Ao alcance dos dedos

Sci-Fi
Começou, agora termina queride!

Conquista Literária
Conto publicado em
ACID NEON: Narrativas de um futuro próximo vol. 02

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
Ao alcance dos dedos
0:00
0:00

— Porra, Rato! Vambora!

— Tou acabando, cara! Sossega aí!

— Os drones sobrevoando a nossa cabeça, e você

mandando o cara sossegar, caralho?! Tá louco?

Largando o PAD, o Rato ajeitou as lentes e, para desespero

geral, botou-se de pé, com as mãos na cintura.

— Qual é, cara! A gente só quer sair daqui vivo!

— Tomar no cu! Quem mandou trazer a bosta de um

moleque fedendo a mijo pra uma operação pesada dessas!

Agachados, os quatro manifestavam seus mais profundos

sentimentos. A adrenalina invadia suas veias, envenenando

toda a carne. Em pé, no meio deles, o garoto mantinha-

se tão altivo quanto estúpido, quase implorando por

um projétil em sua testa. Embora estivessem no escuro, os

espiões caçavam qualquer sinal de vida com suas hélices e

câmeras de infravermelho.

— Vocês não têm mais ninguém… Os que sobraram

mal conseguem cuidar das câmeras das galerias. Se continuarem

sem me dar o devido valor, vão acabar trancados no

esgoto, comendo a merda dos daqui de cima…

— Vai, Binho! Pede desculpa pro cara! Ele tem razão

— exortou a moça.

— É, Binho… Deixa o moleque trabalhar em paz,

vai… — ordenou o líder.

— E logo, inferno!

Binho afrouxou a máscara, secou um tanto o suor dos

olhos e, contra todos os impulsos, humilhou-se, como ordenara

o Máquina:

— Rato, me desculpe. De verdade… Você é o melhor

no que faz, e eu nem estaria aqui se não fosse por você. Então,

se você puder se abaixar e continuar a mexer na trava, eu

agradeceria de todo o meu coração. Beleza?

— E o que mais? — Provocou o pequeno.

— Você não é moleque nenhum. Nem tem cheiro de

mijo.

— Não é suficiente. O que mais?

— Eu… eu te dou um quinto da minha parte, quando

a gente achar abrigo.

— Um quinto? Nunca! Um terço!

— Tá louco, caralho?! Um terço?! Nem fodendo…

— Um terço ou nada…

— Porra, Rato. Você vai limpar o cara mesmo? Tem

certeza? — repreendeu Máquina.

— Tá certo… Um quinto. Mas que seja a última vez.

— Que brisa, cara… — E, enquanto Binho se recompunha,

o Rato, sereno como a morte, seguiu seu trabalho.

Fora do círculo de tensões, a chuva caía copiosa, encarregando-

se do calor infernal que brotava do chão. Qualquer

um, ao ver água a jorrar das nuvens em tamanha abundância,

pôr-se-ia a lamber as gotas, dançando e cantando ao

seu toque. Só não eles, nascidos e criados sob o jugo dos anos

40; formados pela fome e forjados na imundice e escuridão

do submundo. Pelo menos não naquela água turva e envenenada.

• • •

Foi em 33 o último grande conflito. Aquelas terras,

antes orgulhosas em dizerem-se “país”, hoje contentam-se

em serem chamadas “Condado Baixo do Terceiro Distrito

da América”, com o apelido carinhoso de “Capital da Antiga

Floresta Tropical”. Não havia mais praias, árvores ou

animais senão os peçonhentos. A maior parte do território

estava inabitável. Todo o esforço, nos anos seguintes ao

conflito, resumiu-se no cobrir com estruturas de chumbo e

concreto parte do solo, escondendo, em seu interior, o que

era a antiga cidade, tão convicta, em tempos passados, de ser

o centro produtivo da América Latina. A capital informal

do Brasil. Tal monstruosa obra precedeu o levante das cúpulas.

Os privilegiados as habitavam, com seus filhos, cães,

papagaios e macacos. Os rendidos também poderiam lá viver,

contanto que submetidos aos trabalhos de manutenção

da vida e, consequentemente, das construções suspensas. O

restante ou morreu de fome, intoxicação ou qualquer outro

dos males resultantes da natureza ferida e violada ou organizou-

se, ocupando a subestrutura de alicerce, vivendo entre

a vida desgraçada e a destruição iminente. Em suas cabeças,

resistiam ao domínio dos estrangeiros, suas bombas atômicas,

caças e fuzis. Na realidade, não combatiam sequer o vazio

do estômago. Com ódio e inveja, acabavam pegando-se a

admirar os imensos e gravemente iluminados domos vítreos

suspensos no ar, em gritante contraste com o céu arroxeado

e repleto de nuvens. Todavia sonhavam com seu espólio sem

aceitar as coleiras da submissão e a escravidão disfarçada de

“emprego”. Eram, por piores e mais imbecis que fossem, a

resistência que havia. Mesmo que não a ideal.

• • •

— Consegui! — quase gritou o Rato.

— Pois, vamos! Silêncio e toda atenção do mundo!

Se o X-9 estiver certo, esse anexo é o armazém pessoal do

Ministro Distrital. Vai estar cuspindo guardas pelo ladrão.

— As câmeras tão em looping, chefe.

— Ótimo, Rato. Parabéns pelo trabalho.

“Todos prontos?”

— Armados e carregados, chefe — responderam em

uníssono.

— Perfeito! Vamos! Ação.

Nos corredores, o esforço consistia em manter silêncio

absoluto. Mesmo os pequenos estalos das granadas

de PEM poderiam alarmar uma sentinela. Passo a passo,

como felinos, dirigiram-se ao cofre secundário, guardião do

maior tesouro possível para eles: rações básicas. A entrada

foi simples. Rato já decodificara a criptografia daquela hora.

Tinham mais de quarenta minutos para juntarem o que pudessem.

Em meios às prateleiras, a empolgação era tamanha

que, se pudessem, gritariam. Não havia, lá, apenas ração básica,

mas queijos sintéticos, álcool e iguarias sem fim. Um

verdadeiro e incontestável paraíso na Terra. Arrancaram os

filtros de ar, as lentes de proteção e puseram-se em movimento.

— Juntem o que puderem e só o que valer a pena

carregar! — Mas a ambição não permitia algo tão simplório

quanto barras de proteína. Eles estouravam garrafas, provavam

doces e sabores que suas línguas jamais antes conheceram.

Esbaldavam-se, com as bocas mudas e sorrisos a rasgar

o rosto.

Tendo o cronômetro o devolvido ao tempo e espaço,

Máquina tratou de reunir sua equipe, garantindo que todos

estivessem bem equipados de mantimentos a perder-se a

conta.

— Cadê o Rato?

— Aqui!

— Cheio?

— Cheio por dentro e por fora, chefe. A bolsa tá lotada!

— Binho!

— Quase pronto, chefe!

— Comigo tudo bem, também, chefe… E obrigado

por não perguntar… — resmungou Fred.

— E a Samanta?

— Sei não, chefe.

— Puta merda… A gente tem menos de dez minutos…

— Chama ela, Máquina. Se fosse pra terem percebido

a gente, já tinha acontecido.

Concordando temeroso, Máquina quebrou o silêncio

de rádio, cobrando, da moça, sua posição…

— Máquina do céu, cara! Isso é loucura demais! Você

tem que ver o que encontrei, Máquina!

— O que é, Samanta? Onde você tá, louca do caralho?

— Chefe, eu achei uma passagem de ar, daí me meti

nela e, quando saí, eu encontrei… — e gargalhava-se, a jovem.

— O que, Samanta? Que porra foi que você encontrou?

— Uma impressora de credenciais, Máquina! Temos

passe livre para os domos!

— Puta que pariu, Samanta! Traz logo essa merda pra

cá, e vamos dar no pé!

— Estou indo, chefe. Chego…

— Samanta? Samanta?! Tá ouvindo? Responde! —

Todos arregalaram os olhos, em indiscreta preocupação.

Após um curto instante, Samanta, ofegante, bradou

aos ouvidos de todos:

— Fodeu, porra! Fodeu! Tem um ARC-35 no meu

pé! Foge, caralho! Foge! — Referindo-se ao Autômato de

Rastreamento e Contenção, desenvolvido pela SCYCLONE

INC. para exterminar dissidentes. Aos olhos de muitos, praticamente

uma churrasqueira portátil pintada de preto. Para

quem deles ouviu falar, um blindado leve com potencial de-

moníaco de destruição, ágil, pequeno e, até então, imbatível.

— Chefe, e agora? O que a gente faz?

— Vocês, levem o Rato daqui o mais rápido que der.

Não falem nada no rádio, e se escondam na primeira galeria

que pintar. Os drones vão estar loucos, lá fora. Então, olhos

abertos e evitem, a todo custo, qualquer conflito. Perfil discreto

e protocolo de evasão.

— E o senhor?

— Vou buscar a Samanta…

— Mas isso… isso é suicídio, Máquina… — reclamou

Fred.

— A mina se arriscou por querer, chefe… Aí você vai

lá e morre de graça por uma besteira dela! — acrescentou

Binho.

— Sim, ela foi idiota. Mas, com essa idiotice, ela quase

abre pra gente as portas do paraíso… Aquela impressora…

Se ela conseguisse a impressora, a gente nunca mais tinha

que invadir depósito, nem morar no esgoto. Eu não vou deixar

ela sozinha!

— Caralho, isso é muita burrice…

— Se ela sobreviver, pode esquecer esse treco, Máquina…

— Não é por isso… Não vou perder ninguém! Cansei

de me esconder em buraco. Ou saio com a Samanta ou fico

por aqui… Chega!

— Pensa direito, seu idiota teimoso duma figa! —

Todavia não foram capazes de mudar a mente de Máquina.

Ainda havia a esperança de Samanta resgatar o precioso objeto.

E, ainda que não o pudesse fazer, Samanta era um deles.

Esse motivo, sozinho, já justificava a ação imprudente.

Vendo-os enraizados no medo e na dúvida, Máquina

assumiu seu papel. E talvez o fizesse pela última vez:

— Vão, porra! Vão! É uma ordem!

Os rapazes correram para a saída; Máquina, na direção

de seu maior pesadelo. De ali em diante, nenhum corre-

dor seria seguro; nenhuma porta, saída; nenhum clarão viria

do céu. A cada passo, o coração subia, buscando o refúgio da

boca. Um segundo poderia dividir todo o futuro. A verdadeira

rebelião poderia estar ali, ao alcance dos dedos. Sem

entender os próprios sentimentos, Máquina ousou zombar

da própria sorte. Dando início a missão de sucesso tão impossível,

exclamou:

— Se você sobreviver, garota, juro: eu mesmo te

mato!

Prólogo

Epílogo

Conto

— Porra, Rato! Vambora!

— Tou acabando, cara! Sossega aí!

— Os drones sobrevoando a nossa cabeça, e você

mandando o cara sossegar, caralho?! Tá louco?

Largando o PAD, o Rato ajeitou as lentes e, para desespero

geral, botou-se de pé, com as mãos na cintura.

— Qual é, cara! A gente só quer sair daqui vivo!

— Tomar no cu! Quem mandou trazer a bosta de um

moleque fedendo a mijo pra uma operação pesada dessas!

Agachados, os quatro manifestavam seus mais profundos

sentimentos. A adrenalina invadia suas veias, envenenando

toda a carne. Em pé, no meio deles, o garoto mantinha-

se tão altivo quanto estúpido, quase implorando por

um projétil em sua testa. Embora estivessem no escuro, os

espiões caçavam qualquer sinal de vida com suas hélices e

câmeras de infravermelho.

— Vocês não têm mais ninguém… Os que sobraram

mal conseguem cuidar das câmeras das galerias. Se continuarem

sem me dar o devido valor, vão acabar trancados no

esgoto, comendo a merda dos daqui de cima…

— Vai, Binho! Pede desculpa pro cara! Ele tem razão

— exortou a moça.

— É, Binho… Deixa o moleque trabalhar em paz,

vai… — ordenou o líder.

— E logo, inferno!

Binho afrouxou a máscara, secou um tanto o suor dos

olhos e, contra todos os impulsos, humilhou-se, como ordenara

o Máquina:

— Rato, me desculpe. De verdade… Você é o melhor

no que faz, e eu nem estaria aqui se não fosse por você. Então,

se você puder se abaixar e continuar a mexer na trava, eu

agradeceria de todo o meu coração. Beleza?

— E o que mais? — Provocou o pequeno.

— Você não é moleque nenhum. Nem tem cheiro de

mijo.

— Não é suficiente. O que mais?

— Eu… eu te dou um quinto da minha parte, quando

a gente achar abrigo.

— Um quinto? Nunca! Um terço!

— Tá louco, caralho?! Um terço?! Nem fodendo…

— Um terço ou nada…

— Porra, Rato. Você vai limpar o cara mesmo? Tem

certeza? — repreendeu Máquina.

— Tá certo… Um quinto. Mas que seja a última vez.

— Que brisa, cara… — E, enquanto Binho se recompunha,

o Rato, sereno como a morte, seguiu seu trabalho.

Fora do círculo de tensões, a chuva caía copiosa, encarregando-

se do calor infernal que brotava do chão. Qualquer

um, ao ver água a jorrar das nuvens em tamanha abundância,

pôr-se-ia a lamber as gotas, dançando e cantando ao

seu toque. Só não eles, nascidos e criados sob o jugo dos anos

40; formados pela fome e forjados na imundice e escuridão

do submundo. Pelo menos não naquela água turva e envenenada.

• • •

Foi em 33 o último grande conflito. Aquelas terras,

antes orgulhosas em dizerem-se “país”, hoje contentam-se

em serem chamadas “Condado Baixo do Terceiro Distrito

da América”, com o apelido carinhoso de “Capital da Antiga

Floresta Tropical”. Não havia mais praias, árvores ou

animais senão os peçonhentos. A maior parte do território

estava inabitável. Todo o esforço, nos anos seguintes ao

conflito, resumiu-se no cobrir com estruturas de chumbo e

concreto parte do solo, escondendo, em seu interior, o que

era a antiga cidade, tão convicta, em tempos passados, de ser

o centro produtivo da América Latina. A capital informal

do Brasil. Tal monstruosa obra precedeu o levante das cúpulas.

Os privilegiados as habitavam, com seus filhos, cães,

papagaios e macacos. Os rendidos também poderiam lá viver,

contanto que submetidos aos trabalhos de manutenção

da vida e, consequentemente, das construções suspensas. O

restante ou morreu de fome, intoxicação ou qualquer outro

dos males resultantes da natureza ferida e violada ou organizou-

se, ocupando a subestrutura de alicerce, vivendo entre

a vida desgraçada e a destruição iminente. Em suas cabeças,

resistiam ao domínio dos estrangeiros, suas bombas atômicas,

caças e fuzis. Na realidade, não combatiam sequer o vazio

do estômago. Com ódio e inveja, acabavam pegando-se a

admirar os imensos e gravemente iluminados domos vítreos

suspensos no ar, em gritante contraste com o céu arroxeado

e repleto de nuvens. Todavia sonhavam com seu espólio sem

aceitar as coleiras da submissão e a escravidão disfarçada de

“emprego”. Eram, por piores e mais imbecis que fossem, a

resistência que havia. Mesmo que não a ideal.

• • •

— Consegui! — quase gritou o Rato.

— Pois, vamos! Silêncio e toda atenção do mundo!

Se o X-9 estiver certo, esse anexo é o armazém pessoal do

Ministro Distrital. Vai estar cuspindo guardas pelo ladrão.

— As câmeras tão em looping, chefe.

— Ótimo, Rato. Parabéns pelo trabalho.

“Todos prontos?”

— Armados e carregados, chefe — responderam em

uníssono.

— Perfeito! Vamos! Ação.

Nos corredores, o esforço consistia em manter silêncio

absoluto. Mesmo os pequenos estalos das granadas

de PEM poderiam alarmar uma sentinela. Passo a passo,

como felinos, dirigiram-se ao cofre secundário, guardião do

maior tesouro possível para eles: rações básicas. A entrada

foi simples. Rato já decodificara a criptografia daquela hora.

Tinham mais de quarenta minutos para juntarem o que pudessem.

Em meios às prateleiras, a empolgação era tamanha

que, se pudessem, gritariam. Não havia, lá, apenas ração básica,

mas queijos sintéticos, álcool e iguarias sem fim. Um

verdadeiro e incontestável paraíso na Terra. Arrancaram os

filtros de ar, as lentes de proteção e puseram-se em movimento.

— Juntem o que puderem e só o que valer a pena

carregar! — Mas a ambição não permitia algo tão simplório

quanto barras de proteína. Eles estouravam garrafas, provavam

doces e sabores que suas línguas jamais antes conheceram.

Esbaldavam-se, com as bocas mudas e sorrisos a rasgar

o rosto.

Tendo o cronômetro o devolvido ao tempo e espaço,

Máquina tratou de reunir sua equipe, garantindo que todos

estivessem bem equipados de mantimentos a perder-se a

conta.

— Cadê o Rato?

— Aqui!

— Cheio?

— Cheio por dentro e por fora, chefe. A bolsa tá lotada!

— Binho!

— Quase pronto, chefe!

— Comigo tudo bem, também, chefe… E obrigado

por não perguntar… — resmungou Fred.

— E a Samanta?

— Sei não, chefe.

— Puta merda… A gente tem menos de dez minutos…

— Chama ela, Máquina. Se fosse pra terem percebido

a gente, já tinha acontecido.

Concordando temeroso, Máquina quebrou o silêncio

de rádio, cobrando, da moça, sua posição…

— Máquina do céu, cara! Isso é loucura demais! Você

tem que ver o que encontrei, Máquina!

— O que é, Samanta? Onde você tá, louca do caralho?

— Chefe, eu achei uma passagem de ar, daí me meti

nela e, quando saí, eu encontrei… — e gargalhava-se, a jovem.

— O que, Samanta? Que porra foi que você encontrou?

— Uma impressora de credenciais, Máquina! Temos

passe livre para os domos!

— Puta que pariu, Samanta! Traz logo essa merda pra

cá, e vamos dar no pé!

— Estou indo, chefe. Chego…

— Samanta? Samanta?! Tá ouvindo? Responde! —

Todos arregalaram os olhos, em indiscreta preocupação.

Após um curto instante, Samanta, ofegante, bradou

aos ouvidos de todos:

— Fodeu, porra! Fodeu! Tem um ARC-35 no meu

pé! Foge, caralho! Foge! — Referindo-se ao Autômato de

Rastreamento e Contenção, desenvolvido pela SCYCLONE

INC. para exterminar dissidentes. Aos olhos de muitos, praticamente

uma churrasqueira portátil pintada de preto. Para

quem deles ouviu falar, um blindado leve com potencial de-

moníaco de destruição, ágil, pequeno e, até então, imbatível.

— Chefe, e agora? O que a gente faz?

— Vocês, levem o Rato daqui o mais rápido que der.

Não falem nada no rádio, e se escondam na primeira galeria

que pintar. Os drones vão estar loucos, lá fora. Então, olhos

abertos e evitem, a todo custo, qualquer conflito. Perfil discreto

e protocolo de evasão.

— E o senhor?

— Vou buscar a Samanta…

— Mas isso… isso é suicídio, Máquina… — reclamou

Fred.

— A mina se arriscou por querer, chefe… Aí você vai

lá e morre de graça por uma besteira dela! — acrescentou

Binho.

— Sim, ela foi idiota. Mas, com essa idiotice, ela quase

abre pra gente as portas do paraíso… Aquela impressora…

Se ela conseguisse a impressora, a gente nunca mais tinha

que invadir depósito, nem morar no esgoto. Eu não vou deixar

ela sozinha!

— Caralho, isso é muita burrice…

— Se ela sobreviver, pode esquecer esse treco, Máquina…

— Não é por isso… Não vou perder ninguém! Cansei

de me esconder em buraco. Ou saio com a Samanta ou fico

por aqui… Chega!

— Pensa direito, seu idiota teimoso duma figa! —

Todavia não foram capazes de mudar a mente de Máquina.

Ainda havia a esperança de Samanta resgatar o precioso objeto.

E, ainda que não o pudesse fazer, Samanta era um deles.

Esse motivo, sozinho, já justificava a ação imprudente.

Vendo-os enraizados no medo e na dúvida, Máquina

assumiu seu papel. E talvez o fizesse pela última vez:

— Vão, porra! Vão! É uma ordem!

Os rapazes correram para a saída; Máquina, na direção

de seu maior pesadelo. De ali em diante, nenhum corre-

dor seria seguro; nenhuma porta, saída; nenhum clarão viria

do céu. A cada passo, o coração subia, buscando o refúgio da

boca. Um segundo poderia dividir todo o futuro. A verdadeira

rebelião poderia estar ali, ao alcance dos dedos. Sem

entender os próprios sentimentos, Máquina ousou zombar

da própria sorte. Dando início a missão de sucesso tão impossível,

exclamou:

— Se você sobreviver, garota, juro: eu mesmo te

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