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A espada Manuscrita
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A espada Manuscrita
Áudio drama
A espada Manuscrita
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Era uma expedição de um único homem em busca de um artefato antigo e valioso. O homem tinha seus cabelos ondulados e castanhos, olhos da mesma cor, não era jovem, mas também não era tão velho. Seu corpo treinado lhe permitia fazer acrobacias e passar com facilidade pelos obstáculos que apareciam em sua frente, lhe impedindo de chegar até o artefato. Sua barba era inexistente, uma coisa que ele não perdoava vindo de sua genética. Suas vestimentas eram a de um explorador e andarilho. Uma camisa amarelada, uma jaqueta para ocasiões gélidas, um manto, uma calça jeans e uma bota de alpinismo. 

Seu nome era Seraphim Pole, um arqueólogo que pesquisava sobre rumores, lendas e coisas que ninguém jamais acreditava. Ele estava à procura de um artefato há mais de cinco anos, foram diversas tentativas e todas levaram ao erro, porém, ele sempre saía de lá com alguma pista. 

  Desde a primeira tentativa, dentro de uma caverna no continente gelado da Antártida ele vem tomado por esta esperança de finalmente encontrar algo. Agora após expedições pela África e Ásia, ele estava na Europa, mais precisamente na Inglaterra. A Espada Manuscrita era o artefato que ele buscava. 

Seraphim estava em uma gruta, esta tinha o nome de Shell Grotto que ficava na cidade de Margate no estado de Kent, no sul da Inglaterra. Para muitos, era uma gruta misteriosa. Suas paredes eram inteiras com conchas e havia mosaicos por toda a extensão das paredes do lugar. Esses mosaicos criados pelas conchas eram incríveis e roubavam a atenção de qualquer pessoa que estivesse lá, mas o homem era determinado a encontrar o que procurava. 

Da última pista, vinda de um templo no Tibete ele descobriu que certo mosaico revelava uma passagem secreta naquela gruta. O homem se encontrava neste instante de frente para o mosaico localizado. Sua testa pingava suor, era um momento importante. 

Retirou uma concha do olho demarcado do mosaico na parede, logo um tremor tomou conta da gruta e a passagem finalmente se abriu. A escuridão era presente, por sorte, seu kit de exploração nunca falhava. Sua lanterna com bateria totalmente cheia ia vir a calhar. 

Andou pelo corredor espaçoso da passagem secreta, quando estava por volta de uns quinze passos da entrada, a porta se fechou. Seraphim apenas continuou adiante. 

A lanterna iluminava o interior daquele túnel cavernoso e sem conchas espalhadas pela parede. Era uma estrutura rochosa da caverna e bem rústica, revelando que aquele lugar não era para ser belo e nem freqüentado. O explorador chegou até certo ponto onde decidiu averiguar algumas coisas.

Havia um altar com pequenos rolos de papel de uma época distante. Candelárias antigas que há muito tempo não viam uma chama ardente em seu interior. Tecidos velhos e já quase tão finos quanto papel se estendiam ao longo do altar feito de rocha e mármore. Ao fundo uma tumba, em pé, cuja tampa estava meio aberta. 

O lugar era esférico, sendo que não tinha nada de iluminação tirando a lanterna de Seraphim. Do lado contrário ao túmulo, existia uma estante com livros já prejudicados pelo tempo. 

“Acho que encontrei... A Espada Manuscrita, a espada que transcende os mundos e o tempo. A espada que escreve a história do universo.” Seraphim pensou consigo antes de averiguar algumas outras coisas por ali.

Passou a mão pelas candelárias, pelos rolos de papel e também tentou ler alguns livros. Não havia nada que ele pudesse entender por ali. Era um homem bastante estudado, fluente em diversos idiomas atuais e antigos, mas o dialeto escrito nas poucas palavras que ele conseguiu identificar era diferente de tudo que ele já viu. 

“Será a maior descoberta da humanidade.” Ele pensou consigo, enquanto encarava aquele caixão semi-aberto. 

Colocou a mão direita para puxar o tampão do caixão, ao tocar na madeira podre, sentiu calafrios.  Repensou em toda a sua trajetória e em tudo que ele acreditava. Ele tinha equilíbrio entre ser cético e acreditar em lendas. 

“E se o medo fosse uma muralha que separasse o que é real e o que não é? Imagine agora que não exista essa muralha.” Esta era uma frase que sempre vinha em sua cabeça em momento de decisões. Puxou a tampa com força. 

Havia um defunto ali, uma espécie de carcaça humana em decomposição com aspectos de mumificação. O cheiro se tornou insuportável após a abertura da tumba de quem quer que seja. Algo brilhante chamava a atenção. Uma espada. A espada repelia qualquer gama de escuridão daquela sala, era um brilho único e poderoso que era impossível descrever. 

Seraphim tapava os olhos com suas mãos, mas parecia ser impossível impedir com que a luz refletisse em seus olhos. Em um movimento involuntário pegou no cabo da espada e a luz imediatamente cessou. O explorador ficou assustado, porém, interessado. 

Agora com a luz apenas de sua lanterna, ele se atentou aos detalhes que era a sua maior especialidade. O cabo era todo delicado e macio. O pomo parecia ter sido forjado especialmente para aquela espada. Era circular e com pequenas gravuras nele, praticamente ilegíveis. A lâmina era perfeita. O fio intacto e extremamente afiado causava pavor no homem ao se aproximar daquilo. Conforme você olhava para a lâmina, via também pequenas gravuras como se elas brilhassem no movimento da espada. Os letreiros indecifráveis apareciam e sumiam de segundos em segundos. Apesar de toda a beleza, era uma espada leve e de fácil manejo. 

O arqueólogo ficou admirando aquele artefato por um tempo. Sua mente estava tão vazia quanto um deserto. Seus olhos percorriam cada centímetro daquela espada e seu coração pulsava a cada segundo.

- Seraphim Pole. – Uma voz o chamou.

Rapidamente ele se voltou com a espada e a lanterna e mãos e notou a presença de um ser. Ele vestia uma armadura incompleta, ou seja, apenas o peitoral e botas. No lugar das outras peças da vestimenta, ele usava uma camisa e luvas de couro. Ele lembrava um guerreiro tradicional medieval. Sua aparência com longos cabelos negros e uma barba mal feita, lhe dava uma brava expressão. 

- Quem é você? – Seraphim fez a pergunta que lhe veio à cabeça. Com a espada ele buscava intimidar essa pessoa à sua frente. 

- Eu? Veja logo atrás de você. – Ele sorriu, era carismático e tranquilo. – Mas isso não é importante. O que importa é que finalmente você está conectado à Espada Manuscrita. 

- Desculpe, mas eu não acredito nessas coisas. – Seraphim falou sério e logo após soltou um sorriso desacreditado. – Me diga logo quem és!

- Ou o quê? Vai me atacar com a espada? Você não pode me ferir. – O homem debochou dele. – Veja bem, não temos muito tempo, logo todos os outros estarão conectados a você também. 

- Outros? – O explorador parecia confuso, aos poucos aquele homem ia lhe convencendo que era um espírito ancestral. – Que outros? Não sei de nada disso. 

- Você acha que encontrou a espada por acaso não é? Deixe-me fazer uma breve explicação, Seraphim. – Era possível perceber que o ser ali existia devido à uma energia translúcida, ao mesmo tempo que ele parecia real ele desaparecia em alguns segundos. Um espectro. – Nós somos os portadores da Espada Manuscrita, nosso destino já é traçado desde o primeiro portador dela. Eu, você e outros que ainda estão por vir já estão conectados desde o início, porém, está em suas mãos o que deve de fato ser feito. Ninguém pode mudar a sua vontade e o caminho, embora a espada já conheça o destino, pois é ela quem escreveu o começo, o presente e escreverá o final. 

Seraphim assustou-se com a explicação daquele espectro que agora ele nem sentia mais medo. As palavras que ele dizia de alguma forma faziam sentido e a cada segundo que ele segurava aquela espada algo nele era diferente. Era como se ele estivesse absorvendo informações. Sua mente começou a se lembrar de coisas que ele jamais havia passado. Rostos de familiares e pessoas conhecidas que ele nunca tinha conhecido ou encontrado. Lugares, planícies, moradias estranhas, mas que para ele eram conhecidas. Realmente, a espada começava a fazer efeito e mostrar que tinha magia.

De repente, a gruta secreta começou a mudar. Uma névoa densa surgiu em questão de instantes e dela algumas figuras começaram a aparecer. Essas figuras assim como o guerreiro medieval que estava a falar com ele eram antigos portadores da Espada Manuscrita, eram dezenas, ou melhor centenas, porém, nem todos cabiam naquele espaço e seus rostos se misturavam com a névoa do lugar que agora cercava Seraphim e os outros.

Os espíritos dali eram de diferentes etnias, diferentes tamanhos, estilos e épocas. Uns de épocas remotas do antigo mundo outros de um período turbulento da história e finalmente Seraphim. 

- Ele está aqui, Seraphim. – Disse o cavaleiro medieval ao explorador. – O primeiro portador da espada.

Seraphim tremeu. As coisas estavam ocorrendo muito rápido e ele não conseguia lidar. Cinco anos de pesquisas, buscas, exploração para finalmente chegar ao artefato valioso e então estar acontecendo isso. Seu tesouro se transformou em uma conspiração que transpassa a existência do mundo. 

Com uma rajada de vento, a figura primordial apareceu diante deles. Seu corpo era coberto por um manto acinzentado. Sua barba era grisalha, assim como seus cabelos. Não parecia ser um homem importante, naquela época, poderia ser facilmente confundido com um mendigo, mas todos os espíritos dali respeitavam o ser diante deles. 

- Eu sou Uhn. – Sua voz era forte. Sua aparência provavelmente era para confundir todos os inimigos. – Logo, você também será Uhn. Temos muitas coisas para falar Seraphim. Faz milênios que espero por este dia, embora você não saiba, você já estava destinado à comparecer aqui e a termos essa conversa. 

O homem deu um passo adiante e tudo simplesmente se transformou. Um segundo atrás eles estavam na câmara secreta da Shell Grotto no sudeste da Inglaterra e agora estavam em um plano cósmico indecifrável. As estrelas passavam por eles, o cosmos os levava para dentro do universo. Milhares de luzes estavam iluminando o ambiente. Seraphim estava espantando. 

- Não pergunte. – Disse Uhn. – Apenas ouça. 

- Mas eu não ia perguntar nada. – Seraphim mentiu. 

- Não tente me enganar, pois foi eu que coloquei você aqui neste momento. – Respondeu ele. – Olhe para tudo isso. O que você vê? 

O explorador olhou ao seu redor, notou as galáxias se conectando, buracos negros se formando e até mesmo buracos brancos dando origem à vidas, planetas. Explosões constantes em astros em fogo, meteoros cruzando o universo e chuvas de asteróides que enfeitavam aquele lugar. 

- Vejo o universo. – Disse ele. Estava convicto de que era essa a resposta, já que normalmente quando você sente algo diferente dentro de si, você está correto. Seraphim sentiu algo estranho neste instante. 

- Você vê o que os seus olhos vêem, mas você deve ver mais além. – Uhn completou o que ele havia dito. – Todos os mundos se conectam para então se transformar em um único universo. Todas as galáxias, os cometas, os asteróides, cada átomo existente compõe uma única matéria, o universo e assim também você deve ser.

- Eu? – Ele levantou o cenho assustado. – Eu não sou nada. 

- Até mesmo o nada faz parte do universo, Seraphim. – Revelou, movendo suas mãos ele começou a riscar a matéria preta que formava o universo. – Temos pouco tempo até a sua total transição, por isso, terei que ser rápido na explicação. 

O desenho que ele fazia era uma espécie de ligação. Ele traçava com os dedos uma linha e conectava vários pontos por entre as galáxias. Depois da conexão das linhas e dos pontos, havia diversos outros pontos sem a linha, como se fossem mundos separados. 

- O nosso universo é composto por todas as coisas. Tudo é conectado por algo, mas não existe apenas o nosso universo, entende? – Revelou o espírito ancestral. – Imagine se os ratos pudessem voar, eles viveriam nos esgotos? Provavelmente não, ou seja, muita coisa mudaria. 

A explicação era bastante nítida e conforme ele ia pronunciando as palavras, Seraphim se via ganhando uma energia inexplicável que parecia vir da espada que estava em suas mãos. 

- Você, como portador da Espada Manuscrita tem o dever de manter o equilíbrio neste universo, pois todos os outros universos tentaram intervir nesta realidade. – Revelou Uhn olhando para ele e apontando para aqueles pontos que ele desenhou que não tinham conexão com a linha traçada. – Esses universos são formados por novos conjuntos, novos seres e existem universos que ratos são voadores e peixes que andam sobre a terra. Você existe para manter a ordem, equilíbrio e harmonia neste universo. 

Agora as coisas pioraram um pouco, tendo em vista que uma grande responsabilidade estava em seus ombros. Seus olhos que antes admiravam o universo desviaram o olhar para Uhn e o que ele tinha a dizer. 

- Desde os tempos remotos, os portadores da Espada Manuscrita lidam com essas turbulências temporais e dimensionais. Por milhares de anos protegemos o nosso universo com o nosso poder e agora é a sua vez. – Uhn olhou ao seu redor, percebeu que o universo estava se esvoaçando e sumindo. – O tempo está acabando. 

- O que eu preciso fazer? – Perguntou Seraphim desesperado. 

- Você saberá. – Sorriu com tranqüilidade. – Não é porque você está portando uma espada que você deve guerrear e ser o melhor guerreiro, Seraphim. Você pode usá-la para qualquer fim. Você terá o poder sobre tudo, toda a história do universo está agora em suas mãos, escreva-a da maneira correta. – Uhn se virou de costas. 

Um clarão surgiu e de repente, Seraphim estava na gruta, sozinho. O silêncio do lugar o incomodava e tudo parecia fazer sentido naquele momento. Ele havia absorvido toda a história do mundo e estava com a conexão desde o início do tempo e até o final. Ele se conectava com as histórias de seus antepassados, aquela espada era como um artefato que guardava a memória do mundo e também o futuro dele. Seraphim também estava ciente do próximo portador desta espada e o local onde ele o encontraria e novamente haveria aquele mesmo diálogo e tudo mais. A Espada Manuscrita era o artefato mais importante para aquele mundo, ou melhor, para aquele universo. 

Junto com a sabedoria do passado e do futuro, assim como o conhecimento de todos os povos, línguas, nações e matérias, lembranças de outros tempos surgiram. Árduos combates contra entidades de outros universos, para manter o equilíbrio. Sacrifícios feitos para que a harmonia se mantivesse intocável. Incontáveis guerras em nome da paz. 

Seraphim agora podia enxergar o que ninguém podia. Ele podia perceber as alterações nos universos e criaturas que tentavam invadir este plano. O antigo explorador, agora portador da Espada, era o responsável por deter tais criaturas. O mundo estava repleto delas. 

Devido ao seu alto conhecimento, o homem devia ficar sozinho. Viver isolado da sociedade e exercer a sua função sem incomodar as pessoas. Seus amores da vida, família, amigos, todos eram pessoas do plano universal em que ele vivia. Ele se transformou em uma criatura sem sentimentos, a espada o fazia desta maneira, mas ainda assim, ele era humano, ou seja, poderia cometer seus erros.

Com a habilidade de enxergar os planos dimensionais e os infinitos multiversos que existiam, era compreensível que ele pudesse enxergar também outro dele mesmo. Um explorador de sucesso, conhecido, rico e famoso. Ou então, um cantor. Quem sabe até mesmo um Seraphim astronauta. Eram infinitas possibilidades. Seu conhecimento desbravava o impossível e o acaso. 

Foi então que seu primeiro embate surgiu. 

O portador da espada estava na saída da gruta de conchas. A região onde era localizada não era muito habitável, a cidade de Margate era simples e nada populosa. Passando pela saída da gruta que dava origem a um belíssimo jardim, que também servia como um parque para pessoas curtirem o espaço, havia uma figura.

Era o começo do entardecer, a maioria das pessoas estava ainda em seus trabalhos e como era uma época um pouco gélida, os moradores de Margate não frequentavam aquele parque.

Diante dele estava ele mesmo. Seria praticamente impossível isso, se a existência de outros multiversos não existisse, mas aquilo era real. O outro Seraphim vestia-se diferente. Usava trajes sociais, terno, gravata e parecia ser muito bem-sucedido em seu mundo. Assim como o Seraphim daquela realidade, ele portava a Espada consigo.

- Olá, outro eu. – Disse o engravatado. – Vejo que nesta realidade você é um pouco inferior ao que eu sou. Eu sei disso porque já vivi o que você viveu e estou aqui para lhe mostrar o que você pode ser se me ouvir. 

- Se fosse qualquer outro, eu simplesmente ignoraria... Mas você sou eu, eu não posso me ignorar. – Seraphim sorriu, então apoiou sua mão no cabo da espada que estava em sua cintura. O outro dele comportava-se da mesma maneira, com os mesmos gestos e manias.

- Eu sou tudo o que você quer ser, Seraphim. – Começou a dizer o homem. – Um explorador bem-sucedido, rico, famoso e inspirador. Sou o responsável pelo monopólio de diversas empresas do mundo. Mulheres? Tenho quantas quiser e quem eu quiser. Tesouros? Já descobri todos. – O homem então sorriu. – Veja bem... Eu sou praticamente o dono deste mundo. 

O verdadeiro Seraphim ficou o encarando sem nenhuma expressão, o que deixou sua outra personalidade de outro universo um pouco confusa.

- O que foi? Ficou anestesiado com seus pensamentos e com o que você pode fazer? – Perguntou-o.

- Não. – Respondeu firme. – Estava apenas me comparando o quão inútil eu me tornaria se não tivesse tomado uma atitude em minha vida. Mulheres, riquezas, tesouros, impérios... Tudo isso não passa de uma fantasia em que a sociedade nos obriga a ter, criar e ser. Tudo isso é fruto de algo que não é verdadeiro. O que é verdadeiro é o que você realmente deseja e isso eu descobri após eu ter tocado nesta espada. – Por fim, Seraphim sorriu, desafiando seu outro eu.

- Você está mentindo para si mesmo! – Gritou.

- Não... Eu já entendi tudo. – Respondeu. – Você conseguiu a Espada Manuscrita e provavelmente você deve ser o meu eu do futuro. Seu objetivo após ter conquistado tudo é conquistar os outros universos e outros multiversos, porque a minha ambição não iria parar apenas em um mundo, ou seja, neste mundo. – Seraphim sacou a espada e sua postura mudou. Embora nunca sequer tenha pegado em uma espada para lutar, ele parecia conhecer desta arte de esgrima medieval na qual ele estava posicionado. – Você é o que eu preciso não ser. 

- Errado! Eu sou o seu futuro! – O homem também sacou a espada que estava consigo. 

Neste momento, havia alguns transeuntes pelo parque, mas eles não enxergavam o outro Seraphim. Para as pessoas comuns, eles apenas enxergavam um homem com uma espada em mãos que parecia começar um exercício com a espada no parque. 

- É justamente por isso que o futuro deveria ser um mistério, o passado uma história e hoje posso dizer que é uma dádiva. – Ele abriu um largo sorriso e se movimentou com a espada. – É por isso que se chama presente. Tenho que viver hoje! E hoje eu decidi que preciso proteger este universo e continuar a escrever a história dele, dia a dia. 

- Você não terá a menor chance de fazer isso! Este mundo já é meu! – O outro também partiu para cima dele.

As duas espadas se chocaram, embora o Seraphim do universo alternativo não aparecesse no plano real daquele mundo, a relíquia existia em todos os planos e por isso houve o contato entre as lâminas. O cintilar do aço fez com que uma dimensão paralela engolisse ambos para lá.

O parque calmo e bonito de Margate cedeu espaço para um lugar diabólico e apocalíptico. O terreno rochoso e com centenas de gêiseres de lava espalhados por lá, construções com um fogo interminável e nuvens negras tapavam todo o céu deixando tudo escuro. 

Ambos estavam lá.

- Esse é o seu mundo? – Perguntou o verdadeiro portador da espada. – É um pouco escuro, não acha?

- Esse é o seu mundo no futuro, onde você é o portador desta espada e você acaba por controlar tudo nele. Não vê a beleza que existe aqui? – O falso portador com suas palavras tentava blasfemar a sabedoria do outro ele.

- Eu acredito que acabei ficando um pouco cego para beleza depois que conquistei tudo. Esse mundo é horrível. – Retrucou ele se distanciando de onde estavam. O terreno era irregular, as rochas que se formavam eram escorregadias e havia lugares repletos de lava, como um lago, tudo era bastante quente e se ficassem parados no sobre o mesmo lugar por muito tempo, começariam a sofrer com queimaduras. 

- Não há escapatória a espada escolheu esta dimensão para ser a verdadeira. Você se tornará apenas o passado! – Gritou o outro avançando em sua direção. 

Seraphim pensou nas palavras que o homem disse. A distância ele entre era pouco menos de três metros, não teria tempo suficiente para ter um raciocínio completo. Decidiu simplesmente arriscar. A vida era feita de escolhas, de decisões. Cada decisão tomada te leva há um caminho e você deve percorrer este caminho até tomar outras decisões e isso se torna infinito até o fim. Se você fez a escolha errada em algum momento, você pode fazer a certa no futuro. Seraphim então fez a sua escolha.

A lâmina da espada do seu eu alternativo simplesmente atravessou seu peito. O sangue jorrou por todo aquele chão ardente e se misturou com a lava entre as rochas. Os gêiseres começavam então cuspir lava para cima como um turbilhão de fogo.

- Não pensei que seria tão fácil! – Este então soltou a espada que estava enfiada no peito do seu oponente. Começou a soltar um riso frenético como se estivesse alcançando um orgasmo inexplicável. – Fácil! Fácil! Fácil! – De repente, ele começou a jorrar sangue pela boca, suas vestes sociais e nobres começavam a se manchar com sangue, a ferida no peito do Seraphim do passado, passou a ferir ele. – O quê...? – Seus olhos esbugalhados começavam também a sangrar e ele então caiu com joelhos no chão. Ele estava morrendo, enquanto que o seu outro eu estava intacto.

- Então eu estava certo. – Começou ele. – Se neste mundo, que é a sua realidade eu sou o seu passado, provavelmente se você me matar, você desaparece. Você está apagando o seu próprio passado, entende? Então você nunca existiu, suas escolhas nunca existiram, esse mundo nunca existiu.

Aos poucos as rochas iam desaparecendo e dando espaço para a grama verde do parque. Os turbilhões de fogo sumiam e as árvores apareciam. Os gêiseres de lava e o lago de fogo davam espaço para o tradicional lago do parque de Margate. Seraphim tinha voltado para a sua realidade, para o seu mundo e vencido seu primeiro desafio. 

Sua vida voltava ao normal. A refrescante brisa do sul do país inglês era inconfundível e relaxante. As pessoas continuavam a sua vida rotineira de sempre, nada havia mudado para nenhuma pessoa daquele mundo e era essa a missão que Seraphim havia recebido deixar a vida das pessoas exatamente iguais. Ele então entendeu que um guerreiro não precisa portar uma espada para a destruição, mas pode usá-la para escrever a sua história. 


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