carregava consigo um insano ar de loucura, e me despertava, ao mesmo tempo em que me assustava, uma curiosidade singular. Eu me perguntava como tais formas se criaram ao redor dela.

Foi então que a estranha sensação de estar sendo observado cresceu novamente dentro de mim e como por um reflexo me fez olhar para além da árvore que estava em minha frente.

O frio que senti com a nova visão começou pelos meus pés. Foi como se eles tivessem deixado de existir. O que vi em um primeiro momento foi outro rosto como o da visão anterior, que acreditei ser apenas uma infeliz criação de minha mente, mas que agora eu tinha certeza que não. Olhei dentro dos olhos daquela bizarra face e, então, engolindo a seco, um pensamento me fez tremer: 

“Parece que está vivo!”

De fato parecia, uma realidade horrenda, um rosto completamente deformado, um sorriso completamente triste e olhos vivos como se pudessem chorar, ou melhor, como se quisessem chorar. O motivo de tal choro era o que mais me assustava, já que parecia que estavam tristes por me ver.

O frio que antes estava apenas em meus pés, subiu e começou a tomar conta de todo o meu corpo, foi aí que minha visão se abriu, e percebi que o rosto naquela árvore não era privilégio único dela. Pelo contrário, todas as demais árvores compartilhavam de tal horror.

Eu quis gritar, mas som algum saía de minha boca. Foi então que algo em minha frente se mexeu. Não levei muito tempo para perceber que se tratava de outro rosto, este, porém, estava muito próximo, e, quando meu olhar encontrou o dele, sua boca se mexeu soltando um triste sussurro: 

- Me ajude!

O susto foi tamanho que meu pensamento foi recuar, e já sem sentir meu corpo quase por completo, tropecei no meu próprio calcanhar. Minhas costas então encontraram algo sólido. Tentei me virar para descobrir o que era mas não pude, não tinha mais forças. Era como se não controlasse mais meu corpo. Ele simplesmente não respondia meus comandos. Também não senti dor,  na verdade foi apenas como deixar de sentir, e não foi necessário mais do que poucos segundos para ver que o que de fato acontecera, era que um novo rosto fazia parte daquela floresta: o meu.


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