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Eis a grande questão: Como podem existir histórias com finais tão dramáticos?

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A Forja e a Queda
Conto

A Forja e a Queda

Em um mundo intangível poderíamos simplesmente apagar tudo o que aconteceu e simplesmente reiniciar, do zero, como se nada tivesse acontecido.

Luciano Nascimento
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Áudio drama
A Forja e a Queda
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Do alto dos arranha-céus de V.E.RO.N.A. , o mundo parece pequeno. É o que observo ao cair de um deles.

A queda em si não é um problema. Mas sim a sensação de se haver perdido algo mais importante. Talvez, eu sempre esteja caindo.

Seguro-me em uma gárgula no parapeito do primeiro prédio que alcanço. Minhas pernas se balançam para frente e meu corpo segue o sentido delas. Caio de joelhos no topo do edifício seguinte.

Não tenho tempo para descansar. As luzes dos hovercars de patrulha me alcançam. Não me lembro ao certo o motivo, mas sei que devo fugir deles.

O infravermelho me persegue. Com certeza, possuem sensores de calor. A escuridão da noite me ajuda. A luz da lua me denuncia.

Corro até ganhar velocidade e salto em direção ao prédio seguinte. Em pleno ar, uma lembrança me assalta. Vítreos olhos verdes femininos. Sinto como se alguém saltasse comigo.

Sem perder tempo, começo a correr quando chego na cobertura do prédio. Percebo um dróide de segurança. Provavelmente para impedir pessoas como eu. Desvencilho-me dele e, com uma cambalhota lanço-me para o edifício seguinte.

Uma sacada me salva de um erro de cálculo. Ao me dependurar nela, sinto como se dedos metálicos me tocassem, tentando me puxar. “Onde está?” uma voz feminina me invade a mente.

Com força, consigo escalar e chegar ao telhado. Ajusto o filtro de minha máscara respiratória, o ar tóxico me invade as narinas. Os Segmentários sabem meu destino. Por isso, devo me apressar, conseguir uma vantagem. Coisa que só terei pelos telhados de V.E.R.O.N.A.

Sobre um telhado inclinado consigo avistar meu destino. A Igreja. Sua arquitetura antiga, diferente das construções extravagantes e surreais chama a atenção para si. Insólita, barroca, irreal. E dentro dela, ela me espera.

Escorrego pelo telhado devagar e com cuidado. Em sua borda, com uma cambalhota caio em um parapeito.

De pé, dois Segmentários me observam. Um deles segura um florete laser, o outro, uma foice magnética.

“Não estou interessado em conflitos. Não mais. Sangue e circuitos demais foram derramados esta noite.” Digo.

“Então, retorne.” Diz um deles.

“Sabem que não posso. Não mais.”

“Então, pereça.” Ambos se lançam contra mim. Num movimento rápido, desvio do golpe da foice, fazendo um acertar o outro. Um deles cai, praguejando e mortalmente ferido.

O outro, com a foice, se apruma.

“Ou você, ou eu, ou ambos. Todos iremos tombar.” Aí, sou eu que me lanço, como um berseker.  Sinto o golpe da foice em minhas costelas. Mas não estou desarmado. Saco uma lâmina,  que faz seu trabalho com destreza.

Continuo meu caminho, ignorando o que mais vier pela frente. Sinto minhas forças se esvaindo e me jogo contra um dos vitrais da Igreja. Caio ainda mais ferido, mas não menos obstinado.

De pé, ela me observa. Seus olhos são de um verde fosforescente. Linda como uma aparição.

“Não há destino. Não há homem. Não há IA. Não há nada que nos possa separar.” Ela me fala. Seu holograma é quase palpável. Ela me sorri. E não há dor neste sorriso. Não mais.

“Sob esta abóbada, somos dois e somos um.” Murmuro para ela.

“Nenhum destino...” de repente, ela para.  Percebo que há algo errado. Uma espécie de sombra rubra começa a tomar conta do corpo dela. Aos poucos, ela vai tornando-se escarlate e começa a desaparecer em dados, espalhando-se pelo ar.

Desesperado, tanto tocá-la. Em vão.

Tento pronunciar seu nome, mas as palavras não vêm. Ela vai se desfazendo em minha frente.

As lágrimas tomam conta do meu rosto. Consigo me lembrar que ela nunca entendeu o porquê de esvairmos fluidos pelos olhos.

Ela se foi. Assimilada, o que para uma IA é quase semelhante à morte. O vírus tomou conta de seu banco de dados.

Desesperado, sigo tateando minha nuca em busca de algo que meus olhos não conseguem enxergar. Toco um cabo invisível e começo a puxá-lo. Uma dor inumana toma conta de me corpo. Sinto como se estivesse desaparecendo, levado para mesma escuridão que ela.

FALHA DE CONEXAO.

PANE NO SISTEMA.

COLAPSO.

Escuridão.

Abro meus olhos.

A Igreja desapareceu. V.E.RO.N.A. desapareceu. Apenas me resta a Câmara escura de M.A.N.T.U.A.

À minha frente, uma Caixa Preta. O que me restou dela. E de mim.

Quantos anos já fazem? Não faço ideia. Em M.A.N.T.U.A. o tempo não passa. Aqui é o lar e a prisão dos amantes de estrelas desafortunadas. Amar é um crime. Foi o vírus que tomou conta do banco de dados dela. E nublou meu julgamento. Não há vírus mais terrível. Mesmo para um homem. Mesmo para uma Inteligência Artificial.

Pego o cabo para me conectar novamente ao átimo que me resta de VE.R.O.N.A. Um instante isolado no tempo. Somente lá consigo vê-la e o que restou de nossa história. Apenas esse fragmento me mantém vivo. Apenas ele prova que ainda sou humano.

Lembro-me daquilo que deveria esquecer. E esqueci-me do que deveria lembrar-me sempre.

Já não me lembro de nossa história.

Já  não me lembro mais do nome dela.

Sequer me lembro do meu.

E, mesmo assim, a importância dela permaneça viva.

Porém, a morte dela não sai da minha mente. Nestas reminiscências, ela permanece. Intacta. Imperecível.

Já vi esta cena 3.141.592.653.589.793.238 vezes. Não faço ideia de quantas vezes mais a repetirei. O disco rígido tem somente uma memória gravada. E ela ainda me atormenta, tanto quanto da primeira vez.

Minha amada se foi. Mas eu permaneço. Um fantasma holográfico. Um backup mal formatado.

Então me pergunto, quantas vezes são necessárias para a  morte de quem se ama se tornar indiferente?

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