A Sombra no Escuro

Terror
Outubro de 2019
Começou, agora termina queride!

Fernando Muniz Erthal

Autor
Autora
Organizador
Organizadora
Autor e Organizador
Autora e Organizadora
Editor
Editora
Ilustrador
Ilustradora
A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido.

Conquista Literária
Conto publicado em
O Culto

Prólogo

Epílogo

Conto

Áudio drama
A Sombra no Escuro
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- Tenho medo do escuro. - Disse eu, com um pouco de dificuldade, admito.

Alguns riram, outros apenas continuaram a me observar. A tutora, porém, com um leve balançar da cabeça, tentava me incentivar a ir em frente, e então continuei, ainda ao som de alguns risos baixos:

- Os pais normalmente dizem aos seus filhos que eles não precisam ter medo, afinal é tudo como antes, tudo está no mesmo lugar, mas simplesmente sem luz. - E eu sei disso, não sou nenhuma idiota, o problema são as coisas que passam a existir junto do escuro.

- Seus pais não, Melissa? - Perguntou a tutora, da maneira mais amigável possível.

- Não, meus pais morreram antes de terem essa chance. - A vergonha me consumia por completo. Vergonha… Era um ótimo sentimento para fazer companhia ao solitário medo que me tomava ao longo daqueles anos.

- E o que mais te provoca medo no escuro, Melissa? - Continuou a tutora, na tentativa de conseguir me ajudar.

Engoli em seco antes de pronunciar:

- Mordiggian. - A palavra escorreu de meus lábios, como o vento que entra pela fresta de uma janela que foi esquecida aberta. Era terrível e causava náuseas só de ouvi-la sendo pronunciada em voz alta.

- Ufa, achei que era o bicho papão! - Respondeu alguém no fundo da pequena sala.

Mais risadas, de mais pessoas agora. Quis me sentar novamente naquele momento, baixei a cabeça e fui em direção à cadeira mais próxima, meu corpo tremia, minhas mãos suavam. Teria conseguido não fosse a tutora novamente, que foi em minha direção.

- Está tudo bem Melissa, vamos com calma, você consegue, ok?

Ok, “claro”... Ela não podia entender. Talvez até pudesse compartilhar o mesmo medo que eu, talvez se quem sabe pudesse, também, ver o grande vulto negro, que me observava através da porta aberta para a escura sala ao lado, talvez… Ou talvez como meus pais, ele simplesmente a engolisse em sua escuridão, sem ter tempo de sentir medo, sem ter tempo ao menos de entender, o que aquela grande sombra no escuro era.


Prólogo

Epílogo

Conto

- Tenho medo do escuro. - Disse eu, com um pouco de dificuldade, admito.

Alguns riram, outros apenas continuaram a me observar. A tutora, porém, com um leve balançar da cabeça, tentava me incentivar a ir em frente, e então continuei, ainda ao som de alguns risos baixos:

- Os pais normalmente dizem aos seus filhos que eles não precisam ter medo, afinal é tudo como antes, tudo está no mesmo lugar, mas simplesmente sem luz. - E eu sei disso, não sou nenhuma idiota, o problema são as coisas que passam a existir junto do escuro.

- Seus pais não, Melissa? - Perguntou a tutora, da maneira mais amigável possível.

- Não, meus pais morreram antes de terem essa chance. - A vergonha me consumia por completo. Vergonha… Era um ótimo sentimento para fazer companhia ao solitário medo que me tomava ao longo daqueles anos.

- E o que mais te provoca medo no escuro, Melissa? - Continuou a tutora, na tentativa de conseguir me ajudar.

Engoli em seco antes de pronunciar:

- Mordiggian. - A palavra escorreu de meus lábios, como o vento que entra pela fresta de uma janela que foi esquecida aberta. Era terrível e causava náuseas só de ouvi-la sendo pronunciada em voz alta.

- Ufa, achei que era o bicho papão! - Respondeu alguém no fundo da pequena sala.

Mais risadas, de mais pessoas agora. Quis me sentar novamente naquele momento, baixei a cabeça e fui em direção à cadeira mais próxima, meu corpo tremia, minhas mãos suavam. Teria conseguido não fosse a tutora novamente, que foi em minha direção.

- Está tudo bem Melissa, vamos com calma, você consegue, ok?

Ok, “claro”... Ela não podia entender. Talvez até pudesse compartilhar o mesmo medo que eu, talvez se quem sabe pudesse, também, ver o grande vulto negro, que me observava através da porta aberta para a escura sala ao lado, talvez… Ou talvez como meus pais, ele simplesmente a engolisse em sua escuridão, sem ter tempo de sentir medo, sem ter tempo ao menos de entender, o que aquela grande sombra no escuro era.


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