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Conto

A entrega

Em meio a um futuro distópico, Scarlet tem uma entrega de uma carga misteriosa para realizar. Ela conseguirá chegar ao seu destino?

Fabiana Prieto
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Áudio drama
A entrega
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Scarlet respirou fundo antes de adentrar a hangar principal. O local estava movimentado enquanto os funcionários faziam seu trabalho com muita cautela. Não era para menos, o carregamento era igualmente valioso e perigoso. E a mulher pensou, com orgulho, que era ela quem teria a honra e responsabilidade de transportá-lo. Sendo assim, esperou a nave ser abastecida, virou para seus superiores e bateu continência ao se despedir, antes de entrar no veículo e partir.

Em busca de uma utopia, a humanidade se encontrava em um futuro distópico. A tecnologia imperava, porém, como consequência, os recursos eram escassos. Por isso empresas como a de Scarlet se empenhavam em tornar o mundo um lugar mais sustentável. A base onde a mulher trabalhava era responsável pela criação, em laboratório, de novas espécies vegetais e animais que pudessem sobreviver ao terreno poluído e estéril que se tornara nosso mundo. E aquele era o carregamento: embriões geneticamente modificados, que seriam levados à outra base, onde seriam executados os testes finais e o cultivo e desenvolvimento das primeiras cobaias. Scarlet esperava que o projeto funcionasse, pois a situação da sociedade já estava em um ponto crítico.

E, assim como em qualquer situação de crise, havia conflitos secundários a se lidar. Os rebeldes eram um deles. Achavam que as grandes empresas tinham o monopólio de tudo e que aquilo não era justo. Realmente, ela concordava, mas nem todas as empresas eram daquele jeito. Ao menos a dela tentava salvar a porcaria de mundo que havia restado.

Seguiu voando até que a cidade fosse sumindo aos poucos, dando lugar a um novo cenário: uma floresta. Scarlet aproveitou para dar uma olhada. As árvores eram escuras e em formatos estranhos, retorcidas e ponteadas do que pareciam ser cogumelos gigantes. Ela sabia que o espetáculo começaria em algumas horas. E, assim que anoiteceu, a paisagem mudou.

O mundo tornara-se luminescente. A mulher sorriu. Era por aquele motivo que chamavam o local de Floresta da Luz. Plantas e fungos fosforescentes emanavam luminosidade própria, que as cobriam nos mais belos padrões. Lindo, de fato, mas nada funcional. Era uma floresta modificada que saíra do controle e tornara-se tóxica para ingestão. Havia poucos animais capazes de sobreviver ali, tão tóxicos quanto. Scarlet imaginava que só não haviam desmatado o terreno porque era uma espécie de patrimônio e ponto turístico da cidade.

Tudo ia tranquilo até a metade da segunda noite. O sistema enlouqueceu e começou a emitir apitos e alertas, culpa de uma forte interferência em seus sensores. Aquilo era estranho, não deveria haver um campo eletromagnético no meio do nada, a menos que... A menos que fosse uma armadilha.

Alerta, Scarlet fez tudo o que lhe era possível, porém, a nave não a obedecia. Após um pouso de emergência, correu para o compartimento de carga. Deu um suspiro aliviado ao verificar que a parte interna não fora danificada. Retornou até a sala de comando e tentou fazer algo do sistema voltar a funcionar.

Depois de longos minutos e alguns xingamentos, o radar religou. As notícias, entretanto, não eram boas. Algo se aproximava, vários pontinhos luminosos piscavam no monitor, encurtando a distância até a nave. Como os demais sistemas ainda estavam inoperantes, Scarlet se levantou e pegou sua arma e saiu do veículo. Defenderia sua carga a todo custo.

A floresta luminosa não tinha uma boa visibilidade. Com aquele exagerado de padrões luminescentes para onde ela olhasse, era difícil olhar ao redor sem ferir as vistas. Sabia que se fosse atacada, não seria através do rastro de destruição que deixara quando a nave caiu.

Um rastejar chamou sua atenção. A mulher se virou e apontou a arma na direção, mas não enxergou seu alvo. Prendeu a respiração e esperou. Outro rastejar soou vindo de trás, depois mais um de cada lado. Scarlet engoliu seco e sentiu uma gota de suor escorrer por sua espinha. Seja já o que estivesse se aproximando, era grande. E estava em bando.

Seus olhos finalmente captaram um movimento. Uma criatura grande, com corpo de lagarto e pele anfíbia fitava-a. Coberto de padrões brilhantes se camuflava com perfeição na floresta luminescente, e, conforme deslizava por entre árvores e fungos, deixava atrás de si um rastro de gosma cáustica.

O ser abriu a boca cheia de dentes afiados e emitiu um guincho agudo antes de saltar na reta de Scarlet. A mulher atirou e acertou na cabeça, fazendo a criatura tombar. No entanto, o resto do bando se aproximava em todas as direções, encurralando-a. Havia pelo menos outras dez, de tamanhos variados. O som dos tiros de plasma estremecia a floresta conforme ela os derrubava, um a um, até sentir algo pingar sobre seu ombro.

Scarlet gritou de dor ao sentir a baba corroer sua pele e se virou para se defender. Um disparo e a criatura desabou do outro lado. A mulher caiu de joelhos. A toxina da baba entranhara em seu corpo e afetava seus sentidos.

A arma caiu quando suas mãos ficaram dormentes e ela vomitou antes de tombar de lado. Guinchos agudos ainda se aproximavam, mas a batalha já estava perdida para Scarlet. Um vulto negro surgiu e ela viu dois olhos amarelos encarando-a antes de desmaiar.

***


O gosto amargo em sua boca era terrível, mas era sinal de que ainda estava viva. Abriu os olhos, devagar, e notou que estava deitada em sua cama. Sentou-se, confusa, e notou que estava nua. Não se lembrava de muito, mas tinha certeza de que não retornara à nave sozinha. Uma ardência no ombro a fez olhar o ferimento, que agora estava enfaixado. Alguém a despira e tratara dela, mas quem?

Scarlet vestiu um traje extra e procurou sua arma, mas a mesma não estava por perto. Sem ter algo para usar em sua defesa, andou cautelosamente pela nave, buscando aquele que a auxiliara. Ouviu um som vindo da sala de comando e se aproximou pé ante pé, antes de bisbilhotar lá dentro. O painel estava aberto e um homem agachado mexia nos fios, tentando fazer a máquina voltar a funcionar. Assim que ele se virou de lado para pegar uma ferramenta, ela pode ver sua real aparência.

A mulher recuou de volta para o corredor, com o coração acelerado. O intruso era um bestumano. Uma raça criada artificialmente, os bestumanos haviam sido aprimorados ao unir-se o DNA humano ao animal. Geralmente eram criados para tornarem-se super soldados, mas Scarlet tinha certeza de que aquele homem não era um. Ao menos não mais. Aqueles que não serviam para o governo, por qualquer motivo que fosse, acabavam como trabalhadores braçais, seguranças ou mercenários. Ela apostava na última opção.

E agora? Como lidaria com aquele homem? Estava ferida e tinha certeza que ele era mais forte e veloz. A única chance que teria de escapar era usar o elemento surpresa. Antes que pudesse arquitetar um plano sólido, no entanto, uma voz grave veio do outro cômodo:

— Nem tente.

Scarlet engoliu seco. Droga, já havia sido descoberta. Respirou fundo, tomando coragem, e entrou na sala de comando. O homem virou de frente para ela. Seu cabelo negro e espesso combinava com a barba mal cuidada, dando-lhe um ar ainda mais selvagem. O rabo peludo e as orelhas lupinas seguiam o mesmo tom. A pele castanha contrastava com brilhantes olhos amarelos. Os olhos que ela vira antes de desmaiar.

A humana umedeceu os lábios e perguntou:

— Como sabia?

— Posso ouvir sua respiração e batimentos de longe — o intruso respondeu e voltou a atenção para o painel. — Não se preocupe, não vou ferir você.

— E o que está fazendo?

— Tentando consertar sua nave.

Scarlet se aproximou cautelosa.

— E está me ajudando por quê...?

— Não é nada pessoal. Minha cybermoto deu pane com a maldita armadilha também. Tive que fugir para não virar jantar daquelas coisas e encontrei sua nave no caminho. É mais seguro aqui do que lá fora. — Deu de ombros. — Quanto antes sairmos daqui, melhor.

— “Sairmos”? — Ela semicerrou os olhos. — O que te faz acreditar que vai comigo?

— Bem, primeiro: você não está em condições de dirigir. Segundo: eu sei consertar sua nave. Terceiro: você não tem cara de ser alguém que deixaria uma pessoa para trás, sozinha, no meio uma floresta tóxica.

Scarlet fez uma careta. Ele tinha bons argumentos.

— E o que estava fazendo por aqui? — perguntou. Duvidava que alguém como ele houvesse se perdido.

— Me contrataram para um serviço.

— Que eu suponho que não irá me contar.

— Exato.

A mulher parou ao lado dele e sentou-se na cadeira do co-piloto, ignorando a dor no ombro.

— Por quanto tempo eu apaguei?

— Algumas horas.

Scarlet olhou na direção do compartimento de carga. Se demorasse um pouco mais, sua missão falharia.

— Você pode se apressar?

— Por que, tem algum compromisso? — O homem-lobo deu um sorriso amargo.

— Preciso levar meu carregamento até a sede da Corporação. As baterias internas sobreviveram ao PEM, mas possuem um tempo de duração. Se eu não partir logo, o prejuízo será catastrófico.

— E o que eu tenho a ver com isso? — Ele deu um sorriso preguiçoso. — Se não fosse por mim, você estaria morta e sua carga estaria perdida de qualquer forma. Então pare de me apressar — disse e tornou a virar para o painel.

Scarlet mordeu o lábio inferior, com raiva. Pensou um pouco e uma ideia lhe ocorreu.

— Você é um mercenário, não é? E se eu te pagar para me levar à tempo?

O homem parou de trabalhar e voltou a olhá-la, com um meio sorriso nos lábios.

— Agora está falando a minha língua. Faça sua oferta.

— 100 mil créditos.

— É pouco. Quero 300 mil.

— Isso é muito! — Scarlet arfou, indignada. — A oferta que fiz já é o máximo que posso pagar!

Ele cruzou os braços e ficou pensativo. A humana esperou, tensa, até que o homem-lobo inclinou a cabeça para o lado e falou:

— Aceito os 100 mil, mas com um adicional.

— Qual?

— Um beijo seu. — Sorriu, malicioso.

Scarlet arregalou os olhos e engasgou.

— Nem pensar!

— É pegar ou largar. — Ele deu de ombros.

A vontade que ela tinha era de esmurrá-lo pela ousadia, porém ela sabia que seu dever era mais importante do que aquele simples detalhe. Scarlet bufou e estendeu a mão.

— Feito. Temos um trato então, senhor...?

O homem-lobo alargou o sorriso, cuspiu na palma da mão e apertou a dela.

— Wolfgan Black.

A humana apertou a mão dele, fazendo uma careta de nojo.

— Scarlet Perrault. — Ela limpou a mão na calça. — E então, senhor Black? Em quanto tempo o senhor consegue consertar minha nave?

Wolfgan não respondeu, apenas sorriu de lado e conectou os últimos fios. Um leve estalo foi ouvido e o painel de controle acendeu com um chiado baixo, enquanto o motor ligava. Scarlet olhou, perplexa. O salafrário estava com tudo quase pronto e ainda negociara com ela! Ficou furiosa por ter sido enganada daquela forma.

— Tudo pronto. — O homem-lobo fechou o painel de força e se sentou no assento do piloto. — Fale-me qual é a rota.

— Eu posso fazer isso sozinha.

— Não com essa ferida. E você está me pagando para isso, lembra-se? — ele provocou, rindo.

Scarlet cerrou os dentes e o olhou irritada, mas deu as coordenadas. Wolfgan comandou a nave e programou-a para seguir a rota determinada. Assim que a viagem tornara-se estável, o bestumano colocou no piloto automático e se espreguiçou.

— Tudo pronto. Que tal algo para comer, agora? Estou faminto.

A humana o acompanhou com o olhar conforme ele saía da sala de comando. Estava tensa. Viajar com um mercenário já era perigoso, mas com uma criatura como ele o perigo era bem maior. Bestumanos eram resistentes, mas possuíam um apetite voraz. Se não se alimentassem o suficiente, eram capazes até mesmo de atacarem seres humanos. Deveria ser cautelosa não só com a carga, mas agora com a própria vida.

Decidiu que seria melhor manter o estranho sobre vigilância. Foi atrás dele e o encontrou revirando a pequena cozinha.

— Não tem nada aqui além dessa porcaria insossa e nojenta? — Ele resmungou, olhando para os tubos de pasta nutritiva.

— O que esperava, filé? — A mulher cruzou os braços. — Só tenho isso.

— Nem mesmo uma barra de cereal... — Wolfgan reclamou, mas abriu o tubo e despejou o conteúdo dentro da boca. Depois olhou-a por um tempo e deu um sorriso malicioso.

— O que foi? — Scarlet perguntou, alarmada.

No segundo seguinte o homem-lobo havia a imprensado contra a parede.

— Eu poderia comê-la... Parece deliciosa. — Passou a língua pelo pescoço feminino. — Mas não se preocupe. Só vou cobrar a dívida quando chegarmos.

Scarlet estava trêmula quando ele se afastou e saiu, carregando alguns tubos consigo. Ela fechou os olhos e respirou fundo para se acalmar.

Aquela seria uma longa viagem.


***


Apesar do primeiro encontro atribulado, a viagem ocorreu em paz. Aquilo, no entanto, não deixava Scarlet mais calma. Não podia confiar naquele estranho. Dois dias se passaram e ela sentia seu ferimento melhorar, os medicamentos de seu kit de primeiros socorros eram o suficiente. Logo chegariam à cidade e ela poderia assumir o controle da nave.

Wolfgan parecia observá-la com mais atenção do que Scarlet gostaria. Sentia que ele a olhava de tempos em tempos, inclusive quando ela se recolhia para descansar. Quando olhava em sua direção, o homem-lobo sequer fazia questão de disfarçar, e devolvia sorrisos maliciosos. Era como se a vigiasse. Como se... a comesse com os olhos.

Um predador brincando com sua presa.

Scarlet respirou fundo. Tentava abstrair o pagamento que faria em breve, enquanto se concentrava na missão. Era um beijo, apenas um beijo. Ele não faria nada além daquilo e nem a devoraria. Estaria segura quando chegassem à Corporação.

Na quinta noite a cidade surgiu no horizonte, era um alívio ver as luzes artificiais de novo, ao invés daquela luminescência tóxica da floresta. Ao amanhecer o veículo flutuava sobre as ruas, e a sede da Corporação seguia-se imponente sobre as demais construções.

No entanto, algo estava errado. Scarlet tentou contato com a Central de Comunicação, mas não obteve resposta. Depois de algumas tentativas insistentes, conseguiu uma mensagem em retorno, orientando-a a pousar no hangar de carga.

— Isso é estranho... — murmurou para si mesma e ouviu um clique ao seu lado. Quando olhou, Wolfgan estava se equipando com diversas armas. — Mas o que...?

— Você se lembra da armadilha? — o homem-lobo a olhou. — Provavelmente foram os rebeldes. Devem ter tomado sua base.

— Como pode ter certeza disso? Não parece ter sinais de invasão.

— Rebeldes tem agentes infiltrados em todos os lugares. Podem ter tomado o lugar por dentro. E quanto à sua pergunta... — Ele a olhou e deu um sorriso presunçoso. — Digamos que seja instinto.

Scarlet se levantou, agitada.

— E o que acha que podemos fazer, só nós dois? Aliás, por que está me ajudando?

— Nós vamos entrar, matar os desgraçados e tomar sua base de volta. E estou ajudando para fazê-los pagar pela minha cybermoto. Eu tinha acabado de pagá-la.

— Espere, eu não vou matar ninguém! — a mulher se exasperou.

— Então não fique no meu caminho.

O hangar estava silencioso. Mesmo contra a própria vontade, Scarlet se armou. O homem-lobo estava certo, se aquele lugar estava tomado de rebeldes, era melhor se armar. Eles não teriam piedade de uma mulher.

Wolfgan se escondeu fora da sala de controle da nave enquanto a mulher estacionava. Assim que a nave pousou, um grupo veio de dentro. Eram os trabalhadores usuais, mas estavam acompanhados de uma equipe armada. Mesmo com os uniformes da Corporação, era possível notar que aquelas pessoas não eram funcionários. Eram os rebeldes, conforme Black afirmara.

Scarlet se forçou a agir normalmente. Com as armas escondidas dentro do casaco, ela saiu do veículo e foi para a parte de trás, para abrir o compartimento de carga. Wolfgan estava pronto. Saiu rápido e silencioso da nave, e lançou uma esfera metálica na direção da sala de comando. O dispositivo se acionou em meio ao ar e lançou o pulso eletromagnético, desligando todos os maquinários daquele setor.

O que aconteceu em seguida foi uma grande confusão. Com o local escuro, sem energia, Scarlet nada via, mas podia ouvir os tiros e o som dos corpos caindo ao chão. Então tudo ficou silencioso.

Ela levou um susto quando alguém a segurou e tapou sua boca.

— Venha comigo — Wolfgan sussurrou e a puxou consigo.

Scarlet suspirou aliviada e o seguiu. Eles saíram do hangar, com o homem-lobo os guiando, suas pupilas brilhavam no escuro quase de uma forma sobrenatural.

— Para onde vamos?

— Para a sala do seu líder, presidente, sei lá. Com certeza o líder desses desgraçados está lá, mantendo-o cativo. Sem alguém na liderança, esses rebeldes vão se render. Preciso que me guie.

A mulher concordou e seguiu. Já havia estado naquele complexo, então se lembrava do caminho a seguir. Wolfgan usou mais dois dispositivos de PEM para desativar a energia por onde passavam, enquanto atiravam nos rebeldes que surgiam. Alguns minutos depois, finalmente chegaram ao local.

Um rosnado os recebeu. Wolfgan apontou sua arma na direção e Scarlet viu outro par de olhos brilhantes encarando-os de volta.

— Olá, Wolfie. É bom vê-lo, meu irmão. — A voz masculina riu baixo.

— Olá, Remus. — Wolfgan cumprimentou com mais cordialidade do que Scarlet gostaria. — Por que não abaixa essa arma e resolvemos esse assunto de bestumano para bestumano?

Um silêncio tenso pairou por alguns segundos, até que a mulher ouviu os dois homens desarmarem-se, deixando as armas caírem ao chão.

— Ótimo, por mim. Posso vencê-lo sem esses brinquedinhos. — Remus rosnou e saltou sobre ele.

Wolfgan empurrou Scarlet para o lado, antes que fosse atingida. A mulher caiu ao chão, ouvindo a confusão daquelas duas bestas se engalfinhando. Xingou baixo e se arrastou para longe, tateando pelo chão. Encontrou uma das armas caídas e se virou na direção da luta, mas como poderia atirar se não conseguia enxergar quem era quem? A humana tentou, no entanto era possível enxergar na escuridão.

Foram minutos de luta intensa, que duraram uma eternidade, até que ela ouviu ganidos de dor. Então um par de olhos a encararam, brilhando na escuridão. O rosnado soou antes que a coisa saltasse em sua direção e ela atirou, mas sem acertar seu alvo. O homem a derrubou de costas no chão e ela já esperava por sua morte quando ouviu outro rosnado e sentiu algo quente respingar sobre si.

Algo pesado e molhado caiu sobre seu peito. As luzes retornaram e Scarlet viu Remus caído sobre si, engasgando com o próprio sangue, degolado pelas garras do irmão.

Ela estava em choque. Posteriormente, não se lembrou de muito do que aconteceu em seguida. Foi levada para a enfermaria, assim como o líder da Corporação. Trataram dela e a sedaram, para que se acalmasse.

Acordou no dia seguinte, deitada em um leito. Seu chefe estava ali, sorrindo de leve.

— Fez um bom trabalho, Perrault. Sem a sua ajuda, não teríamos conseguido.

— A carga está à salvo?

— Sim. E a Corporação também. — Ele se levantou. — Agora vou deixá-la em paz, descanse. Conversamos mais tarde.

Scarlet concordou com a cabeça e o viu se retirar. Pouco tempo depois que o homem saíra, Wolfgan surgiu à porta e se aproximou, parando ao lado da cama.

— Como se sente, ruiva? — Cruzou os braços.

— Bem... Graças a você. — Ela sorriu, sem jeito. — Vou te pagar assim que sair daqui.

— Não se preocupe, seu chefe já acertou os créditos comigo. — O homem-lobo sorriu e se inclinou, parando o rosto a milímetros do dela. — Mas ainda há a outra parte do pagamento...

A humana engoliu seco e respirou fundo. O que podia fazer? Uma dívida era uma dívida. Ela fechou os olhos e falou:

— Tudo bem.

Scarlet esperou pelo toque dele, mas ao invés de senti-lo beijar sua boca, sentiu o toque de seus lábios na bochecha dela. Wolfgan riu baixo e sussurrou em seu ouvido.

— Vou deixar esse débito em sua conta — disse, divertindo-se, e se afastou. Ela olhou-o, incrédula, conforme ele caminhava para longe e parava na porta, antes de sair. O homem-lobo se virou para ela e sorriu de lado. — Até a próxima vez, ruiva.

Wolfgan piscou malicioso e saiu. Scarlet olhou ainda por um tempo, antes de negar com a cabeça e tornar a se deitar.

Esperava nunca mais ver aquele homem.


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