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Estamos preparando e revisando este conto, em breve o publicaremos aqui. :D

- É tão estranho, um lugar como esse e eu encontrar alguém como você!

- Alguém tão fantástico, lindo e com a autoestima mais elevada que o saudável ou alguém com a incrível habilidade de fazer tatuagens com a total falta de recursos que tenho aqui?

- Besta! – riu alto enquanto apreciava a sua recém tatuagem de um triângulo em pontilhismo feito em seu braço direito. Ele sabia que esse tipo de tatuagem primitiva feita com tinta não sairia de seu braço, mas a amou, superando o sentimento de arrependimento que teve no meio do processo da tatuagem. Olhou nos olhos castanhos do rapaz negro e ficou por um tempo com um sorriso bobo na cara – Alguém que não apaga meu fogo, mas que queima junto comigo!

O rapaz negro cerrou os olhos e contraiu os lábios para segurar uma risada.

- Não ria! Eu demorei duas semanas para pensar nessa frase.

Não conteve a risada e a soltou.

- Fiquei duas semanas refletindo. Duas semanas!

- Estou rindo porque gostei!

- Agora, eu vou ficar rindo de você quando tentar falar algo fofo para mim, e como sei que você só vai falar algo fofo quando eu menos espero, vou ficar rindo de qualquer coisa que disser.

- Mas você sempre faz isso.

Concordou e riu alto.

Os dois rapazes que vestiam macacões laranjas, estavam sentados e abraçados no chão na pequena sala de metal e comendo um pacote de jujubas. Estavam na sala do zelador, que sempre teve mais armários e prateleiras vazias do que material para guardar, mas que tinha uma grande janela de vidro onde se podia ver o planeta Terra de perto, escondida atrás dos vários lixos espaciais que flutuavam em torno do planeta e dos destroços do pequeno sol artificial que foi criado há muitos séculos atrás, mas que não deu tão durou tanto como planejado. Esse cômodo era uma das poucas salas com privacidade, por isso era altamente disputada para ser alugada.

Alex que era mais forte e parrudo, deitou o rapaz negro em seu colo, que se aconchegou. Ficaram um tempo em silêncio, apreciando a visão da Terra pela janela.

- Finalmente vou conhecer aquele lugar, mesmo que seja só para pegar outra nave para partir para marte – Alex dizia enquanto colocava alguns jujubas na boca - mas nem deve ser grande coisa, está tudo estragado e os melhores doces vem de Marte.

- Não está tão ruim, você só deve instalar quatro aplicativos em seu corpo para conseguir viver lá, eu faça como eu, instale seis aplicativos para animais de estimação que dá quase no mesmo e fica mais barato! – Riu alto – tenho sonhos com bolas de lã até hoje, mas pelo menos tenho acesso a toda tecnologia de lá.

- Ah claro, é exatamente meu sonho! Virar metade gato, uma parte de cachorro e seja lá mais qual bicho você implantou ai.

- Guaxinim.

- Guaxinim? virou meio guaxinim só para conseguir usar a internet ou a máquina de lavar roupa. Ainda prefiro viver em Marte, você pode ser inteiro humano, não precisa implantar nenhum aplicativo desnecessário para fazer as tecnologias funcionarem e gosto muito daquele meu estúdio em Nuevos, creio que meu pai esteja cuidando dele enquanto estou aqui, esse lugar é terrível por não temos nenhum contato com o mundo externo, precisava falar tanto com ele.

- Em marte também tem humanos azuis, na Terra não tem humanos azuis, aqui tem o cara lá do refeitório, mas ele é tão chato que não conta.

- Ele é meio decepcionante mesmo, mas o importante é quando chegar eu em Marte, eu já vou preparar tudo, vamos morar no andar de cima, em baixo vou dividir para fazer meu estudo de fotografia e seu de tatuagem.

- Você sabe que não precisa! Ainda vai demorar um pouco para eu sair, e tenho que fazer o curso de tatuador, pelo menos um de verdade.

- Mas quando você terminar, seu estúdio vai estar pronto!

- Mas eu preciso conseguir portfólio e experiência antes de ter o meu estúdio!

- Carlos, você já tem muita experiência aqui e um currículo bem diferenciado! – riu alto enquanto bagunçava os cabelos crespos de seu parceiro - Você sabe que sou bem de vida lá fora, consigo manter o estúdio de boa até você vir para arrasar nas tatuagens.

Enquanto discutiam seus futuros, o círculo de metal implantado no lado esquerdo de seus testas, onde fica localizado todos os upgrades, implantes humanos e às vezes de animais, começou a piscar, logo em seguida começou a tocar um som de sirene dentro de suas cabeças, que incomodavam de forma insana. Eles sabiam que quando esse aplicativo era ligado significava problemas.

Se levantaram e correram para fora da sala o mais rápido que podiam, esquecendo o tão caro pacote de jujubas na sala. Atravessaram o corredor claustrofóbico, chegando em uma área aberta, mal iluminada, feito de metal velho e com quatro andares. Haviam vários outros homens, mulheres e androides de macacão laranja correndo em desespero. Alguns pequenos robôs circulares e flutuantes entraram por uma passagem no teto e uma voz agressiva se espalhou por todo o ambiente:

- Detentos, entrem em suas celas agora!

Os dois rapidamente se olharam e se despediram com um aceno de cabeça, correram em direções opostas, suas celas ficavam longe uma da outra. Alex subiu as escadas para o terceiro andar, correu quase até o final do corredor e entrou em sua cela, seu aplicativo em sua cabeça parou de piscar e o som desapareceu, fazendo com que a porta de vidro de sua cela se fechasse.

Sua cela era minúscula, apenas uma cama com um colchão duro, algumas prateleiras com poucos objetos pessoais, um largo tudo que iria do chão ao teto, alguns pôster de naves coladas na parede, um monitor em uma parede que também era usada como espelho e uma invasiva câmera de segurança que tinha uma luzinha vermelha que piscava de modo incansável e irritante, sendo detestada por todos os detentos.

Alex sentou em seu cama de frente para o monitor. A olhava esperando ver a sua notificação, mas o monitor só o refletia, e ele via sua barba ruiva mal aparada, sua cicatriz em seu supercílio esquerdo e no nariz causada por agressões de outros detentos, seu corpo começando a ficar gordo e sua cara de angústia. 

O monitor ligou e mostrou o vídeo enjoativo e irritantemente educativo sobre como uma estação espacial antiga e sem utilidade foi transformada na mais segura prisão espacial, a prisão Maximus, onde presos de todos os planetas, e de todos gêneros e espécies são levados para cumprir suas penas e trabalhar na limpeza dos lixos espaciais, o vídeo apenas não falava que a prisão estava quase abandonada pelo alto custo de funcionamento. Após o vídeo terminar, foi transmitido a sua notificação, era uma advertência, dizia que Alex demorou sete segundos a mais do que o permitido para entrar em sua cela após tocar a sirene do aplicativo, e por isso ele iria perder uma parte de sua comissão que ganhava no trabalho como coletor do lixo espacial.  Alex apenas revirou os olhos e xingou o máximo que podia.

Em seguida foi noticiado que dois detentos seriam transferidos de prisão regular para o lado seguro, ou seja, do lado direito da prisão espacial para o lado esquerdo, onde ficavam alguns detentos jurados de morte, sejam por terem cometidos crimes imperdoáveis, ou pelo preconceito por serem homossexuais ou por serem sortudos de terem sido transferidos para esse lado no primeiro dia de prisão, pois o lado esquerdo, chamado de seguro, era muito mais fácil de se viver.

Em seguida deu-se início ao um vídeo desenvolvido especificamente para cada um dos detentos, passava seus crimes, seu julgamento e as consequências de suas ações. O vídeo que passava em sua cela, mostrava todo o contrabando de aplicativos para saúde que Alex trazia para a Lua em sua nave, e que era proibido de existir na Lua, pois esses aplicativos melhoram a saúde da população mais que a indústria farmacêutica do satélite permitia. Também mostrava seu dia de julgamento, sendo condenado a seis anos de prisão por motivos de melhorar a vida dos moradores da Lua de forma ilegal. Alex debochava de seu vídeo, que não parecia mostrar um crime tão horrível assim.

Ele deitou em sua cama ignorando o vídeo que voltava a passar toda vez que terminava, pensava em Carlos, sabia que o vídeo que passava para ele não o incomodava, seu crime foi proteger seu irmão, que era o seu único parente vivo naquela época, no que resultou ser preso como cúmplice. Olhava para o teto quando todas as luzes se apagaram, menos a irritante luzinha da câmera de segurança que piscava loucamente. Ele escutou as reclamações dos outros detentos e reclamou junto, pois sabia que a falta de luz era por problemas técnicos de uma velha estação espacial transformada num presídio que ninguém mais se importava em investir para consertar as falhas técnicas.

Sem nada para se fazer em sua cela, adormeceu. Acordou no dia seguinte, antes das luzes se ligarem, entrou no apertado tubo que era o seu banheiro, apertou o círculo de metal em sua testa ao mesmo tempo que apertou um botão no painel da parede, se conectando ao banheiro. Lasers desceram do teto pulverizando todas as suas impurezas internas e externas, além de higienizando sua pele de modo suspeito. Ele tinha quase certeza que isso fazia mal para seu corpo, afinal, esse banheiro era uma das primeiras tecnologias chamadas de Nojeira Zero, que foi proibida de ser vendida pois supostamente sua inteligência artificial desintegrou completamente um homem por ter ficado com nojo dele.

Saiu de seu banheiro, sentou na cama, esperou até que as celas se abrissem, andou para fora dela, seguiu a fila dos detentos indo em direção ao pátio das refeições, cumprimentou alguns deles e encarou outros. Reparou que tinha o dobro de robôs de segurança flutuantes e deduziu que foi por causa da transferência dos detentos. 

Pegou a fila para comer a gororoba intragável e quase impossível de mastigar da primeira refeição do dia, por sorte ele possuía um aplicativo instalado que ampliava a potência de sua saliva que facilitava a mastigação, além de dar um leve gosto de chocolate a sua comida, mas que continuava com um gosto horroroso, mas com um fundinho de chocolate. Sentou na mesa de sempre, junto com alguns colegas detentos que comandavam o setor de mercadorias e aluguel de salas abandonadas. Esperou Carlos vir sentar ao seu lado. Viu o sorriso de seu parceiro e sentiu que seu dia ficou um pouco mais fácil.

- Espero que tenham aproveitado o tempo na sala, pois não vou devolver o dinheiro da metade do tempo que perderam ontem – Disse de modo sarcástico o mais alto do grupo.

- Nem deu tempo para nada! Mas não posso reclamar, qualquer momento a sós com esse cara já compensa – disse Carlos dando um tapa nas costas de Alex. 

- Não tenho o que dizer, sou foda mesmo – Disse Alex rindo – mas ontem achei que a sirene era sobre um nave vindo para cá, faz tempo que não vem nenhuma.

- Verdade! Já faz meses que não trazem mais mercadorias para cá, a área mecânica já quase não tem mais ferramentas que funcionem – a detenta com cara de quem sofreria de um surto psicótico a qualquer momento, e de fato iria ter um surto psicótico, começou a falar mais baixo - ouvi até dizer que os guardas estão sem salários, perceberam que quase nenhum deles aparecem mais aqui? Só mandam esses robôs flutuantes, estão todos irritados, ainda mais que atrasaram duas jornadas de volta para a Terra. Estão mais tempo aqui do que deveriam.

- Também tá estranho esses dois caras que mandaram pra cá no seguro, meu contato disse que não aconteceu nada no lado perigoso da prisão para trazer eles aqui. – disse uma detenta ciborgue cheia de tatuagens.

Após teorizarem algumas conspirações, Alex terminou sua refeição, se despediu de todos, combinou de encontrar Carlos na área comum e se dirigiu ao hangar, um lugar grande que cheirava ferrugem e onde ficavam várias pequenas naves de coletas de lixo espacial. Entrou em sua pequena nave, que tinha duas poltronas num minúsculo painel de controles, pois metade da nave era para carga de lixo espacial. Esperou o androide de segurança dar o sinal e abrir o portão para o espaço sideral. Ligou sua nave e a pilotou para o espaço aberto. Seu objetivo era coletar o máximo do entulho que conseguisse, talvez até achar alguma relíquia para si.

Foi um dia produtivo, coletou mais entulho que o habitual, ficou feliz em pensar que ganharia uma comissão maior, apenas não sabia que quando mais coletava, mais o valor de sua comissão diminuía, ou seja, ganharia a mesma coisa de sempre.

Encerrou o expediente, voltou para a prisão espacial, onde foi escaneado pelo andróide de segurança para saber se não está levando algum entulho perigoso. Foi para o pátio das refeições e teve outra refeição intragável, depois foi para a área comum, ansioso para encontrar seu namorado.

Alex sentou na máquina de levantar pesos, ele odiava levantar pesos, odiava fazer exercícios para ser exato, mas gostava de ter a ilusão que estava mais saudável ao se exercitar e gostava de pensar que estava ficando mais gostoso. Esperava Carlos voltar de seu trabalho de mecânico, onde ele quase não trabalhava, passava o tempo fazendo algumas tatuagens em detentos, inclusive em alguns dos agentes penitenciários, em troca de poucos pacotes de doces que ainda existiam na prisão.

Já estava cansado dos exercícios quando percebeu alguns detentos de uma gangue se aproximando. Viu o líder deles parar em sua frente, agachando para ficar cara a cara, assustando Alex, pois Rodrigo era um homem muito grande, forte e estranhamente feio.

- Vou ser curto e grosso, daqui há alguns dias iremos fugir desse lugar e você será o responsável para nós levar embora daqui.

- Quê? – perguntava um Alex confuso.

- É o seguinte, esses cretinos que foram transferidos ontem, vieram para cá para me matar, então o que faremos, você com aquela nave de lixo, vai nos levar para fora daqui, num ponto seguro que estou verificando, com isso, você estaria livre também!

- Mas não quero fugir, eu não vou fazer isso! Tem outros caras que também trabalham com coleta de entulho e usam as naves, que tal...

- Escuta aqui, eu sei que você vai ser solto dentro de dois meses, ou seja, os guardas não acreditam que você faria uma idiotice, não estão te vigiando como deveriam, ainda mais por causa que estão irritados com seus empregos – riu de forma maliciosa – mais uma coisa, se você não me ajudar, aquele seu amigo especial, o tal do Carlos, poderia acordar morto amanhã, ou talvez sem algumas partes importantes do corpo, ou será que talvez com posse de alguma droga ilícita que aumentaria a pena dele por uns trinta anos? Como você prefere acabar com ele? 

Alex gelou, sabia que não poderia fazer nada a respeito, conhecia a influência que ele possuía sobre o lugar, sabia que ele tinha a ajuda interna de algum guarda, mas nunca soube quem ou como. Apenas continuou.

- Mas... teríamos que viver como foragidos...

- Eu sei – deu três tapas no rosto de Alex – Tenho contato na Terra com quem faz aplicativos identidades falsas, quando chegarmos lá vai ganhar o seu, já pensou num novo nome?

- Isso é injusto! Eu conheço esses aplicativos de identidade, não é possível sair do planeta com eles, entregam que é falso se tentar fazer isso, não poderei voltar para Marte, nem sei o que fazer lá na Terra, não sei se vou conseguir encontrar o Carlos de novo – Nesse momento, Alex viu Carlos entrar na área comum, ele percebeu a situação incomum e ficou imóvel ao longe sem saber o que fazer. – Ajudo, mas apenas se ele vier junto comigo.

- Você acha que sou o quê? Já lhe darei uma identidade falsa de graça, sem mencionar que ele é o refém.

- Pois bem, você que deveria saber que o aplicativo que tenho aqui comigo, com apenas um sinal meu, poderei enviar toda essa nossa conversa para os seguranças!

- Sério que essa é a única ameaça que consegue pensar? – Rodrigo olhou para Carlos parado ao longe - Foda-se, ele vem junto, merece pelas tatuagens boas que me fez, afinal só me importa sair daqui mesmo, parece que teremos um final feliz para todo mundo, até para os veadinhos, não é mesmo? 

- O... brigado? – um Alex ainda mais confuso respondeu.

- Amanhã, no horário da refeição, lhe falarei exatamente como proceder, hoje meus homens estão trabalhando na fuga, hackear alguns sistemas, extorquir alguns guardas, sumir com alguns outros, e para garantir, vou colocar as drogas na cela de seu mascote, então, se desistir amanhã, ele estará fodido.

Deu seu pior sorriso e saiu de perto de Alex, que suspiro fundo e compreendeu na furada que entrou. Se levantou a foi de encontro com Carlos que perguntou com medo no rosto:

- Que aconteceu, grandão?

- Venha comigo para um lugar mais calmo que te conto.

Alex puxou Carlos pelo braço e o soltou, contato físico entre detentos não era permitido. Os dois foram para o corredor que levava a sala do zelador, se espremeram na parede atrás de uma placa de metal e Alex contou tudo.

- Parece que não tenho opção não é mesmo?

- Desculpe, foi a única coisa que pensei na hora.

- Relaxa grandão, você sabe que não tenho o que perder, é você que irá perder muito.

- Eu não poderei mais voltar pra Marte...

 - Pesado… eu gostaria de morar lá com você, mas eu iria com você para qualquer lugar. Olha para o lado bom, a Terra é meu lar, você precisa de alguém que tenha as manhãs de lá.

- Tipo as manhãs de usar implantes de animais?

- Exatamente! Muito mais barato, e quase a mesma eficiência!

Os dois rapazes riram. 

- Outra coisa boa é que a Terra tem mais variações de cenários naturais para você fazer meus ensaios fotográficos, mesmo que a maioria seja de cenário pós apocalíptico, mas são muito cenários pós apocalípticos diferentes, muitas fotos minhas diferentes e metade será de nu artístico!

- Besta! Você gostou mesmo dessa minha ideia, adoro quando você topa essas minhas idéias questionáveis.

- Igual a ideia de treinar os ratos para levar mercadorias de uma cela para outra?

- Exato, adorava aqueles ratos, pena que foram pegos! Mas Carlos você lembra que eu disse que em Marte temos hologramas que simularam qualquer cenário, inclusive os da Terra, e que ficam ótimas para tirar fotos?

- Talvez a terra seja péssima mesmo.

Os dois riram, mas logo ficaram apreensivos. Carlos ficou um tempo em silencioso, Alex se aproximou e o envolveu em um abraço, disse:

- Eu não sei o que vai acontecer, nem como viveremos mas vai dar certo, você sabe que esse Rodrigo tem poder, em pouco tempo que esteve aqui já manda até nos guardas, se alguém consegue organizar uma fuga é ele.

- Eu sei, mas dá medo, o cara pode ser influente, ou seja lá o que ele for para conseguir tantas coisas aqui, mas é fugir de uma prisão no espaço! Eu só queria apenas cumprir minha pena, sair daqui e ir embora com você, e se não der certo?

Alex beijou a testa de seu namorado, em seguida os dois sentiram uma dor em suas cabeças, onde ficam seus implantes, e um choque paralisante por todo seus corpos. Perceberam que foram flagrados por um dos robôs de segurança, que estava flutuando logo atrás deles. Ouviram a voz mecânica do robô dizer:

- Contato físico não permitido, ambos levaram uma advertência e uma multa que será descontada em suas comissões de seus ofícios. AGORA, ENTREM EM SUAS CELAS!

Um painel abriu na parte de baixo da máquina, revelando uma arma de choque. Os dois rapazes se desculparam e foram para suas celas individuais, que se fecharam. Perderam o restante do horário na área comum e a briga de detentos mais desnecessária, porém divertida sobre um pacote de balas que houve a tempos.

Alex deitou em sua cama, pensava no que iria acontecer amanhã, o nervosismo começou a tomar conta de seu corpo. As luzes se apagaram mais cedo do que o normal, como punição da briga pelas balas, o que fez todos os detentos irem para suas celas mais cedo. Naquela noite, Alex não conseguiu dormir, ficou por muito tempo se virando em sua cama. Se assustou quando o painel de sua cela ligou e uma voz chamou por seu nome.

Se levantou e viu uma dos membros da gangue do Rodrigo em sua tela, ela estava transmitindo um vídeo de dentro de sua cela. Alex olhou para a câmera de segurança a percebeu que a luzinha estava desligada, nunca sentiu alívio tão grande.

- Seguinte irmão, o plano mudou, iremos fugir hoje mesmo, foi a brecha que conseguimos com os guardas, seu trampo é simples, haja normalmente, sua nave já está hackeada, significa que consegue sair da área permitida de segurança, Vamos entrar todos  escondidos na sua nave, então dê um jeito de enrolar antes de partir do hangar, depois você parte com tudo, teremos apenas um pouco de tempo antes de sentirem nossa falta. Lembre-se, as drogas já estão da cela daquele seu cara, então não decepcione.

Desligou a transmissão. Alex sentiu um aperto em seu peito. 

Quando o dia começou, Alex foi até o pátio de refeição, pegou sua gororoba, sentou na mesa com os seus colegas, esperou Carlos aparecer, mas que não apareceu. Ninguém sabia qual o motivo de sua demora, Alex evitou contar o que estava acontecendo e decidiu procurar por Carlos.

Andou até na cela de Carlos e a encontrou vazia, viu um dos membros mais altos e forte da gangue de Rodrigo se aproximar, parar do seu lado e sussurrar em seu ouvido.

- Ele está conosco, faça sua parte e vá para o hangar.

Tentando não mostrar seu nervosismo, Alex se dirigiu até hangar, entrou em sua nave e o conectou com o seu aplicativo. Esperou, não sabia até qual momento esperar, o androide de segurança lhe deu o sinal de partida. Alex sabia que precisava enrolar e fez a primeira coisa que passou em sua cabeça. 

Alex pegou sua garrafa de água no suporte do painel, olhou para o androide e viu que ele estava lhe encarando. Com a pior atuação que alguém podia entregar, simulou que derrubou a garrafa de água no chão. Colocou as mãos na cabeça e fez uma cara de espanto tão exagerada, que confundiu o androide, que achou que algo realmente mais grave tinha acontecido. O andróide pensou em ir na nave para ver se tudo estava correto, mas lembrou que seu salário estava atrasado já faz um mês, que não ganhou sua folga para ir para a Terra e decidiu fazer corpo mole e esperar a situação se resolver sozinha.

Alex se agachou no chão para pegar a garrafa e ficou sentado pensando no que iria fazer em seguida. Escutou sons de batidas no metal vindo do chão. Um alçapão que Alex nunca tinha reparado que existia no chão se abriu e Rodrigo e outros detentos de sua gangue entraram dentro da apertada cabine da nave, e por último, entrou Carlos. 

- Eles precisavam de um mecânico que conhecesse como abrir algumas portas, por sorte, o namorado do piloto é um mecânico que tem um aplicativo para usar um maçarico a laser - disse Carlos sorrindo segurando seu maçarico.

Alex apenas soltou um grito entusiasmado, se jogou em direção ao Carlos e o abraçou e beijou com toda sua força.

- Chega de viadagem aqui, vocês vão ter tempo para isso depois – Rodrigo puxou Alex pelos ombros - Você volta para o painel de controle, o resto se esconde dentro das cargas para não serem vistos e ativem as ondas. – Apontou para o compartimento onde ficava os entulhos recolhidos, Carlos e os outros membros da gangue entraram lá dentro - Seguinte Alex, logo quando saímos para fora, você irá ver a distração que criei, quando acontecer acelere o mais rápido possível em direção ao sol artificial, lá entraremos dentro da nave que está nos esperando.

- Tem uma nave nos esperando? Como você conseguiu planejar tudo isso aqui de dentro da prisão? E quem é você para conseguir tantas coisas assim?

- Extorquindo o guarda certo, e teria que te matar se soubesse – deu seu sorriso malicioso - agora vá.

Rodrigo se encolheu no chão para não ser visto e Alex se levantou, sentou no painel de controle, olhou para o andróide, deu seu maior sorriso falso e mostrou a garrafa de água. O andróide apenas pensou que não merecia esse emprego e abriu a porta para a nave sair para o espaço.

Ligou o motor, pilotou a nave para fora da prisão, foi quando Alex viu a distração acontecer, na extremidade direita da prisão espacial houve uma explosão. Vários pedaços da prisão espacial flutuavam pelo espaço junto com alguns corpos de detentos.

- ACELERE! – Rodrigo gritou o mais forte que conseguiu.

Viu pelo painel de controle e nave se desconectar da prisão, e Alex acelerou a nave o mais rápido que pode. Estavam salvos, mas não por muito tempo. O sol estava distante da prisão, estava atrás de vários pedaços de lixo espacial, seria difícil chegar lá.

Alex não era um bom piloto, nem gostava tanto de adrenalina, mas já adquiriu muita experiência ao pilotar essa nave, que não era rápida e nada fácil de manobrar. Adentrou todo os entulhos espaciais que flutuavam no espaço, desviou de alguns, mas acertou outros, nada que comprometesse a nave. Chegou ao sol artificial, deu a volta nele e diminuiu a velocidade.

Não havia nave os esperando, só havia entulho. No radar apenas aparecia a prisão espacial e as outras naves de coleta de lixo. Carlos saiu do compartimento de carga, entrou na pequena cabine da nave, colocou as mãos sobre o ombro de Alex, mas viu a cara de medo de seu parceiro.

- Não deveria ter algo aqui? – Questionou Alex.

Num piscar de olhos, uma grande nave branca surgiu diante de todos eles, saindo de seu disfarce e finalmente aparecendo no radar. Alex vibrou ao vê-la.

- Isso que é uma nave de contrabando decente! Se eu tivesse uma dessa nem teria sido pego! – Carlos encarou Alex – mas eu realmente gostei de ser preso, quero dizer, eu não gostei de ser preso, mas assim eu conheci você – deu seu sorriso bobo – afinal ganhei um tatuador que me faz tatuagem de graça.

- Seu besta! – Carlos deu um soco fraco no ombro de Alex. Rodrigo viu a cena, ficou enjoado e revirou os olhos.

A nave branca parou na frente da nave coletora de lixo e abriu seu compartimento de carga e deu sinal para a pequena nave entrar. Alex teria que pilotar a nave para dentro, ficou apreensivo pois a nave não era estreia e não foi feita para pousar com uma nave daquele tipo lá dentro.

Com extremo cuidado, Alex posicionou a nave e preparou para o pouso interno quando um forte impacto atingiu a nave coletora de lixo quebrando-a no meio, jogando a parte da frente onde estava do detentos contra as paredes internas da nave branca, seus tripulantes foram arremessados para as paredes e o chão. 

Uma pequena nave de segurança do presídio chegou mais rápido do que eles planejaram, e continuava a atirar. Acertou várias vezes na parte interna da nave branca, que ligou seu campo de forças, se protegendo dos tiros.

Carlos se levantou da pancada e viu Alex desmaiado na cadeira do piloto com sangue escorrendo do nariz, viu mais alguns dos outros detentos caídos no chão. Correu até seu namorado, e tirou do cinto de segurança

Com extremo cuidado, Alex posicionou a nave e preparou para o pouso interno quando um forte impacto atingiu a nave coletora de lixo, desestabilizando-a, seus tripulantes foram arremessados para as paredes e o chão. 

Algumas pequenas naves de segurança do presídio chegaram mais rápidas do que eles planejaram, e continuava a atirar. Acertaram várias vezes na parte interna da nave branca, que ligou seu campo de forças, se protegendo dos tiros.

Carlos se levantou, sentiu seu corpo doer com a pancada, Percebeu que a nave estava em volta de energia que puxava ela para próxima das naves de segurança, a parte de trás da nave foi destruída, poderia ver o espaço através de uma fina camada de energia. 

Olhou ao redor e viu Alex desmaiado na cadeira do piloto com sangue escorrendo do nariz, viu mais alguns dos outros detentos caídos no chão, alguns mortos, outros inconsciente, não viu Rodrigo, provavelmente foi jogado para fora da nave. Foi até seu namorado, o abraçou, viu que o compartimento de carga da nave branca ainda estava aberto, ainda estavam esperando eles entrarem, e Carlos lembrou que já consertou, ou quase consertou, várias vezes uma nave coletora de lixo em seu emprego de mecânico, inclusive, a cápsula de fuga desse tipo de nave.

Tentava lembrar as aulas que recebeu por aplicativo, tentava lembrar onde ficava a cápsula de fuga, olhou para todo o painel, viu as alavancas corretas e as puxou. Uma pequena porta abriu de cada lado do painel de controles, onde estava escrito: “Salvação Individual”. Era as cápsulas de fuga, que faziam jus ao nome, tão apertada que caberia somente uma pessoa.

Tirou Alex do cinto de segurança, arrastou ele para uma delas e o jogou lá dentro, a fechou e olhou para a nave branca que estava atirando contra as naves de segurança, seu compartimento de cargas estava se fechando lentamente, ainda estavam os esperando, ainda existia chances dos dois se salvarem.

Pelo painel do lado externo, Carlos direcionou a cápsula para ser arremessada dentro da nave e apertou o botão de ejetar. Viu Alex acordar dentro da cápsula, e deu tempo de lhe dizer:

- Te amo cara!

E viu a cápsula dele ser arremessada para fora, correu para entrar dentro da outra cápsula de fuga. 

Alex gritou, sentiu dor e não entendeu o que aconteceu, só via sua antiga nave aos pedaços se distanciar, até entrar dentro da outra nave, que teve suas comportas fechadas logo após. Entendeu que estava dentro da nave branca, e sentiu ela dar a partida em direção a Terra.

 

Alex, sobre a identidade falsa de Enzo, que descobriu que a identidade era sofisticada o suficiente para conseguir viajar a outros planetas, estava algemado dentro de uma nave junto com outros prisioneiros, indo em direção ao presídio espacial Maximus, cinco anos após fugir dela. Passou pela rotina que já conhecia de inseminação dentro do presídio, foi levado para a setor seguro. Ganhou uma cela no quarto andar, que tinha uma câmera de segurança que não tinha uma luzinha que piscava, mas tinha duas luzinhas que piscavam incansavelmente. 

Ficou preso até o dia seguinte. Foi liberado para ir ao pátio de refeição. Encontrou alguns velhos colegas de prisão, mas não encontrou Carlos, logo ficou sabendo por que nunca encontrou nenhum registro sobre o que aconteceu com ele.

Por algum motivo, Carlos teve sua pena aumentada em apenas dois anos, mas foi transferido a um presídio em Marte, provavelmente já tinha cumprido seu tempo e solto no próprio planeta. Alex apenas sentou na mesa do refeitório e gargalhou.


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