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A Senhora

Entre cochilos e paradas uma ótima imaginação ou uma péssima realidade?

Luciano Nascimento
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A Senhora
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Quem me conhece, sabe que no ônibus, há duas coisas que gosto de fazer. Uma delas é cochilar, a outra é escrever. Não necessariamente nessa ordem.

Entre um cochilo e outro, eu escrevo. Entre um rascunho e outro, eu cochilo. Dentro de um coletivo surgiram muitos contos de terror, fantasia e ficção científica, a algumas histórias um tanto quanto inusitadas.

Este fato, em particular, aconteceu antes da criação dos ônibus expressos, quando as viagens eram mais longas e demoradas, mas, nem por isso os ônibus eram menos lotados.

Aconteceu que, uma senhora sentou-se ao meu lado. Curiosamente, lembrava (e muito!) minha falecida avó. Silenciosa e simpática, seguiu a viagem mascando algo que não consegui identificar.

À princípio, não lhe dei muita atenção. Segui escrevendo e cochilando. Se bem me lembro, era algo sobre viagens no tempo ou invasões reptilianas, e sonhava com criaturas abissais.

E eis que, para retirar minha atenção, escutei um rec rec baixo e insistente, como o de alguém coçando algo. Abri de leve os olhos e percebi que a senhora ao meu lado estava mexendo nas mãos, ou melhor, coçando uma delas. Seu olhar, entretanto, foi o que me intrigou. Parecia distraída e mastigando calmamente, contrariando o movimento frenético de suas mãos.

De repente, senti um frio na espinha ao olhar novamente e ver que ela arrancava uma membrana fina e quase transparente da mão que estava coçando. Delicadamente, enrolou o que parecia a pele da palma da mão e enfiou na bolsa. Fechei meus olhos e falei mentalmente, “você está cochilando, acorde e escreva”.

Fiquei assim por mais alguns minutos, quando o rec rec baixo retornou. Jurei que não olharia de novo, mas não consegui. E percebi o mesmo sinistro ritual. A pele descamada saída inteiriça da outra palma da mão idosa, enrolada com calma e posta dentro da bolsa. Agora, no entanto, algo estava diferente.

Aquela senhora olhava para mim enquanto prosseguia em sua tarefa.

Senti um misto de horror, asco e vergonha. “E se aquela pobre senhora fosse acometida por alguma doença de pele que eu não conhecia?” ou pior, “E se minhas histórias fantásticas realmente fossem verdade?” Estaria eu ao lado de alguma reptiliana ou mutante?

Aconteceu que, naquele ponto, não poderia fazer outra coisa senão confrontar aquele olhar que me fitava insistente. Na falta de algo melhor para dizer, falei: “Tudo bem com a senhora?”

Com a simpatia do início da viagem, parou de mastigar para me responder. “Um pouco ansiosa, devo confessar. Minha dentadura está frouxa e estou indo ao dentista pela terceira vez para ajustar. Estou com medo, pois ela fica se movendo dentro da minha boca e machuca minha gengiva. Por isso, controlo meu nervosismo com isto.” E mostrou-me sua mão. O arrepio subiu-me até a base da nuca e irradiou, antes do que eu iria ouvir: “Sempre antes de sair de casa, passo a cola escolar de meu neto nas mãos, e depois que ela seca, fico tirando ela para me distrair. Infelizmente, já retirei das duas. Me desculpe se estava lendo o que o senhor estava escrevendo.” Por fim, revelou. E sorriu.

Meu ponto chegou e levantei-me, despedindo-me daquela senhora, que me sorriu novamente, dizendo: “Tente acrescentar um pouco mais de medo na protagonista, as pessoas passarão a se identificar”. Ao agradecer o conselho, percebi o quanto ela se parecia realmente com minha avó. Menos em um detalhe. Sua pele negra contrastava com o curioso verde esmeralda profundo da íris de seus olhos.

Mas preferi não me prender nisso. Quero continuar crendo que aquela película era mesmo cola escolar.

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