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Áudio drama
A Energia
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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

Eu cresci isolada da sociedade. Vivi em uma casa rústica, em uma fazenda que ficava a umas duas horas de distância da cidade, a cavalo. Minha família não tinha carro, mas, como plantávamos os principais alimentos para nossa própria subsistência, não havia necessidade. Meu pai trabalhava como serviçal em um terreno próximo, e com esse dinheiro comprava os demais itens indispensáveis.

Eu tive um irmão gêmeo que nascera morto. Um menino poucos minutos mais velho. Fui tirada em meio aos gritos de desespero da minha mãe, que não permitia levarem seu outro filho, morto, ainda em seus braços. 

Completei doze anos sem comemorar aniversários, uma vez sequer. Com essa mesma idade, comecei a perceber comportamentos estranhos que meus pais tinham para comigo e com a casa. 

Em todos os cômodos havia pequenos lustres no teto, mas sem lâmpadas. Eu recordava vagamente que havia energia elétrica em casa, mas não entendia por que vivíamos à luz de velas. Ainda assim, eu sabia que havia eletricidade. Havia apenas uma geladeira na casa, única coisa que era ligada a uma tomada, mas desde pequena eu fui proibida de abri-la. 

Sempre estudei em casa, com minha mãe ensinando-me o pouco que aprendera. Não tive contato com criança alguma. Precisei ajudar nos afazeres da fazenda muito cedo — com seis anos, descobrimos que eu era capaz de fazer a horta brotar, crescer e prosperar sempre que a tocava.

À noite, entretanto, eu sempre me aprontava apressadamente para dormir. Nunca contei aos meus pais sobre o que acontecia quando eu alcançava o sono profundo, mas minha alma se deslocava. Eu podia ver meu corpo, mas nunca senti medo. Podia vagar para qualquer canto, fluindo rapidamente, entretanto, eu geralmente seguia em direção à cidade.

Na cidade, sim, eu ficava assustada. A luz oscilava sempre. Eu passava, e os postes apagavam enquanto eu continuava vagando, voltando a acender quando eu me afastava. Não tinha medo do escuro, porque nele eu havia vivido desde pequena.

Eu atravessava paredes para olhar as casas, deixando os residentes na escuridão. Os moradores geralmente acendiam velas, e eu os observava. Podia imaginar o que seria viver ali, em uma cidade grande, rodeada de vizinhos e de outras pessoas da minha idade. 

Porém, eu realmente temia aquelas coisas que eram artificiais. Tudo deixava de funcionar subitamente quando eu me aproximava. Nesta noite, assisti a um micro-ondas explodir quando me aproximei da cozinha de uma das casas. Uma criança, na porta da sala de estar, gritou e olhou diretamente para mim quando houve a explosão. Eu poderia jurar que ela podia me ver. A mãe carregou aquele menino no colo, e ele apontou para mim. “Tadinha, mãe, ela vai morrer”, ele disse enquanto aqueles olhos verdes e grandes me fitavam. “Quem, filho?”

Eu saí voando antes de ouvir a resposta. Estava assustadíssima, vagando em direção à minha própria casa. Segui, na mesma altura em que os pássaros voavam, distante das rodovias. Podia ouvir os postes rangendo antes de ficar na completa escuridão, enquanto eu chorava.

Não saberia dizer se essas minhas visitas à cidade eram sonho ou realidade. Eu sabia que eu nunca havia sido uma pessoa criativa para construir imagens tão reais e vívidas, com tantos elementos que jamais conhecera.

Eu queria entender o que acontecia comigo, queria fazer milhares de perguntas, mas quase nunca meus pais falavam comigo e sempre desviavam de meus questionamentos. Percebi que precisava entender meu sonho e gostaria de descobrir se outras pessoas também passam pelo mesmo que eu.

Peguei o cavalo da fazenda e saí cavalgando em direção à cidade. Surpreendentemente, eu conhecia o caminho; era igual ao que eu percorria todos os dias enquanto dormia. No fundo, sentia que era uma pessoa especial, pois meus pais não pareciam passar pelo mesmo que eu. Minha teoria era de que eu possuía alguma influência sobre alguns elementos da natureza, por causa da horta que crescia quando eu tocava. Mas eu me sentia assustada, sozinha, desamparada.

Aproximei-me da cidade, e os postes de iluminação começaram a apagar por onde passava. Dessa vez, me senti aterrorizada, com a certeza de que estava acordada.

Em pouco tempo, as pessoas saíram de casa para observar o fenômeno: luzes se apagando e acendendo logo depois. Uma lâmpada explodiu, e o vidro estraçalhou na cabeça de alguns curiosos. Mais pessoas foram para as ruas e começaram a ficar amedrontados com a menina de vestido branco em cima de um cavalo, apagando as luzes por onde passava. Parecia o apocalipse. 

As pessoas realmente têm muito medo do que elas não entendem, eu percebi. Logo, o medo se tornou agressividade, e as pessoas começaram a jogar pedras em mim. Uma dessas pedras bateu na minha cabeça, e foi quando eu caí do cavalo, que, por sua vez, saiu correndo em disparada. Fiquei ali mesmo, caída no chão, com a testa sangrando. As pessoas continuaram a me apedrejar, apesar de alguns gritarem que eu era só uma criança.

Com muita dor, eu podia sentir a vida esvaindo do meu corpo. No final, não senti dor alguma. Meu espírito saiu novamente de mim, como já havia saído outras vezes, e eu pude me ver recebendo as pedradas, mas agora assistia de forma indolor. Vários outros espíritos me rodearam e ordenaram que eu parasse de olhar. Fui embora antes de completar minha missão, assassinada por uma multidão que não compreendia o quanto eu era importante para o curso da humanidade.

Mas não tinha problema, logo me informaram. Naquele mesmo ano eu retornaria para terminar o que já havia começado.


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