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Akutagawa
Conto

Akutagawa

O jovem samurai, Akutagawa, chega ao Vilarejo Sakura. Um samurai é tudo que o vilarejo mais precisava para acabar com a ameaça de um ritual que poderia destruir seu bem mais precioso: a árvore cerejeira que dava nome ao local.

Aline Moreira
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Áudio drama
Akutagawa
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Eu voltava de uma missão que meu senhor havia me dado e que me levara a paragens desconhecidas em terras distantes, quando me deparei com um vilarejo. À distância me parecia ser um vilarejo tão comum quanto qualquer outro, mas quando me aproximei, a presença de corvos e outros pássaros de mau agouro se fez notar; e isso me fez perceber que algo de errado acontecia por ali. Tendo em vista que eu tinha que me reportar a meu senhor, planejava evitar qualquer coisa que pudesse me atrasar; por isso segui meu caminho sem me preocupar com aquele estranho vilarejo.

Mas, infelizmente, nem sempre as coisas ocorrem como queremos. Eu havia caminhado poucos metros, me distanciando do vilarejo quando começou a chover. Certamente eu tinha a opção de continuar a seguir meu caminho em meio à chuva que ainda estava fraca; sempre achei que o barulho que a chuva fazia ao cair no chão tinha um efeito calmante em mim, e talvez fosse disso que eu precisava pelo resto do caminho que tinha a percorrer. O único problema era que a chuva começava a ficar mais forte e o caminho de terra à minha frente se transformou em lama. Na certa isso mais me atrasaria do que me ajudaria se eu insistisse em meus planos, portanto me resignei ao destino que se descortinava à minha frente e regressei ao vilarejo, antes que ficasse completamente encharcado com a chuva.

Eu mal batera no portão e começara a explicar quem era, quando o porteiro permitiu minha entrada. Ele parecia mais do que feliz em ter um samurai em seu vilarejo, o que me pareceu muito estranho. Geralmente as pessoas não apreciavam minha presença em suas vilas e aldeias, pois acreditavam que isso poderia atrair batalhas; portanto, se aquele homem estava feliz em me ver, esta era a comprovação de que algo terrivelmente errado estava acontecendo por ali.

O homem fechou o portão com um baque e senti como se tivesse sido trancafiado numa cela tenebrosa. A atmosfera daquela vila era incrivelmente sombria e, nem mesmo a chuva afastara os corvos que agora crocitavam pousados numa grande árvore que parecia ocupar o centro do vilarejo.

- É curioso que esses pássaros permaneçam aqui mesmo com a chuva... – Comentei observando a vila, cujas casas pareciam tão silenciosas. – Aconteceu alguma coisa por aqui? Está tudo tão quieto. – O homem me olhava como se tivesse medo de alguma coisa, mas seu receio de expor seus temores parecia maior.

- O senhor certamente vai precisar de um lugar pra ficar. – Ele falou após alguns segundos. – Posso lhe indicar a casa de uma família de amigos meus, que não se importariam de hospedá-lo. – Eu assenti, realmente precisaria de abrigo. Ele me indicou o caminho que deveria seguir e qual era o nome de seu amigo, e eu começava a seguir meu trajeto quando mais uma vez o aldeão se dirigiu a mim e disse de modo misterioso: - Creio que ele poderá tirar suas dúvidas. – E, em seguida, voltou a seu posto sem proferir mais nenhuma palavra.

Se quisesse dormir em um local protegido da chuva, eu não podia fazer nada além de seguir até a casa do amigo que ele me indicara; entretanto, todo aquele mistério, apenas aumentava meu desejo de dar meia volta e partir dali.


Bati levemente na porta da casa e rapidamente ela foi aberta por uma criança. O menino me encarava com estranhamento; e logo percebi que seu temor se devia às espadas penduradas em minha cintura.

- Olá. – Eu disse com um sorriso gentil. – Meu nome é Akutagawa Hiroshi. Sou um samurai. O seu pai está em casa? – Ainda receoso o menino permitiu que eu entrasse na casa e foi buscar seu pai. Era possível ouvir os sussurros das palavras que trocaram, e em pouco tempo ouvi os passos de seu pai se aproximando. – Boa tarde. – Fiz uma pequena reverência assim que ele entrou na sala e ele correspondeu meu gesto.

- Boa tarde. Sou Takahashi Akira. Em que posso ajudá-lo? – Takahashi fez um gesto com a mão indicando que eu deveria me sentar à mesa que ficava no meio da sala e sentou do lado oposto da mesa. Ele era um homem simples, provavelmente um ferreiro ou algo do tipo, se suas mãos calejadas fossem alguma indicação, e devia ter cerca de trinta anos ou um pouco mais do que isso.

- Como disse ao seu filho, sou Akutagawa Hiroshi, um samurai. – Tirei das costas a bolsa, onde carregava minhas coisas, e a coloquei ao lado da mesa. E, em seguida, soltei as espadas de minha cintura para que pudesse sentar no chão de maneira confortável; deixei-as sobre minhas pernas, pois estava acostumado a sempre tê-las por perto. Era impossível saber quando seria necessário usá-las. – Preciso de um lugar para passar a noite e o porteiro me indicou sua casa.

- O senhor é bem-vindo. – Respondeu Takahashi com um sorriso, embora sua aflição fosse palpável. Ele parecia pensar se dizia qual era o problema ou não, e acabou se decidindo pelo ‘sim’. – Na verdade, a presença de um samurai nesta vila é mais do que bem-vinda, é necessária.

- O que está acontecendo? – Perguntei interessado. A atitude de meu anfitrião indicava que passavam por algum problema grave.

- Nossa existência nesta vila está por um fio. – Takahashi começou a explicar. – O senhor mesmo deve ter visto os pássaros que estão rondando nosso vilarejo.

- É impossível não notar. Ainda mais tendo em vista que eles estão pousados naquela árvore enorme, mesmo sob a chuva constante. – Minha resposta pareceu deixá-lo ainda mais preocupado.

- Esta é uma árvore sagrada para nosso povo. Muitos acreditam que ela seja a fonte das bênçãos e alegrias de nossa aldeia e, por isso, nosso vilarejo se chama Sakura; é uma homenagem a ela.

- Bem, sinto ter que lhe dizer isso, mas se essa árvore é tão importante para vocês, creio que deveriam cuidar melhor dela. Mesmo com a chuva, pude notar que suas folhas estão secas e não há flores, o que é muito estranho, já que esta é a época em que as cerejeiras florescem. Então isso só pode significar que vocês estão sendo negligentes em seu cuidado com a pobre árvore. – Era muito estranho que, considerando aquela árvore tão importante, a tratassem desse jeito. Se Takahashi não tivesse me dito isso, eu acreditaria que estavam tentando matá-la.

- É por isso que sua chegada é uma benção, Akutagawa-san. Precisamos de sua ajuda para salvar nossa árvore e nossas vidas. – Fiquei um pouco surpreso com suas palavras. Não era provável que a existência de uma árvore estivesse conectada às vidas daquelas pessoas, mas, de qualquer forma, eu ouviria o que ele tinha a me dizer.

- É melhor que o senhor comece do princípio. Não posso fazer muito sem saber o que está realmente acontecendo. – Eu pedi e ele anuiu com a cabeça.

- Contarei tudo, mas é melhor que o senhor coma alguma coisa primeiro. A história é longa. – E logo ele pediu que sua esposa servisse o jantar e nós saboreamos a deliciosa refeição.


Assim que terminamos o jantar, Takahashi me contou a história daquele vilarejo e do problema que os acometia naquele momento:

- Os antigos líderes desta vila sempre acreditaram que esta árvore era a fonte de poder que nos mantinha prósperos e longe de conflitos, em meio a tantas batalhas que ocorrem ao nosso redor, já que nasceu num local onde nada havia florescido até então; e, por isso, há gerações cuidamos dela com toda a atenção e dedicação. – Ele fez uma pequena pausa e prestou atenção nos sons ao nosso redor e fora da casa, como se quisesse se certificar de que estávamos realmente sozinhos, e então, prosseguiu: - O problema é que quando nosso último líder faleceu há pouco mais de um mês, seu filho ocupou seu lugar. Isso não seria um problema se ele não tivesse, repentinamente, decidido que a árvore deve ser destruída. Sempre houve alguns jovens que acreditam que a natureza da árvore é maligna e eles sempre criticaram nossas atitudes por querer mantê-la bem e saudável, mas este não era o caso de Yoshida, o novo líder. Assim como seu pai, ele era dedicado à proteção de nossa árvore; mas agora que assumiu o poder, quer realizar um ritual para queimar a árvore, que sempre cuidou com tanta dedicação. Algo de muito errado está acontecendo e isso pode acabar atingindo a todos nós. – Takahashi terminou de falar, completamente transtornado.

- Entendo seu dilema, mas, infelizmente, não posso ficar para ajudá-los. – Eu disse tentando ser o mais gentil possível, embora soubesse que não era isso o que ele queria ouvir. – Tenho um compromisso com meu senhor e estou numa missão. Não posso simplesmente largar tudo e ficar aqui.

- Por favor, Akutagawa-san, nos ajude. – Implorou o homem se ajoelhando diante de mim e encostando sua cabeça no chão. – Nossas esperanças estão quase no fim; e se o senhor for embora, temo que nossa aldeia pereça junto com a árvore. – Me senti péssimo ao ver aquele homem ajoelhado à minha frente, pois eu sabia que era o meu dever como samurai, ajudar aqueles que precisavam de ajuda; e, se eu fosse embora daquela vila, deixando-os naquela situação catastrófica, provavelmente me arrependeria para sempre.

- Levante-se, Takahashi-san. Tudo o que posso prometer é passar um dia aqui para tentar descobrir o que está acontecendo. – Respondi por fim, me resignando ao destino que se apresentava diante de mim. Eu não o almejava, mas, de alguma forma, ele me alcançara do mesmo jeito. – Amanhã farei algumas investigações para tentar descobrir o que está acontecendo.

- Obrigado, Akutagawa-san. Muito obrigado. – O homem à minha frente se levantou, claramente mais aliviado. – Vou lhe apresentar suas acomodações. – Eu me levantei e peguei minhas coisas, antes de segui-lo pela casa. Se eu teria que me dedicar a esta nova missão no dia seguinte, era melhor que estivesse descansado.



No dia seguinte levantei bem cedo e fui dar uma volta pelo vilarejo. Não havia muito para se ver além da imensa árvore, e foi a ela que me dediquei. Analisei-a de perto e, apesar de soar como loucura, a verdade é que eu podia sentir uma energia vindo daquela árvore. Eu estava prestes a tocá-la, quando alguém me interrompeu:

- Se eu fosse você, não faria isso. – Disse um rapaz parando ao meu lado. – Esta árvore tem uma energia muito ruim e se você tocá-la pode ser contagiado por ela. – Ele disse com um sorriso que me parecia extremamente forçado. – A propósito, sou Yoshida Kazumi, no momento sou o líder deste vilarejo. – O rapaz fez uma reverência e eu o correspondi. – E o senhor é?

- Akutagawa Hiroshi, um samurai que estava de passagem quando começou a chover.

- Ah! Então o senhor estava apenas passando por aqui... Entendo. – Yoshida me olhava com suspeitas e isso só me fazia acreditar cada vez mais no que Takahashi-san me dissera, havia algo de errado com aquele garoto. – Deve estar de partida, então. – Seu desejo em me ver longe dali, apenas aumentava minha vontade em ficar.

- Ainda não. – Respondi com um pequeno sorriso. – Resolvi ficar por alguns dias. Afinal, não é em todo lugar que se pode admirar uma árvore tão antiga quanto esta. – Era perceptível que isso não o agradava, mas ele sabia que se tentasse me expulsar à força, acabaria se metendo em problemas que estavam além da sua alçada.

- É verdade. – Comentou Yoshida voltando a sorrir com falsidade e lançando um olhar de puro ódio à árvore. – O senhor deve aproveitar enquanto ela ainda está aqui, pois não vai permanecer de pé por muito tempo. – Ele concluiu num tom taxativo, como se me desafiasse a afirmar o contrário; e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, o rapaz me deu as costas e seguiu seu caminho.

Não deixei que aquele encontro me desanimasse, continuei perambulando pela vila tentando encontrar algum indício do que estava acontecendo naquele lugar. Inclusive fui até o cemitério. Talvez a morte do pai de Yoshida tivesse algo a ver com aquela confusão. Mas não tive oportunidade de procurar seu túmulo, pois havia uma cova que se destacava entre todas as outras, pois era a única que não tinha algo que a identificasse.

Isso me pareceu muito estranho, tendo em vista que ali todos eram amigos há anos. Devia ter algum motivo muito especial para que fosse assim. Teria que perguntar a Takahashi.



- Aquele túmulo pertence ao Matsumoto. Ele era um dos jovens mais revoltados com o fato de cuidarmos tão bem da árvore. – Explicou Takahashi quando o questionei. – Ele sempre tentava incitar os outros jovens a seguirem seu exemplo, mas não tinha muito sucesso nisso. – Takahashi deu um sorriso triste. – Matsumoto era um bom rapaz quando não estava engajado nessa missão.

- E o que aconteceu a ele?

- Não sabemos com certeza. – O senhor me disse com um dar de ombros desanimado. – Matsumoto parecia bem, mas um dia simplesmente se matou. – Isso explicava porque seu túmulo não tinha identificação. Sinalizava a desonra que ele causara à sua família com o ato que cometera.

- Entendo. – O que Takahashi dissera me dava muito em que pensar. Agradeci e voltei a sair da casa, decidido a até a casa de Yoshida. Esta não era a primeira vez que eu via uma pessoa agir de forma completamente diferente à que lhe era natural, e precisava comprovar minhas suspeitas a respeito das causas disso.

Segui as instruções de Takahashi e logo encontrei a casa de Yoshida. Não precisei bater a porta, pois podia ver seu interior a partir da janela; e a cena que vi comprovara minhas suspeitas. A casa estava imunda, com restos de comida em pratos espalhados por todos os cantos. Era como se Yoshida simplesmente largasse qualquer objeto que estivesse carregando no primeiro lugar que via. Não parecia que alguém morava ali, não havia qualquer tipo de ordem.

Esses eram sinais claros de uma possessão espiritual, e estava mais do que claro que aquele não era um espírito bondoso. Espíritos malignos tinham a tendência de não se importar com o ambiente onde estavam desde que conseguissem seu objetivo. E depois de tudo que eu ouvira, apenas Matsumoto poderia estar por trás de tudo isso.

Voltei para a casa de Takahashi rapidamente e lhe expliquei a situação. Teríamos que conseguir reunir um grupo para desenterrar o corpo de Matsumoto e realizar um ritual de cremação. Essa era a única maneira de libertar Yoshida daquele espírito maligno.

- Tem certeza que esta é a única maneira? – Indagou Takahashi com uma expressão preocupada. – Profanar um túmulo é algo terrível.

- Se quiser salvar aquele rapaz e a sua árvore é o único jeito que conheço. – Falei com seriedade e um pouco de irritação. Eu não pedira para ficar ali e ajudá-los. – Também há a opção de deixar que ele conclua seus planos e queime a árvore.

- Isso não. – Takahashi respondeu alarmado. – Vou fazer o que me pede. Avisarei os outros moradores e à noite iremos até o cemitério para resolver essa situação. – Concordei com um aceno de cabeça. Tínhamos que salvar aquele rapaz antes que fosse tarde demais. Não havia tempo a perder.



Logo estávamos diante do túmulo de Matsumoto, prestes a começar a cavar, quando Yoshida nos surpreendeu.

- Então além de tentarem condenar este vilarejo com aquela árvore maligna, vocês também profanam túmulos? – Ele indagou nos lançando-nos um olhar de puro ódio.

- Já pode parar com o teatro, Matsumoto, nós sabemos de tudo. – Falei tomando a frente da situação.

- Fico feliz em ouvir isso. Já estava cansativo fingir ser o idiota do Yoshida. – Ele respondeu de maneira arrogante, sem qualquer tentativa de me desmentir. – Agora que sabem quem eu sou, sabem também do que sou capaz.

- Não por muito tempo. – Repliquei fazendo um gesto para que os outros homens começassem a cavar e eles assim o fizeram. Isso apenas o irritou mais ainda.

- Eu não vou permitir que façam nada como meu corpo. – Falou pegando uma espada que deixara sobre um dos túmulos e se colocando em posição para lutar contra mim.

- Continuem cavando não importa o que aconteça. – Eu disse antes de dar um passo à frente e receber o primeiro golpe de Matsumoto. Nossas espadas se chocaram e o som daquele golpe ecoou pelo cemitério silencioso.

Ao contrário do que eu pensava Matsumoto era um exímio espadachim e tivemos que trocar muitos golpes até que eu conseguisse desarmá-lo e dominá-lo; e, ainda assim, ele tentava se libertar e continuar a me atacar.

- Você não tem ideia do que está fazendo! – Ele gritava com insistência. – Está apenas contribuindo para a destruição de todos nós. Como não consegue perceber que esta árvore não trás nada de bom a este vilarejo? Você deve ter notado o tipo de pássaros que ela atrai.

- Pelo que entendi esses pássaros só surgiram quando você ordenou que deixassem de cuidar da árvore. Não percebe que em sua tentativa de destruí-la está trazendo para cá o mal que tanto teme? – Matsumoto, parou de se mexer e, por um segundo, achei que ele tinha deixado o corpo de Yoshida, mas logo ele voltou a tentar se libertar novamente. Estava com mais raiva, se é que isso era possível.

- Diga isso aos meus pais, que morreram depois de tomar um chá feito com as flores daquela árvore maldita! – Lágrimas escorriam por seu rosto, e eu olhei para Takahashi com um olhar questionador.

- Isso é verdade? – Perguntei.

- É claro que não. – O senhor Takahashi respondeu largando a pá que segurava e se aproximando de nós. – Nesta vila todos bebemos chás feitos com as flores dessa árvore e nada aconteceu até hoje. – Ele deixou de me encarar e olhou para o rapaz. – O que aconteceu com aos seus pais foi uma fatalidade, Matsumoto. Eles adoeceram e morreram muito rápido para que tentássemos fazer alguma coisa, mas a árvore não tem nada a ver com isso. – Matsumoto a essa altura soluçava de cabeça baixa e Takahashi-san se compadeceu de sua situação, se aproximando ainda mais dele. – Tentamos fazer o melhor possível cuidando de você, mas, claramente, fracassamos.

- Pode ter certeza que fracassaram. – Respondeu Matsumoto erguendo a cabeça com um olhar assassino e, dessa vez, tentando atacar Takahashi. Eu que observava os menores movimentos dele, acertei sua nuca com o punho da espada e ele caiu desacordado no chão.

- Não se deixe enganar por lágrimas fingidas, senhor Takahashi. – Eu disse me abaixando para verificar se o rapaz ainda respirava. – Yoshida ainda está vivo, mas temos que terminar isso antes que Matsumoto acabe matando-o. – Amarrei seus braços nas costas com uma corda e fui ajudar os homens a cavar.

Com a ajuda de todos, em pouco tempo, a cova estava aberta. Todos esperavam ver um corpo em decomposição, mas quando abrimos o caixão e nos deparamos com um corpo completamente enegrecido. Os homens ficaram horrorizados e estavam prestes a deixar o trabalho pela metade, temendo que aquilo fosse obra de um demônio ou maldição; mas antes que eles pudessem reagir, ordenei a Takahashi que jogasse óleo sobre o corpo e eu estava prestes a acender o fogo com o auxílio de uma tocha, quando Yoshida acordou.

- Não façam isso! – Era óbvio que Matsumoto não deixaria aquele corpo sem tentar nos impedir. – Eu não estou preparado para partir.

- Ninguém nunca está. – Respondi sem me compadecer com seus apelos. O mal tinha o hábito de usar a face da bondade para nos enganar, mas eu não seria mais iludido por aquele espírito maligno. – E quanto a Yoshida? Você acha que ele está pronto para partir e ceder seu corpo a você? – Ele me fitou com um olhar malicioso.

- Ele é fraco. Se não fosse, eu não estaria aqui. – Explicou com um sorriso.

- Você se aproveitou de um momento de fragilidade dele, quando o pobre coitado perdeu o pai; mas isso acaba agora. – E assim atirei a tocha dentro da cova e logo o corpo ardia em chamas. Matsumoto gritava em agonia, e, no mesmo momento em que seu grito cessou, o corpo de Yoshida tombou no chão novamente.

Da próxima vez em que aquele jovem despertou, ele estava livre das influências de Matsumoto que, a essa altura, já devia estar no inferno.


- Tem certeza de que não deseja passar mais uma noite aqui? – Indagou Takahashi com um sorriso, quando eu disse que precisava partir, depois que terminamos de comer o café da manhã. – Seria uma grande honra para todos nós se o senhor pudesse conhecer nosso vilarejo agora que dias mais auspiciosos se anunciam. – Quase na mesma hora em que os moradores voltaram a cuidar de sua árvore, os pássaros de mau agouro partiram daquele lugar e o ambiente se tornou muito mais hospitaleiro.

- Bem que eu gostaria. – Respondi com um sorriso, satisfeito por saber que conseguira ajudá-los a resolver seus problemas, sem que precisasse atrasar muito meus assuntos. – Mas tenho ordens a cumprir.

- É uma pena. – Ele comentou com uma expressão de tristeza. – Quem sabe algum dia o senhor não volta a nos visitar e passar alguns dias aqui? – Eu achava aquela hipótese quase impossível, mas não queria desanimar meu novo amigo.

- Quem sabe? Depois de tudo o que passamos aqui, podemos ter certeza de que nada é impossível. – Ele assentiu e seguimos conversando até o portão, onde nos despedimos com uma reverência e me pus novamente em meu caminho, pensativo.

Eu esperava que não ocorressem mais problemas naquele vilarejo, mas algo me dizia que este não era o fim dos problemas que aquela árvore podia causar.


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